{"id":13996,"date":"2020-11-24T17:43:56","date_gmt":"2020-11-24T22:43:56","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=13996"},"modified":"2020-11-25T15:34:46","modified_gmt":"2020-11-25T20:34:46","slug":"protestos-credibilidade-imprensa-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/protestos-credibilidade-imprensa-chile\/","title":{"rendered":"Onda de protestos e crise de credibilidade da imprensa tradicional impulsionam meios  alternativos e fact-checking no Chile"},"content":{"rendered":"<p>\"Desligue a TV!,\" \"Saia para marchar!,\" \"A TV mente!\" liam-se nas ruas de Santiago e outras cidades chilenas durante os protestos mais massivos da hist\u00f3ria do pa\u00eds contra a desigualdade social, tamb\u00e9m chamado de 'o despertar do Chile'.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ApagaLaTele_PatricioContreras.jpeg\" alt=\"\" \/><a id=\"post-preview\" class=\"preview button\" href=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/protestos-credibilidade-imprensa-chile\/?preview=true\" target=\"wp-preview-13996\" rel=\"noopener noreferrer\">Preview Changes<span class=\"screen-reader-text\"> (opens in a new tab)<\/span><\/a><\/p>\n<p>Quando ocorreu a manifesta\u00e7\u00e3o em outubro de 2019 devido \u00e0 crescente desigualdade econ\u00f4mica e social do pa\u00eds, as pessoas marcharam em protesto e de forma pac\u00edfica. A m\u00eddia tradicional, no entanto, apresentou manifestantes como violentos e ofereceu uma cobertura distorcida, afetando sua j\u00e1 fr\u00e1gil credibilidade. Al\u00e9m disso, existia um ambiente prop\u00edcio \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de fake news.<\/p>\n<p>Como resultado, surgiram meios alternativos e de fact-checking para manter os cidad\u00e3os informados sobre o que realmente estava acontecendo nas ruas. Houve uma reflex\u00e3o no jornalismo de radiodifus\u00e3o sobre a cobertura de abusos e repress\u00e3o policial, valendo-se de uma maior variedade de fontes.<\/p>\n<p><strong>A revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria televisionada<\/strong><\/p>\n<p>\u201cQuando o movimento social come\u00e7ou, o foco da cobertura televisiva era, em geral, a cobertura dos acontecimentos violentos ocorridos em torno das manifesta\u00e7\u00f5es, que eram muito massivas e aconteciam todos os dias. Isso causou muito aborrecimento entre os telespectadores,\" disse a jornalista e acad\u00eamica chilena Francisca Skoknic \u00e0 <strong>LatAm Journalism Review (LJR)<\/strong>. \u201cAs pessoas acabaram odiando jornalistas nas marchas e, em muitos casos, agredindo-os\u201d.<\/p>\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais chilenos \u2013 como TVN, Mega, jornal La Tercera, entre outros \u2013 enfatizaram a cobertura dos excessos com longas e ininterruptas transmiss\u00f5es de saques, barricadas e inc\u00eandios em diversos pontos da cidade, principalmente no centro da capital, segundo Claudia Lagos, professora de jornalismo da Universidade do Chile e presidente da Rede de Jornalistas do Chile, em entrevista \u00e0 <strong>LJR<\/strong>.<\/p>\n<p>O portal TVN Noticias, do canal Televisi\u00f3n Nacional de Chile, publicou no primeiro par\u00e1grafo de uma not\u00edcia de 23 de novembro de 2019: \u201c<a href=\"https:\/\/www.tvn-2.com\/mundo\/suramerica\/Incendios-millonario-banco-violencia-Chile_0_5448955069.html\">Inc\u00eandios, ataques a delegacias<\/a> e roubo milion\u00e1rio de um banco foram registrados no in\u00edcio deste final de semana, em mais uma noite de viol\u00eancia com novos feridos e detidos em meio \u00e0 crise social no Chile, informou a pol\u00edcia\u201d.<\/p>\n<p>O jornal chileno La Tercera publicou em 28 de outubro de 2019, dez dias ap\u00f3s o in\u00edcio dos protestos, que fontes de intelig\u00eancia do governo detectaram a presen\u00e7a de cidad\u00e3os<a href=\"https:\/\/www.latercera.com\/nacional\/noticia\/aclaracion-articulo-publicado-la-tercera-error-del-nos-hacemos-cargo\/881975\/\"> cubanos e venezuelanos nos atos violentos dos protestos<\/a>. Naquele mesmo dia, ele se retratou e se desculpou, dizendo que se tratava de uma informa\u00e7\u00e3o extra-oficial que a pol\u00edcia havia repassado ao governo.<\/p>\n<p>No entanto, isso n\u00e3o era novo, disse Lagos, uma vez que a agenda da m\u00eddia que cobre delitos, agress\u00f5es e crimes tem sido o centro da cobertura da televis\u00e3o no Chile h\u00e1 anos. \"Portanto, enfatizar esses aspectos na cobertura das demandas sociais era consistente com essa abordagem dos telejornais das \u00faltimas d\u00e9cadas.\"<\/p>\n<p><strong>Crise de imprensa e credibilidade no Chile<\/strong><\/p>\n<p>Em uma<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B-5Z46z-B19KWnJWdTc5OW9reXdramRqdVM3aEZEamRCMktB\/view\"> pesquisa<\/a> realizada pela Faculdade de Comunica\u00e7\u00f5es da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Chile, 80% dos entrevistados acreditam que os jornalistas n\u00e3o cobriram acontecimentos importantes ou entrevistaram as fontes corretas. \u201c71% disseram que cobriram apenas parte das not\u00edcias e 91% disseram n\u00e3o concordar com a afirma\u00e7\u00e3o de que os jornalistas foram uma contribui\u00e7\u00e3o para a gest\u00e3o da crise social,\" disse a jornalista e diretora executiva da Red de Periodistas de Chile, Paulette Desormeaux.<\/p>\n<p>O mesmo estudo apontou que da maioria dos chilenos pesquisados, 80% consomem not\u00edcias em redes sociais como Facebook, Instagram e Twitter. \u201cO acesso \u00e0s not\u00edcias no WhatsApp \u00e9 transversal em termos de g\u00eanero e idade,\" explicou Desormeaux.<\/p>\n<p>O consumidor voltou seu olhar para o Facebook, WhatsApp, Instagram, Twitter, redes utilizadas pelos meios e jornalistas independentes para informar e reportar desde as ruas, disse \u00e0 LJR Fabi\u00e1n Padilla, diretor e editor geral do site Fast Check CL.<\/p>\n<p>A m\u00eddia tradicional fez \u201cvista grossa\u201d aos problemas de direitos humanos que vinham ocorrendo no pa\u00eds desde o in\u00edcio dos protestos, disse Padilla.<\/p>\n<p>Em seu relat\u00f3rio anual de 2020 sobre not\u00edcias digitais, o Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo observou que a credibilidade das pessoas na m\u00eddia chilena<a href=\"https:\/\/reutersinstitute.politics.ox.ac.uk\/sites\/default\/files\/2020-06\/DNR_2020_FINAL.pdf\"> diminuiu substancialmente em 2019<\/a>, ap\u00f3s massivos protestos sociais.<\/p>\n<p>\u201cEm um pa\u00eds com a maior concentra\u00e7\u00e3o de meios de comunica\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, os jornalistas s\u00e3o vistos como parte da classe pol\u00edtica sem representa\u00e7\u00e3o e h\u00e1 ressentimento nas ruas com a cobertura jornal\u00edstica na TV e na imprensa,\" indica o estudo.<\/p>\n<p>O portal<a href=\"https:\/\/lavozdelosquesobran.cl\/a-un-ano-del-estallido-la-reuniones-secretas-de-pinera-y-sus-ministros-con-altos-ejecutivos-y-rostros-de-television\/\"> La Voz de los que Sobran<\/a> publicou recentemente que funcion\u00e1rios do governo do presidente Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era, inclusive o presidente, teriam se reunido com executivos e editores de v\u00e1rios canais tradicionais para coordenar a linha editorial da cobertura dos protestos e mostrar, acima de tudo, a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>A falta de diversidade na m\u00eddia tradicional chilena, acrescentou Skoknic, \u00e9 um problema. \u201cSuas linhas editoriais s\u00e3o bastante homog\u00eaneas, tendendo para a direita, direita liberal ou direita conservadora e, portanto, esse tipo de fen\u00f4meno \u00e9 visto sob essa perspectiva,\" explicou.<\/p>\n<p>CNN Chile e Chilevisi\u00f3n, entre os canais de TV, fizeram um esfor\u00e7o para fornecer uma cobertura equilibrada dos eventos durante os protestos, segundo Skoknic.<\/p>\n<p>Como resultado de seus esfor\u00e7os para cobrir os protestos de forma equilibrada, um patrocinador de ambos os canais enviou uma carta<a href=\"https:\/\/eluniversal.cl\/contenido\/7350\/colegio-de-periodistas-se-pronuncia-filtran-carta-de-financista-de-chv-y-cnn-chi\"> para retirar seu an\u00fancio devido ao tipo de cobertura<\/a>, publicou El Universal de Chile.<\/p>\n<p>\u201cAlertamos os cidad\u00e3os que essas pr\u00e1ticas antidemocr\u00e1ticas, de quem deseja que a<a href=\"https:\/\/www.colegiodeperiodistas.cl\/2019\/11\/colegio-de-periodistas-rechaza.html?utm_source=dlvr.it&amp;utm_medium=twitter\"> informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica seja controlada por neg\u00f3cios ou interesses pol\u00edticos<\/a>, s\u00e3o inadmiss\u00edveis diante da justa demanda cidad\u00e3 que exige uma imprensa democr\u00e1tica, pluralista e com diversidade editorial,\" disse o Col\u00e9gio de Jornalistas sobre a a\u00e7\u00e3o do patrocinador em seu portal.<\/p>\n<p>Sobre os sites noticiosos, Lagos considerou que<a href=\"https:\/\/www.ciperchile.cl\/2019\/10\/29\/prensa-politica-la-camara-de-eco-de-las-elites\/\"> Ciper<\/a>,<a href=\"https:\/\/www.elmostrador.cl\/destacado\/2019\/10\/23\/el-dia-en-que-el-publico-se-aburrio-de-la-tele-la-criticada-cobertura-de-los-canales-abiertos-al-estallido-social-en-chile\/\"> El Mostrador<\/a> e<a href=\"https:\/\/interferencia.cl\/\"> Interferencia<\/a> foram as m\u00eddias digitais nativas com a cobertura mais equilibrada dos protestos. \u201cCiper e Interferencia, enfatizaram exatamente o que a m\u00eddia tradicional, especialmente a TV, omitiu: a brutalidade policial, os bastidores da gest\u00e3o pol\u00edtica do governo na crise, etc.,\" disse ele.<\/p>\n<p>A m\u00eddia hiperlocal tamb\u00e9m ganhou mais relev\u00e2ncia com o in\u00edcio das manifesta\u00e7\u00f5es sociais no pa\u00eds. Houve um aumento do tr\u00e1fego de m\u00eddias hiperlocais como La Voz de Maip\u00fa, segundo Lagos, que focou na cobertura da crise em suas comunidades.<\/p>\n<p><strong>Surgimento de m\u00eddias alternativas e fact-checking<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Poynter, a desinforma\u00e7\u00e3o disseminada por meio de servi\u00e7os de mensagens e plataformas sociais foi uma das consequ\u00eancias mais relevantes da crise pol\u00edtica que se desencadeou ap\u00f3s a onda de protestos.<\/p>\n<div id=\"attachment_14085\" style=\"width: 1260px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14085\" class=\"wp-image-14085 size-full\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/REI-Chile-Cami-Urban.png\" alt=\"Protestas sociales, Chile. \" width=\"1250\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/REI-Chile-Cami-Urban.png 1250w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/REI-Chile-Cami-Urban-300x120.png 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/REI-Chile-Cami-Urban-1024x410.png 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/REI-Chile-Cami-Urban-768x307.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1250px) 100vw, 1250px\" \/><p id=\"caption-attachment-14085\" class=\"wp-caption-text\">Manifesta\u00e7\u00f5es sociais no Chile, 2019. (Foto: Cami Urban\/REI Chile)<\/p><\/div>\n<p>De acordo com a organiza\u00e7\u00e3o norte-americana, em dezembro de 2019 havia no Chile at\u00e9 <a href=\"https:\/\/www.poynter.org\/fact-checking\/2019\/political-turmoil-sparked-a-national-fact-checking-ecosystem-in-chile-17-platforms-are-active-now\/\">17 plataformas ativas de verifica\u00e7\u00e3o de dados<\/a>. Entre os meios de comunica\u00e7\u00e3o est\u00e3o<a href=\"https:\/\/www.malaespinacheck.cl\/category\/explicativo\/\"> Malaespina<\/a>,<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/rei_chile\/\"> REI Chile<\/a>, Fake News Report, Fast Check CL.<\/p>\n<p>O Fast Check CL, que come\u00e7ou como uma conta do Instagram em 22 de outubro de 2019, tem atualmente cerca de 181 mil seguidores, um endere\u00e7o na web, uma equipe de oito jornalistas, al\u00e9m de colaboradores, e seu financiamento \u00e9 baseado em doa\u00e7\u00f5es. Segundo Padilla, o fundador, o objetivo do site \u00e9 ajudar as pessoas a lerem informa\u00e7\u00f5es verificadas diante do caos da desinforma\u00e7\u00e3o e da falta de credibilidade da m\u00eddia.<\/p>\n<p>\u201cDesde 18 de outubro de 2019, os boatos, mensagens virais no WhatsApp desinformando sobre os militares, sobre um poss\u00edvel golpe de Estado, sobre viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos, sobre centenas de coisas, causaram um choque de desinforma\u00e7\u00e3o,\" disse Padilla. Nesse contexto, explicou Padilla, nasceu a Fast Check CL, para combater a desinforma\u00e7\u00e3o viral e tendo como exemplo as experi\u00eancias de<a href=\"https:\/\/chequeado.com\/\"> Chequeado<\/a>, da Argentina,<a href=\"https:\/\/fullfact.org\/about\/\"> Full Fact<\/a>, entre outras.<\/p>\n<p>Mala Espina \u00e9 outro site de fact-checking que surgiu durante os protestos sociais, a fim de combater a desinforma\u00e7\u00e3o e documentar essa conjuntura social.<\/p>\n<p>O jornalista Tom\u00e1s Mart\u00ednez, editor e fundador da Mala Espina, disse \u00e0 <strong>LJR <\/strong>que nos primeiros quatro meses trabalhou sozinho nas checagens, mas desde abril de 2020 quatro jornalistas e um estagi\u00e1rio ingressaram no grupo de trabalho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos protestos, Mala Espina tamb\u00e9m apura dados sobre a pandemia do coronav\u00edrus, gra\u00e7as \u00e0 qual faz parte da rede de<a href=\"https:\/\/chequeado.com\/latamcoronavirus\/\"> verificadores LatamChequea<\/a> desde abril.<\/p>\n<p>Outra das iniciativas de verifica\u00e7\u00e3o de dados que alcan\u00e7ou milhares de seguidores foi REI Chile. Este novo meio digital de fact-checking foi criado e \u00e9 mantido por estudantes universit\u00e1rios que procuraram representar o que estava acontecendo nas ruas, explicou Desormeaux.<\/p>\n<p>REI Chile tem mais de 29 mil seguidores no Instagram e uma equipe de trabalho de 25 pessoas.<\/p>\n<p>\u201cO REI surgiu em 20 de outubro de 2019, dois dias ap\u00f3s o in\u00edcio das manifesta\u00e7\u00f5es sociais. A iniciativa partiu de Kari L\u00f3pez, que prop\u00f4s em um grupo do WhatsApp que pud\u00e9ssemos nos encontrar com estudantes de jornalismo da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Chile para relatar os eventos que estavam acontecendo no Chile,\" disse Micaela Marchant, editora geral da REI, \u00e0 LJR .<\/p>\n<p>O REI foi criado em resposta a um sentimento generalizado de que a m\u00eddia tradicional n\u00e3o estava mostrando o que realmente estava acontecendo, disse Marchant, e a ideia do REI era alcan\u00e7ar a informa\u00e7\u00e3o diretamente, estar na rua, usando suas pr\u00f3prias imagens e crit\u00e9rios editoriais rigorosos.<\/p>\n<p>Atualmente, o formato e a periodicidade das informa\u00e7\u00f5es mudou. \u201cDecidimos deixar de ter uma cobertura minuto a minuto da rua e passamos a fazer um jornalismo mais digerido, com dados e contexto,\" disse Marchant.<\/p>\n<p><strong>Reflex\u00e3o sobre o papel da imprensa<\/strong><\/p>\n<p>Na opini\u00e3o da jornalista chilena Paula Molina, os protestos sociais lembraram aos meios de comunica\u00e7\u00e3o a import\u00e2ncia de trabalhar na rua, de colocar equipes com capacidade suficiente para trabalhar em um \u201ccontexto t\u00e3o vol\u00e1til e din\u00e2mico,\" como manifesta\u00e7\u00f5es e capaz identificar rapidamente os abusos da pol\u00edcia contra os cidad\u00e3os durante os protestos.<\/p>\n<p>\u201cAcho que o que poder\u00edamos aprender com as manifesta\u00e7\u00f5es \u00e9 a necessidade de fortalecer as capacidades de reportagem, investiga\u00e7\u00e3o, checagem de informa\u00e7\u00f5es, an\u00e1lise de dados: redobrar as ferramentas e o compromisso do jornalismo em buscar a verdade ser\u00e1 o melhor ant\u00eddoto contra a press\u00e3o e a imparcialidade,\" disse Molina \u00e0 <strong>LJR<\/strong>.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o p\u00fablica, segundo Molina, ainda mais depois das manifesta\u00e7\u00f5es, exige que a m\u00eddia no Chile fa\u00e7a uma reflex\u00e3o s\u00e9ria sobre as bases de sua credibilidade: \"por que o p\u00fablico deve acreditar em n\u00f3s?\"<\/p>\n<p>Segundo Desormeaux, Lagos e Skoknic, dada a situa\u00e7\u00e3o da imprensa que era atacada cada vez que era advertida nas manifesta\u00e7\u00f5es, muitos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais come\u00e7aram a incluir mais vozes nas semanas ap\u00f3s as manifesta\u00e7\u00f5es. Foram criados programas especiais que inclu\u00edam especialistas nos programas matinais - antes destinados apenas para o entretenimento -, lideran\u00e7as de bairro, organizadores cidad\u00e3os, etc.<\/p>\n<p>\u201cIsso abriu um caldeir\u00e3o de novas vozes na televis\u00e3o que raramente eram vistas. Lembro-me particularmente da TVN,\" disse Lagos.<\/p>\n<p>As massivas marchas de protestos sociais no Chile continuaram por um ano, at\u00e9 que o governo cedeu ao pedido principal da popula\u00e7\u00e3o: uma mudan\u00e7a na Constitui\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica por maior igualdade de direitos. A vota\u00e7\u00e3o popular para uma nova Constitui\u00e7\u00e3o ocorreu em 25 de outubro de 2020 e<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-america-latina-54717647\"> obteve 78% de aprova\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>Um ano ap\u00f3s as manifesta\u00e7\u00f5es, nasceu o projeto <a href=\"https:\/\/documenta.labot.cl\/sobre-documenta\/\">LaBot Documenta<\/a>. Esta plataforma nasce, de acordo com a descri\u00e7\u00e3o do site da LaBot, da aus\u00eancia de um maior ecossistema de meios de comunica\u00e7\u00e3o e jornalistas investigativos no Chile e da necessidade de deixar um registro mais equilibrado das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos causadas por abusos e repress\u00e3o policial durante a recente crise social.<\/p>\n<p>Skoknic, junto com seus colegas Andrea Insunza e Paula Molina, lan\u00e7aram a plataforma LaBot Documenta ap\u00f3s o primeiro anivers\u00e1rio das manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A plataforma j\u00e1 processou mais de 1.500 casos judiciais, que s\u00e3o apresentados como arquivos com uma breve descri\u00e7\u00e3o para gerar um banco de dados. Esses arquivos, disse o jornalista, s\u00e3o acompanhados por investiga\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas que analisam alguns padr\u00f5es de ataques.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os tr\u00eas jornalistas criaram um site aberto fact-checking<a href=\"https:\/\/chequea.labot.cl\/\">, LaBot Chequea<\/a>. Ambos os projetos recebem financiamento da Open Society Foundations.<\/p>\n<p>O LaBot Chequea \u00e9 um bot fechado, como um chat, cujo objetivo \u00e9 ensinar o usu\u00e1rio a checar as informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\"Acreditamos que, embora seja muito importante que todos esses pequenos meios de verifica\u00e7\u00e3o de fatos tenham surgido, a desinforma\u00e7\u00e3o falsa \u00e9 sempre mais poderosa e mais r\u00e1pida,\" disse Skoknic. \u201cAcreditamos que \u00e9 importante que os cidad\u00e3os tenham ferramentas para que eles pr\u00f3prios aprendam a verificar, duvidar e possam verificar e n\u00e3o acreditar em tudo o que chega pelo WhatsApp\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os protestos sociais do Chile lembraram \u00e0 m\u00eddia do pa\u00eds a import\u00e2ncia de trabalhar no terreno, de colocar equipes de imprensa com capacidade suficiente para trabalhar em um \"contexto t\u00e3o vol\u00e1til e din\u00e2mico\", disse a jornalista Paula Molina.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":13954,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1235],"tags":[1435,1451],"coauthors":[],"class_list":["post-13996","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-falsas-e-desinformacao-pt-br","tag-chile-pt-br","tag-fact-checking-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v22.6 (Yoast SEO v27.4) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Onda de protestos e crise de credibilidade da imprensa tradicional impulsionam meios alternativos e fact-checking no Chile - LatAm Journalism Review by the Knight Center<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Onda de protestos e crise de credibilidade da imprensa tradicional impulsionam meios alternativos e fact-checking no Chile Not\u00edcias Falsas e Desinforma\u00e7\u00e3o. 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