{"id":14248,"date":"2020-12-02T14:38:54","date_gmt":"2020-12-02T19:38:54","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=14248"},"modified":"2020-12-02T15:54:24","modified_gmt":"2020-12-02T20:54:24","slug":"podcasts-latino-americanos-sobre-feminicidio-vao-alem-dos-crimes-e-mostram-violencia-sistemica-e-falhas-nas-instituicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/podcasts-latino-americanos-sobre-feminicidio-vao-alem-dos-crimes-e-mostram-violencia-sistemica-e-falhas-nas-instituicoes\/","title":{"rendered":"Podcasts latino-americanos sobre feminic\u00eddio v\u00e3o al\u00e9m dos crimes e mostram viol\u00eancia sist\u00eamica e falhas nas institui\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Por <a href=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/staff\/marina-estarque\/\"><strong>Marina Estarque<\/strong><\/a> e <a href=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/staff\/silvia-higuera\/\"><strong>Silvia Higuera<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina \u00e9 a regi\u00e3o mais perigosa do mundo para as mulheres, com taxas de feminic\u00eddio altas e que seguem aumentando, <a href=\"http:\/\/www.onumulheres.org.br\/noticias\/regiao-da-america-latina-e-do-caribe-e-a-mais-violenta-do-mundo-para-as-mulheres-diz-onu\/\" data-cke-saved-href=\"http:\/\/www.onumulheres.org.br\/noticias\/regiao-da-america-latina-e-do-caribe-e-a-mais-violenta-do-mundo-para-as-mulheres-diz-onu\/\">segundo as Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a>. Em 2018, mais de 3.500 mulheres foram assassinadas em 25 pa\u00edses da regi\u00e3o por quest\u00f5es de g\u00eanero, de acordo com um <a href=\"https:\/\/www.cepal.org\/es\/comunicados\/solo-2018-al-menos-3529-mujeres-fueron-victimas-feminicidio-25-paises-america-latina\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/www.cepal.org\/es\/comunicados\/solo-2018-al-menos-3529-mujeres-fueron-victimas-feminicidio-25-paises-america-latina\">relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para Am\u00e9rica Latina e o Caribe<\/a> (CEPAL).<\/p>\n<p>Em setembro, dois podcasts que abordam o feminic\u00eddio em dois pa\u00edses da regi\u00e3o foram lan\u00e7ados \u2013 os \u00faltimos epis\u00f3dios, incluindo os extras, foram ao ar em novembro. Os podcasts de jornalismo narrativo <a href=\"https:\/\/www.radionovelo.com.br\/praiadosossos\/\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/www.radionovelo.com.br\/praiadosossos\/\">Praia dos Ossos<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/therednotepod\/\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/www.facebook.com\/therednotepod\/\">La Nota Roja<\/a> partem de crimes antigos, cometidos h\u00e1 d\u00e9cadas, para abordar uma realidade que persiste na regi\u00e3o: a viol\u00eancia sist\u00eamica contra a mulher e uma cultura machista que culpa as v\u00edtimas e inocenta os assassinos.<\/p>\n<p>A <strong>LatAm Journalism Review<\/strong> (LJR) falou com os criadores dos dois podcasts, que n\u00e3o se dedicam a descobrir o autor dos crimes ou a desvendar um mist\u00e9rio, mas sim explicar as ra\u00edzes culturais e as falhas nas for\u00e7as de seguran\u00e7a e no sistema de Justi\u00e7a que permitem que esses crimes se perpetuem.<\/p>\n<div id=\"attachment_14249\" style=\"width: 403px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14249\" class=\" wp-image-14249\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/praiadosossos_final_-300x300.jpg\" alt=\"Colagem Praia dos Ossos.\" width=\"393\" height=\"393\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/praiadosossos_final_-300x300.jpg 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/praiadosossos_final_-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/praiadosossos_final_-150x150.jpg 150w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/praiadosossos_final_-768x768.jpg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/praiadosossos_final_-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/praiadosossos_final_-2048x2048.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 393px) 100vw, 393px\" \/><p id=\"caption-attachment-14249\" class=\"wp-caption-text\">Colagem Praia dos Ossos. Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o\/R\u00e1dio Novelo<\/p><\/div>\n<p><strong>Praia dos Ossos<\/strong><\/p>\n<p>O podcast de jornalismo narrativo <a href=\"https:\/\/www.radionovelo.com.br\/praiadosossos\/\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/www.radionovelo.com.br\/praiadosossos\/\">Praia dos Ossos<\/a>, da produtora brasileira R\u00e1dio Novelo, conta a hist\u00f3ria de uma rica dona de casa, \u00c2ngela Diniz. Ela foi assassinada com quatro tiros em uma casa na Praia dos Ossos, em B\u00fazios, no estado do Rio de Janeiro, pelo ent\u00e3o namorado Doca Street, em 1976. O caso ficou conhecido pelo nome do assassino, o r\u00e9u confesso Raul Fernando do Amaral Street, o Doca \u2013 o que por si s\u00f3 revela uma injusti\u00e7a, porque apaga o nome e a hist\u00f3ria da v\u00edtima.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos ap\u00f3s o crime, uma narrativa, criada pelos advogados de defesa de Doca e encampada por boa parte da imprensa e da opini\u00e3o p\u00fablica na \u00e9poca, transformou o assassino em v\u00edtima e, por \u00faltimo, em her\u00f3i. O podcast conta que surgiram camisetas com o rosto dele, um <a href=\"https:\/\/www.radionovelo.com.br\/praiadosossos\/downloads\/ep1-o-crime-da-praia-dos-ossos.pdf\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/www.radionovelo.com.br\/praiadosossos\/downloads\/ep1-o-crime-da-praia-dos-ossos.pdf\">restaurante come\u00e7ou a servir \u201cfil\u00e9 Doca Street<\/a>\u201d e fizeram at\u00e9 um drink em sua homenagem, que vinha com quatro balinhas no copo. No primeiro julgamento, em 1979, ele foi recebido por uma legi\u00e3o de f\u00e3s na porta do f\u00f3rum.<\/p>\n<p>Os advogados de defesa argumentaram que \u00c2ngela tinha ofendido Doca em sua \"honra de homem\", o que o obrigou a mat\u00e1-la. <a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/ilegitima-defesa-da-honra\/\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/ilegitima-defesa-da-honra\/\">A tese, que era conhecida como \u201cleg\u00edtima defesa da honra\u201d<\/a>, teve sucesso. No julgamento, a <a href=\"https:\/\/www.radionovelo.com.br\/praiadosossos\/downloads\/ep2-o-julgamento.pdf\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/www.radionovelo.com.br\/praiadosossos\/downloads\/ep2-o-julgamento.pdf\">reputa\u00e7\u00e3o de \u00c2ngela foi atacada<\/a> \u2013 ela foi chamada de \"mulher fatal\", \"V\u00eanus lasciva\", \u201cprostituta de alto luxo da Babil\u00f4nia\u201d, \"libertina\", \"depravada\", entre outros termos.<\/p>\n<p>Doca foi condenado a dois anos de pris\u00e3o e saiu livre do tribunal, porque j\u00e1 tinha cumprido parte da pena. A decis\u00e3o gerou uma revolta entre mulheres e impulsionou o movimento feminista no Brasil. No <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/cotidian\/ff0109200607.htm\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/cotidian\/ff0109200607.htm\">segundo julgamento, j\u00e1 nos anos 80<\/a>, houve mobiliza\u00e7\u00e3o das feministas, e Doca foi condenado a 15 anos de cadeia, dos quais cumpriu tr\u00eas em regime fechado.<\/p>\n<p>A fundadora da R\u00e1dio Novelo, Branca Vianna, apresentadora e idealizadora do Praia dos Ossos, diz que pensou em fazer o podcast ao descobrir que as novas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o conheciam o caso. Mas ela n\u00e3o queria seguir o estilo true crime, um g\u00eanero de podcast que faz muito sucesso e tem como grande exemplo o norte-americano Serial.<\/p>\n<div id=\"attachment_14232\" style=\"width: 433px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14232\" class=\" wp-image-14232\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Com-Isabela-Teixeira-da-Costa-nos-arquivos-do-jornal-Estado-de-MinasJPG-200x300.jpg\" alt=\"Fundadora da R\u00e1dio Novelo, Branca Vianna,\" width=\"423\" height=\"635\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Com-Isabela-Teixeira-da-Costa-nos-arquivos-do-jornal-Estado-de-MinasJPG-200x300.jpg 200w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Com-Isabela-Teixeira-da-Costa-nos-arquivos-do-jornal-Estado-de-MinasJPG-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"auto, (max-width: 423px) 100vw, 423px\" \/><p id=\"caption-attachment-14232\" class=\"wp-caption-text\">Fundadora da R\u00e1dio Novelo, Branca Vianna, durante pesquisa nos arquivos do jornal Estado de Minas. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/R\u00e1dio Novelo<\/p><\/div>\n<p>Vianna afirma que n\u00e3o gosta desse g\u00eanero. \"N\u00e3o nos interessa ficar tratando de crime, especialmente de feminic\u00eddio, entrando nos detalhes s\u00f3rdidos da hist\u00f3ria\", disse ela, em entrevista \u00e0 <strong>LJR<\/strong>. Questionada sobre o Serial, que tamb\u00e9m retrata um feminic\u00eddio, Vianna diz que tem enorme admira\u00e7\u00e3o profissional pelo podcast, pela sua qualidade t\u00e9cnica e narrativa.<\/p>\n<p>\"Aquilo \u00e9 extremamente bem feito, \u00e9 uma aula de como fazer um podcast. [...] Mas eu ouvi muito incomodada e me achando c\u00famplice do que estava acontecendo ali, uma explora\u00e7\u00e3o de um feminic\u00eddio, em que a v\u00edtima n\u00e3o aparece. Aparece o cad\u00e1ver dela, as circunst\u00e2ncias da morte, necropsia, mas a gente n\u00e3o sabe quem \u00e9 aquela menina, ela n\u00e3o interessa\", explica.<\/p>\n<p>Vianna acredita que o Serial falha em n\u00e3o apresentar as condi\u00e7\u00f5es sociais que s\u00e3o as bases da viol\u00eancia de g\u00eanero. \"O que fazem \u00e9 transformar aquilo num thriller. S\u00f3 que \u00e9 uma hist\u00f3ria real, ent\u00e3o tem quest\u00f5es \u00e9ticas que considero muito graves\".<\/p>\n<p>A pesquisadora e coordenadora de produ\u00e7\u00e3o do podcast, Flora Thomson-DeVeaux, afirma que houve, desde o come\u00e7o, uma preocupa\u00e7\u00e3o em n\u00e3o transformar o crime em espet\u00e1culo. Para ela, essa abordagem seria n\u00e3o apenas \"moralmente repugnante\", mas redundante, porque o \"\u00e2ngulo espetaculoso esteve presente desde o in\u00edcio\" da cobertura do caso. \"Isso j\u00e1 foi explorado amplamente ao longo dos anos\", disse ela, em entrevista \u00e0 <strong>LJR<\/strong>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as criadoras do podcast argumentam que o caso \u00c2ngela Diniz n\u00e3o se prestaria a uma narrativa true crime, porque n\u00e3o h\u00e1 um mist\u00e9rio para ser resolvido. Todos sabem como, quando, onde e quem a matou. \"Estava muito claro desde o come\u00e7o que a gente n\u00e3o ia dedicar tempo e espa\u00e7o a essas min\u00facias m\u00f3rbidas que s\u00e3o o centro de muitas produ\u00e7\u00f5es desse tipo, como onde caiu o sangue, coisas assim. Isso teria relev\u00e2ncia se tivesse alguma d\u00favida sobre a autoria, mas j\u00e1 que as circunst\u00e2ncias n\u00e3o guardavam mist\u00e9rio, nem fazia sentido\", diz Thomson-DeVeaux.<\/p>\n<p>Por isso, a equipe refletiu sobre a import\u00e2ncia de incluir cada detalhe sobre o crime. E nada entrava se n\u00e3o tivesse uma fun\u00e7\u00e3o clara. \"Essa j\u00e1 \u00e9 uma coisa que pensamos muito em roteiro de podcast, porque o que sobra atravanca. Tem que ser um roteiro enxuto, porque o ouvido n\u00e3o sabe digerir muita coisa. O que fica no roteiro voc\u00ea tem que justificar muito bem\", diz Thomson-DeVeaux. Ela conta que, nesse processo de filtrar rigorosamente as informa\u00e7\u00f5es, pensava na fam\u00edlia da v\u00edtima e em como eles sofreram com a explora\u00e7\u00e3o do caso pela m\u00eddia.<\/p>\n<p>Por terem uma opini\u00e3o cr\u00edtica sobre true crime, Vianna e Thomson-DeVeaux decidiram que o Praia dos Ossos teria um foco diferente. O objetivo n\u00e3o seria narrar o crime em si, mas analisar as ra\u00edzes e as repercuss\u00f5es. \"Para mim s\u00f3 interessa [se o crime] revelar algo sobre a sociedade em que a gente vive e puder, de alguma maneira, apontar caminhos\", diz Vianna, acrescentando que o caso era um \"reflexo da sociedade da \u00e9poca\".<\/p>\n<div id=\"attachment_14241\" style=\"width: 411px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14241\" class=\" wp-image-14241\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-10-19-at-15.51.40-219x300.jpeg\" alt=\"Flora Thomson-DeVeaux\" width=\"401\" height=\"549\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-10-19-at-15.51.40-219x300.jpeg 219w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-10-19-at-15.51.40-746x1024.jpeg 746w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-10-19-at-15.51.40-768x1054.jpeg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/WhatsApp-Image-2020-10-19-at-15.51.40.jpeg 933w\" sizes=\"auto, (max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/><p id=\"caption-attachment-14241\" class=\"wp-caption-text\">A pesquisadora e coordenadora de produ\u00e7\u00e3o do Praia dos Ossos, Flora Thomson-DeVeaux. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/R\u00e1dio Novelo<\/p><\/div>\n<p>O podcast conta, de forma aprofundada, quais foram os impactos do crime para o movimento feminista, o papel da cobertura machista da imprensa e as principais falhas do sistema judicial. Tamb\u00e9m avalia o que mudou e o que ainda precisa mudar.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o fato de se tratar de um crime antigo permitiu, segundo Vianna e Thomson-DeVeaux, uma dist\u00e2ncia anal\u00edtica. \"O povo fica pin\u00e7ando casos recentes do notici\u00e1rio falando pra gente fazer um Praia dos Ossos 2, e n\u00e3o tem sentido. Porque a nossa proposta desde sempre foi de pegar esse caso que teve uma import\u00e2ncia evidente no momento, mas teve repercuss\u00e3o ao longo de d\u00e9cadas\", diz Thomson-DeVeaux, deixando claro que n\u00e3o h\u00e1 planos de uma segunda temporada do podcast.<\/p>\n<p>O Praia dos Ossos tamb\u00e9m se diferencia de produ\u00e7\u00f5es de true crime pelo esfor\u00e7o de pesquisa e investiga\u00e7\u00e3o para contar a hist\u00f3ria da v\u00edtima e revelar a sua voz. <a href=\"https:\/\/www.radionovelo.com.br\/praiadosossos\/rua-angela-diniz\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/www.radionovelo.com.br\/praiadosossos\/rua-angela-diniz\">Em um dos momentos mais fortes do podcast<\/a>, elas conseguem achar um <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=EXw4c6yy-f4\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=EXw4c6yy-f4\">raro registro da voz de \u00c2ngela Diniz<\/a>, em um comercial de cart\u00e3o de cr\u00e9dito, e admitem estar \"absolutamente obcecadas\" com o \u00e1udio.<\/p>\n<p>Thomson-DeVeaux conta que buscou fugir da guerra da narrativas que se estabeleceu ap\u00f3s o crime, quando havia grupos que tentavam santificar ou demonizar a \u00c2ngela Diniz. \"Tem uma rea\u00e7\u00e3o meio autom\u00e1tica de idealizar a v\u00edtima, e isso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 interessante. A \u00c2ngela era uma personagem complexa. A gente partiu essencialmente de uma curiosidade, de entender quem ela foi\".<\/p>\n<p>Para encontrar esses registros, Thomson-DeVeaux pesquisou em jornais e revistas da \u00e9poca, principalmente na Hemeroteca Digital Brasileira, da Biblioteca Nacional. Quando alguma mat\u00e9ria n\u00e3o estava no acervo digital, ela e Vianna sa\u00edam em busca de uma vers\u00e3o impressa em sebos, no site de livros Estante Virtual e em uma banca que vende revistas antigas no Rio de Janeiro. As duas contam que \"depenaram\" e \"atacaram tudo quanto \u00e9 sebo que tem por a\u00ed\".<\/p>\n<p>Thomson-DeVeaux diz que \"estava viciada\" na pesquisa e leu \"centenas de milhares de textos\", em um trabalho que ela descreve como de \"puro ac\u00famulo\" e \"insist\u00eancia\". \"As melhores coisas sa\u00edram dali. \u00c9 um trabalho meio bra\u00e7al, de garimpo mesmo. Voc\u00ea l\u00ea quinze mat\u00e9rias que n\u00e3o contam nada de novo e na d\u00e9cima sexta voc\u00ea acha algum detalhe bizarro, alguma aspa, que te d\u00e1 um g\u00e1s para ler mais trinta\", lembra.<\/p>\n<p>Elas tamb\u00e9m foram at\u00e9 Minas Gerais, estado de origem da \u00c2ngela Diniz, e visitaram a biblioteca estadual, onde encontraram publica\u00e7\u00f5es locais que n\u00e3o estavam na Biblioteca Nacional. Ao contr\u00e1rio dos acervos digitais, em que \u00e9 poss\u00edvel fazer buscas por palavras-chave, elas precisavam ler jornais inteiros atr\u00e1s de uma \u00fanica reportagem.<\/p>\n<div id=\"attachment_14229\" style=\"width: 456px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14229\" class=\" wp-image-14229\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/BFBE8169-328F-4D77-B410-3F65F850BAA3-300x206.jpeg\" alt=\"Fundadora da R\u00e1dio Novelo, Branca Vianna,\" width=\"446\" height=\"306\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/BFBE8169-328F-4D77-B410-3F65F850BAA3-300x206.jpeg 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/BFBE8169-328F-4D77-B410-3F65F850BAA3-1024x703.jpeg 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/BFBE8169-328F-4D77-B410-3F65F850BAA3-768x527.jpeg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/BFBE8169-328F-4D77-B410-3F65F850BAA3.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 446px) 100vw, 446px\" \/><p id=\"caption-attachment-14229\" class=\"wp-caption-text\">Fundadora da R\u00e1dio Novelo, Branca Vianna, em entrevista para o Praia dos Ossos. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/R\u00e1dio Novelo<\/p><\/div>\n<p>As criadoras do podcast pediam para a bibliotec\u00e1ria todo o material de um certo ano, que era importante para a hist\u00f3ria, e torciam para achar alguma informa\u00e7\u00e3o ali. \"Voc\u00ea coloca uma luvinha e vai olhando... Eu ia pedindo, e a mo\u00e7a ia colocando aqueles volumes gigantescos totalmente empoeirados na minha frente\", lembra Vianna.<\/p>\n<p>Apesar de demorada, essa busca tem vantagens. Como \u00e9 preciso olhar de p\u00e1gina em p\u00e1gina, as pesquisadoras acabaram aprendendo sobre o contexto da \u00e9poca, assegura Vianna. \"Voc\u00ea vai vendo que tipo de propaganda tem na revista, como as mulheres eram retratadas, quais eram as outras coisas que estavam acontecendo naquela cidade naquele ano, e isso te ajuda a entender melhor o assunto que voc\u00ea est\u00e1 de fato pesquisando. \u00c9 muito bacana esse processo pessoal, f\u00edsico, porque vai te dando ideias\".<\/p>\n<p>O Praia dos Ossos demorou quase dois anos para ser feito: foram mais de 50 entrevistas, 80 horas de material gravado, e uma equipe de mais de 40 pessoas, com a dire\u00e7\u00e3o criativa de Paula Scarpin, tamb\u00e9m da R\u00e1dio Novelo. Os direitos foram comprados pela Conspira\u00e7\u00e3o Filmes, que vai adaptar a hist\u00f3ria para o audiovisual.<\/p>\n<p><strong>La Nota Roja<\/strong><\/p>\n<p>Foi em 1993 que o mundo come\u00e7ou a conhecer Ciudad Ju\u00e1rez, no M\u00e9xico, pelo crescente n\u00famero de feminic\u00eddios. A cidade havia se tornado um dos lugares mais perigosos do mundo e alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o se referiam a ela como \"<a href=\"https:\/\/www.jornada.com.mx\/2006\/10\/05\/index.php?section=espectaculos&amp;article=a12n1esp\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/www.jornada.com.mx\/2006\/10\/05\/index.php?section=espectaculos&amp;article=a12n1esp\">a cidade que matava mulheres\"<\/a>.<\/p>\n<div id=\"attachment_14275\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14275\" class=\"wp-image-14275\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_6697-scaled.jpg\" alt=\"Madre de v\u00edctima de feminicidio en Ciudad Ju\u00e1rez\" width=\"540\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_6697-scaled.jpg 2560w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_6697-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><p id=\"caption-attachment-14275\" class=\"wp-caption-text\">Madre de v\u00edctima de feminicidio en Ciudad Ju\u00e1rez. (Foto: Abraham Buend\u00eda Rodr\u00edguez \/Cortes\u00eda Imperative Entertainment &amp; Blue Guitar)<\/p><\/div>\n<p>Mulheres e meninas desapareciam e eram encontradas mortas, com sinais de abuso sexual e de uma morte brutal. Entre 1993 e 1999, os piores anos, foram <a href=\"http:\/\/www.scielo.org.mx\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0187-73722000000100004#n3a\" data-cke-saved-href=\"http:\/\/www.scielo.org.mx\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0187-73722000000100004#n3a\">cometidos 198 assassinatos <\/a>em Ju\u00e1rez, segundo registros oficiais. Mais de 25 anos depois, os crimes n\u00e3o pararam e continuam impunes.<\/p>\n<p>Em um esfor\u00e7o de dar nova visibilidade a esses casos, nasceu <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/therednotepod\/\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/www.facebook.com\/therednotepod\/\">La Nota Roja<\/a>, um podcast dispon\u00edvel em espanhol e em ingl\u00eas (como <a href=\"https:\/\/podcasts.apple.com\/us\/podcast\/id1523681333\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/podcasts.apple.com\/us\/podcast\/id1523681333\">The Red Note<\/a>) que aborda os feminic\u00eddios em Ciudad Ju\u00e1rez por meio de depoimentos de familiares de v\u00edtimas, pesquisadores, acad\u00eamicos, jornalistas e ativistas.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, o diretor Craig Whitney e a produtora Estefan\u00eda Bonilla Hern\u00e1ndez queriam fazer um filme. No entanto, durante a busca por financiamento, eles encontraram a Imperative Entertainment, que sugeriu que fizessem um podcast tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u201cFoi muito interessante porque um longa-metragem tem apenas algumas centenas de minutos de dura\u00e7\u00e3o, e essa hist\u00f3ria \u00e9 muito mais complicada do que podemos contar em um longa-metragem\u201d, disse Whitney \u00e0 <strong>LJR<\/strong>. \u201cO podcast explora as causas, as diferentes perspectivas, e a evolu\u00e7\u00e3o dessa hist\u00f3ria durante os mais de 25 anos de feminic\u00eddios em Ju\u00e1rez\u201d.<\/p>\n<p>O podcast, cujo \u00faltimo cap\u00edtulo foi publicado em 17 de novembro, come\u00e7ou anos antes da grava\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, que tiveram in\u00edcio em 2020, explicou Whitney. Ele e Bonilla Hern\u00e1ndez investigam os feminic\u00eddios h\u00e1 quase 10 anos e, por isso, sabiam que o assunto deveria ser tratado com cuidado \u2013a come\u00e7ar pelo uso da linguagem at\u00e9 a forma de abordar as fam\u00edlias das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>\u201cAcho importante que possamos compartilhar a cultura da fronteira, a personalidade do povo de Ju\u00e1rez e Chihuahua\u201d, explicou Whitney. \u201cMas, ao mesmo tempo, essa hist\u00f3ria dos feminic\u00eddios em Ju\u00e1rez \u00e9 a hist\u00f3ria do in\u00edcio da crise dos feminic\u00eddios no M\u00e9xico. E para entender esse problema \u00e9 importante que entendamos onde come\u00e7a a crise e por que ela come\u00e7a em Ciudad Ju\u00e1rez\u201d.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio eles queriam incluir na sua equipe \u2013composta por quase 30 pessoas\u2013 jornalistas que tivessem investigado o assunto e que soubessem explic\u00e1-lo. Foi assim que as jornalistas Alicia Fern\u00e1ndez e Lydia Cacho se tornaram parte do projeto. Fern\u00e1ndez \u00e9 de Ciudad Ju\u00e1rez e tem feito a cobertura da viol\u00eancia na regi\u00e3o, incluindo feminic\u00eddios, para meios de comunica\u00e7\u00e3o como El Diario de Ju\u00e1rez, El Pa\u00eds, e agora como freelancer. Ela estava encarregada das reportagens e das entrevistas do podcast, bem como da checagem de algumas partes do roteiro.<\/p>\n<div id=\"attachment_14278\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14278\" class=\"wp-image-14278 size-large\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_7225-1024x684.jpg\" alt=\"Equipo del podcast La Nota Roja.\" width=\"1024\" height=\"684\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_7225-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_7225-300x200.jpg 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_7225-768x513.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-14278\" class=\"wp-caption-text\">Equipo del podcast La Nota Roja: Ernesto Pardo, Estefan\u00eda Bonilla Hern\u00e1ndez, Craig Whitney, Alicia Fern\u00e1ndez, Nicol\u00e1s Aguilar Limenes, Rafael Hern\u00e1ndez, Renix Nava y H\u00e9ctor Zubieta. (Foto: Abraham Buend\u00eda Rodr\u00edguez \/ Cortes\u00eda Imperative Entertainment &amp; Blue Guitar)<\/p><\/div>\n<p>\"Temos muita sorte de poder trabalhar com a Alicia neste projeto\", disse Whitney. \u201c\u00c9 [um assunto] muito dif\u00edcil e \u00e9 preciso ter muito cuidado durante uma entrevista com os familiares das v\u00edtimas em Ju\u00e1rez. Por ser uma mulher da fronteira, foi muito mais f\u00e1cil n\u00e3o s\u00f3 criar uma conex\u00e3o e fazer uma entrevista produtiva, mas tamb\u00e9m fazer a entrevista de forma cuidadosa e respeitando as emo\u00e7\u00f5es das fam\u00edlias\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Fern\u00e1ndez, o projeto \u00e9 importante para recontar essa hist\u00f3ria, que foi sendo esquecida pela imprensa internacional devido \u00e0 extrema viol\u00eancia que a cidade vive em geral. \u201cEssa hist\u00f3ria, que ainda estava se desenvolvendo e que n\u00e3o tinha uma solu\u00e7\u00e3o, como o feminic\u00eddio e a viol\u00eancia de g\u00eanero na cidade, foi deixada de lado\u201d, disse Fern\u00e1ndez \u00e0 <strong>LJR<\/strong>. \"As motiva\u00e7\u00f5es foram justamente colaborar num projeto que, na minha opini\u00e3o, poderia fazer essa contextualiza\u00e7\u00e3o e que [...] nos permitia mostrar uma situa\u00e7\u00e3o que se arrasta h\u00e1 v\u00e1rios anos at\u00e9 hoje.\"<\/p>\n<p>Cacho, por sua vez, \u00e9 a voz das duas vers\u00f5es do podcast. Sua experi\u00eancia cobrindo feminic\u00eddios na d\u00e9cada de 1990 e seu trabalho como jornalista investigativa de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos foram vitais para o projeto, de acordo com Whitney.<\/p>\n<p>\u201cDurante o processo de edi\u00e7\u00e3o do roteiro, trabalhei com Lydia para edit\u00e1-los e usar sua perspectiva\u201d, explicou o diretor. \"Mas, mais do que as informa\u00e7\u00f5es ou as hist\u00f3rias nos roteiros, a paix\u00e3o de Lydia ao contar a hist\u00f3ria [foi crucial].\"<\/p>\n<p>Todo o processo de realiza\u00e7\u00e3o durou cerca de 9 meses. Desse total, eles passaram tr\u00eas semanas em Ciudad Ju\u00e1rez gravando e apurando em fevereiro passado. Para Whitney, a experi\u00eancia dessas jornalistas, assim como a dele e da produtora permitiu que eles trabalhassem de forma mais r\u00e1pida porque \"n\u00e3o poder\u00edamos investigar os feminic\u00eddios em Ju\u00e1rez por 9 meses\", disse.<\/p>\n<p>Desde o primeiro cap\u00edtulo, que foi ao ar em 22 de setembro, o podcast j\u00e1 foi ouvido em 23 pa\u00edses, como M\u00e9xico e Estados Unidos, mas tamb\u00e9m na Europa e \u00c1sia. Ter o trabalho de dubladores para oferecer o podcast em ingl\u00eas permitiu atingir um p\u00fablico mais internacional.<\/p>\n<p>\u201cEstou muito feliz de poder compartilhar a hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00f3 com os Estados Unidos ou o M\u00e9xico, mas tamb\u00e9m com pessoas do Egito, Jap\u00e3o, R\u00fassia\u201d, disse o diretor. \"Foi muito importante durante o processo de grava\u00e7\u00e3o, reda\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o do podcast a combina\u00e7\u00e3o de minha perspectiva como gringo, a perspectiva de Alicia como algu\u00e9m da fronteira e a de Lydia como mexicana porque estamos falando para muitas pessoas diferentes ao mesmo tempo.\"<\/p>\n<div id=\"attachment_14272\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14272\" class=\"wp-image-14272\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_7013-1024x684.jpg\" alt=\"Equipo de La Nota Roja en Ciudad Ju\u00e1rez\" width=\"550\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_7013-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_7013-300x200.jpg 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_7013-768x513.jpg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_7013-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_7013-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Copy-of-AAF_7013-350x234.jpg 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><p id=\"caption-attachment-14272\" class=\"wp-caption-text\">Equipo de La Nota Roja haciendo reporter\u00eda en Ciudad Ju\u00e1rez. (Foto: Abraham Buend\u00eda Rodr\u00edguez \/ Cortes\u00eda Imperative Entertainment &amp; Blue Guitar)<\/p><\/div>\n<p>O podcast tamb\u00e9m teve um impacto na imprensa. A produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 apareceu em v\u00e1rios ve\u00edculos, mas alguns jornalistas se mostraram interessados \u200b\u200bem aprender como cobrir o feminic\u00eddio, de acordo com Whitney.<\/p>\n<p>\u201cO podcast \u00e9 uma hist\u00f3ria de viol\u00eancia de g\u00eanero, mas ao mesmo tempo \u00e9 uma hist\u00f3ria do trabalho de jornalistas como Alicia, como Blanca Carmona, como Lydia\u201d, disse Whitney. \u201cE \u00e9 um podcast sobre o trabalho dos coletivos de Ju\u00e1rez e dos ativistas sem os quais essa hist\u00f3ria poderia ter sido esquecida pelo p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p>Fern\u00e1ndez concorda com a import\u00e2ncia que o podcast pode ter para melhorar a cobertura da viol\u00eancia de g\u00eanero no pa\u00eds e, quem sabe, na regi\u00e3o. Segundo ela, o trabalho de Whitney e da produtora Bonilla sempre foi muito cuidadoso no uso da linguagem \u2013 algo que lhe deu confian\u00e7a para continuar participando do projeto. Fern\u00e1ndez conhece bem o assunto porque ela d\u00e1 workshops sobre como cobrir viol\u00eancia de g\u00eanero e sobre as consequ\u00eancias que uma cobertura estereotipada pode ter.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma responsabilidade muito grande na maneira como voc\u00ea diz as coisas. N\u00e3o existe [perspectiva de g\u00eanero] nas institui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o existe na linguagem, provavelmente n\u00e3o existe em muitas \u00e1reas do jornalismo, por isso \u00e9 importante come\u00e7ar a prestar aten\u00e7\u00e3o em como essas hist\u00f3rias s\u00e3o contadas com uma perspectiva de g\u00eanero [...] Para mim isso \u00e9 muito importante, porque conhe\u00e7o precisamente muitas m\u00e3es [de v\u00edtimas] que est\u00e3o um pouco cansadas disso\", disse Fern\u00e1ndez.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise de casos ocorridos h\u00e1 mais de 25 anos possibilitou que eles encontrassem outras perspetivas, mas ao mesmo tempo trouxe certa desilus\u00e3o, porque constataram que as mudan\u00e7as em termos de impunidade n\u00e3o foram significativas. No entanto, eles reconhecem que \u00e9 importante que outras gera\u00e7\u00f5es saibam o que aconteceu na cidade. \u201cFazer essa retrospectiva permite que voc\u00ea diga \u2018olha, vou contar uma hist\u00f3ria, isso aconteceu h\u00e1 25 anos, provavelmente voc\u00ea ainda n\u00e3o existia [\u2026] Mas talvez te interesse\u2019\u201d, disse Fern\u00e1ndez.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Whitney acrescenta que, neste caso, n\u00e3o era t\u00e3o relevante descobrir os autores, mas sim os motivos. \u201cNesta hist\u00f3ria foi mais importante compreender o problema de forma sist\u00eamica, devido \u00e0 combina\u00e7\u00e3o das maquiladoras de Ju\u00e1rez, tr\u00e1fico de pessoas, narcotr\u00e1fico, armas, corrup\u00e7\u00e3o, a infraestrutura de Ju\u00e1rez... todas essas for\u00e7as combinadas causam os feminic\u00eddios. Quem \u00e9 o homem com a arma \u00e9 menos importante do que quais s\u00e3o as for\u00e7as que causam essa viol\u00eancia de g\u00eanero na fronteira\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do podcast, a equipe trabalhou em paralelo para desenvolver o filme, um plano que foi mantido. A pandemia atrasou um pouco o lan\u00e7amento, mas eles esperam poder fazer isso em 2021, assim como pensam em criar outras temporadas do podcast, que podem tratar da viol\u00eancia de g\u00eanero no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os podcasts de jornalismo narrativo Praia dos Ossos e La Nota Roja partem de crimes antigos, cometidos h\u00e1 d\u00e9cadas, para abordar uma realidade que persiste na regi\u00e3o: a viol\u00eancia sist\u00eamica contra a mulher e uma cultura machista que culpa as v\u00edtimas\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":14238,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[1394,1508],"coauthors":[],"class_list":["post-14248","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nao-categorizado","tag-mexico-pt-br","tag-podcast-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v22.6 (Yoast SEO v27.4) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Podcasts latino-americanos sobre feminic\u00eddio v\u00e3o al\u00e9m dos crimes e mostram viol\u00eancia sist\u00eamica e falhas nas institui\u00e7\u00f5es - LatAm Journalism Review by the Knight Center<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Podcasts latino-americanos sobre feminic\u00eddio v\u00e3o al\u00e9m dos crimes e mostram viol\u00eancia sist\u00eamica e falhas nas institui\u00e7\u00f5es . 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