{"id":160608,"date":"2026-02-11T09:09:25","date_gmt":"2026-02-11T15:09:25","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=160608"},"modified":"2026-02-11T14:02:27","modified_gmt":"2026-02-11T20:02:27","slug":"decisoes-judiciais-dao-razao-a-jornalistas-paraguaias-que-denunciaram-abusos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/decisoes-judiciais-dao-razao-a-jornalistas-paraguaias-que-denunciaram-abusos\/","title":{"rendered":"Decis\u00f5es judiciais d\u00e3o raz\u00e3o a jornalistas paraguaias que denunciaram abusos"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de tr\u00eas anos, um grupo de jornalistas paraguaias criou um grupo no WhatsApp para compartilhar suas experi\u00eancias de ass\u00e9dio sexual e maus-tratos no trabalho em um dos maiores conglomerados de m\u00eddia do pa\u00eds. Algumas tamb\u00e9m levaram seus casos ao Minist\u00e9rio do Trabalho ou registraram den\u00fancias em tribunais. Agora, ap\u00f3s anos de persegui\u00e7\u00e3o e processos judiciais, algumas consideram as recentes decis\u00f5es judiciais como \u201chist\u00f3ricas\u201d e uma forma de reconhecimento de sua luta.<\/p>\n<p>A primeira vit\u00f3ria para as jornalistas ocorreu em novembro de 2025, quando Carlos Granada, ex-gerente de imprensa do Grupo Albavisi\u00f3n, foi\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.com.py\/nacionales\/2025\/11\/26\/condenan-a-10-anos-de-carcel-al-comunicador-carlos-granada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>condenado a 10 anos de pris\u00e3o por coa\u00e7\u00e3o, coa\u00e7\u00e3o sexual<\/u><\/a> e ass\u00e9dio sexual contra seis jornalistas mulheres.<\/p>\n<p>No m\u00eas seguinte, Lorena Romero, ex-produtora do conglomerado,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.com.py\/nacionales\/2025\/12\/16\/en-segunda-instancia-confirman-condena-contra-albavision-por-maltrato-laboral\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>venceu um processo por maus-tratos no trabalho contra a Albavisi\u00f3n<\/u><\/a>. Romero, que tamb\u00e9m foi\u00a0<a href=\"https:\/\/www.swissinfo.ch\/spa\/periodistas-paraguayas%3a-condena-por-abuso-es-%22un-poco-de-justicia%22-ante-da%c3%b1o-%22irreparable%22\/90512259\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>uma das seis jornalistas<\/u><\/a> que ganharam o caso criminal contra Granada, disse ter deixado a reda\u00e7\u00e3o ap\u00f3s ser submetida a maus-tratos depois de suas den\u00fancias contra Granada e por apoiar manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas exigindo justi\u00e7a nesses casos.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<div id=\"attachment_160553\" style=\"width: 330px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-160553\" class=\"wp-image-160553\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-10-09-08-40.jpg\" alt=\"People during a manifestation in a street of Asunci\u00f3n, Paraguay\" width=\"320\" height=\"400\" data-warning=\"Missing alt text\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-10-09-08-40.jpg 1200w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-10-09-08-40-240x300.jpg 240w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-10-09-08-40-819x1024.jpg 819w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-10-09-08-40-768x960.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><p id=\"caption-attachment-160553\" class=\"wp-caption-text\">In 2022, journalists from Albavisi\u00f3n Paraguay demonstrated against sexual harassment and workplace mistreatment. (Photo: Courtesy)<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p>E, em fevereiro de 2026, uma ju\u00edza\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.com.py\/nacionales\/2026\/02\/02\/justicia-ordena-reponer-a-periodista-que-apoyo-denuncias-contra-carlos-granada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>determinou que a Albavisi\u00f3n readmitisse a jornalista Angie Prieto<\/u><\/a>, considerando que sua demiss\u00e3o n\u00e3o foi justificada. Prieto afirmou que a demiss\u00e3o tamb\u00e9m ocorreu por ter denunciado e se manifestado publicamente sobre o ass\u00e9dio de Granada contra ela e outras colegas.<\/p>\n<p>As decis\u00f5es judiciais tiveram impacto no Paraguai, um pa\u00eds no qual\u00a0<a href=\"https:\/\/madeinparaguay.net\/noticia\/8-de-cada-10-comunicadoras-y-periodistas-sufrieron-acoso-sexual-durante-su-carrera-revela-encuesta-1069\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>oito em cada dez jornalistas mulheres afirmam ter sofrido ass\u00e9dio sexual<\/u><\/a>.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma decis\u00e3o hist\u00f3rica e um reconhecimento para as mulheres, para as profissionais de imprensa, para a categoria de jornalistas e comunicadores e para a classe trabalhadora em geral, mostrando que n\u00e3o devemos nos calar diante das viola\u00e7\u00f5es de nossos direitos e do abuso de poder\u201d, disse Prieto \u00e0\u00a0<strong>LatAm Journalism Review (LJR)<\/strong> ap\u00f3s a decis\u00e3o mais recente. \u201c\u00c9 uma mensagem clara e contundente em favor da liberdade de express\u00e3o e de organiza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A luta a que Prieto se refere come\u00e7ou por volta de maio de 2022, quando pelo menos quatro de suas colegas pediram demiss\u00e3o do meio em que ela trabalhava.<\/p>\n<p>Naquele momento, Prieto atuava como jornalista e apresentadora no Canal 9, pertencente ao Grupo Albavisi\u00f3n, um conglomerado de m\u00eddia presente em 15 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. No Paraguai, especificamente, faz parte dos tr\u00eas grupos de m\u00eddia mais importantes, com controle sobre o Sistema Nacional de Televis\u00e3o (SNT \u2013 Canal 9), Paravisi\u00f3n, C9N, o canal regional Sur TV e RQP.<\/p>\n<p>Sua investiga\u00e7\u00e3o sobre as sa\u00eddas de suas colegas levou \u00e0 descoberta de que elas afirmavam ter sido v\u00edtimas de ass\u00e9dio sexual. Prieto, que permanecia no Canal, disse que ela e outras jornalistas sentiram a necessidade de apoi\u00e1-las e acompanh\u00e1-las nesse processo.<\/p>\n<p>\u201cNos sentimos na posi\u00e7\u00e3o de querer ajud\u00e1-las, de querer tentar dar nome ao que estava acontecendo\u201d, disse Prieto.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o e reconhecimento no meio, ela disse ter sentido a obriga\u00e7\u00e3o de falar sobre o que as mulheres estavam relatando.<\/p>\n<p>\u201cFoi ent\u00e3o que percebemos que se tratava, praticamente, de uma situa\u00e7\u00e3o que acontecia em muitos meios de comunica\u00e7\u00e3o e que nenhuma mulher, nenhuma jornalista, quis ou p\u00f4de dizer \u2018sim, \u00e9 verdade, isso est\u00e1 acontecendo comigo\u2019, porque t\u00ednhamos medo, medo de perder o emprego, medo de n\u00e3o ser acreditadas. Foi a\u00ed que conseguimos reunir for\u00e7a, for\u00e7a suficiente entre todas n\u00f3s\u201d, disse.<\/p>\n<p>Elas criaram um grupo no WhatsApp chamado \u201cYo te creo\u201d, uma esp\u00e9cie de \u201cgrupo de apoio\u201d, disse Prieto, onde muitas outras jornalistas come\u00e7aram a compartilhar o que estavam vivendo ou o que haviam vivido.<\/p>\n<p>Talvez o momento mais \u201cimpactante\u201d, disse Prieto, tenha sido perceber e compreender que elas eram v\u00edtimas daquilo que costumavam cobrir: viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<p>\u201cNos identificar com essas situa\u00e7\u00f5es e nos dizer conscientemente que sim, eu fui v\u00edtima disso, eu tamb\u00e9m fui parte disso, mas como v\u00edtimas, psicologicamente isso tamb\u00e9m nos afetou muito\u201d, disse Prieto.<\/p>\n<p>O movimento j\u00e1 era impar\u00e1vel. Em julho de 2022, a Rede de Mulheres Jornalistas e Comunicadoras do Paraguai e<a href=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/jornalistas-paraguaias-denunciam-assedio-sexual-e-moral-no-grupo-albavision\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>xigiu que o Minist\u00e9rio do Trabalho, Emprego e Seguridade Social interviesse no meio<\/u><\/a> e aplicasse san\u00e7\u00f5es por \u201cacobertar assediadores\u201d e punir as mulheres que denunciavam.<\/p>\n<p>Isso porque, embora em um primeiro momento, disse Prieto, tenham sentido o apoio da Albavisi\u00f3n durante a coleta de den\u00fancias e informa\u00e7\u00f5es, posteriormente se tornaram v\u00edtimas de persegui\u00e7\u00e3o e ass\u00e9dio no trabalho.<\/p>\n<div id=\"attachment_160571\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-160571\" class=\"wp-image-160571\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-03-13-43-22-163x300.jpg\" alt=\"Young woman standing in a news TV set \" width=\"300\" height=\"551\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-03-13-43-22-163x300.jpg 163w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-03-13-43-22-557x1024.jpg 557w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-03-13-43-22-768x1411.jpg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-03-13-43-22-836x1536.jpg 836w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-03-13-43-22.jpg 871w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-160571\" class=\"wp-caption-text\">Angie Prieto durante su \u00e9poca de periodsita y presentadora para el grupo Albavisi\u00f3n. (Foto: Cortes\u00eda)<\/p><\/div>\n<p>Prieto, por exemplo, foi denunciada pelo gerente do grupo, Marcelo Fleitas, por difama\u00e7\u00e3o com base no grupo de WhatsApp e em outras manifesta\u00e7\u00f5es que ela havia feito.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.com.py\/nacionales\/2024\/04\/03\/absuelven-a-angie-prieto-en-querella-presentada-por-gerente-de-albavision-por-supuesta-injuria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>Em 2024, Prieto foi absolvida<\/u><\/a>.<\/p>\n<p>No caso legal sobre a demiss\u00e3o de Prieto, a defesa da Albavisi\u00f3n alegou que a demiss\u00e3o era justificada porque ela teria cometido difama\u00e7\u00e3o contra a alta dire\u00e7\u00e3o. Considerando a absolvi\u00e7\u00e3o por difama\u00e7\u00e3o, o tribunal decidiu, no recente caso de 2026, que sua demiss\u00e3o n\u00e3o estava justificada e ordenou sua reintegra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de uma indeniza\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>\u201cCom esta decis\u00e3o, s\u00f3 espero limpar meu nome, minha imagem, que foram profundamente prejudicados por uma demiss\u00e3o injusta e ilegal\u201d, disse Prieto. \u201cPoder retomar minha vida profissional, que ficou em pausa por quase quatro anos, e voltar com mais for\u00e7a para continuar fazendo o que amo, que \u00e9 o jornalismo\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, ela afirmou que n\u00e3o voltaria a um lugar que lhe causou \u201ctanto dano\u201d.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>LJR<\/strong> solicitou posicionamentos ao Grupo Albavisi\u00f3n por meio de sua dire\u00e7\u00e3o, mas, at\u00e9 o fechamento deste artigo, n\u00e3o havia recebido resposta.<\/p>\n<h3>Ganhos e perdas<\/h3>\n<p>Prieto disse que n\u00e3o sofreu apenas ass\u00e9dio no trabalho, mas tamb\u00e9m ass\u00e9dio sexual. Ela foi uma das pelo menos 20 jornalistas que denunciaram Carlos Granada. O julgamento de Granada, entretanto, ocorreu pelo caso de outras seis jornalistas. O depoimento de Prieto foi ouvido durante o julgamento, mas n\u00e3o entrou no processo judicial devido \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o dos fatos.<\/p>\n<p>No entanto, Prieto recebeu a senten\u00e7a contra Granada como uma forma de repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNos sentimos muito ouvidas\u201d, disse Prieto sobre o julgamento por ass\u00e9dio sexual. \u201c\u00c9 um caso emblem\u00e1tico para n\u00f3s como jornalistas, mas, mais do que isso, como mulheres, como sociedade, levar adiante todo esse processo, com tudo o que nos custou, com todas as perdas que tivemos. Foi algo muito, muito impactante. Como um antes e um depois. At\u00e9 em nossas vidas, eu poderia dizer\u201d.<\/p>\n<p>Prieto, que se tornou a imagem das denunciantes, falou sobre como os fatos impactaram a vida das jornalistas. Ela disse que pelo menos quatro tiveram que deixar o pa\u00eds, outras abandonaram o jornalismo de forma definitiva por n\u00e3o encontrar outros espa\u00e7os de trabalho. Durante o julgamento, informou-se que algumas chegaram a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.com.py\/nacionales\/2025\/11\/26\/condenan-a-10-anos-de-carcel-al-comunicador-carlos-granada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>considerar o suic\u00eddio<\/u><\/a>, segundo o meio ABC.<\/p>\n<p>Granada foi condenado a 10 anos de pris\u00e3o em primeira inst\u00e2ncia. Em 19 de dezembro,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.com.py\/nacionales\/2025\/12\/19\/ratifican-prision-de-carlos-granada-condenado-a-10-anos-por-acoso-sexual-y-otros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>a senten\u00e7a foi confirmada por um juiz<\/u><\/a>, mas ainda h\u00e1 possibilidades de apela\u00e7\u00e3o, explicou \u00e0\u00a0<strong>LJR<\/strong> Mirta Moragas, advogada do Consultorio Jur\u00eddico Feminista, organiza\u00e7\u00e3o que acompanhou o grupo de mulheres jornalistas.<\/p>\n<p>Granada manteve a alega\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia e nunca aceitou as acusa\u00e7\u00f5es. Sua defesa anunciou que ir\u00e1 apelar da decis\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<div id=\"attachment_160556\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-160556\" class=\"wpa-warning wpa-image-missing-alt wp-image-160556\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-10-09-08-41-300x281.jpg\" alt=\"Messages left outside the Palace of Justice in Asunci\u00f3n (Paraguay) \" width=\"400\" height=\"374\" data-warning=\"Missing alt text\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-10-09-08-41-300x281.jpg 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-10-09-08-41-1024x958.jpg 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-10-09-08-41-768x718.jpg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/PHOTO-2026-02-10-09-08-41.jpg 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-160556\" class=\"wp-caption-text\">One of the messages left outside the Palace of Justice in Asunci\u00f3n (Paraguay) when Carlos Granada, a former top newsroom manager of the Albavisi\u00f3n group, was first charged in 2022 for the crimes of sexual coercion and harassment, among others. (Photo: Courtesy)<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p>Apesar da demora para que o julgamento chegasse a uma conclus\u00e3o, Moragas destaca o impacto da senten\u00e7a contra Granada.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um caso de grande magnitude\u201d, disse Moragas. \u201cCertamente, no julgamento, foram seis v\u00edtimas no total, mas o esquema que permitiu, seja por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, que essa pessoa agisse dessa forma por v\u00e1rios anos tem uma dimens\u00e3o muito ampla\u201d.<\/p>\n<p>Mas talvez o aspecto mais reivindicador da senten\u00e7a seja que ela ajuda a compreender quais s\u00e3o as consequ\u00eancias do ass\u00e9dio sexual para as mulheres no ambiente de trabalho, explicou a advogada. A caracteriza\u00e7\u00e3o do ass\u00e9dio demonstra os impactos entre as mulheres v\u00edtimas e, inclusive, entre as mulheres que n\u00e3o foram v\u00edtimas, disse Moragas.<\/p>\n<p>\u201cPor isso se diz que o ass\u00e9dio \u00e9 um\u00a0<i>continuum<\/i>\u201d, disse Moragas. \u201cH\u00e1 um ass\u00e9dio de car\u00e1ter sexual, um abuso dessa autoridade, e se a pessoa n\u00e3o cede a essas pretens\u00f5es, o que acontece depois \u00e9 um contexto de retalia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Essas retalia\u00e7\u00f5es, neste caso, inclu\u00edam\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.com.py\/nacionales\/2025\/11\/26\/condenan-a-10-anos-de-carcel-al-comunicador-carlos-granada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>mudan\u00e7as nos hor\u00e1rios das jornalistas<\/u><\/a>, redu\u00e7\u00e3o do tempo no ar e a obriga\u00e7\u00e3o de usar determinado tipo de roupa que buscava explorar a sexualidade das mulheres, disse Moragas.<\/p>\n<p>A advogada tamb\u00e9m destacou como esse caso demonstrou a dificuldade que as jornalistas enfrentam para denunciar esse tipo de situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas por causa das retalia\u00e7\u00f5es no local de trabalho, mas tamb\u00e9m em todo o ambiente midi\u00e1tico. As mulheres jornalistas que foram demitidas ou que s demitiram tiveram dificuldades para conseguir novamente um emprego no jornalismo, disse ela.<\/p>\n<p>\u201cO fato de nenhum outro meio ter acolhido as jornalistas que sa\u00edram deste canal, muitas delas muito talentosas, tamb\u00e9m \u00e9 uma mensagem. \u00c9 uma mensagem de puni\u00e7\u00e3o para quem denuncia\u201d, disse Moragas. \u201cE essa tamb\u00e9m \u00e9 uma mensagem muito poderosa e muito terr\u00edvel para as mulheres em geral. Ou seja, o que vai acontecer com voc\u00ea se denunciar? E eu acredito que ainda existe uma d\u00edvida dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, do Estado, da sociedade em geral e, bem, esperamos que isso mude no m\u00e9dio e curto prazo\u201d.<\/p>\n<h3>Viol\u00eancia contra as mulheres, uma preocupa\u00e7\u00e3o mundial<\/h3>\n<p>Uma pesquisa no Paraguai de 2022 aponta que\u00a0<a href=\"https:\/\/madeinparaguay.net\/noticia\/8-de-cada-10-comunicadoras-y-periodistas-sufrieron-acoso-sexual-durante-su-carrera-revela-encuesta-1069\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>60% das mulheres que trabalham na imprensa j\u00e1 foram v\u00edtimas de ass\u00e9dio sexual<\/u><\/a>. 22,9% indicaram que talvez tenham sofrido ass\u00e9dio sexual, e 17,1% responderam que n\u00e3o. 56,9% disseram ter sofrido\u00a0<i>mobbing<\/i> (ass\u00e9dio no trabalho).<\/p>\n<p>O caso do Paraguai se insere no lament\u00e1vel panorama da Am\u00e9rica Latina e at\u00e9 do mundo, onde as jornalistas precisam enfrentar tanto viol\u00eancia sexual em seus locais de trabalho quanto viol\u00eancia online.<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/comunicarigualdad.com.ar\/medios-sin-violencias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>estudo de 2024 #MediosSinViolencia<\/u><\/a>, realizado pela organiza\u00e7\u00e3o argentina Comunicaci\u00f3n para la Igualdad com apoio da UNESCO, constatou que 75% das pessoas entrevistadas na Am\u00e9rica Latina afirmaram conhecer pelo menos um caso de viol\u00eancia de g\u00eanero contra jornalistas mulheres, tanto online quanto no mundo real. Quase metade (48%) indicou que esses casos de viol\u00eancia ocorreram no principal local de trabalho das jornalistas, ou seja, em reda\u00e7\u00f5es, est\u00fadios de televis\u00e3o ou r\u00e1dio.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m indica que os principais agressores em ambientes fora do online teriam sido pessoas em cargos de dire\u00e7\u00e3o (49%) nos meios onde trabalhavam as v\u00edtimas, e colegas do mesmo n\u00edvel hier\u00e1rquico (27%). A viol\u00eancia psicol\u00f3gica e verbal (65,6%) e o ass\u00e9dio sexual (28%) s\u00e3o os principais tipos de viol\u00eancia de g\u00eanero contra jornalistas mulheres.<\/p>\n<p>As entrevistas foram realizadas com 108 jornalistas e gestores, homens e mulheres, de 95 meios de 14 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Este artigo foi traduzido com a ajuda de IA e revisado por Ramon Vitral<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas decis\u00f5es recentes relacionadas a um conglomerado de m\u00eddia confirmam as reivindica\u00e7\u00f5es de mulheres que foram afastadas ap\u00f3s relatarem condutas sexuais inadequadas, destacando a extens\u00e3o do ass\u00e9dio nas reda\u00e7\u00f5es e o pre\u00e7o da resist\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":160546,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1219],"tags":[1595,1615],"coauthors":[2741],"class_list":["post-160608","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-liberdade-de-imprensa-pt-br","tag-paraguai-pt-br","tag-violencia-contra-jornalistas-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v22.6 (Yoast SEO v27.3) - 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Higuera Fl\u00f3rez es una periodista colombiana con inter\u00e9s period\u00edstico es Am\u00e9rica Latina y los derechos humanos, particularmente el derecho a la libertad de expresi\u00f3n, as\u00ed como el periodismo de investigaci\u00f3n. Estudi\u00f3 Comunicaci\u00f3n Social \u2013 Periodismo en la Universidad Pontificia Bolivariana de Bucaramanga (Colombia), y recibi\u00f3 su maestr\u00eda en Periodismo en la Universidad de Texas, en Austin en 2015. Trabaj\u00f3 para la Relator\u00eda Especial para la Libertad de Expresi\u00f3n de la Comisi\u00f3n Interamericana de Derechos Humanos (CIDH) en el marco de la beca Orlando Sierra, durante 2014. Tambi\u00e9n hizo parte del diario Vanguardia Liberal y escribi\u00f3 para otras revistas colombianas cubriendo fuentes locales, econ\u00f3micas y judiciales. Algunos de sus trabajos han aparecido en The Miami Herald y El Nuevo Herald de Miami. Silvia A. 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Higuera Fl\u00f3rez es una periodista colombiana con inter\u00e9s period\u00edstico es Am\u00e9rica Latina y los derechos humanos, particularmente el derecho a la libertad de expresi\u00f3n, as\u00ed como el periodismo de investigaci\u00f3n. Estudi\u00f3 Comunicaci\u00f3n Social \u2013 Periodismo en la Universidad Pontificia Bolivariana de Bucaramanga (Colombia), y recibi\u00f3 su maestr\u00eda en Periodismo en la Universidad de Texas, en Austin en 2015. Trabaj\u00f3 para la Relator\u00eda Especial para la Libertad de Expresi\u00f3n de la Comisi\u00f3n Interamericana de Derechos Humanos (CIDH) en el marco de la beca Orlando Sierra, durante 2014. Tambi\u00e9n hizo parte del diario Vanguardia Liberal y escribi\u00f3 para otras revistas colombianas cubriendo fuentes locales, econ\u00f3micas y judiciales. Algunos de sus trabajos han aparecido en The Miami Herald y El Nuevo Herald de Miami. Silvia A. Higuera Fl\u00f3rez \u00e9 uma jornalista colombiana e seu interesse jornal\u00edstico \u00e9 a Am\u00e9rica Latina e os direitos humanos, nomeadamente o direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o. Estudou Comunica\u00e7\u00e3o Social \u2013 Jornalismo na Universidade Pontif\u00edcia Bolivariana de Bucaramanga, na Col\u00f4mbia e completou seu mestrado em jornalismo na Universidade do Texas em Austin. Silvia trabalhou na Relatoria para a Liberdade de Express\u00e3o da CIDH pela bolsa Orlando Sierra, em 2014. Trabalhou para o jornal Vanguardia Liberal e escreveu para outras revistas colombianas cobrindo temas locais, econ\u00f4micas e judici\u00e1rias. 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