{"id":161978,"date":"2026-03-02T10:50:22","date_gmt":"2026-03-02T16:50:22","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=161978"},"modified":"2026-03-02T11:11:23","modified_gmt":"2026-03-02T17:11:23","slug":"cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/","title":{"rendered":"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\">O jornalista belga Arthur Debruyne estava a cerca de tr\u00eas anos como correspondente no M\u00e9xico quando, em maio de 2019, leu a not\u00edcia de que\u00a0<a href=\"https:\/\/news.sky.com\/story\/booby-trapped-boat-sinks-as-police-raid-floating-crystal-meth-laboratory-11719148\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>jovens mexicanos haviam sido detidos em Moerdijk<\/u><\/a>, uma pequena cidade a pouco mais de uma hora de Amsterd\u00e3, na Holanda, durante uma opera\u00e7\u00e3o em um laborat\u00f3rio de metanfetamina instalado dentro de uma embarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_161570\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-161570\" class=\"wp-image-161570\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/DeVolkskrant-Crystal-meth-labs-Netherlands-199x300.png\" alt=\"Captura de pantalla del sitio web del peri\u00f3dico neerland\u00e9s De Volkskrant, en el que se muestra un art\u00edculo sobre mexicanos involucrados en narcolaboratorios. (Photo: Captura de pantalla)\" width=\"350\" height=\"526\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/DeVolkskrant-Crystal-meth-labs-Netherlands-199x300.png 199w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/DeVolkskrant-Crystal-meth-labs-Netherlands-681x1024.png 681w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/DeVolkskrant-Crystal-meth-labs-Netherlands.png 766w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><p id=\"caption-attachment-161570\" class=\"wp-caption-text\">A m\u00eddia holandesa noticiou, desde 2019, a pris\u00e3o de cidad\u00e3os mexicanos supostamente ligados \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios de drogas na Holanda. (Foto: Captura de tela do ve\u00edculo de not\u00edcias De Volkskrant)<\/p><\/div>\n<p dir=\"ltr\">Pouco depois, soube que, naquele mesmo ano, outro grupo de mexicanos\u00a0<a href=\"https:\/\/oodaloop.com\/analysis\/ooda-original\/sinaloa-cartel-linked-freelancers-introduce-esg-friendly-meth-recipe-to-netherlands-encrochat-probe-reveals\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>havia sido preso em outro narcolaborat\u00f3rio em Wateringen<\/u><\/a>, perto de Haia. Tudo indicava que os mexicanos em quest\u00e3o haviam sido levados \u00e0 Europa para trabalhar sob contratos tempor\u00e1rios como \u201ccozinheiros\u201d de metanfetamina cristal para redes criminosas da Holanda e da B\u00e9lgica.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A presen\u00e7a desses \u201cespecialistas\u201d mexicanos no Velho Continente chamou a aten\u00e7\u00e3o de Debruyne, que decidiu investigar o tema a fundo. Ele descobriu que os cart\u00e9is mexicanos dominavam\u00a0<a href=\"https:\/\/oodaloop.com\/analysis\/ooda-original\/sinaloa-cartel-linked-freelancers-introduce-esg-friendly-meth-recipe-to-netherlands-encrochat-probe-reveals\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>uma t\u00e9cnica para aproveitar os res\u00edduos da produ\u00e7\u00e3o de metanfetamina<\/u><\/a> que as organiza\u00e7\u00f5es criminosas europeias desconheciam. Essa t\u00e9cnica permitia maximizar o rendimento do produto e reduzir a quantidade de sobras.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Debruyne havia chegado ao M\u00e9xico para reportar sobre migra\u00e7\u00e3o, mas, \u201cinevitavelmente\u201d, disse, acabou cobrindo o crime organizado, primeiro como freelancer e depois para o jornal holand\u00eas Het Financieele Dagblad. Ele contou que h\u00e1 tempos desejava realizar uma investiga\u00e7\u00e3o de f\u00f4lego para um livro, e que encontrou nas not\u00edcias sobre os \u201ccozinheiros\u201d o tema perfeito.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cO trabalho jornal\u00edstico que mais me d\u00e1 prazer, que mais me interessa, \u00e9 aquele em que posso me aprofundar\u201d, disse Debruyne \u00e0\u00a0<strong>LatAm Journalism Review (LJR)<\/strong>. \u201cSentia que era um tema enorme [...]. Mergulhei de imediato e pensei: \u2018quero realmente ir a fundo nisso\u2019\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Por meio de uma combina\u00e7\u00e3o de cartas, visitas a pris\u00f5es, constru\u00e7\u00e3o de pontes de confian\u00e7a e pedidos de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, Debruyne abordou o narcotr\u00e1fico no M\u00e9xico a partir desse caso no exterior. Esse enfoque, disse ele, permitiu explorar camadas menos documentadas do crime organizado como fen\u00f4meno global.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O resultado foi uma investiga\u00e7\u00e3o registrada no livro\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.penguinlibros.com\/mx\/biografias\/437566-libro-el-narco-mexicano-en-europa-9786073866064?srsltid=AfmBOorVjnYVAthZh_4AJ3WQrWo4jTEfC1nGl0A7CbHdGkgaoyoVbm-z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>\u201cEl narco mexicano en Europa. Cocineros mexicanos en los Pa\u00edses Bajos: la nueva cara global del tr\u00e1fico de drogas\u201d<\/u><\/a>\u00a0 (\u201cO narcotr\u00e1fico mexicano na Europa. Cozinheiros mexicanos na Holanda: a nova face global do tr\u00e1fico de drogas\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), publicado em outubro de 2025.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Pris\u00f5es, territ\u00f3rio esquecido<\/strong><\/p>\n<p>Em 2020, o tema dos \u201ccozinheiros\u201d mexicanos na Europa havia explodido.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/es\/cocineros-mexicanos-de-metanfetamina-son-codiciados-en-europa\/a-55933650\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>Foram descobertos cerca de 50 narcolaborat\u00f3rios na Holanda e na B\u00e9lgica<\/u><\/a>, e quase vinte cidad\u00e3os mexicanos haviam sido detidos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Debruyne tinha clareza de que n\u00e3o queria fazer um livro baseado apenas em fontes policiais e judiciais. Ele sabia que, para realizar uma investiga\u00e7\u00e3o completa e s\u00f3lida, era imprescind\u00edvel contar com os depoimentos dos mexicanos detidos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Come\u00e7ou se aproximando das autoridades holandesas e dos advogados dos detidos. Ao receber poucas respostas, decidiu viajar por conta pr\u00f3pria \u00e0 Holanda e \u00e0 B\u00e9lgica para acompanhar os primeiros julgamentos desses casos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cNa Holanda eles realmente levam o tempo necess\u00e1rio, os ju\u00edzes falam, fazem perguntas aos suspeitos, ent\u00e3o eram boas oportunidades para ver de perto esses mexicanos, para saber mais sobre eles\u201d, disse Debruyne. \u201cDurante esses julgamentos, mencionavam os nomes completos dos mexicanos, de onde eram, sua data de nascimento e tamb\u00e9m sempre informavam em qual pris\u00e3o estavam.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O jornalista dedicou-se a escrever cartas, com papel e caneta, em espanhol, para os mexicanos detidos. Nelas, apresentava-se e expressava seu desejo de entrevist\u00e1-los.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cH\u00e1 muitas hist\u00f3rias na pris\u00e3o. Vale a pena ir a julgamentos, passar um dia em um tribunal. \u00c9 um caminho que rendeu muito na minha investiga\u00e7\u00e3o\u201d, disse. \u201cSinto que n\u00e3o \u00e9 um trabalho t\u00e3o comum. As pris\u00f5es acabam sendo um pouco esquecidas.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Durante meses n\u00e3o teve not\u00edcias. Mas, um dia, j\u00e1 de volta ao M\u00e9xico, foi informado de que havia recebido uma carta em sua resid\u00eancia na B\u00e9lgica. Era a resposta de um dos mexicanos detidos na opera\u00e7\u00e3o na embarca\u00e7\u00e3o, que, muito cordialmente, agradeceu o interesse, mas recusou-se a falar por receio de chamar aten\u00e7\u00e3o para seu caso.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No entanto, o jornalista manteve o interc\u00e2mbio de correspond\u00eancia, at\u00e9 que, um dia, recebeu uma liga\u00e7\u00e3o do detento diretamente da pris\u00e3o. Ap\u00f3s alguns minutos de conversa, o acusado concordou em realizar um encontro.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Debruyne voltou a voar para a Holanda. A essa primeira reuni\u00e3o seguiram-se outras, at\u00e9 que conseguiu realizar uma entrevista formal. A mesma din\u00e2mica se repetiu com outros presos, tanto mexicanos quanto neerlandeses, que tamb\u00e9m responderam \u00e0s suas cartas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Essas entrevistas, disse ele, tornaram-se o fio condutor da narrativa de sua reportagem.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cSurpreendentemente, voc\u00ea pode obter muito apenas escrevendo uma carta. \u00c9 algo que recomendo a colegas ou em conversas com estudantes de jornalismo\u201d, disse. \u201cPude ver v\u00e1rios mexicanos na pris\u00e3o s\u00f3 com essas cartas. Acabei escrevendo, n\u00e3o sei, v\u00e1rias dezenas. Muitos n\u00e3o responderam, mas v\u00e1rios sim.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>A arte de gerar confian\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Debruyne atribui o sucesso de suas cartas ao fato de que o isolamento das pris\u00f5es faz com que alguns detentos, especialmente aqueles que est\u00e3o em um pa\u00eds diferente do seu, fiquem mais inclinados a querer conversar com algu\u00e9m do exterior, e em seu pr\u00f3prio idioma.<\/p>\n<div id=\"attachment_161559\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-161559\" class=\"wp-image-161559\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/A.-Debruyne-interview-300x194.jpeg\" alt=\"Belgian journalist Arthur Debruyne taking notes in a notebook, seated on a chair in a terrace. (Photo: \" width=\"400\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/A.-Debruyne-interview-300x194.jpeg 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/A.-Debruyne-interview-768x496.jpeg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/A.-Debruyne-interview.jpeg 826w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-161559\" class=\"wp-caption-text\">O jornalista Arthur Debruyne escreveu dezenas de cartas para pessoas encarceradas como parte de sua reportagem. (Foto: Aris Mariota)<\/p><\/div>\n<p dir=\"ltr\">No entanto, tamb\u00e9m \u00e9 verdade, disse ele, que os prisioneiros geralmente n\u00e3o s\u00e3o como outras fontes acostumadas a falar com a imprensa, e por isso os jornalistas precisam realizar um trabalho de constru\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a. Isso se consegue, acrescentou, afastando-se por um momento da faceta profissional e aproximando-se deles pelo lado humano.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cVoc\u00ea, como jornalista, tem seu interesse. Sente que h\u00e1 uma hist\u00f3ria interessante a ser contada e precisa convenc\u00ea-los [...]. Eu sabia que queria ver essas pessoas v\u00e1rias vezes, queria construir uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a\u201d, disse. \u201cN\u00e3o subestime [as primeiras visitas], \u00e9 uma aproxima\u00e7\u00e3o, um trabalho delicado. [...] Fale com eles como humano, pergunte como est\u00e3o na pris\u00e3o, de onde s\u00e3o e assegure que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 entrevistando, apenas conhecendo-os.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Algo similar ocorre com fontes judiciais. Debruyne afirmou que, embora as autoridades holandesas normalmente estejam abertas a falar com a imprensa, costumam fornecer apenas a informa\u00e7\u00e3o m\u00ednima necess\u00e1ria e de forma parcimoniosa. O jornalista disse que levou tempo para conquistar a confian\u00e7a dos policiais que investigavam o caso dos \u201ccozinheiros\u201d mexicanos, assim como do promotor respons\u00e1vel.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas ele percebeu que as autoridades come\u00e7aram a se mostrar mais cooperativas quando souberam de seu trabalho aprofundado sobre o caso e de que ele havia conversado com alguns dos acusados.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cA Promotoria e a Pol\u00edcia n\u00e3o te entregam tudo de imediato\u201d, disse. \u201cEles se interessaram pelo fato de eu ter entrado em contato com os mexicanos. Mas eu precisava ter cuidado para n\u00e3o compartilhar informa\u00e7\u00f5es em excesso, para n\u00e3o prejudicar o caso dos mexicanos. \u00c0s vezes, era um trabalho manter um bom gerenciamento das fontes, proteger as fontes.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ao mesmo tempo, Debruyne esbarrou em dificuldades ao buscar a posi\u00e7\u00e3o das autoridades mexicanas. Ele disse que tentou falar com a Embaixada do M\u00e9xico na Holanda, mas esta se recusou.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Foi ent\u00e3o que Debruyne recorreu \u00e0s leis mexicanas de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. O jornalista solicitou dados por meio da Plataforma Nacional de Transparencia, o sistema digital que permitia acessar informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas,\u00a0<a href=\"https:\/\/animalpolitico.com\/verificacion-de-hechos\/te-explico\/pnt-anticorrupcion-datos-incompletos-transparencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>desmantelado pelo governo da atual presidente, Claudia Sheinbaum<\/u><\/a>.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Debruyne imaginou que deveriam existir relat\u00f3rios da Embaixada \u00e0 Secretaria de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do M\u00e9xico sobre os mexicanos detidos, e por isso solicitou na Plataforma todas as comunica\u00e7\u00f5es entre as duas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cRecebi bastante informa\u00e7\u00e3o, muitas comunica\u00e7\u00f5es da Embaixada dirigidas ao Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores no M\u00e9xico. N\u00e3o queriam declarar nada oficialmente, mas consegui um monte de material por esse outro caminho\u201d, disse. \u201cTenho um cap\u00edtulo inteiro baseado nesses documentos e tamb\u00e9m em uma entrevista que, no fim, consegui com uma fonte da diplomacia mexicana. \u00c9 um dos cap\u00edtulos do qual mais me orgulho.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O cap\u00edtulo em quest\u00e3o, intitulado \u201cImagem\u201d, narra a crise diplom\u00e1tica enfrentada pela embaixada mexicana ap\u00f3s a descoberta dos narcolaborat\u00f3rios ligados a mexicanos, e como o Estado reagiu \u2014 com paralisia, sil\u00eancio e estrat\u00e9gias fracassadas de controle narrativo \u2014 diante do dano \u00e0 sua imagem internacional.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Com seguran\u00e7a e sem preconceitos<\/strong><\/p>\n<p>Debruyne admite que levava certos preconceitos quando entrou em contato com os mexicanos detidos. Ele disse que tinha a ideia de que talvez encontraria criminosos como s\u00e3o retratados em s\u00e9ries ou filmes. No entanto, ap\u00f3s as primeiras conversas na pris\u00e3o, constatou que nem todos os membros de uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa s\u00e3o pessoas violentas ou perigosas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cN\u00e3o posso negar que, especialmente no in\u00edcio, tinha certa paranoia\u201d, disse. \u201cEsses \u2018cozinheiros\u2019 fazem parte de um grupo espec\u00edfico [dentro do narcotr\u00e1fico]. N\u00e3o s\u00e3o pistoleiros, n\u00e3o s\u00e3o assassinos, n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis por se livrar de corpos. Sempre foram muito educados, nunca tive uma experi\u00eancia hostil.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Isso lhe ensinou que, sem subestimar qualquer risco, os jornalistas devem se desprender desses preconceitos na maior medida poss\u00edvel ao entrar em contato com fontes criminosas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cVoc\u00ea n\u00e3o deve permitir que esses preconceitos impe\u00e7am a aproxima\u00e7\u00e3o entre jornalistas e fontes\u201d, disse.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O jornalista afirmou que, durante suas investiga\u00e7\u00f5es sobre o narcotr\u00e1fico, percebeu que, em estados como Sinaloa, os contatos com fontes criminosas geralmente ocorrem por meio de intermedi\u00e1rios, que conectam membros de um cartel a jornalistas de meios internacionais, normalmente em troca de pagamento.<\/p>\n<div id=\"attachment_161625\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-161625\" class=\"wp-image-161625\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Debruyne-Book-300x201.png\" alt=\"Split photo showing Belgian journalist and author Arthur Debruyne on the left and his book . (Photo: \" width=\"400\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Debruyne-Book-300x201.png 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Debruyne-Book-768x515.png 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Debruyne-Book-507x340.png 507w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Debruyne-Book-350x234.png 350w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Debruyne-Book.png 1014w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-161625\" class=\"wp-caption-text\">O livro de Debruyne foi publicado em outubro de 2025. (Foto: Bert Wisse e Penguin Random House)<\/p><\/div>\n<p dir=\"ltr\">\u201cQuem j\u00e1 trabalhou em Sinaloa sabe disso. As fontes que aceitam dar entrevistas para meios estrangeiros, que est\u00e3o acostumadas a conceder entrevistas, exigem dinheiro. Acaba surgindo uma microind\u00fastria. Dizem: \u2018Eu te dou a entrevista, mas voc\u00ea me paga mil ou dois mil d\u00f3lares\u2019\u201d, disse. \u201cAlgumas fontes criminosas muitas vezes at\u00e9 gostam de falar com a imprensa. Dar uma entrevista para, por exemplo, The New York Times, ou algo assim, lhes confere certa import\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Debruyne afirmou que essas pr\u00e1ticas, sem d\u00favida, comprometem a confiabilidade e a veracidade da entrevista, al\u00e9m de colocar os rep\u00f3rteres em risco.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O jornalista disse que sua investiga\u00e7\u00e3o para \u201cEl narco mexicano en Europa\u201d lhe ensinou que se aproximar de membros de menor hierarquia ou na periferia das organiza\u00e7\u00f5es criminosas, como os \u201ccozinheiros\u201d de narcolaborat\u00f3rios, pode oferecer perspectivas pouco conhecidas sobre o mundo do narcotr\u00e1fico.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cEsses elos mais baixos tamb\u00e9m ensinam\u201d, disse. \u201cT\u00eam muito a ensinar sobre o funcionamento do crime organizado.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Debruyne afirmou que, embora esteja consciente do qu\u00e3o perigoso \u00e9 cobrir o crime organizado na Am\u00e9rica Latina, como correspondente estrangeiro possui vantagens que lhe proporcionam certa prote\u00e7\u00e3o, como escrever em outros idiomas e publicar em meios fora do continente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Al\u00e9m disso, o enfoque de um jornalista que publica em um meio estrangeiro, disse, \u00e9 muito mais geral, e suas reportagens raramente atingem os interesses de pessoas poderosas \u2014 que \u00e9 o que normalmente coloca os rep\u00f3rteres locais em perigo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cReportar em espanhol, em Veracruz, Tamaulipas, Sinaloa, Michoac\u00e1n, Chiapas sobre v\u00ednculos entre o crime organizado e a pol\u00edtica \u00e9 uma das atividades mais arriscadas que voc\u00ea pode fazer\u201d, disse. \u201cEu n\u00e3o expunha pol\u00edticos corruptos \u00e0s claras, n\u00e3o revelava conex\u00f5es entre empres\u00e1rios ou pol\u00edticos com o crime organizado. O que eu fazia no jornal da Holanda era, em termos gerais, muito mais superficial.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Debruyne, que atualmente vive na Argentina e trabalha como correspondente na Am\u00e9rica Latina para o Het Financieele Dagblad, afirmou estar ciente de que a regi\u00e3o \u00e9 a mais perigosa do mundo para exercer jornalismo fora de zonas de conflito, principalmente para jornalistas locais. Por isso, dedicou seu livro aos colegas do M\u00e9xico, pelas condi\u00e7\u00f5es de risco com que realizam seu trabalho.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cMeu livro, de fato, est\u00e1 dedicado aos colegas mexicanos justamente por isso, por todo o risco que enfrentam ao fazer seu trabalho no M\u00e9xico\u201d, disse. \u201cTenho v\u00e1rios amigos jornalistas mexicanos que foram amea\u00e7ados, que tiveram at\u00e9 que deixar o pa\u00eds por um tempo por causa de amea\u00e7as.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por meio de cartas, visitas a pris\u00f5es e pedidos de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, o jornalista belga Arthur Debruyne investigou um bra\u00e7o do narcotr\u00e1fico mexicano a partir de um caso na Europa.<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":161550,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[2870],"tags":[2946,2432,2930,1394],"coauthors":[2753],"class_list":["post-161978","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jornalismo-investigativo","tag-crime-organizado","tag-inovacao","tag-livros","tag-mexico-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v22.6 (Yoast SEO v27.3) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa - LatAm Journalism Review by the Knight Center<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa . Latin American Journalism Review by The Knight Center at The University of Texas at Austin.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa . Latin American Journalism Review by The Knight Center at The University of Texas at Austin.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"LatAm Journalism Review by the Knight Center\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-03-02T16:50:22+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-03-02T17:11:23+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/FEATURED-Arthur-Debruyne.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"507\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"340\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"C\u00e9sar L\u00f3pez Linares\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@cesarisch\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@LatAmJournalism\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"C\u00e9sar L\u00f3pez Linares\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"10 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/articles\\\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/articles\\\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"C\u00e9sar L\u00f3pez Linares\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/dcf6dcdd6226ac8d939e2796645d17c6\"},\"headline\":\"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa\",\"datePublished\":\"2026-03-02T16:50:22+00:00\",\"dateModified\":\"2026-03-02T17:11:23+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/articles\\\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\\\/\"},\"wordCount\":2172,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/articles\\\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/02\\\/FEATURED-Arthur-Debruyne.png\",\"keywords\":[\"Crime organizado\",\"Inova\u00e7\u00e3o\",\"Livros\",\"M\u00e9xico\"],\"articleSection\":[\"Jornalismo investigativo\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/articles\\\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/articles\\\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\\\/\",\"name\":\"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa - LatAm Journalism Review by the Knight Center\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/articles\\\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/articles\\\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/02\\\/FEATURED-Arthur-Debruyne.png\",\"datePublished\":\"2026-03-02T16:50:22+00:00\",\"dateModified\":\"2026-03-02T17:11:23+00:00\",\"description\":\"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa . Latin American Journalism Review by The Knight Center at The University of Texas at Austin.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/articles\\\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/articles\\\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/articles\\\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/02\\\/FEATURED-Arthur-Debruyne.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/02\\\/FEATURED-Arthur-Debruyne.png\",\"width\":507,\"height\":340,\"caption\":\"Prison interrogation table with stamped envelopes and recorder as guard escorts inmate away. (Photo: Generated with AI using OpenAI)\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/articles\\\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/\",\"name\":\"LatAm Journalism Review\",\"description\":\"Digital magazine on journalism in Latin America\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/#organization\",\"name\":\"LatAm Journalism Review\",\"url\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/knight-latAm-review-logo.svg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/knight-latAm-review-logo.svg\",\"width\":\"1024\",\"height\":\"1024\",\"caption\":\"LatAm Journalism Review\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/x.com\\\/LatAmJournalism\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/dcf6dcdd6226ac8d939e2796645d17c6\",\"name\":\"C\u00e9sar L\u00f3pez Linares\",\"description\":\"C\u00e9sar L\u00f3pez Linares began his career at the Mexican newspaper REFORMA as an entertainment and media co-editor. He has written for publications such as TODO Austin, Texas Music Magazine and The Austin Chronicle. C\u00e9sar has a Master's degree in Journalism from the University of Texas at Austin and a Bachelors degree in Communication from the National Autonomous University of Mexico. He previously wrote about innovation in journalism for the Gabo Foundation in Colombia and currently reports for the Knight Center's LatAmJournalism Review digital magazine. A native of Mexico City, C\u00e9sar has become a digital nomad combining content creation with his passion for travel. ________ C\u00e9sar L\u00f3pez Linares inici\u00f3 su carrera en el diario mexicano REFORMA como coeditor de entretenimiento y medios. Ha escrito para publicaciones como TODO Austin, Texas Music Magazine y The Austin Chronicle. C\u00e9sar tiene una Maestr\u00eda en Periodismo de la Universidad de Texas en Austin y una Licenciatura en Comunicaci\u00f3n de la Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico. Previamente escribi\u00f3 sobre innovaci\u00f3n en periodismo para la Fundaci\u00f3n Gabo en Colombia y actualmente escribe para la revista digital LatAmJournalism Review del Centro Knight. Originario de la Ciudad de M\u00e9xico, C\u00e9sar se ha convertido en un n\u00f3mada digital que combina la creaci\u00f3n de contenido con su pasi\u00f3n por viajar. _________ C\u00e9sar L\u00f3pez Linares come\u00e7ou sua carreira no jornal mexicano REFORMA como coeditor de entretenimento e m\u00eddia. Ele escreveu para publica\u00e7\u00f5es como TODO Austin, Texas Music Magazine e The Austin Chronicle. C\u00e9sar tem mestrado em jornalismo pela University of Texas em Austin e \u00e9 bacharel em comunica\u00e7\u00e3o pela Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico. Antes disso, ele escreveu sobre inova\u00e7\u00e3o no jornalismo para a Funda\u00e7\u00e3o Gabo na Col\u00f4mbia. Atualmente escreve para a revista digital LatAmJournalism Review do Centro Knight. Nascido na Cidade do M\u00e9xico, C\u00e9sar se tornou um n\u00f4made digital combinando a cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado com sua paix\u00e3o por viagens.\",\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/x.com\\\/cesarisch\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/latamjournalismreview.org\\\/pt-br\\\/articles\\\/author\\\/cesar-lopez-linares\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO Premium plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa - LatAm Journalism Review by the Knight Center","description":"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa . Latin American Journalism Review by The Knight Center at The University of Texas at Austin.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa","og_description":"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa . Latin American Journalism Review by The Knight Center at The University of Texas at Austin.","og_url":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/","og_site_name":"LatAm Journalism Review by the Knight Center","article_published_time":"2026-03-02T16:50:22+00:00","article_modified_time":"2026-03-02T17:11:23+00:00","og_image":[{"width":507,"height":340,"url":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/FEATURED-Arthur-Debruyne.png","type":"image\/png"}],"author":"C\u00e9sar L\u00f3pez Linares","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@cesarisch","twitter_site":"@LatAmJournalism","twitter_misc":{"Written by":"C\u00e9sar L\u00f3pez Linares","Est. reading time":"10 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/"},"author":{"name":"C\u00e9sar L\u00f3pez Linares","@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/#\/schema\/person\/dcf6dcdd6226ac8d939e2796645d17c6"},"headline":"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa","datePublished":"2026-03-02T16:50:22+00:00","dateModified":"2026-03-02T17:11:23+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/"},"wordCount":2172,"publisher":{"@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/FEATURED-Arthur-Debruyne.png","keywords":["Crime organizado","Inova\u00e7\u00e3o","Livros","M\u00e9xico"],"articleSection":["Jornalismo investigativo"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/","url":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/","name":"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa - LatAm Journalism Review by the Knight Center","isPartOf":{"@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/FEATURED-Arthur-Debruyne.png","datePublished":"2026-03-02T16:50:22+00:00","dateModified":"2026-03-02T17:11:23+00:00","description":"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa . Latin American Journalism Review by The Knight Center at The University of Texas at Austin.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/#primaryimage","url":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/FEATURED-Arthur-Debruyne.png","contentUrl":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/FEATURED-Arthur-Debruyne.png","width":507,"height":340,"caption":"Prison interrogation table with stamped envelopes and recorder as guard escorts inmate away. (Photo: Generated with AI using OpenAI)"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/cartas-da-prisao-como-um-correspondente-investigou-narcotraficantes-mexicanos-na-europa\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Cartas da pris\u00e3o: como um correspondente investigou narcotraficantes mexicanos na Europa"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/#website","url":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/","name":"LatAm Journalism Review","description":"Digital magazine on journalism in Latin America","publisher":{"@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/#organization","name":"LatAm Journalism Review","url":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/knight-latAm-review-logo.svg","contentUrl":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/knight-latAm-review-logo.svg","width":"1024","height":"1024","caption":"LatAm Journalism Review"},"image":{"@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/x.com\/LatAmJournalism"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/#\/schema\/person\/dcf6dcdd6226ac8d939e2796645d17c6","name":"C\u00e9sar L\u00f3pez Linares","description":"C\u00e9sar L\u00f3pez Linares began his career at the Mexican newspaper REFORMA as an entertainment and media co-editor. He has written for publications such as TODO Austin, Texas Music Magazine and The Austin Chronicle. C\u00e9sar has a Master's degree in Journalism from the University of Texas at Austin and a Bachelors degree in Communication from the National Autonomous University of Mexico. He previously wrote about innovation in journalism for the Gabo Foundation in Colombia and currently reports for the Knight Center's LatAmJournalism Review digital magazine. A native of Mexico City, C\u00e9sar has become a digital nomad combining content creation with his passion for travel. ________ C\u00e9sar L\u00f3pez Linares inici\u00f3 su carrera en el diario mexicano REFORMA como coeditor de entretenimiento y medios. Ha escrito para publicaciones como TODO Austin, Texas Music Magazine y The Austin Chronicle. C\u00e9sar tiene una Maestr\u00eda en Periodismo de la Universidad de Texas en Austin y una Licenciatura en Comunicaci\u00f3n de la Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico. Previamente escribi\u00f3 sobre innovaci\u00f3n en periodismo para la Fundaci\u00f3n Gabo en Colombia y actualmente escribe para la revista digital LatAmJournalism Review del Centro Knight. Originario de la Ciudad de M\u00e9xico, C\u00e9sar se ha convertido en un n\u00f3mada digital que combina la creaci\u00f3n de contenido con su pasi\u00f3n por viajar. _________ C\u00e9sar L\u00f3pez Linares come\u00e7ou sua carreira no jornal mexicano REFORMA como coeditor de entretenimento e m\u00eddia. Ele escreveu para publica\u00e7\u00f5es como TODO Austin, Texas Music Magazine e The Austin Chronicle. C\u00e9sar tem mestrado em jornalismo pela University of Texas em Austin e \u00e9 bacharel em comunica\u00e7\u00e3o pela Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico. Antes disso, ele escreveu sobre inova\u00e7\u00e3o no jornalismo para a Funda\u00e7\u00e3o Gabo na Col\u00f4mbia. Atualmente escreve para a revista digital LatAmJournalism Review do Centro Knight. Nascido na Cidade do M\u00e9xico, C\u00e9sar se tornou um n\u00f4made digital combinando a cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado com sua paix\u00e3o por viagens.","sameAs":["https:\/\/x.com\/cesarisch"],"url":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/author\/cesar-lopez-linares\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161978","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161978"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161978\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":161986,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161978\/revisions\/161986"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/161550"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161978"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=161978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}