{"id":162501,"date":"2026-03-09T09:12:34","date_gmt":"2026-03-09T14:12:34","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=162501"},"modified":"2026-03-09T09:12:34","modified_gmt":"2026-03-09T14:12:34","slug":"ele-sobreviveu-ao-ataque-que-matou-seu-amigo-agora-sua-homenagem-chega-ao-oscar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/ele-sobreviveu-ao-ataque-que-matou-seu-amigo-agora-sua-homenagem-chega-ao-oscar\/","title":{"rendered":"Ele sobreviveu ao ataque que matou seu amigo. Agora sua homenagem chega ao Oscar"},"content":{"rendered":"<p>A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 agridoce. Trata-se da primeira indica\u00e7\u00e3o ao\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oscars.org\/oscars\/ceremonies\/2026\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>Oscar<\/u><\/a> para o fotojornalista colombo-estadunidense Juan Arredondo. Mas ela vem por um document\u00e1rio que conta a hist\u00f3ria de seu amigo e colega Brent Renaud, que em 13 de mar\u00e7o de 2022 se tornou o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-europe-60729276\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>primeiro jornalista estrangeiro a morrer<\/u><\/a> na guerra na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>\u201cEu gostaria que este mesmo momento que estamos vivendo agora pudesse ter sido compartilhado com Brent\u201d, disse Arredondo \u00e0\u00a0<strong>LatAm Journalism Review (LJR)<\/strong>.<\/p>\n<p>Arredondo e Craig Renaud, irm\u00e3o de Brent, decidiram fazer o document\u00e1rio \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bceerB407LY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>Armed Only With a Camera: The Life and Death of Brent Renaud<\/u><\/a>\u201d como um processo de cura e de luto ap\u00f3s sua morte. No entanto, o document\u00e1rio tamb\u00e9m se transformou em um tributo aos jornalistas assassinados em todo o mundo.<\/p>\n<p>O ano de 2025 terminou como um dos mais violentos para o jornalismo. Segundo dados do Comit\u00ea para a Prote\u00e7\u00e3o dos Jornalistas (CPJ),\u00a0<a href=\"https:\/\/cpj.org\/special-reports\/record-129-press-members-killed-in-2025-israel-responsible-for-2-of-3-of-deaths\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>129 jornalistas morreram<\/u><\/a> em todo o mundo no ano passado. A Am\u00e9rica Latina n\u00e3o escapa dessa realidade. O CPJ registrou o assassinato de 13 jornalistas em 2025, seis a mais do que em 2024.<\/p>\n<p>\u201cEm meio ao per\u00edodo mais mortal j\u00e1 registrado para a imprensa,\u00a0<i>\u2018Armado com uma c\u00e2mera\u2019<\/i> destaca at\u00e9 onde os jornalistas que cobrem conflitos v\u00e3o para informar\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/cpj.org\/2026\/02\/cpj-welcomes-oscar-nomination-for-documentary-about-us-journalist-killed-in-russia-ukraine-war\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>disse Jodie Ginsberg, diretora do CPJ<\/u><\/a>, organiza\u00e7\u00e3o que apoiou a distribui\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio. \u201cBrent Renaud foi um documentarista destemido que dedicou sua vida a contar as hist\u00f3rias de pessoas presas na linha de fogo das crises globais\u201d.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<div id=\"attachment_162518\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-162518\" class=\"wpa-warning wpa-image-missing-alt wp-image-162518\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/58CECF10-1B93-4879-A564-AD3D0561534D.jpg\" alt=\"Two men smiling holding video cameras looking at the camera\" width=\"600\" height=\"547\" data-warning=\"Missing alt text\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/58CECF10-1B93-4879-A564-AD3D0561534D.jpg 1440w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/58CECF10-1B93-4879-A564-AD3D0561534D-300x273.jpg 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/58CECF10-1B93-4879-A564-AD3D0561534D-1024x933.jpg 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/58CECF10-1B93-4879-A564-AD3D0561534D-768x700.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-162518\" class=\"wp-caption-text\">Juan Arredondo and Brent Renaud. (Photo: Courtesy)<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p>Arredondo nasceu em Nova Jersey, mas cresceu em Pereira, Col\u00f4mbia. Voltou aos Estados Unidos para fazer sua gradua\u00e7\u00e3o na Rutgers University e seu doutorado em qu\u00edmica org\u00e2nica na Carnegie Mellon University, at\u00e9 que um dia decidiu abandonar os laborat\u00f3rios pela c\u00e2mera fotogr\u00e1fica. Agora, ele espera que o document\u00e1rio, indicado ao Oscar na categoria de Melhor Document\u00e1rio em Curta-metragem, tamb\u00e9m possa destacar a import\u00e2ncia do jornalismo para a democracia e at\u00e9 mesmo para processos de paz e reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Grande parte de sua forma\u00e7\u00e3o como fotojornalista ocorreu justamente na Col\u00f4mbia, em temas relacionados ao p\u00f3s-conflito, depois de trabalhar como freelancer para o The New York Times. Ele trabalhou durante um ano no\u00a0<a href=\"https:\/\/centrodememoriahistorica.gov.co\/contexto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>Centro Nacional de Mem\u00f3ria Hist\u00f3rica<\/u><\/a>, uma entidade que preserva e re\u00fane tudo o que est\u00e1 relacionado ao conflito armado do pa\u00eds. Depois, como jornalista independente, passou a retratar temas como\u00a0<strong>menores combatentes na guerrilha do<\/strong> Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ELN) e o processo de paz com as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (FARC).<\/p>\n<p>Ele tem mestrado em jornalismo e cinema documental pela Columbia University, foi\u00a0<a href=\"https:\/\/nieman.harvard.edu\/nieman-foundation-for-journalism-at-harvard-announces-the-81st-class-of-nieman-fellows\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>bolsista Nieman<\/u><\/a> em 2019 e vencedor de pr\u00eamios como o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.worldpressphoto.org\/collection\/photo-contest\/2018\/juan-d-arredondo\/3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>World Press Photo<\/u><\/a>.<\/p>\n<p>No ataque em que Brent Renaud morreu,\u00a0<a href=\"https:\/\/cnnespanol.cnn.com\/2022\/03\/13\/periodista-colombianoestadounidense-juan-arredondo-hospitalizado-herido-fuerzas-rusas-policia-kyiv-trax\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>Arredondo tamb\u00e9m ficou gravemente ferido<\/u><\/a>. Ele teve de enfrentar 13 cirurgias, al\u00e9m de um longo per\u00edodo de fisioterapia para conseguir voltar a caminhar. Em entrevista \u00e0 <strong>LJR<\/strong>, falou sobre o impacto na sa\u00fade mental de jornalistas que cobrem conflitos, os ataques contra a imprensa e a desconfian\u00e7a do p\u00fablico.<\/p>\n<p><i>Esta entrevista foi editada por motivos de extens\u00e3o e clareza.<\/i><\/p>\n<p><strong>LJR: Voc\u00ea conheceu Brent quando os dois foram bolsistas da Funda\u00e7\u00e3o\u00a0 Nieman em Harvard University, e assim come\u00e7aram v\u00e1rios anos de parceria. Como surgiu a rela\u00e7\u00e3o de amizade e profissional entre voc\u00eas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JA:<\/strong> Brent era muito, muito particular. No document\u00e1rio comentamos que Brent Renaud foi diagnosticado com S\u00edndrome de Asperger. \u00c9 um tipo de autismo de alta funcionalidade. Ele era extremamente inteligente, mas tamb\u00e9m bastante retra\u00eddo socialmente. Lembro que, nos primeiros dias da bolsa, eu achava que ele era uma pessoa estranha, quieta, reservada, \u00e0s vezes faltava aos eventos que organizavam para n\u00f3s. Um fim de semana ele me ligou porque tinha ficado trancado para fora do apartamento e acabou ficando comigo. Foi a\u00ed que come\u00e7amos a conversar e a nos conhecer melhor. Entendi que ele tinha uma personalidade e um jeito de ser muito diferentes, mas o que nos uniu foi o amor pela fotografia. Ele adorava fotografia, tamb\u00e9m fazia suas pr\u00f3prias fotos, gostava de revelar imagens, ent\u00e3o foi a paix\u00e3o pela fotografia que nos aproximou. Chegamos at\u00e9 a fazer uma aula sobre fotografia e guerra.<\/p>\n<p>De certa forma, eu era como o gancho que o levava para eventos sociais, porque para ele era muito dif\u00edcil socializar. Sentia que eu exercia esse papel e, depois que conheci o irm\u00e3o dele (Craig), percebi que n\u00f3s dois desempenh\u00e1vamos esse papel social.<\/p>\n<p><strong>LJR: Como voc\u00eas decidiram viajar para a Ucr\u00e2nia e qual era o objetivo inicial?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JA:<\/strong> Esse projeto buscava documentar refugiados em diferentes partes do mundo. Seria uma s\u00e9rie para a Times Studios, uma divis\u00e3o da Time Warner. Come\u00e7amos na Am\u00e9rica Central, estivemos na Guatemala e no M\u00e9xico. Essa primeira etapa tinha um enfoque de g\u00eanero, especialmente na comunidade LGBTQ, que \u00e9 muito afetada por quest\u00f5es migrat\u00f3rias. Depois estivemos na Gr\u00e9cia, no segundo maior campo de refugiados que existe. Em 24 de fevereiro [de 2022] come\u00e7ou a invas\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia e tomamos a decis\u00e3o de incluir isso na s\u00e9rie. Brent e eu viajamos para a Ucr\u00e2nia em 7 de mar\u00e7o.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<div id=\"attachment_162488\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-162488\" class=\"wpa-warning wpa-image-missing-alt wp-image-162488\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Copy-of-Brent_Ukraine_Color_018-scaled.jpg\" alt=\"Two people looking for objects in ruins behind them a man with a camera\" width=\"600\" height=\"400\" data-warning=\"Missing alt text\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Copy-of-Brent_Ukraine_Color_018-scaled.jpg 2560w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Copy-of-Brent_Ukraine_Color_018-300x200.jpg 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Copy-of-Brent_Ukraine_Color_018-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Copy-of-Brent_Ukraine_Color_018-768x512.jpg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Copy-of-Brent_Ukraine_Color_018-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Copy-of-Brent_Ukraine_Color_018-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Copy-of-Brent_Ukraine_Color_018-350x234.jpg 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-162488\" class=\"wp-caption-text\">Brent Renaud covering the war in Ukraine. (Photo: Juan Arredondo)<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>LJR: Voc\u00eas n\u00e3o estavam na parte mais violenta da guerra. Como aconteceu o ataque?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JA:<\/strong> N\u00f3s chegamos a Lviv e v\u00edamos que muita gente estava chegando de trem, de \u00f4nibus, de carro. Quer\u00edamos entender onde estava a origem desse deslocamento, e nos diziam que muitas pessoas vinham de Kiev. Ent\u00e3o come\u00e7amos esse trajeto com a meta de tentar chegar a Kiev e ver o que estava acontecendo na capital. Isso levou quase uma semana e, ao longo desse per\u00edodo, conseguimos testemunhar o bombardeio de algumas instala\u00e7\u00f5es militares. Mas, muitas vezes, tamb\u00e9m bombardeavam \u00e1reas civis, apartamentos, esta\u00e7\u00f5es de \u00f4nibus, esta\u00e7\u00f5es de trem e at\u00e9 refinarias. Nesse percurso chegamos a Kiev. Kievhavia se transformado em um ponto de passagem. N\u00e3o havia refugiados nem abrigos ali, as pessoas eram encaminhadas imediatamente para o oeste.<\/p>\n<p>Enquanto est\u00e1vamos l\u00e1, vimos chegar caravanas de carros civis com bandeiras brancas, com avisos feitos com fita adesiva ou grafites dizendo \u201ccrian\u00e7as a bordo\u201d ou \u201ccivis a bordo\u201d em ucraniano. Mas algo que tamb\u00e9m nos impressionou muito foi que muitos desses carros tinham marcas de tiros de fuzil.<\/p>\n<p>Entrevistamos as pessoas e elas diziam, \u201cest\u00e3o atirando em n\u00f3s, os russos n\u00e3o est\u00e3o respeitando o fato de sermos civis\u201d. Elas estavam sendo deslocadas de uma \u00e1rea nos arredores de Kiev chamada Irpin e Bucha. Ent\u00e3o tomamos a decis\u00e3o de ir at\u00e9 l\u00e1 na manh\u00e3 de domingo, 13 de mar\u00e7o [de 2022], para observar esse deslocamento. H\u00e1 uma ponte que conecta Irpin a Kiev, que os pr\u00f3prios ucranianos destru\u00edram para impedir que os russos avan\u00e7assem ou entrassem na capital.<\/p>\n<p>N\u00f3s chegamos l\u00e1, descemos do carro porque ele n\u00e3o podia passar e come\u00e7amos a caminhar em dire\u00e7\u00e3o a Irpin, porque quer\u00edamos ver essa evacua\u00e7\u00e3o de pessoas. Come\u00e7amos a andar e, cerca de 40 minutos depois, v\u00e1rios carros pararam para nos perguntar em que dire\u00e7\u00e3o est\u00e1vamos indo. N\u00f3s n\u00e3o fal\u00e1vamos nem russo nem ucraniano, e um dos motoristas, Vladimir, falava ingl\u00eas. Ele disse que era um dos volunt\u00e1rios que estava evacuando pessoas e que poderia nos levar at\u00e9 l\u00e1. Entramos no ve\u00edculo. Eu me sentei na parte de tr\u00e1s, e Brent ficou ao lado do motorista. Depois de uns 10 ou 15 minutos de trajeto, consegui ver, pelo lado esquerdo da janela, que dois soldados sa\u00edram de uma trincheira. O que estava mais pr\u00f3ximo da estrada levantou um AK-47 e apontou para o carro. Ent\u00e3o eu gritei: \u201cV\u00e3o nos matar, v\u00e3o atirar\u201d. Eu me joguei no ch\u00e3o, na parte de tr\u00e1s do carro, tentando me proteger. E foi a\u00ed que come\u00e7ou o tiroteio.<\/p>\n<p>Lembro de como o carro se moveu, ele nos jogou de um lado para o outro. O motorista fez um retorno em U, tentando voltar, e isso nos colocou diretamente na linha de vis\u00e3o desses soldados, foi nesse momento que nos emboscaram.<\/p>\n<p>Aquilo n\u00e3o durou nem minutos, mas pareceu uma eternidade. Lembro de sentir o impacto no gl\u00fateo esquerdo, muito doloroso, um golpe seco. Eu gritei: \u201cLevei um tiro\u201d, mas ningu\u00e9m respondeu.<\/p>\n<p>Nesse momento o carro j\u00e1 estava danificado. Quando ele parou completamente, eu me levantei do ch\u00e3o e vi que Brent estava sangrando no pesco\u00e7o. Tentei estancar o ferimento, mas naquele momento Brent j\u00e1 havia morrido.<\/p>\n<p>Vladimir saiu do carro e me ajudou a tirar Brent do ve\u00edculo. N\u00f3s o deitamos na cal\u00e7ada, e foi a\u00ed que percebi que meu ferimento tamb\u00e9m era muito grave. Comecei a desmaiar, estava perdendo muito sangue. Felizmente, outro dos carros que faziam esse revezamento de evacua\u00e7\u00e3o vinha passando, conseguimos par\u00e1-lo, me colocaram dentro dele e me evacuaram.<\/p>\n<p>Voltei at\u00e9 aquela ponte. A \u00fanica coisa de que me lembro \u00e9 que peguei as c\u00e2meras, dei alguns passos e desmaiei.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei quantos minutos depois, j\u00e1 na ambul\u00e2ncia, eu me levantei e comecei a perguntar o que havia acontecido com Brent, onde Brent estava, se Brent havia morrido, mas ningu\u00e9m me respondia. Me evacuaram para Kiev e, durante essa evacua\u00e7\u00e3o, liguei para o irm\u00e3o dele e disse: \u201cAtiraram em n\u00f3s, Brent est\u00e1 gravemente ferido, eu tamb\u00e9m estou ferido, estou indo para um hospital\u201d.<\/p>\n<p><strong>LJR: Pela sua narrativa, eles nem deram oportunidade de se identificarem como imprensa e civis.<\/strong><\/p>\n<p><strong>JA:<\/strong> Nada. N\u00e3o, nada. E n\u00f3s est\u00e1vamos com colete \u00e0 prova de balas, capacete, fitas dizendo que \u00e9ramos imprensa. Mas, pelo que hav\u00edamos visto nos dias anteriores, os russos n\u00e3o estavam respeitando essas regras de guerra, esses direitos humanos, o Tratado de Roma e tudo mais, porque j\u00e1 hav\u00edamos testemunhado nos dias anteriores que estavam atirando em carros de civis.<\/p>\n<p>Agora, por que nos atacaram? Isso foi investigado, mas nunca se chegou a uma conclus\u00e3o. O que se determinou \u00e9 que eram tropas russas, porque semanas depois foram descobertas as\u00a0<a href=\"https:\/\/www.hrw.org\/es\/news\/2022\/04\/21\/ucrania-el-rastro-de-la-muerte-de-las-fuerzas-rusas-en-bucha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>valas comuns em Bucha<\/u><\/a>, onde cometeram todas essas atrocidades e massacres.<\/p>\n<p><strong>LJR: Depois de um ataque desse tipo e superada a parte f\u00edsica e de sa\u00fade, como \u00e9 voltar ao trabalho jornal\u00edstico? Voc\u00ea procurou ajuda?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JA:<\/strong> Foi um processo de buscar a melhor assist\u00eancia em sa\u00fade mental. Tamb\u00e9m foi um processo de experimenta\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, existem muitas formas diferentes de fazer terapia. No in\u00edcio, a universidade me colocou em contato com um grupo, e eu senti que aquilo era um tratamento muito cl\u00ednico. Descobri que a melhor forma para mim foi fazer terapia.<\/p>\n<p>Mas percebi que essa profiss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito aberta a esse tipo de trauma. H\u00e1 uma cultura muito machista, esse machismo t\u00f3xico de que \u201chomem \u00e9 homem\u201d e n\u00e3o se compartilham sentimentos. Tamb\u00e9m existe aquele estere\u00f3tipo um pouco caricatural do fot\u00f3grafo de guerra, em busca adrenalina e alco\u00f3latra, e nada disso representa nem Brent nem n\u00f3s.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o \u00e9 preciso combater um pouco disso. Comecei a notar que alguns colegas da comunidade se aproximavam para conversar, e isso me ajudou muito. Pude falar com v\u00e1rios fot\u00f3grafos que passaram por situa\u00e7\u00f5es semelhantes ou piores, e isso ajuda muito a processar o que aconteceu, a compreender e superar muitos traumas.<\/p>\n<div id=\"attachment_162372\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-162372\" class=\"wp-image-162372\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/d4f1cdc9-9694-4e66-93fb-7f139a7cd812-300x225.jpg\" alt=\"Young man seating in a chair, looking at the camera \" width=\"540\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/d4f1cdc9-9694-4e66-93fb-7f139a7cd812-300x225.jpg 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/d4f1cdc9-9694-4e66-93fb-7f139a7cd812-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/d4f1cdc9-9694-4e66-93fb-7f139a7cd812-768x576.jpg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/d4f1cdc9-9694-4e66-93fb-7f139a7cd812-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/d4f1cdc9-9694-4e66-93fb-7f139a7cd812-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><p id=\"caption-attachment-162372\" class=\"wp-caption-text\">Photojournalist Juan Arredondo. (Photo: Courtesy)<\/p><\/div>\n<p>Um deles \u00e9 o chamado s\u00edndrome do sobrevivente, quando voc\u00ea fica marcado pelo que aconteceu. Isso me afetou muito, porque eu me sentia um mau amigo, pensando: \u201cQu\u00e3o errado foi o que eu fiz?\u201d, por ter deixado meu amigo ali, me sentindo culpado. Aquele dia se transforma em algo como um filme que se repete e se repete. Voc\u00ea come\u00e7a a duvidar de tudo: por que me sentei atr\u00e1s? E se tivesse me sentado \u00e0 frente? E se naquele dia tiv\u00e9ssemos sa\u00eddo mais tarde? E por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Acho que \u00e9 uma ferida que nunca cicatriza. Ela sempre fica l\u00e1, e h\u00e1 dias que s\u00e3o mais dif\u00edceis do que outros. Fazer este document\u00e1rio nos ajudou muito a curar. Me aproximei mais do irm\u00e3o dele. Isso nos permitiu, pelo menos, come\u00e7ar a superar, entender o que aconteceu e nos dar um prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Isso ajuda muito: trabalhar em um projeto porque nos d\u00e1 um prop\u00f3sito. Como fazemos? Como lidamos com essa dor e com esse luto? E foi isso que fizemos com o document\u00e1rio.<\/p>\n<p>Um tributo a Brent Renaud, mas tamb\u00e9m quer\u00edamos prestar homenagem a todos esses jornalistas que morreram, porque os \u00faltimos tr\u00eas anos foram os mais violentos e os que registraram mais assassinatos de jornalistas.<\/p>\n<p><strong>LJR: Apesar de a investiga\u00e7\u00e3o do ataque contra voc\u00ea n\u00e3o ter chegado a conclus\u00f5es, voc\u00ea acredita que o document\u00e1rio e as imagens do crime possam servir como evid\u00eancia legal em algum momento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JA:<\/strong> A decis\u00e3o de filmar veio porque sempre tivemos um pacto, eles tinham como irm\u00e3os e n\u00f3s ainda temos, de que se algo nos acontecesse, n\u00e3o parar\u00edamos de registrar e, na medida do poss\u00edvel, tentar\u00edamos ajudar o outro: se fosse sequestrado, se fosse assassinado. A resposta de Craig foi: \u201cVou registrar isso. N\u00e3o sei para qu\u00ea, mas vou registrar\u201d.<\/p>\n<p>Depois, quando ele retorna e acontece o vel\u00f3rio, nos sentamos para decidir o que fazer com todo esse material. Foi ent\u00e3o que a HBO nos procurou, perguntando como poderia ajudar, e foi nesse momento que Craig prop\u00f4s fazer um document\u00e1rio.<\/p>\n<p>Chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que quer\u00edamos fazer um tributo ao Brent, mostrar seu trabalho, sua obra, mas tamb\u00e9m prestar homenagem, como eu disse, a todos os jornalistas, justamente pelo que estava acontecendo.<\/p>\n<p>Sentimos que era muito relevante incorporar tudo o que ele havia feito, toda a sua trajet\u00f3ria. Um dos desafios foi tentar encontrar a voz de Brent em todos esses arquivos.<\/p>\n<p><strong>LJR: Cobrir viol\u00eancias como as do M\u00e9xico ou da Col\u00f4mbia costuma ser comparado a uma guerra. Que conselhos voc\u00ea daria a jornalistas que cobrem esses temas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental? Como melhorar nesse aspecto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JA:<\/strong> Percebi, por meio deste document\u00e1rio e das conversas que tivemos, que existe uma grande lacuna e d\u00e9ficit de capacita\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o de jornalistas para cobrir esse tipo de conflito. Digo isso porque estive em faculdades de jornalismo onde os alunos n\u00e3o aprendem como lidar com essas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica comum \u00e9 pegar uma passagem de avi\u00e3o, ir para o conflito e tentar conseguir trabalho a partir de l\u00e1.<\/p>\n<p>N\u00e3o falamos muito sobre jornalistas independentes que fazem esse tipo de trabalho e como se preparar para isso. Sinto que \u00e9 necess\u00e1rio criar mais recursos n\u00e3o apenas para preparar as pessoas para esse tipo de conflito, mas tamb\u00e9m para lidar com as consequ\u00eancias, porque elas se acumulam.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou generalizar, mas a quest\u00e3o da sa\u00fade mental na Am\u00e9rica Latina \u00e9 complexa e ainda carrega certo estigma. N\u00e3o sei exatamente como isso \u00e9 abordado no ambiente de trabalho, mas sinto que h\u00e1 uma lacuna, porque n\u00e3o se fala sobre o tema.<\/p>\n<div id=\"attachment_162492\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-162492\" class=\"wpa-warning wpa-image-missing-alt wp-image-162492\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ARREDONDO_BOOKDUMMy0009_00009-300x200.jpg\" alt=\"Fisherman in Bocas de Barbacoas, Antioquia, Colombia.\" width=\"550\" height=\"367\" data-warning=\"Missing alt text\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ARREDONDO_BOOKDUMMy0009_00009-300x200.jpg 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ARREDONDO_BOOKDUMMy0009_00009-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ARREDONDO_BOOKDUMMy0009_00009-768x512.jpg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ARREDONDO_BOOKDUMMy0009_00009-350x234.jpg 350w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ARREDONDO_BOOKDUMMy0009_00009.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><p id=\"caption-attachment-162492\" class=\"wp-caption-text\">Work of Juan Arredondo in Colombia. This photo was taken in Bocas de Barbacoas, Antioquia, on February 13, 2017. (Photo: Juan Arredondo)<\/p><\/div>\n<p>Essas lacunas precisam ser preenchidas, principalmente porque atualmente vemos que o jornalismo est\u00e1 sob ataque n\u00e3o apenas em zonas de conflito, mas tamb\u00e9m em muitos outros contextos: intimida\u00e7\u00e3o, autocensura, temos colegas em El Salvador que fazem reportagens do ex\u00edlio. Na Col\u00f4mbia, tamb\u00e9m h\u00e1 casos de autocensura. E no M\u00e9xico, muitos jornalistas s\u00e3o perseguidos pelos cart\u00e9is.<\/p>\n<p><strong>LJR: Com o document\u00e1rio, voc\u00eas buscam prestar um tributo aos jornalistas em geral e ao papel que eles desempenham, especialmente em guerras e conflitos. Ao mesmo tempo, o jornalismo enfrenta, como voc\u00ea dizia, ataques de diferentes frentes, al\u00e9m da desconfian\u00e7a do p\u00fablico que n\u00e3o v\u00ea essa import\u00e2ncia. Como recuperar essa confian\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JA:<\/strong> Sim, essa \u00e9 uma pergunta muito complexa. O problema \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o somos protagonistas. Esta \u00e9 a primeira vez que sinto que estou na frente de uma c\u00e2mera, e geralmente percebo que o p\u00fablico n\u00e3o tem consci\u00eancia disso. E essa tem sido a rea\u00e7\u00e3o das pessoas ao verem o document\u00e1rio: \u201cN\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos que voc\u00eas chegavam t\u00e3o perto do perigo\u201d.<\/p>\n<p>L\u00e1 voc\u00ea v\u00ea partes em que Brent \u00e9 emboscado no Iraque, ou o epis\u00f3dio do carro-bomba mais poderoso que explodiu naquele ano na Som\u00e1lia. As pessoas n\u00e3o v\u00e3o at\u00e9 l\u00e1 para ver como os jornalistas atuam nesses lugares. Como rep\u00f3rteres visuais, \u00e9 necess\u00e1rio estar bem pr\u00f3ximo, lado a lado com os acontecimentos.<\/p>\n<p>Tomara que o document\u00e1rio gere um pouco de informa\u00e7\u00e3o e interesse nas pessoas para entender o que um jornalista faz em um conflito.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o sei exatamente como se reconquista a confian\u00e7a. Obviamente, estamos hoje em uma luta contra a desinforma\u00e7\u00e3o. Cada vez mais vemos governos autorit\u00e1rios tentando desmentir os notici\u00e1rios. Mas acredito que o jornalismo criterioso e rigoroso, que segue todos os princ\u00edpios da verifica\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica, \u00e9 o \u00fanico recurso real que temos neste momento, porque o resto \u00e9 opini\u00e3o. Nosso papel como jornalistas \u00e9 exatamente esse: resistir e mostrar ao p\u00fablico como o jornalismo s\u00e9rio \u00e9 feito.<br \/>\nAl\u00e9m disso, \u00e9 tamb\u00e9m um ato de registrar a hist\u00f3ria, de evidenciar os acontecimentos, de ter um registro, algo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>A confian\u00e7a se reconquista fazendo jornalismo s\u00e9rio, n\u00e3o sensacionalista, pregui\u00e7oso ou distante. N\u00e3o dei uma resposta concreta, mas esse \u00e9 o desafio que acredito que todos n\u00f3s enfrentamos hoje: como recuperar a confian\u00e7a do p\u00fablico diante de tantos ataques?<\/p>\n<p><strong>LJR: O que representa a indica\u00e7\u00e3o e a possibilidade de ganhar este Oscar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JA:<\/strong> Para mim, sempre foi, digo como Juan, um sentimento misto. Por um lado, este n\u00e3o \u00e9 o document\u00e1rio pelo qual quer\u00edamos ser celebrados, com as honras e os pr\u00eamios que est\u00e3o nos dando. Nem eu nem o irm\u00e3o imagin\u00e1vamos que este seria um document\u00e1rio que atrairia toda essa aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil, porque eu gostaria que este momento que estamos vivendo pudesse ter sido compartilhado com o Brent. Sempre fica essa mistura de sentimentos, alegria e tristeza ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7amos o document\u00e1rio, obviamente nunca foi uma meta chegar a esse n\u00edvel. Quer\u00edamos apenas prestar um tributo, lembrar dele, e curar nossas feridas. E o que temos agora \u00e9 a oportunidade de continuar seu legado, seguir trabalhando como trabalh\u00e1vamos, continuar contando hist\u00f3rias que nos interessam e que sentimos serem importantes, especialmente aquelas que quase n\u00e3o aparecem na m\u00eddia. Essa era a meta.<\/p>\n<div id=\"attachment_162368\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-162368\" class=\"wp-image-162368\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/AOwaC_FYC_Keyart_4x5-1-240x300.jpg\" alt=\"Poster of a documentary called Armed only with a camera\" width=\"440\" height=\"550\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/AOwaC_FYC_Keyart_4x5-1-240x300.jpg 240w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/AOwaC_FYC_Keyart_4x5-1-819x1024.jpg 819w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/AOwaC_FYC_Keyart_4x5-1-768x960.jpg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/AOwaC_FYC_Keyart_4x5-1-1229x1536.jpg 1229w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/AOwaC_FYC_Keyart_4x5-1-1638x2048.jpg 1638w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/AOwaC_FYC_Keyart_4x5-1-scaled.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 440px) 100vw, 440px\" \/><p id=\"caption-attachment-162368\" class=\"wp-caption-text\">Poster Documentary Armed Only with a Camera, Oscar nominee.<\/p><\/div>\n<p>Ainda assim, chegar a esse ponto \u00e9 motivo de orgulho. N\u00e3o imagin\u00e1vamos isso, e quer\u00edamos eternizar um pouco o nome e o trabalho de Brent, e conseguimos. Agora \u00e9 esperar os resultados da cerim\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>LJR: \u00c0 qual todos ir\u00e3o\u2026<\/strong><\/p>\n<p><strong>JA:<\/strong> Sim, claro. Todos, a fam\u00edlia. Para dar apoio. Eu digo \u00e0s pessoas que minha m\u00e3e acende velas, as amigas perguntam a ela onde podem votar, e eu digo: \u201c<i>Mami<\/i>, isso n\u00e3o \u00e9\u00a0<i>Colombia\u2019s Got Talent<\/i>\u201d [risos]. Mas acho isso muito bonito. Se ganharmos, seria hist\u00f3rico como o primeiro colombiano, mas vai al\u00e9m: \u00e9 uma forma de dar visibilidade ao nosso trabalho.<\/p>\n<p>O mais importante agora \u00e9 que as pessoas entendam a import\u00e2ncia do jornalismo, especialmente em pa\u00edses onde ele est\u00e1 sendo t\u00e3o afetado.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata apenas de que nos atacaram; constantemente n\u00e3o h\u00e1 or\u00e7amento, as reda\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo afetadas. Nos Estados Unidos, estamos vendo desertos de not\u00edcias, lugares onde o jornalismo praticamente n\u00e3o existe, onde n\u00e3o h\u00e1 um jornal, onde n\u00e3o h\u00e1 um rep\u00f3rter indo ao tribunal para ver o que est\u00e1 sendo feito, ou os esquemas que o prefeito est\u00e1 tramando.<\/p>\n<p>Ou seja, tudo isso \u00e9 fundamental para que uma democracia funcione de maneira mais saud\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ferido no ataque que matou Brent Renaud na Ucr\u00e2nia, o fot\u00f3grafo colombo-estadunidense Juan Arredondo fala \u00e0 LJR sobre o luto, a sa\u00fade mental e o document\u00e1rio que homenageia jornalistas assassinados.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":162380,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1221],"tags":[1396,1598],"coauthors":[2741],"class_list":["post-162501","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-violencia-contra-jornalistas-pt-br","tag-colombia-pt-br-2","tag-fotojornalismo-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v22.6 (Yoast SEO v27.4) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Ele sobreviveu ao ataque que matou seu amigo. 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Higuera Fl\u00f3rez is a Colombian journalist interested in covering Latin American issues and human rights, especially the right to freedom of expression, and investigative journalism. She studied Social Communication and Journalism at Universidad Pontificia Bolivariana in Bucaramanga (Colombia), and received her Master's of Arts in Journalism from the University of Texas at Austin in 2015. She worked with the Office of the Special Rapporteur for Freedom of Expression of the Inter-American Commission on Human Rights (IACHR) under the Orlando Sierra fellowship during 2014. She also worked for the Colombian newspaper Vanguardia Liberal and wrote for different magazines about local, economic and public order issues. Her work has also appeared in The Miami Herald and El Nuevo Herald of Miami. Email: silvia.knightcenter@gmail.com Silvia A. Higuera Fl\u00f3rez es una periodista colombiana con inter\u00e9s period\u00edstico es Am\u00e9rica Latina y los derechos humanos, particularmente el derecho a la libertad de expresi\u00f3n, as\u00ed como el periodismo de investigaci\u00f3n. Estudi\u00f3 Comunicaci\u00f3n Social \u2013 Periodismo en la Universidad Pontificia Bolivariana de Bucaramanga (Colombia), y recibi\u00f3 su maestr\u00eda en Periodismo en la Universidad de Texas, en Austin en 2015. Trabaj\u00f3 para la Relator\u00eda Especial para la Libertad de Expresi\u00f3n de la Comisi\u00f3n Interamericana de Derechos Humanos (CIDH) en el marco de la beca Orlando Sierra, durante 2014. Tambi\u00e9n hizo parte del diario Vanguardia Liberal y escribi\u00f3 para otras revistas colombianas cubriendo fuentes locales, econ\u00f3micas y judiciales. Algunos de sus trabajos han aparecido en The Miami Herald y El Nuevo Herald de Miami. Silvia A. Higuera Fl\u00f3rez \u00e9 uma jornalista colombiana e seu interesse jornal\u00edstico \u00e9 a Am\u00e9rica Latina e os direitos humanos, nomeadamente o direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o. Estudou Comunica\u00e7\u00e3o Social \u2013 Jornalismo na Universidade Pontif\u00edcia Bolivariana de Bucaramanga, na Col\u00f4mbia e completou seu mestrado em jornalismo na Universidade do Texas em Austin. Silvia trabalhou na Relatoria para a Liberdade de Express\u00e3o da CIDH pela bolsa Orlando Sierra, em 2014. Trabalhou para o jornal Vanguardia Liberal e escreveu para outras revistas colombianas cobrindo temas locais, econ\u00f4micas e judici\u00e1rias. 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