{"id":22881,"date":"2018-07-16T23:11:39","date_gmt":"2018-07-17T04:11:39","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=22881"},"modified":"2021-07-23T23:12:55","modified_gmt":"2021-07-24T04:12:55","slug":"nao-ha-aprendizado-sem-erro-jornalistas-latino-americanos-compartilham-equivocos-e-licoes-ao-longo-da-carreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/nao-ha-aprendizado-sem-erro-jornalistas-latino-americanos-compartilham-equivocos-e-licoes-ao-longo-da-carreira\/","title":{"rendered":"\u2018N\u00e3o h\u00e1 aprendizado sem erro\u2019: jornalistas latino-americanos compartilham equ\u00edvocos e li\u00e7\u00f5es ao longo da carreira"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\">Errar \u00e9 humano \u2013 e inevit\u00e1vel para qualquer jornalista. Qualquer profissional sincero o suficiente consigo mesmo \u00e9 capaz de admitir que cometeu uma boa parcela de erros em sua carreira. E \u00e9 justamente a capacidade de abra\u00e7ar os erros, procurar entend\u00ea-los e aprender com eles que pode fazer com que sejam cada vez menos frequentes.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A reportagem do <strong>Centro Knight<\/strong> aproveitou o 13\u00ba Congresso Internacional da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), <a href=\"http:\/\/abraji.org.br\/noticias\/congresso-da-abraji-reune-750-pessoas-em-3-dias-de-debates-sobre-jornalismo\">que reuniu 750 pessoas entre os dias 28 e 30 de junho em S\u00e3o Paulo<\/a>, para ouvir jornalistas latino-americanos sobre os equ\u00edvocos cometidos e os aprendizados adquiridos em seus v\u00e1rios anos de estrada. Da suposi\u00e7\u00e3o err\u00f4nea ao cuidado com a seguran\u00e7a da fonte, eles oferecem li\u00e7\u00f5es para novatos e veteranos no jornalismo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Os presidentes e o lustre<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">A natureza pregou uma pe\u00e7a no jornalista brasileiro Jo\u00e3o Paulo Charleaux.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No fim de fevereiro de 2010, um terremoto de 8,8 graus de magnitude e um tsunami atingiram o Chile, deixando quase 800 mortos e destruindo cidades na regi\u00e3o central do pa\u00eds. Charleaux trabalhava no jornal Estad\u00e3o na \u00e9poca e foi cobrir os esfor\u00e7os de reconstru\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o desastre natural, que aconteceu poucos dias antes da posse de Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era como presidente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ao chegar em Santiago, Charleaux teve a chance de embarcar com a For\u00e7a A\u00e9rea chilena para a regi\u00e3o onde havia sido o epicentro do terremoto, a 500 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia de onde seria a posse. \u201cMinha ideia era ir at\u00e9 l\u00e1 e cobrir como aquelas pessoas estavam vendo a posse do presidente, que estava acontecendo em Valpara\u00edso, e contrastar essa situa\u00e7\u00e3o de destrui\u00e7\u00e3o, dificuldade de reconstruir e reclama\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao poder p\u00fablico de um lado, e do outro lado v\u00e1rios presidentes reunidos em uma festa\u201d, contou ao <strong>Centro Knight<\/strong>.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O que nem Charleaux nem as autoridades reunidas em Valpara\u00edso esperavam \u00e9 que, no momento da posse, <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/noticias\/geral,terremoto-de-6-9-graus-ofusca-posse-de-pinera-e-volta-a-assustar-chilenos,523109\">uma forte r\u00e9plica do terremoto interrompesse a cerim\u00f4nia e colocasse em p\u00e2nico a popula\u00e7\u00e3o chilena<\/a> e os presidentes latino-americanos reunidos no Congresso. \u201c<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/blogs\/certas-palavras\/o-dia-em-que-eu-senti-a-terra-tremer-no-chile\/\">A foto do dia seguinte era dos presidentes olhando para um grande lustre<\/a> de cristal do Congresso do Chile, que estava balan\u00e7ando\u201d, lembrou Charleaux, hoje rep\u00f3rter especial do Jornal Nexo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cO jornal ficou alucinado atr\u00e1s de mim, porque a comunica\u00e7\u00e3o era muito ruim. Considero que foi um erro muito esquisito porque a rigor foi uma boa op\u00e7\u00e3o, porque eu teria uma hist\u00f3ria e um ponto de vista que ningu\u00e9m tinha. Por outro lado, aprendi que se voc\u00ea viaja a um pa\u00eds onde todos os presidentes da regi\u00e3o est\u00e3o presentes, voc\u00ea n\u00e3o pode estar em outro lugar que n\u00e3o esse\u201d, avaliou o jornalista.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cN\u00e3o \u00e9 um erro cl\u00e1ssico, mas junta v\u00e1rios fatores que s\u00e3o delicados para o rep\u00f3rter: dificuldade de log\u00edstica, dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o, necessidade de uma avalia\u00e7\u00e3o r\u00e1pida a respeito do que fazer, e de repente uma coisa t\u00e3o imponder\u00e1vel quanto um terremoto revela que tua op\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi t\u00e3o boa\u201d, disse ele.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A consci\u00eancia da import\u00e2ncia dos erros e dos aprendizados que eles proporcionam levou Charleaux a criar a mesa \u201cOooops! O que grandes jornalistas aprenderam com seus grandes erros\u201d, que acontece desde 2014 no congresso anual da Abraji.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cOs congressos t\u00eam um elemento que me incomoda que \u00e9 o excesso de relatos de grandes feitos, grandes realiza\u00e7\u00f5es. Todo mundo \u00e9 bem sucedido. Isso contrastava muito com minha experi\u00eancia do jornalismo, que tinha mais a ver com coisas que n\u00e3o d\u00e3o certo, com repeti\u00e7\u00e3o de atividades que s\u00e3o desagrad\u00e1veis, com a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o, com frustra\u00e7\u00e3o, com vontade de estar fazendo mais e melhor\u201d, contou. Ele prop\u00f4s a ideia da mesa sobre erros para Marcelo Beraba, cofundador e ent\u00e3o presidente da Abraji, que respondeu que achava uma boa ideia, mas brincou que ningu\u00e9m iria querer participar.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ao contr\u00e1rio: nos \u00faltimos quatro anos, v\u00e1rios jornalistas passaram pelo painel \u2013e Beraba foi um deles, na edi\u00e7\u00e3o de 2018. \u201cO sucesso se deve a caracter\u00edsticas muito particulares, que incidem em uma situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. J\u00e1 o erro est\u00e1 presente como possibilidade o tempo inteiro. \u00c9 muito \u00fatil falar das coisas que d\u00e3o errado\u201d, disse Charleaux.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>A cilada da suposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00c0s vezes as coisas <em>quase <\/em>d\u00e3o errado, e ensinam mesmo assim. Isso pode acontecer quando um jornalista se deixa levar pelo que a hist\u00f3ria aparenta ser, mas que uma investiga\u00e7\u00e3o mais aprofundada e cuidadosa revela n\u00e3o se sustentar.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Foi o que aconteceu com a brasileira Mai\u00e1 Menezes, editora de Pa\u00eds na reda\u00e7\u00e3o conjunta dos jornais O Globo e Extra e da revista \u00c9poca. Em 2008, ela era rep\u00f3rter d\u2019O Globo e investigava com o colega F\u00e1bio Vasconcellos o financiamento da campanha eleitoral de 2006 de Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e ent\u00e3o candidato ao governo do Rio de Janeiro, hoje prefeito da capital do Estado.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cEst\u00e1vamos fazendo um levantamento dos doadores e chegamos a uma lista s\u00f3 de pessoas f\u00edsicas, em um momento em que as elei\u00e7\u00f5es permitiam financiamento privado. Ele era o \u00fanico candidato que s\u00f3 tinha pessoas f\u00edsicas como doadores\u201d, contou Menezes ao <strong>Centro Knight<\/strong>. A investiga\u00e7\u00e3o apontou que essas pessoas eram fi\u00e9is da Igreja Universal, \u201cpessoas muito pobres\u201d, disse ela. A suposi\u00e7\u00e3o dos rep\u00f3rteres foi de que se tratavam de doadores-laranja, listados para ocultar os nomes dos verdadeiros financiadores.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cA gente come\u00e7ou a ler a lei eleitoral em detalhe e viu que a doa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode ser escrita para o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] na presta\u00e7\u00e3o de contas como presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Ent\u00e3o, na verdade, <a href=\"https:\/\/www2.senado.leg.br\/bdsf\/bitstream\/handle\/id\/417691\/noticia.htm?sequence=1\">grande parte daqueles doadores eram pessoas que tinham trabalhado na campanha do Crivella<\/a>\u201d, explicou. \u201c\u00c9 grave, porque ele usou a estrutura da Igreja para ter cabo eleitoral, mas \u00e9 muito diferente de dizer que ele tinha doadores-laranja. Se tiv\u00e9ssemos dito isso, ter\u00edamos cometido um erro hist\u00f3rico.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O grande aprendizado, para Menezes, \u00e9 que uma aparente \u201cgrande hist\u00f3ria\u201d pode n\u00e3o ser nada disso, mas o jornalista nem sempre se d\u00e1 conta \u201cporque fica muito animado\u201d. Hoje, como editora, ela diz fazer todas as perguntas poss\u00edveis para derrubar uma reportagem antes de public\u00e1-la. \u201cToda grande mat\u00e9ria pressup\u00f5e tamb\u00e9m uma grande preocupa\u00e7\u00e3o, que para mim sempre se acende agora\u201d, afirmou.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Angelina Nunes teve uma experi\u00eancia parecida enquanto editora no jornal O Globo, em 2002. Ela coordenava uma equipe que investigava irregularidades nas licita\u00e7\u00f5es para a distribui\u00e7\u00e3o de comida em pres\u00eddios do Rio de Janeiro. \u201cO empres\u00e1rio Jair Coelho dominava as licita\u00e7\u00f5es, ele ganhava todas\u201d, disse ao <strong>Centro Knight<\/strong>.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na investiga\u00e7\u00e3o, a equipe descobriu que Coelho tinha uma casa em Miami, nos Estados Unidos. \u201cEstamos falando do come\u00e7o dos anos 2000; n\u00e3o \u00e9 como agora em que h\u00e1 tecnologias que te colocam praticamente dentro da casa das pessoas\u201d, brincou.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os rep\u00f3rteres encontraram o nome Jair Coelho na lista telef\u00f4nica de Miami. \u201cTudo batia: era Jair Coelho, era portugu\u00eas, era uma casa em Miami. Estava tudo ali.\u201d A equipe ficou animada e resolveu ent\u00e3o ligar para o n\u00famero na lista. \u201cTocou o telefone, atendeu um cara com um sotaque portugu\u00eas. Era o Jair Coelho, s\u00f3 que esse tinha 32 anos; o Jair Coelho que est\u00e1vamos procurando tinha quase 70. Era apenas um hom\u00f4nimo\u201d, disse Nunes, acrescentando que, para a equipe, aquele momento foi \u201cum banho de \u00e1gua gelada\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cNos demos conta de que est\u00e1vamos prestes a cometer um erro absurdo\u201d, contou. A partir desse epis\u00f3dio, Nunes passou a sempre considerar a possibilidade de encontrar hom\u00f4nimos em suas investiga\u00e7\u00f5es. \u201cA gente tinha que conseguir a carteira de identidade, porque eu queria ver o nome da m\u00e3e, para ver se era ou n\u00e3o a mesma. Se a m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 a mesma, vamos tamb\u00e9m conseguir uma foto, perguntar para o vizinho.\u201d Ela diz que o cuidado se tornou quase obsessivo. \u201cE cada vez que um rep\u00f3rter reclamava, eu contava essa hist\u00f3ria de novo: \u2018olha, no come\u00e7o dos anos 2000\u2026\u2019\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Aten\u00e7\u00e3o e cuidado com as fontes<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Muitas vezes tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel aprender com os erros de colegas, como Nunes exemplificou em uma hist\u00f3ria tr\u00e1gica que aconteceu na cobertura de um crime. \u201cUma rep\u00f3rter entrevistou uma testemunha, e depois mataram essa testemunha\u201d, contou. \u201cAquilo foi muito traum\u00e1tico dentro da reda\u00e7\u00e3o. Eu fiquei em p\u00e2nico, porque fazia muitas mat\u00e9rias de den\u00fancias.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A li\u00e7\u00e3o aprendida com a import\u00e2ncia do cuidado com a fonte foi colocada em pr\u00e1tica por Nunes poucos anos depois, ao entrevistar uma mulher que denunciava que seu filho havia sido assassinado por policiais. \u201cEla disse que n\u00e3o tinha medo e queria aparecer na foto. Eu expliquei o que havia acontecido [no outro caso] e disse para ela que usar\u00edamos um nome fict\u00edcio e que ela n\u00e3o seria fotografada de cara limpa. Fizemos uma foto art\u00edstica, atr\u00e1s de uma lona, de maneira que era imposs\u00edvel identific\u00e1-la.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A jornalista tamb\u00e9m explicou \u00e0 fonte que o anonimato era um direito dela. \u201cFalei que ela n\u00e3o tinha que se expor e que precisava tomar cuidado com a pr\u00f3pria vida. Eu tive esse cuidado, mas n\u00e3o sei se todo rep\u00f3rter teria\u201d, afirmou.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na rela\u00e7\u00e3o entre jornalista e fonte, \u00e9 importante tamb\u00e9m estar ciente dos interesses desta \u00faltima e em como ela pode atuar nos bastidores para influenciar no resultado final da mat\u00e9ria. Foi o que aprendeu Daniela Pinheiro, que entre 2007 e 2017 foi rep\u00f3rter especial da revista piau\u00ed e hoje dirige a revista \u00c9poca.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A piau\u00ed consolidou no Brasil um modelo de grandes perfis que consiste em acompanhar a pessoa que est\u00e1 sendo perfilada durante meses, de modo a captar as entranhas do objeto da mat\u00e9ria. \u201cQuando a revista foi lan\u00e7ada, 11 anos atr\u00e1s, essa era uma f\u00f3rmula muito nova\u201d, disse Pinheiro ao <strong>Centro Knight<\/strong>. \u201cOs entrevistados n\u00e3o sabiam como era essa din\u00e2mica, ent\u00e3o a gente conseguia tirar coisas muito boas. No entanto, 11 anos depois, os entrevistados j\u00e1 sabem como proceder.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ela acredita que essa \u00e9 uma das causas do que considera um erro em sua reportagem para o <a href=\"http:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/materia\/candidato-anfibio\/\">perfil do pol\u00edtico Eduardo Campos<\/a>, ent\u00e3o candidato \u00e0 Presid\u00eancia do Brasil, em junho de 2014 (ele viria a falecer em um acidente de avi\u00e3o em agosto do mesmo ano).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cEle sabia muito dessa f\u00f3rmula e me deu muito acesso, facilitou muito as coisas, chegou a marcar entrevistas para mim, deixava eu viajar com ele\u201d, contou a jornalista, que considera que Campos conseguiu controlar parcialmente a reportagem. \u201cFoi um erro meu ter contado com a facilidade que o entrevistado me deu.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A partir dessa mat\u00e9ria, Pinheiro disse ter mudado sua abordagem dos entrevistados, buscando apurar informa\u00e7\u00f5es sem interfer\u00eancia da pessoa que est\u00e1 sendo perfilada. \u201cHoje, para as mat\u00e9rias que a gente faz de perfil na \u00c9poca, minha orienta\u00e7\u00e3o \u00e9: a \u00faltima pessoa com quem voc\u00ea tem que falar \u00e9 o sujeito da mat\u00e9ria, e s\u00f3 quando voc\u00ea j\u00e1 estiver muito armada, muito informada. \u00c9 voc\u00ea quem tem que dar o tom da navega\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a pessoa.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>O desafio das bases de dados<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">A jornalista peruana Milagros Salazar \u00e9 fundadora e diretora do site <a href=\"http:\/\/www.convoca.pe\/\">Convoca<\/a>, que faz jornalismo investigativo com base em dados desde 2015, e pode atestar os desafios inerentes ao trabalho com dados, que tem se fortalecido como tend\u00eancia no jornalismo nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A primeira li\u00e7\u00e3o de Salazar saiu da primeira base de dados produzida pelo site, que gerou o especial \u201c<a href=\"http:\/\/excesosincastigo.convoca.pe\/\">Excesos sin castigo<\/a>\u201d. O trabalho trata de infra\u00e7\u00f5es ambientais de empresas de minera\u00e7\u00e3o e petr\u00f3leo no Peru e ganhou o Data Journalism Awards de 2016.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Como se tratava ainda do come\u00e7o do Convoca, a equipe era pequena, e uma solu\u00e7\u00e3o para agilizar o trabalho foi convidar estudantes de jornalismo de v\u00e1rias universidades do pa\u00eds. O Convoca promoveu oficinas de capacita\u00e7\u00e3o para que os universit\u00e1rios trabalhassem na investiga\u00e7\u00e3o, mas \u201cn\u00e3o obstante voc\u00ea d\u00ea treinamento \u00e0s pessoas, sempre faltam horas de voo, experi\u00eancia, para n\u00e3o cometer erros\u201d, disse Salazar.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cTivemos erros no caminho, o que \u00e9 normal quando se constroem bases de dados, mas tiramos conclus\u00f5es a partir do que havia sido feito, pensando que estava bem feito\u201d, contou, explicando que no fim das contas essa investiga\u00e7\u00e3o acabou tomando o dobro do tempo previsto. \u201cPudemos corrigir os erros que haviam nas bases de dados, afinar melhor o olhar, melhorar os processos e o padr\u00e3o de trabalho, e entender que at\u00e9 certo ponto um estudante poder\u00e1 ajudar, mas h\u00e1 certas coisas que precisam de algu\u00e9m com mais experi\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mais recentemente, um erro com uma base de dados teve consequ\u00eancias inesperadas e levou a uma reorganiza\u00e7\u00e3o do trabalho com dados no Convoca. A reportagem em quest\u00e3o era \u201c<a href=\"https:\/\/convoca.pe\/especiales\/odebrechtenelcongreso\/\">Los proyectos en el Congreso que facilitaron la ejecuci\u00f3n de obras de Odebrecht<\/a>\u201d (\u201cOs projetos no Congresso que facilitaram a execu\u00e7\u00e3o de obras de Odebrecht\u201d), parte do programa \u00danete, desenvolvido por Convoca para promover o jornalismo investigativo entre jovens jornalistas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A reportagem levantou os projetos de lei que foram apresentados nos \u00faltimos 15 anos no Peru e que favoreciam a construtora brasileira Odebrecht, empresa central nas recentes investiga\u00e7\u00f5es transnacionais sobre corrup\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina. A ideia era apresentar quem eram os congressistas autores dos projetos, j\u00e1 que a empresa financiou campanhas eleitorais n\u00e3o s\u00f3 a postulantes do Executivo, mas tamb\u00e9m do Legislativo no pa\u00eds, e entender se havia ind\u00edcios de tr\u00e1fico de influ\u00eancia no Congresso peruano.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O texto e os dados levantados foram publicados, por\u00e9m a princ\u00edpio foi apresentada no site do Convoca uma vers\u00e3o err\u00f4nea da base de dados, que continha o nome do falecido ex-congressista Henry Pease Garc\u00eda como autor de dois projetos de lei, enquanto ele deveria ter sido apresentado somente como presidente do Congresso entre 2003 e 2004.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cEstava certo no texto, n\u00e3o havia nenhuma men\u00e7\u00e3o a ele, mas no aplicativo [de visualiza\u00e7\u00e3o], na hora de subir a informa\u00e7\u00e3o, subiram a base de dados incorreta, pela loucura do fechamento\u201d, disse Salazar.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo a jornalista, o erro foi rapidamente corrigido no site do Convoca, mas o jornal Diario UNO, de Lima, \u201ccopiou toda a nossa investiga\u00e7\u00e3o, fez seis p\u00e1ginas e a colocou na primeira p\u00e1gina, e n\u00e3o s\u00f3: baixou a base de dados e colocou fotos de todos os congressistas\u201d citados, destacando a presen\u00e7a de Pease Garc\u00eda na lista.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">As filhas do ex-congressista escreveram uma carta p\u00fablica ao Diario UNO exigindo uma retrata\u00e7\u00e3o. \u201cNos sentimos tocados porque era uma informa\u00e7\u00e3o nossa\u201d, disse Salazar. \u201c<a href=\"https:\/\/www.convoca.pe\/agenda-propia\/aclaracion-sobre-mencion-henry-pease-como-autor-de-proyectos-de-ley-relacionados-obras\">Fizemos uma carta p\u00fablica explicando tudo aos leitores<\/a> e dizendo que hav\u00edamos tomado as medidas para sanar essa situa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O epis\u00f3dio motivou uma reestrutura\u00e7\u00e3o do trabalho com dados no Convoca, disse a diretora, para que se tornasse mais claro e mais rigoroso. \u201cColocamos nas salas dos programadores, dos jornalistas, e na minha, uma sinaliza\u00e7\u00e3o com o processo que cada um deve seguir e de cada parte do processo, quem est\u00e1 respons\u00e1vel por que. E a partir disso tamb\u00e9m programamos uma s\u00e9rie de capacita\u00e7\u00f5es para toda a equipe, para que todos falemos a mesma l\u00edngua\u201d em rela\u00e7\u00e3o aos dados, afirmou.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cN\u00e3o h\u00e1 aprendizado sem erro. E \u00e9 necess\u00e1rio ser muito humilde, como jornalista, para parar, observar, aprender e recapitalizar o erro, porque cada erro pode ser uma forma de avan\u00e7ar\u201d, avalia Salazar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reportagem do Centro Knight aproveitou o 13\u00ba Congresso Internacional da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que reuniu 750 pessoas entre os dias 28 e 30 de junho em S\u00e3o Paulo, para ouvir jornalistas latino-americanos sobre os equ\u00edvocos cometidos e os aprendizados adquiridos em seus v\u00e1rios anos de estrada. Da suposi\u00e7\u00e3o err\u00f4nea ao cuidado com a seguran\u00e7a da fonte, eles oferecem li\u00e7\u00f5es para novatos e veteranos no jornalismo.<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"coauthors":[],"class_list":["post-22881","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nao-categorizado"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v22.6 (Yoast SEO v27.4) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>\u2018N\u00e3o h\u00e1 aprendizado sem erro\u2019: jornalistas latino-americanos compartilham equ\u00edvocos e li\u00e7\u00f5es ao longo da carreira - LatAm Journalism Review by the Knight Center<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"\u2018N\u00e3o h\u00e1 aprendizado sem erro\u2019: jornalistas latino-americanos compartilham equ\u00edvocos e li\u00e7\u00f5es ao longo da carreira . 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