{"id":32687,"date":"2021-09-20T16:11:10","date_gmt":"2021-09-20T21:11:10","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=32687"},"modified":"2021-09-21T19:07:45","modified_gmt":"2021-09-22T00:07:45","slug":"mais-de-75-dos-brasileiros-acham-que-jornalistas-tentam-esconder-seus-erros-diz-pesquisa-da-reuters","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/mais-de-75-dos-brasileiros-acham-que-jornalistas-tentam-esconder-seus-erros-diz-pesquisa-da-reuters\/","title":{"rendered":"78% dos brasileiros acham que jornalistas tentam esconder seus erros, diz pesquisa do Reuters Institute"},"content":{"rendered":"<p>Brasileiros s\u00e3o os que mais desconfiam da capacidade da imprensa de reconhecer seus pr\u00f3prios erros quando comparados com indianos, ingleses e norte-americanos, segundo dados da pesquisa <a href=\"https:\/\/reutersinstitute.politics.ox.ac.uk\/superando-indiferenca-o-que-atitudes-em-relacao-noticias-nos-dizem-sobre-construcao-da-confianca\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/reutersinstitute.politics.ox.ac.uk\/superando-indiferenca-o-que-atitudes-em-relacao-noticias-nos-dizem-sobre-construcao-da-confianca\">\"Superando a indiferen\u00e7a: o que as atitudes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s not\u00edcias nos dizem sobre a constru\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a\".\u00a0<\/a><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio, <a href=\"https:\/\/reutersinstitute.politics.ox.ac.uk\/superando-indiferenca-o-que-atitudes-em-relacao-noticias-nos-dizem-sobre-construcao-da-confianca\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/reutersinstitute.politics.ox.ac.uk\/superando-indiferenca-o-que-atitudes-em-relacao-noticias-nos-dizem-sobre-construcao-da-confianca\">publicado em 9 de setembro<\/a>, \u00e9 parte de um projeto mais amplo do Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ, da sigla em ingl\u00eas) sobre a <a href=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/em-meio-a-pandemia-de-covid-19-confianca-no-noticiario-cresce-mas-fica-abaixo-da-media-mundial-na-america-latina\/\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/em-meio-a-pandemia-de-covid-19-confianca-no-noticiario-cresce-mas-fica-abaixo-da-media-mundial-na-america-latina\/\">confian\u00e7a das pessoas nas not\u00edcias<\/a>, e coletou dados em quatro pa\u00edses: Brasil, \u00cdndia, Reino Unido, e EUA.<\/p>\n<p>Para o <a href=\"https:\/\/reutersinstitute.politics.ox.ac.uk\/sites\/default\/files\/2021-09\/Toff%20et%20al%20-%20Overcoming%20Indifference%20FINAL.pdf\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/reutersinstitute.politics.ox.ac.uk\/sites\/default\/files\/2021-09\/Toff%20et%20al%20-%20Overcoming%20Indifference%20FINAL.pdf\">levantamento<\/a>, o RISJ trabalhou com tr\u00eas empresas de pesquisa: Datafolha no Brasil, Internet Research Bureau na \u00cdndia, e Kantar nos EUA e no Reino Unido. Foram entrevistadas cerca de 2 mil pessoas em cada pa\u00eds, em uma amostragem representativa da popula\u00e7\u00e3o local, entre maio e junho de 2021.<\/p>\n<p>Um dos pontos que chamou aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores sobre o Brasil foi a parcela da popula\u00e7\u00e3o que acredita que as organiza\u00e7\u00f5es de not\u00edcias tentam esconder seus pr\u00f3prios erros: 78%. A taxa \u00e9 de 64% no Reino Unido, 59% nos EUA e 55%, na \u00cdndia. Entre os brasileiros, apenas 20% acreditam que as empresas de jornalismo est\u00e3o dispostas a reconhecer seus equ\u00edvocos (2% n\u00e3o souberam opinar).<\/p>\n<div id=\"attachment_32675\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-32675\" id=\"longdesc-return-32675\" class=\"wp-image-32675\" tabindex=\"-1\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Camila-MontAlverne-257x300.jpg\" alt=\"Camila pesquisa confian\u00e7a nas not\u00edcias no Reuters Institute for the Study of Journalism\" width=\"300\" height=\"351\" longdesc=\"https:\/\/latamjournalismreview.org?longdesc=32675&amp;referrer=32687\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Camila-MontAlverne-257x300.jpg 257w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Camila-MontAlverne-876x1024.jpg 876w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Camila-MontAlverne-768x897.jpg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Camila-MontAlverne-1315x1536.jpg 1315w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Camila-MontAlverne-1753x2048.jpg 1753w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-32675\" class=\"wp-caption-text\">A doutora em pol\u00edtica Camila Mont'Alverne, coautora do estudo e pesquisadora de p\u00f3s-doutorado no RISJ<\/p><\/div>\n<p>\"Descobrimos que os brasileiros s\u00e3o, em alguns casos, ainda mais c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o aos jornalistas do que os entrevistados de outros pa\u00edses. [...] Mesmo aqueles que geralmente confiam nas not\u00edcias suspeitam que os jornalistas tendem a encobrir seus erros\", disse \u00e0 <strong>LatAm Journalism Review (LJR) <\/strong>a doutora em pol\u00edtica <a href=\"https:\/\/www.politics.ox.ac.uk\/academic-staff\/camila-montalverne.html\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/www.politics.ox.ac.uk\/academic-staff\/camila-montalverne.html\">Camila Mont'Alverne<\/a>, coautora do estudo e pesquisadora de p\u00f3s-doutorado no RISJ, dentro do projeto Trust in News.<\/p>\n<p>Brasileiros tamb\u00e9m parecem ter opini\u00f5es negativas sobre a imprensa com mais frequ\u00eancia do que cidad\u00e3os de outros pa\u00edses. Por exemplo, 44% dos brasileiros acham que os jornalistas comumente provocam, de forma intencional, para chamar aten\u00e7\u00e3o para si mesmos, e 43% acreditam que profissionais da imprensa frequentemente tentam manipular o p\u00fablico \u2013 as taxas s\u00e3o as mais altas encontradas entre os pa\u00edses pesquisados. Ao mesmo tempo, 36% dos brasileiros acreditam que jornalistas comumente s\u00e3o pagos pelas suas fontes, ficando atr\u00e1s s\u00f3 da \u00cdndia, com 37%.<\/p>\n<p>Mas nem sempre os brasileiros s\u00e3o os mais c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imprensa. Por exemplo, a maioria dos entrevistados, em todos os pa\u00edses, acredita que os jornalistas rechecam os fatos com v\u00e1rias fontes muito frequentemente ou \u00e0s vezes, e a porcentagem dos brasileiros est\u00e1 entre as mais altas: 72% na \u00cdndia, 70% no Brasil, 66% no Reino Unido e 63% nos EUA.<\/p>\n<p><strong>Perfil dos desconfiados e democracia<\/strong><\/p>\n<p>Na pesquisa, entrevistados foram separados entre os que \"desconfiam em geral\", \"confiam seletivamente\" e \"confiam em geral\" nas not\u00edcias \u2013 a classifica\u00e7\u00e3o foi feita considerando a m\u00e9dia de marcas de jornalismo nas quais os entrevistados diziam confiar em cada pa\u00eds. No Brasil, 24% das pessoas entraram na categoria dos que \"desconfiam em geral\".<\/p>\n<div id=\"attachment_32681\" style=\"width: 691px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-32681\" class=\"wp-image-32681 size-full\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Screen-Shot-2021-09-17-at-17.26.56.png\" alt=\"gr\u00e1fico do Institute for the Study of Journalism\" width=\"681\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Screen-Shot-2021-09-17-at-17.26.56.png 681w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Screen-Shot-2021-09-17-at-17.26.56-300x118.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><p id=\"caption-attachment-32681\" class=\"wp-caption-text\">Gr\u00e1fico sobre a segmenta\u00e7\u00e3o dos entrevistados por n\u00edvel de confian\u00e7a nas not\u00edcias. Imagem: Print screen do relat\u00f3rio<\/p><\/div>\n<p>Os pesquisadores argumentam, no estudo, que essa segmenta\u00e7\u00e3o permite uma melhor compara\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses e ajuda e entender de forma mais complexa o problema, porque \"um consumidor de not\u00edcias bem informado e reflexivo \u00e9 capaz de discernir as fontes que encontra; eles sabem em quais fontes de not\u00edcias podem confiar, mas tamb\u00e9m sabem sobre quais devem ser c\u00e9ticos e por qu\u00ea\", afirma o estudo. \"Em outras palavras, a confian\u00e7a generalizada em todas as not\u00edcias pode ser t\u00e3o prejudicial quanto a desconfian\u00e7a generalizada de todas as fontes\".<\/p>\n<p>A partir dessa segmenta\u00e7\u00e3o dos entrevistados, v\u00e1rios aspectos sobre o perfil dos que \"desconfiam em geral\" das not\u00edcias no Brasil destoam em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo grupo em outros pa\u00edses. Um dos principais, destaca Mont'Alverne, \u00e9 a associa\u00e7\u00e3o com a democracia. Nos pa\u00edses pesquisados, pessoas que confiam menos nas not\u00edcias tendem a ser mais cr\u00edticas sobre como a democracia funciona em suas sociedades. Esse resultado sugere que a confian\u00e7a nas not\u00edcias pode sofrer influ\u00eancia de fatores externos \u00e0 pr\u00f3pria imprensa.<\/p>\n<p>Nos EUA, talvez um reflexo da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, 73% dos norte-americanos que \"desconfiam em geral\" das not\u00edcias est\u00e3o insatisfeitos com a democracia \u2013 taxa que \u00e9 de apenas 22% entre os que \"confiam em geral\".<\/p>\n<p>J\u00e1 no Brasil quase n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a nesse quesito. \"Os dois grupos est\u00e3o muito insatisfeitos. Isso n\u00e3o \u00e9 novidade, j\u00e1 que os brasileiros h\u00e1 muito tempo est\u00e3o insatisfeitos com o funcionamento da democracia em seu pa\u00eds, mas o papel da imprensa nessa din\u00e2mica parece distinto em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses\", diz Mont'Alverne.<\/p>\n<p><strong>Homens, mais velhos, brancos e do Sul\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O perfil do brasileiro que n\u00e3o confia nas not\u00edcias coincide, em alguns aspectos, com o de outras na\u00e7\u00f5es. Por exemplo, eles tendem a ser mais velhos em todos os pa\u00edses pesquisados. No Brasil, 38% dos que \"desconfiam em geral\" t\u00eam mais de 55 anos e, entre os que \"confiam em geral\", 42% t\u00eam menos de 35 anos.<\/p>\n<p>Da mesma forma, os desconfiados s\u00e3o em sua maioria homens, o que se repete no Brasil e \u00cdndia (59% do grupo) e, em menor propor\u00e7\u00e3o, no Reino Unido (53%) \u2013 nos EUA, eles est\u00e3o igualmente distribu\u00eddos entre os g\u00eaneros. No Brasil, h\u00e1 ainda um fator racial e regional: os desconfiados s\u00e3o majoritariamente brancos e concentrados na regi\u00e3o Sul.<\/p>\n<p>Curiosamente, em todos os pa\u00edses, os desconfiados tendem a n\u00e3o ter ensino superior, exceto no Brasil, onde a educa\u00e7\u00e3o parece n\u00e3o ter influ\u00eancia nisso. Na \u00cdndia e no Reino Unido, os que \"desconfiam em geral\" tendem a vir de fam\u00edlias de baixa renda, enquanto no Brasil \u00e9 o contr\u00e1rio, eles pouco figuram entre os mais pobres.<\/p>\n<p>\"N\u00e3o encontramos rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a nas not\u00edcias no Brasil e esse \u00e9 outro diferencial dos demais pa\u00edses. No entanto, outros estudos tamb\u00e9m mostraram que a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necessariamente um preditor de confian\u00e7a nas not\u00edcias, e nem sempre segue um padr\u00e3o consistente (em alguns casos, aqueles que s\u00e3o mais instru\u00eddos confiam menos nas not\u00edcias)\", afirma Mont'Alverne.<\/p>\n<p>Ela diz que brasileiros com ensino superior costumam demonstrar familiaridade com conceitos jornal\u00edsticos, como a diferen\u00e7a entre um rep\u00f3rter e um comentarista. Ou seja, para essa parcela da popula\u00e7\u00e3o, talvez a educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica n\u00e3o necessariamente reforce a confian\u00e7a nas not\u00edcias.<\/p>\n<div id=\"attachment_32684\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-32684\" id=\"longdesc-return-32684\" class=\"wp-image-32684\" tabindex=\"-1\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Toff-214x300.jpg\" alt=\"toff pesquisa confian\u00e7a nas not\u00edcias no Reuters Institute\" width=\"300\" height=\"420\" longdesc=\"https:\/\/latamjournalismreview.org?longdesc=32684&amp;referrer=32687\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Toff-214x300.jpg 214w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Toff-731x1024.jpg 731w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Toff-768x1075.jpg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Toff-1097x1536.jpg 1097w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Toff-1463x2048.jpg 1463w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Toff.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-32684\" class=\"wp-caption-text\">Benjamin Toff, pesquisador s\u00eanior do RISJ e l\u00edder do Trust in News Project. Foto: Arquivo pessoal<\/p><\/div>\n<p>\"A partir de nossas entrevistas qualitativas em nosso relat\u00f3rio anterior, muitos entrevistados brasileiros que eram altamente educados tamb\u00e9m demonstraram que tinham alguma no\u00e7\u00e3o de como as not\u00edcias funcionam, mas se opuseram ao que consideravam uma influ\u00eancia pol\u00edtica ou comercial indevida\", explica Mont'Alverne.<\/p>\n<p>Coautor do estudo, <a href=\"https:\/\/reutersinstitute.politics.ox.ac.uk\/people\/dr-benjamin-toff\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/reutersinstitute.politics.ox.ac.uk\/people\/dr-benjamin-toff\">Benjamin Toff<\/a>, pesquisador s\u00eanior do RISJ e l\u00edder do Trust in News Project, concorda.<\/p>\n<p>\"Em outras palavras, a educa\u00e7\u00e3o e a alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica podem ajudar a desmistificar aspectos do jornalismo para alguns, mas tamb\u00e9m pode levar pessoas a adotar raz\u00f5es adicionais para serem c\u00e9ticas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s not\u00edcias\", disse ele \u00e0 <strong>LJR.\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Apoiadores do Bolsonaro<\/strong><\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m analisou o perfil pol\u00edtico dos desconfiados e, no Brasil, eles s\u00e3o em sua maioria, 53%, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, <a href=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/ataques-jornalistas-brasil-bolsonaro-2020\/\" data-cke-saved-href=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/ataques-jornalistas-brasil-bolsonaro-2020\/\">conhecido por seus ataques recorrentes e virulentos contra a imprensa<\/a>.<\/p>\n<p>Perguntados se o brasileiro desconfiado, identificado com uma elite (branco, homem, do Sul, mais velho, com menor chance de estar entre as camadas mais pobres) sempre teve esse perfil, ou se esse \u00e9 apenas um retrato do momento pol\u00edtico atual, os autores responderam que os dados da pesquisa n\u00e3o permitem saber isso, mas que pretendem explorar esse tema nos pr\u00f3ximos estudos. No entanto, acreditam que provavelmente essas caracter\u00edsticas sejam mut\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 bem poss\u00edvel que o perfil dos desconfiados das not\u00edcias esteja particularmente ligado ao contexto pol\u00edtico atual, visto que o perfil dos desconfiados em geral \u00e9 muito semelhante ao dos que apoiam o presidente agora. Essa din\u00e2mica \u00e9 mais parecida com o que vemos nos Estados Unidos, onde o perfil dos desconfiados se parece muito com partid\u00e1rios de Donald Trump, assim como de gente menos interessada em pol\u00edtica\u201d, disse Toff. \"\u00c0 medida que as coaliz\u00f5es pol\u00edticas mudam, as atitudes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imprensa tamb\u00e9m podem mudar. Existem algumas indica\u00e7\u00f5es disso em nossos dados\", conclui.<\/p>\n<p>As indica\u00e7\u00f5es a que ele se refere aparecem na confian\u00e7a das pessoas em marcas de jornalismo espec\u00edficas. No Brasil, o estudo identificou um vi\u00e9s partid\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Globo (TV Globo, Globo News e G1): 83% dos petistas disseram confiar em parte ou totalmente em informa\u00e7\u00f5es reportadas pela marca, percentual que \u00e9 de 54% entre os que n\u00e3o s\u00e3o apoiadores do PT.<\/p>\n<div id=\"attachment_32678\" style=\"width: 656px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-32678\" class=\"wp-image-32678 size-full\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Screen-Shot-2021-09-17-at-17.25.40.png\" alt=\"gr\u00e1fico do Institute for the Study of Journalism\" width=\"646\" height=\"641\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Screen-Shot-2021-09-17-at-17.25.40.png 646w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Screen-Shot-2021-09-17-at-17.25.40-300x298.png 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Screen-Shot-2021-09-17-at-17.25.40-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 646px) 100vw, 646px\" \/><p id=\"caption-attachment-32678\" class=\"wp-caption-text\">Gr\u00e1fico com a confian\u00e7a dos brasileiros em marcas de jornalismo. Imagem: Printscreen do relat\u00f3rio<\/p><\/div>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, essa \u00e9 uma mudan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo em que o partido ocupava a Presid\u00eancia, quando petistas eram muito cr\u00edticos \u00e0 imprensa, especialmente \u00e0 Globo.<\/p>\n<p>\"O fato de os apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) confiarem mais na Globo, por exemplo. Isso pode n\u00e3o ter sido sempre assim e provavelmente pode mudar novamente se o Lula vencer as elei\u00e7\u00f5es do ano que vem. \u00c9 algo a que prestaremos mais aten\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos, com nossas rodadas adicionais de coleta de dado\", disse Mont'Alverne.<\/p>\n<p>Sobre a quest\u00e3o de g\u00eanero, os pesquisadores afirmam que \u00e9 curioso que os homens sejam mais desconfiados no Brasil, porque dados do estudo mostram que eles acessam mais e se interessam mais pelas not\u00edcias do que as mulheres, um comportamento que geralmente est\u00e1 associado a uma maior confian\u00e7a na imprensa. Toff afirma que os autores pretendem investigar isso de forma mais aprofundada nos pr\u00f3ximos estudos, principalmente se o g\u00eanero tem impactos diferentes entre apoiadores e opositores de Bolsonaro.<\/p>\n<p>\"Pesquisas anteriores nos EUA mostraram algo semelhante, que o g\u00eanero opera de maneiras diferentes dentro dos partidos pol\u00edticos e entre os partidos. \u00c9 poss\u00edvel ou mesmo prov\u00e1vel que o padr\u00e3o geral que encontramos de homens confiando menos nas not\u00edcias mascare algumas diferen\u00e7as importantes entre diferentes segmentos do p\u00fablico\", diz Toff.<\/p>\n<p><strong>Como reconquistar a confian\u00e7a?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Uma das principais conclus\u00f5es do estudo \u00e9 que as pessoas que menos confiam nas not\u00edcias s\u00e3o as mais indiferentes, n\u00e3o necessariamente as mais hostis em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imprensa. Isto \u00e9, s\u00e3o pessoas que pouco se importam com as pr\u00e1ticas editoriais e n\u00e3o t\u00eam muitas opini\u00f5es sobre como rep\u00f3rteres, editores e organiza\u00e7\u00f5es devem fazer seu trabalho.<\/p>\n<p>\"Isso sugere que, em certa medida, o problema que as organiza\u00e7\u00f5es de not\u00edcias t\u00eam com as pessoas menos confiantes \u00e9 provar que as not\u00edcias oferecem algo relevante para suas vidas\", afirma Mont'Alverne.<\/p>\n<p>Toff sugere que a imprensa precisa deixar as conex\u00f5es entre o seu trabalho e a vida das pessoas mais claras. Segundo ele, nas entrevistas qualitativas, muitos entrevistados reclamam que o jornalismo costuma focar em temas com os quais eles n\u00e3o se importam.<\/p>\n<p>\"Muitas vezes os jornalistas que cobrem assuntos pol\u00edticos e c\u00edvicos acham que a import\u00e2ncia de sua cobertura \u00e9 autoevidente e podem n\u00e3o se dar ao trabalho de argumentar por que o que eles cobrem deveria importar para o p\u00fablico. Cobrir pol\u00edtica para pessoas que n\u00e3o se interessam por pol\u00edtica \u00e9 um desafio e ningu\u00e9m quer ser tratado de forma inferior, mas esse p\u00fablico geralmente desconfiado n\u00e3o est\u00e1 procurando o mesmo tipo de cobertura que as pessoas que est\u00e3o interessadas em pol\u00edtica, mas pensam que a imprensa faz os seus pol\u00edticos preferidos parecem ruins\", explica Toff.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ele destaca que esse p\u00fablico demonstra uma incapacidade de diferenciar entre marcas de jornalismo, e muitos tendem a ser c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o a todos os ve\u00edculos. Por isso, ele recomenda que as empresas de not\u00edcias tenham identidades e marcas mais aparentes, tornando muito claro, mesmo para o p\u00fablico que n\u00e3o acompanha aquele ve\u00edculo, por que a informa\u00e7\u00e3o que produzem \u00e9 diferente das outras. Toff explica que vis\u00f5es negativas sobre o jornalismo est\u00e3o muito difundidas, como a ideia de que profissionais aceitam dinheiro de fontes ou n\u00e3o verificam a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\"Muitas pessoas pensam que h\u00e1 uma diferen\u00e7a m\u00ednima entre not\u00edcias produzidas profissionalmente e todo o resto que podem ver em seus feeds nas redes sociais\", diz ele. \"Jornalistas e organiza\u00e7\u00f5es noticiosas costumam relutar em se inserir nas not\u00edcias e costumam preferir uma postura mais imparcial. Mas h\u00e1 muitos cr\u00edticos de not\u00edcias que ficar\u00e3o felizes em avan\u00e7ar e apresentar suas pr\u00f3prias narrativas sobre como os jornalistas profissionais operam se as organiza\u00e7\u00f5es de not\u00edcias n\u00e3o tomarem mais a iniciativa de apresentar esse caso positivo sobre si mesmas\".<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O relat\u00f3rio do Reuters Institute for the Study of Journalism sobre a confian\u00e7a das pessoas nas not\u00edcias coletou dados em quatro pa\u00edses: Brasil, \u00cdndia, Reino Unido, e EUA.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":32671,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1224],"tags":[],"coauthors":[],"class_list":["post-32687","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pesquisa-academica-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v22.6 (Yoast SEO v27.4) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>78% dos brasileiros acham que jornalistas tentam esconder seus erros, diz pesquisa do Reuters Institute - LatAm Journalism Review by the Knight Center<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"78% dos brasileiros acham que jornalistas tentam esconder seus erros, diz pesquisa do Reuters Institute Pesquisa Acad\u00eamica. 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She has worked for Brazilian news organizations such as Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Dia and the fact-checking agency Lupa. Marina was a correspondent in Brazil for the German international broadcaster Deutsche Welle and a radio reporter for DW Africa in Germany. She also worked as a reporter for United Nations Radio, in New York, and for Spanish newspaper La Voz de Galicia. Marina graduated in Journalism from the Federal University of Rio de Janeiro and has a Master\u2019s degree in Editorial Journalism from the University of A Coru\u00f1a (Spain). Marina Estarque es una periodista brasile\u00f1a que vive en S\u00e3o Paulo. Ella ha trabajado para diversas organizaciones period\u00edsticas como Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Dia y en la agencia de fact-checking Lupa. Marina ha sido corresponsal en Brasil del canal internacional alem\u00e1n Deutsche Welle y reportera de radio de DW \u00c1frica en Alemania. Tambi\u00e9n trabaj\u00f3 como reportera de Radio de las Naciones Unidas en Nueva York y en el diario espa\u00f1ol La Voz de Galicia. Marina tiene una maestr\u00eda en edici\u00f3n period\u00edstica de la Universidad de Coru\u00f1a (Espa\u00f1a) y se gradu\u00f3 en periodismo en la Universidad Federal de R\u00edo de Janeiro. Marina Estarque \u00e9 uma jornalista brasileira que vive em S\u00e3o Paulo. Ela trabalhou para ve\u00edculos como Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Dia e a ag\u00eancia de fact-checking Lupa. Marina foi correspondente no Brasil para a emissora internacional da Alemanha, a Deutsche Welle, e rep\u00f3rter de r\u00e1dio para a DW \u00c1frica na Alemanha. Ela tamb\u00e9m foi rep\u00f3rter da R\u00e1dio das Na\u00e7\u00f5es Unidas em Nova York e do jornal espanhol La Voz de Galicia. Marina \u00e9 mestre em edi\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica pela Universidade da Coru\u00f1a (Espanha) e graduada em jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.","sameAs":["https:\/\/x.com\/MarinaEstarque"],"url":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/author\/marina-estarque\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32687","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32687"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32687\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33270,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32687\/revisions\/33270"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32671"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32687"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32687"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32687"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=32687"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}