{"id":43762,"date":"2021-12-01T18:05:51","date_gmt":"2021-12-01T23:05:51","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=43762"},"modified":"2021-12-01T18:30:06","modified_gmt":"2021-12-01T23:30:06","slug":"no-brasil-mulheres-jornalistas-recebem-mais-que-o-dobro-de-ofensas-que-colegas-homens-no-twitter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/no-brasil-mulheres-jornalistas-recebem-mais-que-o-dobro-de-ofensas-que-colegas-homens-no-twitter\/","title":{"rendered":"No Brasil, mulheres jornalistas recebem mais que o dobro de ofensas que colegas homens no Twitter"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Este texto foi originalmente publicado <\/span><\/i><a href=\"https:\/\/azmina.com.br\/reportagens\/mulheres-jornalistas-recebem-mais-que-o-dobro-de-ofensas-que-colegas-homens-no-twitter\/\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">pela AzMina<\/span><\/i><\/a><i><span style=\"font-weight: 400;\"> em 23 de novembro de 2021 e foi republicado aqui com a sua autoriza\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><\/p>\n<p><em>Aten\u00e7\u00e3o: A reportagem abaixo mostra trechos expl\u00edcitos de conte\u00fado mis\u00f3gino e racista. Optamos por n\u00e3o censur\u00e1-los porque achamos importante exemplificar como o debate \u00e9 violento nas redes, como a viol\u00eancia contra mulheres jornalistas se espalha, quais termos s\u00e3o frequentemente utilizados e como podemos identific\u00e1-la.<\/em><\/p>\n<p>\u201cPuta. Vai abrir a perna e dar pro Lula\u201d. Essa foi a primeira mensagem que Eliane Cantanh\u00eade, jornalista, colunista do Estad\u00e3o e comentarista do Globonews Em Pauta, da r\u00e1dio Eldorado (SP) e da r\u00e1dio Jornal (PE), recebeu pela manh\u00e3 do dia 18 de novembro. A ofensa chegou \u00e0 sua caixa de mensagens privadas em um dos seus perfis profissionais nas redes sociais. Essa, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica frase ofensiva que ela recebe em suas redes. Algumas ficam p\u00fablicas nos coment\u00e1rios de suas postagens, documentando a misoginia e viol\u00eancia contra mulheres jornalistas para quem quiser ver.<\/p>\n<p>Eliane lidera um ranking de ataques a profissionais de imprensa. As mulheres jornalistas recebem mais que o dobro de ofensas em seus perfis no Twitter, se comparado aos colegas homens. Esse foi um dos achados preocupantes de uma investiga\u00e7\u00e3o de dados feita pela Revista AzMina e pelo InternetLab, junto ao Volt Data Lab e ao INCT.DD, com apoio do International Center for Journalists (ICFJ). A crescente onda de ataques \u00e0 imprensa brasileira aparece tamb\u00e9m em relat\u00f3rios da <a href=\"https:\/\/fenaj.org.br\/relatorios-de-violencia-contra-jornalistas-e-liberdade-de-imprensa-no-brasil\/\">Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas<\/a> (Fenaj) e da <a href=\"https:\/\/www.abraji.org.br\/abraji-aponta-que-mulheres-jornalistas-foram-vitimas-de-mais-da-metade-das-agressoes-no-meio-digital\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo<\/a> (Abraji). Seja no ambiente offline ou online, a viol\u00eancia tem o g\u00eanero feminino como principal alvo.<\/p>\n<p>No levantamento realizado no Twitter, constatou-se que os usu\u00e1rios que disparam ataques contra jornalistas tentam deslegitimar a capacidade intelectual feminina para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o e silenciar a\u00a0 imprensa,\u00a0 apontam aspectos f\u00edsicos das profissionais para desviar a aten\u00e7\u00e3o das pautas abordadas e disseminam informa\u00e7\u00f5es falsas sobre elas.<\/p>\n<p>Foram monitorados 200 perfis de jornalistas brasileiros na rede social. A partir de um dicion\u00e1rio composto de palavras ofensivas, mis\u00f3ginas, sexistas, racistas, lesbo, trans e homof\u00f3bicas, coletamos 7,1 milh\u00f5es de tu\u00edtes com conte\u00fado ofensivo em 133 perfis de mulheres jornalistas e 67 homens. Em uma an\u00e1lise mais minuciosa, que considerou o per\u00edodo entre 1 de maio e 27 de setembro, o monitoramento chegou a um grupo de pouco mais de 8,3 mil tu\u00edtes, com cinco ou mais a\u00e7\u00f5es de engajamento (RT e\/ou curtidas). Eles foram verificados um a um para identificar se o conte\u00fado era ou n\u00e3o um ataque direto ao jornalista.<\/p>\n<p>Profissionais que trabalham com cobertura pol\u00edtica est\u00e3o mais expostos aos ataques massivos. Mas, enquanto 8% dos tu\u00edtes ofensivos direcionados para os jornalistas homens eram de fato hostis, 17% dos direcionados \u00e0s jornalistas mulheres eram ataques. Entre os termos mais usados contra elas est\u00e3o \u201crid\u00edcula\u201d, \u201ccanalha\u201d, \u201clouca\u201d, \u201cmulherzinha\u201d. A maioria das agress\u00f5es tamb\u00e9m sugerem que as mulheres s\u00e3o incapazes de interpretar um texto ou cen\u00e1rio pol\u00edtico.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-43797\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-1-300x300.png\" alt=\"AzMina Tweet 1\" width=\"700\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-1-300x300.png 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-1-1024x1024.png 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-1-150x150.png 150w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-1-768x768.png 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-1.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p>No caso dos homens, a incid\u00eancia de ataques diretos \u00e9 menor e, muitas vezes, as ofensas se misturam com ataques a outras mulheres ou \u00e0 imprensa no geral. V\u00e1rias mensagens direcionadas aos homens tamb\u00e9m continham coment\u00e1rios mis\u00f3ginos ofendendo outras figuras femininas relacionadas a eles, como m\u00e3e, irm\u00e3 e colegas de profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com a antrop\u00f3loga Fernanda K. Martins, uma das coordenadoras da pesquisa no InternetLab, \u201ca misoginia se sustenta e se espraia socialmente a partir de movimentos que colocam as mulheres como alvo mesmo quando o objetivo \u00e9 atingir um homem. Os ataques direcionados \u00e0s colegas e \u00e0s familiares mulheres apontam para um comportamento social que coloca o g\u00eanero feminino como naturalmente atac\u00e1vel, naturalmente suscet\u00edvel a discursos que inferiorizam e menosprezam as mulheres\u201d.<\/p>\n<p>O que se v\u00ea em comum em ambos s\u00e3o express\u00f5es que tentam posicionar os profissionais em espectros pol\u00edticos, chamando-os de \u201ccomunista\u201d ou de\u00a0 \u201cjornazistas\u201d, al\u00e9m dos que afirmam que os jornalistas s\u00e3o, de alguma maneira, \u201cparciais\u201d em suas coberturas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-43800\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info1-180x300.jpeg\" alt=\"Monitora2021_mat\u00e9ria1_info1\" width=\"700\" height=\"1167\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info1-180x300.jpeg 180w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info1-614x1024.jpeg 614w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info1-768x1280.jpeg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info1-922x1536.jpeg 922w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info1.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p><strong>A\u00c7\u00d5ES ORQUESTRADAS<\/strong><\/p>\n<p>No topo do ranking das jornalistas mais ofendidas est\u00e3o Eliane Cantanh\u00eade; Vera Magalh\u00e3es, apresentadora do programa Roda Viva, colunista no jornal O Globo e comentarista na\u00a0 r\u00e1dio CBN; Daniela Lima, apresentadora da CNN; e Miriam Leit\u00e3o, jornalista de O Globo, TV Globo, Globonews e CBN. Elas compartilham a opini\u00e3o de que os ataques s\u00e3o ainda mais virulentos quando iniciados ou instigados por figuras pol\u00edticas, como o presidente Jair Bolsonaro. AzMina j\u00e1 mostrou em seu <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=SFCenrRBP14\">canal no YouTube<\/a> porque as agress\u00f5es de Bolsonaro a jornalistas mulheres s\u00e3o um problema.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-43803\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-2-300x300.png\" alt=\"AzMina Tweet 2\" width=\"700\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-2-300x300.png 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-2-1024x1024.png 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-2-150x150.png 150w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-2-768x768.png 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-2.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p>Eliane lembra que os ataques nominais a jornalistas come\u00e7aram na \u00e9poca do PT na presid\u00eancia, por apoiadores do partido. Ela tamb\u00e9m recorda que j\u00e1 foi muito atacada pelo PSDB. Um mesmo artigo desagradava os dois lados. \u201cMas o Bolsonaro n\u00e3o s\u00f3 usou essa t\u00e1tica, como passou a descredibilizar nominalmente jornalistas, o que inflama os apoiadores\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Para Vera, os ataques s\u00e3o estrat\u00e9gicos. \u201cEu entendo que eles s\u00e3o propositalmente mis\u00f3ginos, machistas, exatamente como uma forma de tirar a credibilidade de mulheres jornalistas\u201d. Ela acredita que seu caso \u00e9 agravado pelo fato de\u00a0 ter feito muitas cr\u00edticas ao PT, \u201ce fa\u00e7o contra o governo Bolsonaro\u201d. Mas hoje a coordena\u00e7\u00e3o das ofensas, diz Vera, parte do presidente, de sua fam\u00edlia e seus ministros. \u201cIsso n\u00e3o havia nos governos anteriores. \u00c9 violento e orquestrado\u201d.<\/p>\n<p>A jornalista Mariliz Pereira Jorge, colunista da Folha de S.Paulo, roteirista e apresentadora do canal MyNews, conta que enfrentar a hostilidade para exercer a profiss\u00e3o infelizmente j\u00e1 faz parte da sua rotina. O problema, na opini\u00e3o dela, \u00e9 que agora os ataques est\u00e3o mais organizados e massivos. \u201cQuando um tu\u00edte parte da pr\u00f3pria presid\u00eancia, ou dos parlamentares da base governista, j\u00e1 sei que vai ter uma enxurrada de ofensas\u201d. E, muitas vezes, al\u00e9m de ofensivas, as mensagens s\u00e3o intimidat\u00f3rias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-43806\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-3-300x300.png\" alt=\"AzMina Tweet 3\" width=\"700\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-3-300x300.png 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-3-1024x1024.png 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-3-150x150.png 150w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-3-768x768.png 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-3.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos xingamentos, as jornalistas precisam combater a dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas sobre suas trajet\u00f3rias, o que \u00e9 tamb\u00e9m uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica de descredibiliza\u00e7\u00e3o dessas profissionais. Miriam Leit\u00e3o, por exemplo, \u00e9 constantemente ofendida com termos como \u201cassaltante de banco\u201d e \u201cmulher da cobra\u201d, express\u00e3o criada por seguidores do presidente Jair Bolsonaro, que minimizou e zombou do epis\u00f3dio de tortura sofrido pela jornalista na \u00e9poca da ditadura militar.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 entrei no Trending Topics do Twitter porque usaram uma foto minha dizendo que era da minha pris\u00e3o por ter assaltado um banco\u201d, comentou Miriam, acrescentando que nunca pegou em uma arma e essa informa\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi desmentida dezenas de vezes. \u201cMas vira e mexe, surge uma nova onda usando isso volta\u201d. Ela nota que perfis falsos criam ondas artificiais de ataque que poluem o debate, distorcem o di\u00e1logo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-43809 aligncenter\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info3-122x300.jpeg\" alt=\"Monitora2021_mat\u00e9ria1_info3\" width=\"700\" height=\"1718\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info3-122x300.jpeg 122w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info3-417x1024.jpeg 417w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info3-768x1884.jpeg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info3-626x1536.jpeg 626w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info3-835x2048.jpeg 835w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info3-scaled.jpeg 1043w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p><strong>G\u00caNERO E RA\u00c7A<\/strong><\/p>\n<p>Como \u00e9 de praxe em narrativas mis\u00f3ginas, as mulheres tamb\u00e9m sofrem ofensas que s\u00e3o direcionadas aos seus corpos, seus relacionamentos e tamb\u00e9m suas idades. Com Eliane Cantanh\u00eade e Vera Magalh\u00e3es, por exemplo, colocaram em xeque a sa\u00fade intelectual delas. \u201cEles acham que me ofendem, mas nunca fiz quest\u00e3o de esconder minha idade. Tenho orgulho da minha hist\u00f3ria, da av\u00f3 que sou\u201d, disse Eliane.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-43814\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-4-300x300.png\" alt=\"AzMina Tweet 4\" width=\"700\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-4-300x300.png 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-4-1024x1024.png 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-4-150x150.png 150w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-4-768x768.png 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/AzMina-Tweet-4.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o profissional do marido de Vera Magalh\u00e3es, que tamb\u00e9m \u00e9 jornalista e j\u00e1 trabalhou na assessoria de diferentes pol\u00edticos do cen\u00e1rio nacional, frequentemente \u00e9 discutida nas redes sociais como algo que supostamente interfere na trajet\u00f3ria e opini\u00f5es delas. Estrat\u00e9gia semelhante acontece com a jornalista Eliane Catanh\u00eade.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es do monitoramento s\u00e3o muito similares \u00e0s do <a href=\"https:\/\/www.abraji.org.br\/abraji-aponta-que-mulheres-jornalistas-foram-vitimas-de-mais-da-metade-das-agressoes-no-meio-digital\">relat\u00f3rio desenvolvido pela Abraji<\/a>, que mostrou um \u00edndice de 56% de ataques online para mulheres jornalistas em 2020. Tamb\u00e9m foram usados xingamentos, palavr\u00f5es e termos mis\u00f3ginos quando as v\u00edtimas eram mulheres. \u201cEsse cen\u00e1rio chama aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de mecanismos de prote\u00e7\u00e3o legal e institucional da liberdade de express\u00e3o, especificamente atentos \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero\u201d, defendeu Cristina Zahar, secret\u00e1ria executiva da associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitos usu\u00e1rios insinuam que mulheres negras e ind\u00edgenas se aproveitam de suas caracter\u00edsticas para acessarem os espa\u00e7os profissionais que conquistaram. \u00c9 o caso das jornalistas Maju Coutinho, mulher negra, e Alice Patax\u00f3, mulher ind\u00edgena. \u201cvc n\u00e3o \u00e9 monarquista? E essa eletricidade que c\u00ea t\u00e1 usando a\u00ed, cabra? No tempo do imp\u00e9rio tinha essas coisas n\u00e3o\u201d, postou um perfil depois que a jornalista postou uma foto onde um ind\u00edgena tira foto com o celular.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-43819\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info2-118x300.jpeg\" alt=\"Monitora2021_mat\u00e9ria1_info2\" width=\"700\" height=\"1783\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info2-118x300.jpeg 118w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info2-402x1024.jpeg 402w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info2-768x1956.jpeg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info2-603x1536.jpeg 603w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info2-804x2048.jpeg 804w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info2-scaled.jpeg 1005w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p><strong>COMO AGIR NESSES CASOS<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da experi\u00eancia violenta que \u00e9 abrir as redes sociais todos os dias e se deparar com ataques como esses, as jornalistas tamb\u00e9m chamam a aten\u00e7\u00e3o para a dificuldade de denunciar isso dentro das pr\u00f3prias plataformas.<\/p>\n<p>Mariliz Pereira Jorge conta que j\u00e1 reportou v\u00e1rios ataques, mas n\u00e3o obteve respaldo. As\u00a0 respostas que recebeu foi de que aquilo n\u00e3o feria as pol\u00edticas da plataforma. \u201cUma mulher que postar foto do seio pode ser banida porque isso fere muito mais as pol\u00edticas das plataformas do que uma amea\u00e7a de estupro, de morte, como j\u00e1 aconteceu comigo e outras colegas\u201d. Ela avalia tamb\u00e9m que\u00a0 agress\u00f5es geram engajamento.<\/p>\n<p>Para Miriam Leit\u00e3o, todo perfil deveria ter uma pessoa f\u00edsica e\/ou empresa, identific\u00e1vel juridicamente. Ela sugere que as\u00a0 plataformas tenham a responsabilidade de apontar quem \u00e9 real em ondas de ataques organizadas, neutralizar e excluir perfis que n\u00e3o s\u00e3o verdadeiros, porque os bots (rob\u00f4s) n\u00e3o t\u00eam rosto. \u201cQuando recebo uma ofensa sexista, mentirosa, quem posso processar se eu quiser?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>O monitoramento identificou que muitos tu\u00edtes com conte\u00fado agressivo expl\u00edcito, como \u201cputa\u201d e \u201cvagabunda\u201d, por exemplo, j\u00e1 foram retirados do ar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-43822\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info4-123x300.jpeg\" alt=\"Monitora2021_mat\u00e9ria1_info4\" width=\"700\" height=\"1702\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info4-123x300.jpeg 123w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info4-421x1024.jpeg 421w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info4-768x1867.jpeg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info4-632x1536.jpeg 632w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info4-843x2048.jpeg 843w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Monitora2021_materia1_info4-scaled.jpeg 1053w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p><strong>POSICIONAMENTO DA PLATAFORMA<\/strong><\/p>\n<p>Em nota, o Twitter informou que possui <a href=\"https:\/\/help.twitter.com\/pt\/rules-and-policies\/abusive-behavior\">pol\u00edtica de comportamento abusivo<\/a> (que trata de tentativas de assediar, intimidar ou silenciar a voz de outra pessoa) e <a href=\"https:\/\/help.twitter.com\/pt\/rules-and-policies\/hateful-conduct-policy\">pol\u00edtica contra propaga\u00e7\u00e3o de \u00f3dio<\/a> (que estabelece que n\u00e3o \u00e9 permitido promover viol\u00eancia, atacar diretamente ou amea\u00e7ar outras pessoas com base em categorias ou caracter\u00edsticas espec\u00edficas). Se confirmada a viola\u00e7\u00e3o, s\u00e3o tomadas diferentes <a href=\"https:\/\/help.twitter.com\/pt\/rules-and-policies\/enforcement-options\">medidas corretivas,<\/a> que v\u00e3o desde a remo\u00e7\u00e3o e\/ou redu\u00e7\u00e3o de visibilidade de um Tweet at\u00e9 a suspens\u00e3o permanente de uma conta.<\/p>\n<p>Sobre o grande volume de perfis falsos identificados como autores dos tu\u00edtes ofensivos, o Twitter informou que tem regras para endere\u00e7ar tentativas de manipula\u00e7\u00e3o do debate na plataforma, seja via spam ou contas falsas. Essas regras determinam que n\u00e3o \u00e9 permitido usar os servi\u00e7os do Twitter com o intuito de amplificar ou suprimir informa\u00e7\u00f5es artificialmente nem de se envolver em comportamento que manipule ou prejudique a experi\u00eancia das pessoas na plataforma. A rede social tem usado aprendizado de m\u00e1quina e treinamento da equipe para identificar esses perfis. Quando h\u00e1 suspeita, as contas detectadas passam ent\u00e3o pelo chamado desafio (como confirma\u00e7\u00e3o de e-mail ou telefone ou digita\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo Captcha, por exemplo) para provar que existe uma pessoa por tr\u00e1s dela. Se a conta n\u00e3o passa pelo desafio, ela sofre as medidas corretivas cab\u00edveis.<\/p>\n<p>Por fim, o Twitter informa que faz revis\u00e3o peri\u00f3dica das regras e pol\u00edticas, entre elas a pol\u00edtica contra propaga\u00e7\u00e3o de \u00f3dio para incluir mais categorias no que chama de <a href=\"https:\/\/blog.twitter.com\/pt_br\/topics\/company\/2020\/expandindo-nossas-regras-contra-propagacao-de-odio\">linguagem desumanizante.<\/a> A empresa afirmou ainda que conta\u00a0 com um <a href=\"https:\/\/blog.twitter.com\/pt_br\/a\/pt\/2016\/twitter-anuncia-conselho-de-confian-a-e-seguran-a\">Conselho de Confian\u00e7a e Seguran\u00e7a<\/a> composto por 40 organiza\u00e7\u00f5es e especialistas em 13 regi\u00f5es, inclusive brasileiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo no Brasil descobriu que jornalistas mulheres recebem mais do que o dobro de insultos em seus perfis do Twitter do que seus colegas homens. Na pesquisa, constatou-se que usu\u00e1rios que lan\u00e7am ataques contra jornalistas tentam deslegitimar a capacidade intelectual das mulheres de exercer a profiss\u00e3o e silenciar a imprensa, destacar caracter\u00edsticas f\u00edsicas das profissionais para desviar a aten\u00e7\u00e3o dos temas abordados e divulgar informa\u00e7\u00f5es falsas sobre elas.<\/p>\n","protected":false},"author":56,"featured_media":43858,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[1610],"coauthors":[],"class_list":["post-43762","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nao-categorizado","tag-midias-sociais-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v22.6 (Yoast SEO v27.3) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>No Brasil, mulheres jornalistas recebem mais que o dobro de ofensas que colegas homens no Twitter - LatAm Journalism Review by the Knight Center<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"No Brasil, mulheres jornalistas recebem mais que o dobro de ofensas que colegas homens no Twitter . 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