{"id":45088,"date":"2016-12-07T12:09:14","date_gmt":"2016-12-07T17:09:14","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=45088"},"modified":"2021-12-13T12:10:35","modified_gmt":"2021-12-13T17:10:35","slug":"mais-do-que-violencia-fisica-especialistas-alertam-que-jornalistas-mexicanos-tambem-sofrem-traumas-e-outros-problemas-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/mais-do-que-violencia-fisica-especialistas-alertam-que-jornalistas-mexicanos-tambem-sofrem-traumas-e-outros-problemas-de-saude\/","title":{"rendered":"Mais do que viol\u00eancia f\u00edsica: especialistas alertam que jornalistas mexicanos tamb\u00e9m sofrem traumas e outros problemas de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/PerlaYArellano\">Perla Arellano<\/a>*<\/em><\/p>\n<p>Para os jornalistas mexicanos, cobrir\u00a0<em>la nota roja<\/em>\u00a0- ou fazer cobertura policial - inclui mais do que estar exposto a perigos f\u00edsicos. Ao viver e trabalhar em \u00e1reas de alto risco, seu contato constante e sistem\u00e1tico com a viol\u00eancia coloca em perigo a sua sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Centro Knight para o Jornalismo nas Am\u00e9ricas<\/strong>\u00a0entrevistou tr\u00eas especialistas sobre os poss\u00edveis efeitos traum\u00e1ticos e problemas de sa\u00fade mental que os jornalistas podem sofrer por cobrir a viol\u00eancia no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Desde que o presidente mexicano Felipe Calder\u00f3n iniciou a Guerra \u00e0s Drogas contra os cart\u00e9is em 2006,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pbs.org\/wgbh\/frontline\/article\/the-staggering-death-toll-of-mexicos-drug-war\/\">mais de 164.000 pessoas morreram entre 2007 e 2014<\/a>, segundo Frontline. O governo disse que mais de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.animalpolitico.com\/2014\/11\/2014-el-ano-con-mas-casos-de-desapariciones-en-mexico-van-5-mil-98-victimas\/\">22.600 pessoas desapareceram no M\u00e9xico entre 2007 e outubro de 2014<\/a>, segundo Animal Pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Essa viol\u00eancia muitas vezes se estende diretamente aos\u00a0comunicadores. Segundo o Comit\u00ea para a Prote\u00e7\u00e3o dos Jornalistas, dos\u00a0<a href=\"https:\/\/cpj.org\/killed\/americas\/mexico\/\">85 comunicadores\u00a0assassinados no M\u00e9xico entre 1992 e 2016, ficou confirmado que 37 foram assassinados por seu trabalho<\/a>; os motivos dos assassinatos dos jornalistas restantes ainda n\u00e3o est\u00e3o claros. Somente neste ano, 10 comunicadores foram assassinados no pa\u00eds, segundo\u00a0<a href=\"http:\/\/articulo19.org\/periodistas-asesinados-mexico\/\">Art\u00edculo 19<\/a>.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds onde os jornalistas recebem amea\u00e7as tanto dos cart\u00e9is de drogas quanto dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, o jornalismo \u00e9 uma das profiss\u00f5es mais perigosas para se exercer no M\u00e9xico. No entanto, nem todas as amea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade de um jornalista s\u00e3o f\u00edsicas.<\/p>\n<p>Rogelio Flores Morales, professor de psicologia da Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico, estuda os efeitos psicol\u00f3gicos nos jornalistas que trabalham com v\u00edtimas de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cEu entrevistei jornalistas que tiveram contato cont\u00ednuo e sistem\u00e1tico com v\u00edtimas e vejo como os pr\u00f3prios jornalistas\u00a0sofrem com a hist\u00f3ria da v\u00edtima\u201d, disse Flores em entrevista ao\u00a0<strong>Centro Knight<\/strong>.<\/p>\n<p>Flores, um dos autores do estudo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/308929532_Estres_Traumatico_Secundario_ETS_en_Periodistas_Mexicanos_y_Defensores_de_Derechos_Humanos\">\u201cEstresse Traum\u00e1tico Secund\u00e1rio (ETS) em Jornalistas Mexicanos e Defensores de Direitos Humanos\u201d<\/a>, entrevistou 88 jornalistas e defensores de direitos humanos mexicanos que interagiram com v\u00edtimas diretas da viol\u00eancia da guerra contra as drogas: pessoas sequestradas ou que ficaram no meio do fogo cruzado, assim como familiares diretos de desaparecidos ou sequestrados.<\/p>\n<p>Diferentemente do Transtorno de Estresse P\u00f3s-traum\u00e1tico (TEPT), que se manifesta quando a pessoa \u00e9 a v\u00edtima direta da agress\u00e3o, o Estresse Traum\u00e1tico Secund\u00e1rio (ETS) ocorre quando uma pessoa est\u00e1 em contato sistem\u00e1tico e cont\u00ednuo com uma pessoa que tenha passado por uma experi\u00eancia violenta direta.<\/p>\n<p>\u201cEles est\u00e3o sendo contaminados, se voc\u00ea me permite a met\u00e1fora, pelos sintomas que a v\u00edtima direta apresenta\u201d, disse Flores. \u201cComo trabalham de maneira sistem\u00e1tica com isso, conhecem as hist\u00f3rias de dor e desespero das v\u00edtimas e como elas foram impactadas\".<\/p>\n<p>As v\u00edtimas de ETS podem ter pesadelos e flashbacks, e podem ter medo de sair na rua.<\/p>\n<p>\u201cToda a sua energia n\u00e3o pode ser canalizada para ajudar a v\u00edtima, porque,\u00a0al\u00e9m disso, h\u00e1 uma s\u00e9rie de estresses\u00a0adicionais que os impede de trabalhar de forma eficaz\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Flores descobriu que os jornalistas que trabalham mais de 40 horas por semana t\u00eam uma maior chance de ter ETS porque n\u00e3o permitem que o seu c\u00e9rebro pense em outra coisa que n\u00e3o seja viol\u00eancia.<\/p>\n<p>E as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos jornalistas mexicanos ainda acrescenta outro fardo.<\/p>\n<p>Flores\u00a0descreveu\u00a0que,\u00a0para\u00a0muitos\u00a0jornalistas, a\u00a0semana\u00a0de\u00a0trabalho\u00a0m\u00e9dia\u00a0\u00e9\u00a0de\u00a0mais\u00a0de 40\u00a0horas, com um\u00a0sal\u00e1rio\u00a0de\u00a0cerca\u00a0de US$ 500\u00a0d\u00f3lares\u00a0por\u00a0semana.\u00a0Al\u00e9m\u00a0dos\u00a0sal\u00e1rios\u00a0baixos,\u00a0os\u00a0jornalistas\u00a0mexicanos\u00a0recebem\u00a0pouco\u00a0ou\u00a0nenhum\u00a0seguro\u00a0de\u00a0sa\u00fade\u00a0ou\u00a0seguro\u00a0de\u00a0vida\u00a0por\u00a0meio\u00a0dos\u00a0seus\u00a0empregadores. As\u00a0coisas\u00a0n\u00e3o\u00a0s\u00e3o\u00a0melhores\u00a0para\u00a0os\u00a0jornalistas\u00a0independentes,\u00a0que\u00a0s\u00e3o\u00a0pagos\u00a0somente\u00a0pelo\u00a0trabalho\u00a0publicado.<\/p>\n<p>O seu trabalho \u00e9 o que sustenta a sua vida, o que torna dif\u00edcil para eles fazer uma pausa e ter um \u201cper\u00edodo de respiro\u201d, como explicou Flores.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso se desintoxicar. Mas a realidade \u00e9 que precisam trabalhar porque essa \u00e9 a renda que lhes permite viver\u201d.<\/p>\n<p>Uma das solu\u00e7\u00f5es \u00e9 que os jornalistas rompam\u00a0o ciclo de cobertura cont\u00ednua de viol\u00eancia. Mas isso \u00e9 muito dif\u00edcil para jornalistas que vivem em uma \u00e1rea de conflito constante, segundo Flores.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s vezes considero que as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos jornalistas\u00a0s\u00e3o\u00a0como trabalhar em um t\u00fanel escuro onde n\u00e3o se v\u00ea a luz\u201d, disse Flores. \u201c\u00c9 muito complicado\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Flores, o relat\u00f3rio n\u00e3o pretende generalizar toda a classe jornal\u00edstica do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Dos 88 participantes da pesquisa, 29 eram jornalistas. Flores reconheceu que a amostragem\u00a0era pequena e disse que gostaria de ter inclu\u00eddo mais pessoas no estudo, mas muitos n\u00e3o estavam dispostos a participar. Ele acredita que isso pode ter acontecido por medo ou desconfian\u00e7a, ainda que os pesquisadores tenham dito abertamente quem eram e quais eram os seus objetivos.<\/p>\n<p>Flores tem alguns conselhos \u00fateis para os jornalistas que se encontrem presos no ciclo de cobertura de viol\u00eancia repetitiva. Sugere deixar o trabalho no escrit\u00f3rio e n\u00e3o lev\u00e1-lo para casa, fazer atividades que n\u00e3o estejam relacionadas \u00e0 viol\u00eancia e ter uma vida social na medida do poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Mas conseguir que os jornalistas aceitem ajuda tamb\u00e9m \u00e9 um obst\u00e1culo. Em suas experi\u00eancias, Flores disse que tanto jornalistas mulheres como homens rejeitam a ideia de que necessitam de ajuda e \u201cpensam que s\u00e3o autossuficientes, que eles sozinhos ou sozinhas podem enfrentar esses problemas\u201d. Somente um pequeno n\u00famero de jornalistas aceitaram o seu conselho.<\/p>\n<p>\u201cFaz parte da idiossincrasia do mexicano\u201d, disse Flores. \u201cPorque ainda permanecem os estigmas da loucura. E as pessoas se dizem \u2018eu n\u00e3o estou louco, eu estou bem. Eu sou forte\u2019. O que se chama no meio de 'machismo profissional'\".<\/p>\n<p>Anthony Feinstein, professor de psicologia da Universidade de Toronto, realizou um estudo comparando o bem-estar psicol\u00f3gico de jornalistas mexicanos e correspondentes de guerra. O seu estudo \u201c<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/263156458_Mexican_journalists_and_journalists_covering_war_A_comparison_of_psychological_wellbeing\">Jornalistas<\/a><a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/263156458_Mexican_journalists_and_journalists_covering_war_A_comparison_of_psychological_wellbeing\">\u00a0mexicanos e correspondentes de guerra: uma compara\u00e7\u00e3o do bem-estar\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/263156458_Mexican_journalists_and_journalists_covering_war_A_comparison_of_psychological_wellbeing\">psicol\u00f3gic<\/a>o\u201d descobriu que os jornalistas que trabalham em \u00e1reas de alto risco no M\u00e9xico relataram mais \u201csintomas de ang\u00fastia psicol\u00f3gica\u201d do que os correspondentes de guerra.<\/p>\n<p>Diferentemente dos correspondentes que se encontravam em uma zona de guerra durante cerca de seis semanas e que podiam abandonar o pa\u00eds para \u201cregressar a um ambiente de lar seguro\u201d, os jornalistas mexicanos n\u00e3o podem sair, segundo Feinstein. Isso cria um desafio para os jornalistas mexicanos que tamb\u00e9m podem enfrentar amea\u00e7as contra si e contra suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>\u201c[Os correspondentes de guerra] podem embarcar em um avi\u00e3o para o seu pa\u00eds, onde \u00e9 seguro e fazer terapia\u201d, disse Feinstein ao Centro Knight. \u201cO que torna a situa\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil para os jornalistas [mexicanos] \u00e9 que muitas vezes as suas fam\u00edlias tamb\u00e9m s\u00e3o atacadas pelos traficantes de drogas\u201d.<\/p>\n<p>Feinstein escreveu em sua pesquisa que os temores dos jornalistas s\u00e3o exacerbados pela \u201caplica\u00e7\u00e3o corrupta da lei\u201d, que causa uma \u201csensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia\u201d nas v\u00edtimas. Isso pode piorar os problemas de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Para os jornalistas que sofrem de estresse psicol\u00f3gico, o primeiro obst\u00e1culo que devem vencer \u00e9 aceitar que t\u00eam um problema, segundo Catalina Cort\u00e9s, coordenadora do programa para Am\u00e9rica Latina do Rory Peck Trust em Londres. Essa organiza\u00e7\u00e3o se dedica a dar apoio e assist\u00eancia a jornalistas independentes de todo o mundo que tenham sido amea\u00e7ados, agredidos ou assassinados devido ao seu trabalho.<\/p>\n<p>Se os jornalistas que cobrem viol\u00eancia sistematicamente n\u00e3o se permitem descansar do ciclo de not\u00edcias, eles come\u00e7am a ver os seus sintomas como algo normal, disse Cort\u00e9s.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o seu trabalho\u201d, afirmou Cort\u00e9s ao\u00a0<strong>Centro Knight<\/strong>. \u201cA viol\u00eancia se banalizou, e os assusta muito que para eles n\u00e3o seja nada cobrir essa quantidade de desaparecidos e mortos\u201d.<\/p>\n<p>Os jornalistas banalizaram sintomas como a falta de sono, \u201cum constante estado de ang\u00fastia ou de ansiedade\u201d, ou a raiva. Sem divulgar nomes, Cort\u00e9s descreveu que alguns jornalistas desenvolveram paranoia e que outros perderam membros da sua fam\u00edlia devido ao seu trabalho.<\/p>\n<p>\u201cOs jornalistas s\u00e3o cada vez mais amea\u00e7ados, mais censurados, cada vez relatam menos, cada vez est\u00e3o mais assustados, mais desconfiados\u201d, disse. \u201cTodos os n\u00edveis da vida do jornalista foram impactados\u201d.<\/p>\n<p>Os workshops que ajudam os jornalistas a identificar e tratar o trauma mental s\u00e3o somente \"um gr\u00e3o de areia do que deve ser feito\", assegurou. Os jornalistas tamb\u00e9m precisam dedicar tempo necess\u00e1rio para continuar com o seu tratamento e, assim, estar mentalmente mais saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os jornalistas independentes n\u00e3o t\u00eam uma equipe ou um editor por tr\u00e1s para verificar como est\u00e3o desenvolvendo o seu trabalho ou um sal\u00e1rio determinado com o qual os jornalistas empregados em uma organiza\u00e7\u00e3o de not\u00edcias, em teoria, podem contar. No entanto, afirmou que muitos jornalistas com emprego fixo tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam essas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ressaltou que h\u00e1 um problema com a falta de medidas que abordem o estresse psicol\u00f3gico antes que os sintomas se manifestem nos jornalistas. As medidas preventivas devem ser uma prioridade e pessoas qualificadas devem estar dispon\u00edveis para oferecer apoio, afirmou Cort\u00e9s. Entretanto, ela n\u00e3o v\u00ea ag\u00eancias em nenhum n\u00edvel que considerem esse tema uma prioridade.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas especialistas \u2013 Cort\u00e9s, Feinstein e Flores \u2013 disseram que as organiza\u00e7\u00f5es de not\u00edcias teriam que assumir um papel na implementa\u00e7\u00e3o de sistemas que ajudem e protejam seus empregados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os mecanismos, disse Feinstein, precisam dar aos jornalistas o acesso a um m\u00e9dico com o sigilo completo.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que \u00e9 uma responsabilidade moral das [empresas de not\u00edcias] cuidar dos jornalistas\u201d, disse Feinstein. \u201cSe voc\u00ea quer que a sua equipe cubra estas hist\u00f3rias t\u00e3o perigosas, ent\u00e3o voc\u00ea tem que ter os mecanismos para ajud\u00e1-los caso eles estejam traumatizados. Acho que \u00e9 um imperativo moral\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*\u00a0<em>Perla Arellano (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/PerlaYArellano\">@PerlaYArellano<\/a>) fez a sua gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo na Universidade do Texas e \u00e9 membro do programa honor\u00e1rio de Bolsistas S\u00eanior da Escola Moody de Comunica\u00e7\u00e3o. Planeja continuar a sua carreira em jornalismo multim\u00eddia, cobrindo temas sobre migra\u00e7\u00e3o e minorias.<\/em><\/p>\n<p><em>Nota do editor: Essa hist\u00f3ria foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Am\u00e9ricas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para os jornalistas mexicanos, cobrir\u00a0la nota roja\u00a0- ou fazer cobertura policial - inclui mais do que estar exposto a perigos f\u00edsicos. 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