{"id":47974,"date":"2014-02-13T20:35:56","date_gmt":"2014-02-14T01:35:56","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=47974"},"modified":"2022-01-25T20:39:11","modified_gmt":"2022-01-26T01:39:11","slug":"agencia-publica-dissemina-seu-jornalismo-investigativo-pelo-mundo-com-solucoes-criativas-de-financiamento-e-distribuicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/agencia-publica-dissemina-seu-jornalismo-investigativo-pelo-mundo-com-solucoes-criativas-de-financiamento-e-distribuicao\/","title":{"rendered":"Ag\u00eancia P\u00fablica dissemina seu jornalismo investigativo pelo mundo com solu\u00e7\u00f5es criativas de financiamento e distribui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>*Esta reportagem faz\u00a0<a href=\"https:\/\/utw10693.utweb.utexas.edu\/pt-br\/blog\/00-19285-agencia-publica-dissemina-seu-jornalismo-investigativo-pelo-mundo-com-solucoes-criativ#serie\">parte de um\u00a0<\/a><\/em><a href=\"https:\/\/utw10693.utweb.utexas.edu\/pt-br\/blog\/00-19285-agencia-publica-dissemina-seu-jornalismo-investigativo-pelo-mundo-com-solucoes-criativ#serie\"><em>projeto<\/em><\/a><em><a href=\"https:\/\/utw10693.utweb.utexas.edu\/pt-br\/blog\/00-19285-agencia-publica-dissemina-seu-jornalismo-investigativo-pelo-mundo-com-solucoes-criativ#serie\">\u00a0especial<\/a>\u00a0do Centro Knight\u00a0sobre Inovadores no Jornalismo Latino-Americano e Caribenho.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<div>Desde mar\u00e7o de 2016, uma casa de dois andares e 300 metros quadrados em uma rua arborizada de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, tem sido um ref\u00fagio e um espa\u00e7o de celebra\u00e7\u00e3o para jornalistas brasileiros e estrangeiros e para quem se interessa por jornalismo e pelas transforma\u00e7\u00f5es em ato neste campo.<\/div>\n<p>Trata-se da Casa P\u00fablica, o primeiro centro cultural de jornalismo no Brasil e um projeto da Ag\u00eancia P\u00fablica, tamb\u00e9m pioneira no pa\u00eds como ag\u00eancia independente de jornalismo investigativo. A casa tamb\u00e9m \u00e9 um lar tempor\u00e1rio para rep\u00f3rteres estrangeiros, uma incubadora para novas ideias sobre como contar hist\u00f3rias e um importante espa\u00e7o de discuss\u00e3o sobre o futuro do jornalismo no Brasil e na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Desde cinco anos antes - quando foi lan\u00e7ada, em mar\u00e7o de 2011 \u2013a Ag\u00eancia P\u00fablica vem promovendo uma revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 em seu pa\u00eds de origem, mas especialmente na Am\u00e9rica Latina. A ag\u00eancia \u00e9 uma das principais promotoras e representantes de uma cena regional que re\u00fane meios nativos digitais fundados e liderados por jornalistas e que se faz cada vez mais forte e relevante na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Criada e dirigida pelas jornalistas Marina Amaral e Natalia Viana, a P\u00fablica desde sua funda\u00e7\u00e3o se estruturou como uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos dedicada a fazer jornalismo investigativo pautado pelo interesse p\u00fablico e pela defesa dos direitos humanos.<\/p>\n<h4><strong>Um vazamento como pontap\u00e9 inicial<\/strong><\/h4>\n<p>As fundadoras e atuais diretoras da Ag\u00eancia P\u00fablica se conheceram na revista Caros Amigos, da qual Amaral era uma das fundadoras e editoras e onde Viana come\u00e7ou como estagi\u00e1ria em 2002 e se tornou rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>Em 2006, Viana saiu da Caros Amigos para fazer um mestrado em radiojornalismo em Londres, onde conheceu o jornalismo investigativo sem fins lucrativos, por meio do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.tcij.org\/\">Center for Investigative Journalism (CIJ)<\/a>. Ao voltar ao Brasil, ela seguiu fazendo reportagens para ve\u00edculos de v\u00e1rias partes do mundo, produzindo e publicando suas investiga\u00e7\u00f5es sobre temas de direitos humanos em portugu\u00eas e ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Por meio dessa rede internacional de jornalistas investigativos, Viana se tornou a articuladora da divulga\u00e7\u00e3o no Brasil do Cablegate, o vazamento do WikiLeaks de correspond\u00eancias entre diplomatas norte-americanos em v\u00e1rios pa\u00edses e o governo dos Estados Unidos, no come\u00e7o de 2011. Embora as duas fundadoras \u2013 mais a jornalista Tatiana Merlino, que acabou saindo logo no come\u00e7o do projeto \u2013 j\u00e1 compartilhassem h\u00e1 algum tempo a ideia de criar uma ag\u00eancia de jornalismo investigativo sem fins lucrativos,\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.org\/2011\/03\/portfolio\/\">essa acabou sendo a primeira grande parceria da P\u00fablica<\/a>\u00a0e o mote para seu lan\u00e7amento.<\/p>\n<p>\u201cFoi a\u00ed que fundamos a primeira ag\u00eancia de jornalismo investigativo do Brasil, um pouco nos espelhando na experi\u00eancia do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.icij.org\/\">ICIJ [sigla em ingl\u00eas para Cons\u00f3rcio Internacional de Jornalistas Investigativos]<\/a>, um pouco a partir do que aprendemos com o WikiLeaks, e olhando tamb\u00e9m para o que estava acontecendo internacionalmente - o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.thebureauinvestigates.com\/\">Bureau of Investigative Journalism<\/a>, o CIJ, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.propublica.org\/\">ProPublica<\/a>\u201d, explicou Viana ao\u00a0<strong>Centro Knight<\/strong>.<\/p>\n<p>J\u00e1 Amaral come\u00e7ou no jornalismo em 1984, passando por algumas das maiores reda\u00e7\u00f5es do Brasil como redatora, rep\u00f3rter e editora. Em 1997 fez parte da equipe fundadora da revista Caros Amigos, onde ficou at\u00e9 2007. Ela conta que sua experi\u00eancia na revista impressa, encerrada em dezembro de 2017, lhe deu elementos importantes para a funda\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia P\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cAprendi que para fazer um neg\u00f3cio desse tipo, voc\u00ea precisa ter dinheiro para perder. Como a gente [Viana e ela] n\u00e3o tinha dinheiro para perder, pensamos \u2018ok, vamos fazer o que a gente sabe fazer: ralar. Vamos fazer com que o nosso trabalho apare\u00e7a e a partir desse trabalho a gente consiga recursos\u2019\u201d, lembra Amaral.<\/p>\n<p>Para fazer este projeto acontecer e se solidificar, as diretoras e sua equipe t\u00eam experimentado diferentes formatos, modelos de reportagens e tipos de financiamento, ao mesmo tempo em que investem na dissemina\u00e7\u00e3o internacional de seu trabalho e dos temas que lhes s\u00e3o caros por meio do interc\u00e2mbio com jornalistas estrangeiros.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como parte de sua miss\u00e3o, elas adotaram uma interessante estrat\u00e9gia para disseminar seu conte\u00fado, se constituindo como \u201cuma ag\u00eancia e n\u00e3o um ve\u00edculo\u201d, como explicou Amaral.<\/p>\n<p>Outros ve\u00edculos podem reproduzir o conte\u00fado da P\u00fablica sob licen\u00e7a Creative Commons. Como resultado, somente em 2017 700 ve\u00edculos republicaram as hist\u00f3rias da ag\u00eancia, segundo Viana. \u201cIsso desde sites super influentes como The Guardian [Reino Unido], El Pa\u00eds [Espanha], Folha de S. Paulo e Valor Econ\u00f4mico, at\u00e9 o blog de Santar\u00e9m, no Par\u00e1. \u00c9 um escopo muito legal, muito amplo.\u201d<\/p>\n<p>Nestes sete anos, o apuro e a qualidade dos conte\u00fados produzidos pela P\u00fablica foram reconhecidos nacional e internacionalmente por algumas dezenas de pr\u00eamios. Viana deu uma pista que ajuda a explicar este percurso: \u201cN\u00e3o tem nada que a gente fa\u00e7a que seja uma loucura que surgiu da nossa cabe\u00e7a de um dia para o outro\u201d, afirmou. \u201cMarina e eu temos uma regra: se n\u00e3o sentimos que est\u00e1 firme, n\u00e3o botamos o bloco na rua. Seguramos para pensar um pouco melhor. A gente faz tudo com muita calma, com bastante cuidado.\u201d<\/p>\n<h4><strong>Uma casa para celebrar o jornalismo<\/strong><\/h4>\n<p>Viana exemplifica este cuidado com um dos principais projetos da ag\u00eancia: a\u00a0<a href=\"https:\/\/knightcenter.utexas.edu\/pt-br\/blog\/00-17798-casa-publica-quer-ser-ponto-de-encontro-para-jornalistas-do-mundo-todo\">Casa P\u00fablica<\/a>, centro cultural de jornalismo aberto no Rio de Janeiro em 2016 ap\u00f3s dois anos de planejamento.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia P\u00fablica foi fundada em S\u00e3o Paulo, no espa\u00e7o onde at\u00e9 hoje se encontra sua sede e reda\u00e7\u00e3o. L\u00e1 trabalha a maior parte da equipe, que conta atualmente com 19 pessoas, sob a supervis\u00e3o direta de Amaral.<\/p>\n<p>Mas foi o Rio de Janeiro a cidade que as diretoras da P\u00fablica escolheram para instalar seu espa\u00e7o de celebra\u00e7\u00e3o do jornalismo, como descreveu Viana, respons\u00e1vel pela Casa e pelos projetos especiais da ag\u00eancia. Essa escolha se deu muito em fun\u00e7\u00e3o dos grandes eventos que a cidade hospedou recentemente: a Copa do Mundo de Futebol Masculino, em 2014, e os Jogos Ol\u00edmpicos de Ver\u00e3o, em 2016.<\/p>\n<p>Um dos objetivos com a Casa era ampliar um programa de mentoria que a P\u00fablica j\u00e1 vinha realizando desde sua funda\u00e7\u00e3o com o Concurso Microbolsas de Reportagem, que prev\u00ea uma verba e um acompanhamento das editoras da ag\u00eancia para pautas de rep\u00f3rteres freelance. Elas tamb\u00e9m queriam investir na incuba\u00e7\u00e3o de outras iniciativas de jornalismo digital lideradas por jornalistas e que n\u00e3o pertencem a nenhum grupo econ\u00f4mico ou tradicional de m\u00eddia.<\/p>\n<p>\u201cA gente sentiu que valia a pena expandir n\u00e3o s\u00f3 esse trabalho de incuba\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m o trabalho de colabora\u00e7\u00e3o, conversas, eventos\u201d, diz Viana. \u201cPensamos em um projeto que trouxesse esse lado de colabora\u00e7\u00e3o e conversas em torno das Olimp\u00edadas, com uma resid\u00eancia [para jornalistas] sobre isso. Esse era o projeto inicial; a Casa P\u00fablica funcionaria no ano das Olimp\u00edadas, ela foi concebida para isso. Sab\u00edamos que haveria muitos jornalistas estrangeiros no Rio, ent\u00e3o era uma oportunidade de conversar com eles, porque a P\u00fablica vinha cobrindo viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Copa e \u00e0s Olimp\u00edadas desde 2011.\u201d<\/p>\n<p>Se em um primeiro momento a Casa serviu para revisitar as investiga\u00e7\u00f5es da ag\u00eancia e conectar jornalistas estrangeiros com o contexto maior no qual as Olimp\u00edadas estavam acontecendo, o espa\u00e7o logo transcendeu sua miss\u00e3o inicial.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos Jogos Ol\u00edmpicos, em 2016 o Brasil viveu outro momento extraordin\u00e1rio: o impeachment de Dilma Rousseff, ent\u00e3o presidente do pa\u00eds. \u201cAs pessoas n\u00e3o tinham onde conversar sobre isso\u201d, comentou Viana. \u201cHouve muitas conversas aqui que foram muito importantes. Tivemos uma conversa, por exemplo, que foi muito legal porque tem tudo a ver com a casa: era a vis\u00e3o de jornalistas estrangeiros sobre o impeachment.\u201d Segundo Viana, cerca de 400 pessoas fizeram fila naquele dia para entrar no espa\u00e7o, que comporta confortavelmente 70 pessoas.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, por um lado, as pessoas precisavam de um espa\u00e7o para conversar. Por outro, estudantes e pessoas que se interessam por jornalismo sentiam falta de um espa\u00e7o pra falar sobre o novo jornalismo, uma discuss\u00e3o que n\u00e3o se trata da \u2018crise do jornalismo\u2019, do \u2018fim do jornalismo\u2019, dos sal\u00e1rios ruins, etc\u201d, disse a diretora da P\u00fablica.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de ignorar os problemas, explicou Viana. \u201cMas este \u00e9 um espa\u00e7o para a gente experimentar, revigorar e celebrar o jornalismo novo\u201d, que ela conceitua a partir de alguns crit\u00e9rios: organiza\u00e7\u00f5es nativas digitais, lideradas por jornalistas, cuja primeira finalidade \u00e9 fazer jornalismo e que atuam com o objetivo de permanecer e se estabilizar no longo prazo. \u201cEssas organiza\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o mudando o jornalismo brasileiro e v\u00e3o mudar ainda mais muito em breve\u201d, acredita ela.<\/p>\n<p>De fato, foi a partir da Casa P\u00fablica que surgiu a ideia do\u00a0<a href=\"https:\/\/knightcenter.utexas.edu\/pt-br\/blog\/00-19001-inspiracao-inovacao-e-independencia-organizacoes-latino-americanas-discutem-jornalismo\">Festival 3i<\/a>. O evento foi realizado em novembro de 2017 com o objetivo de promover discuss\u00f5es sobre um jornalismo que correspondesse a tr\u00eas \u2018i\u2019 \u2014 inovador, inspirador e independente. Al\u00e9m da P\u00fablica, participaram da organiza\u00e7\u00e3o os ve\u00edculos digitais independentes Nexo, Ponte, Ag\u00eancia Lupa, Brio, Nova Escola, Rep\u00f3rter Brasil e\u00a0<a href=\"https:\/\/knightcenter.utexas.edu\/pt-br\/blog\/00-19071-reporteres-brasileiros-criam-site-de-noticias-rentavel-jota-especializado-em-questoes-\">JOTA<\/a>, com o apoio do Google News Lab. Entre os convidados estavam representantes de ve\u00edculos independentes de outros pa\u00edses como os peruanos Ojo P\u00fablico e Convoca, os argentinos\u00a0<a href=\"https:\/\/knightcenter.utexas.edu\/pt-br\/blog\/00-19176-como-inovadores-argentinos-criaram-chequeado-e-o-tornaram-um-dos-lideres-mundiais-em-f\">Chequeado\u00a0<\/a>e Tiempo Argentino, o guatemalteco\u00a0<a href=\"https:\/\/knightcenter.utexas.edu\/pt-br\/blog\/00-19116-nomada-inova-jornalismo-da-guatemala-com-estetica-arrojada-cobertura-progressista-e-mo\">N\u00f3mada\u00a0<\/a>e o mexicano\u00a0<a href=\"https:\/\/knightcenter.utexas.edu\/pt-br\/blog\/00-19074-dois-jornalistas-viajam-por-sete-paises-da-america-latina-para-contar-historias-de-vio\">En Malos Pasos<\/a>, entre outros.<\/p>\n<p>\u201cDesde o come\u00e7o a gente queria fazer um festival de jornalismo independente\u201d, contou Viana. \u201cOutro dia algu\u00e9m me perguntou, no contexto do 3i, se os jornalistas da imprensa tradicional podem aprender conosco. \u00d3bvio que podem, assim como a gente pode aprender com eles. S\u00f3 que a gente aprende com eles o tempo inteiro, porque em todos os congressos, em todas as conversas em faculdades, voc\u00ea ouve as perspectivas da imprensa tradicional, do formato tradicional de produzir not\u00edcias. Legal, n\u00e3o acho que tem que desaparecer, mas acho que tem muita coisa sendo feita que precisa ser ouvida, e a Casa tamb\u00e9m traz isso.\u201d<\/p>\n<h4><strong>Resid\u00eancia jornal\u00edstica<\/strong><\/h4>\n<p>A Casa P\u00fablica hospeda mais do que conversas: jornalistas tamb\u00e9m podem passar um tempo hospedados no local, como parte do programa de resid\u00eancia e dos LABs \u2013 Laborat\u00f3rios de Inova\u00e7\u00e3o Jornal\u00edstica da P\u00fablica. O im\u00f3vel comporta at\u00e9 oito pessoas em dois quartos coletivos no segundo andar.<\/p>\n<p>O programa Resid\u00eancias P\u00fablicas recebe jornalistas estrangeiros, que podem se hospedar gratuitamente por at\u00e9 15 dias na Casa. Durante este per\u00edodo, eles recebem apoio da equipe da P\u00fablica na produ\u00e7\u00e3o de reportagens sobre temas relacionados aos direitos humanos no Brasil. As inscri\u00e7\u00f5es para o programa s\u00e3o feitas pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.org\/2017\/08\/casa-publica-abre-vagas-para-receber-reporteres-internacionais\/\">site da ag\u00eancia P\u00fablica<\/a>.<\/p>\n<p>A primeira edi\u00e7\u00e3o das resid\u00eancias aconteceu em 2016, junto com a abertura da Casa P\u00fablica, e teve como foco a cobertura de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos no contexto dos Jogos Ol\u00edmpicos. Naquele momento, a P\u00fablica ofereceu uma bolsa-aux\u00edlio para os jornalistas que ficaram na Casa, e as investiga\u00e7\u00f5es realizadas foram publicadas em ve\u00edculos impressos e digitais de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.theclinic.cl\/2016\/08\/06\/fotos-los-juegos-de-la-exclusion\/\">Chile<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planv.com.ec\/historias\/sociedad\/desplazados-un-legado-juegos-olimpicos\">Equador<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nation.co.ke\/sports\/TalkUp\/The-costs-in-personal-suffering-upon-which-the-Games-are-made-\/441392-3333462-opqp4qz\/index.html\">Qu\u00eania<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/time.com\/4470981\/rio-de-janeiro-olympics-construction\/\">Estados Unidos<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lastampa.it\/2016\/08\/18\/esteri\/gli-sfratti-olimpici-di-rio-de-janeiro-che-lasciano-indietro-chi-non-abbastanza-ricco-gIC6SEmoLMx0h0n6NUnBJP\/pagina.html\">It\u00e1lia<\/a>, entre outros.<\/p>\n<p>\u201cDo ponto de vista da Ag\u00eancia P\u00fablica, \u00e9 legal porque n\u00e3o s\u00f3 se fortalece a troca, os relacionamentos, os contatos entre jornalistas, mas tamb\u00e9m se aumenta a visibilidade dos temas de direitos humanos no Brasil\u201d, avaliou a diretora da P\u00fablica. \u201cCobrir este tema no Brasil \u00e9 uma tarefa um pouco ingl\u00f3ria, e \u00e9 sempre uma ajuda quando algo \u00e9 publicado no exterior.\u201d<\/p>\n<p>A jornalista alem\u00e3 Caren Miesenberger foi uma das duas residentes na Casa em janeiro. Baseada em Hamburgo, ela foi selecionada para o programa com sua pauta sobre o encarceramento de mulheres no Brasil, que ser\u00e1 publicada na revista feminista alem\u00e3\u00a0<a href=\"https:\/\/missy-magazine.de\/\">Missy Magazine<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cConheci a P\u00fablica em 2014, quando morei um ano no Brasil\u201d, disse Miesenberger ao\u00a0<strong>Centro Knight<\/strong>. \u201cAcompanho o trabalho desde ent\u00e3o. Acredito muito na m\u00eddia alternativa, independente, e o que eu mais admiro na P\u00fablica \u00e9 o aspecto da inova\u00e7\u00e3o. Essa Casa \u00e9 algo muito \u00fanico, nunca havia visto nada parecido.\u201d<\/p>\n<p>Ela j\u00e1 havia trabalhado como correspondente desde o Brasil investigando hist\u00f3rias que foram publicadas na Alemanha, e sentiu bastante a diferen\u00e7a entre as duas experi\u00eancias. \u201cFaltava uma rede de apoio. Eu ficava na minha casa, na frente do computador, escrevendo as mat\u00e9rias. N\u00e3o tinha troca. \u00c9 a primeira vez que eu estou em um lugar convivendo com muitos jornalistas, e sinto um apoio muito grande ao meu trabalho, com troca de ideias e sugest\u00f5es de contatos.\u201d<\/p>\n<p>Miesenberger destaca a forma\u00e7\u00e3o de la\u00e7os entre jornalistas de v\u00e1rios pa\u00edses como um dos pontos mais importantes do programa de resid\u00eancias. \u201cDeveria ter uma Casa dessa em todos os lugares do mundo para a gente conseguir formar uma rede independente da grande m\u00eddia e de interesses outros que n\u00e3o sejam o bom jornalismo\u201d, opina.<\/p>\n<h4><strong>Laborat\u00f3rios de inova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Assim como o programa de resid\u00eancias, os LABs - Laborat\u00f3rios de Inova\u00e7\u00e3o Jornal\u00edstica foram pensados como parte do projeto da Casa P\u00fablica e ocorrem em imers\u00e3o no espa\u00e7o \u2013 os profissionais das equipes realizadoras dos projetos que s\u00e3o de outras cidades se hospedam na Casa e ali trabalham e convivem. Al\u00e9m do processo diferenciado de produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 nos LABs que a ag\u00eancia experimenta diferentes formatos e novas tecnologias em suas investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>At\u00e9 janeiro de 2018 haviam sido publicados cinco LABs:\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.org\/100\/\">\u201c100\u201d<\/a>, que traz cem hist\u00f3rias de cem fam\u00edlias removidas for\u00e7adamente em raz\u00e3o das Olimp\u00edadas;\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.org\/vigilancia\/\">\u201cVigil\u00e2ncia\u201d<\/a>, sobre como o aparato de seguran\u00e7a para a Copa e as Olimp\u00edadas \u00e9 usado para repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es;\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.org\/2017\/06\/museu-do-ontem\/\">\u201cMuseu do Ontem\u201d<\/a>, um aplicativo que tra\u00e7a as transforma\u00e7\u00f5es urbanas na regi\u00e3o portu\u00e1ria do Rio de Janeiro, da col\u00f4nia at\u00e9 os Jogos Ol\u00edmpicos;\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.org\/especial\/especial-catraca\/\">\u201cCatraca\u201d<\/a>, sobre a cadeia de propriedades das empresas de \u00f4nibus no Rio de Janeiro; e\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.org\/colecaoparticular\/\">\u201cCole\u00e7\u00e3o Particular\u201d<\/a>, sobre a privatiza\u00e7\u00e3o ilegal do litoral e de outros espa\u00e7os p\u00fablicos no Brasil.<\/p>\n<p>Viana, coordenadora dos LABs, tem sido a respons\u00e1vel por convidar os jornalistas e outros profissionais \u2013designers, artistas\u2013 que participam dos laborat\u00f3rios. J\u00e1 participaram membros da equipe da Ag\u00eancia P\u00fablica e profissionais freelancers, escolhidos por Viana por afinidade com o tema de cada LAB ou por ela confiar na contribui\u00e7\u00e3o destes profissionais.<\/p>\n<p>Foi este o caso da colombiana Olga Luc\u00eda Lozano. Uma das fundadoras do meio jornal\u00edstico tamb\u00e9m nativo digital e independente\u00a0<a href=\"http:\/\/lasillavacia.com\/\">La Silla Vac\u00eda<\/a>, Lozano atuou como editora criativa nos dois primeiros LABs, lan\u00e7ados em julho de 2016 e em janeiro de 2017, respectivamente.<\/p>\n<p>\u201cCheguei \u00e0 primeira reuni\u00e3o com a equipe local e Natalia Viana disse \u2018olha, queremos contar 100 hist\u00f3rias de 100 fam\u00edlias que foram removidas\u2019\u201d, lembrou Lozano em conversa com o\u00a0<strong>Centro Knight.\u00a0<\/strong>A editora foi a respons\u00e1vel por encontrar as solu\u00e7\u00f5es para esta miss\u00e3o. \u201cParti do princ\u00edpio de como reunir cem vozes e contar cem hist\u00f3rias sem perder o tom caracter\u00edstico e individual de cada uma delas, mas que tamb\u00e9m possa realmente criar um la\u00e7o emotivo com quem visita [as hist\u00f3rias].\u201d<\/p>\n<p>A experimenta\u00e7\u00e3o com o formato visou facilitar a cria\u00e7\u00e3o desse la\u00e7o emotivo, contou a editora. \u201cPropus criar uma pequena cidade onde estavam todos os elementos que fazem parte de 100, mas us\u00e1-los para contar as hist\u00f3rias reais - a porta de uma casa em uma favela, uma pessoa, uma fam\u00edlia\u201d, explicou. A escolha pelo audiovisual, com entrevistas em v\u00eddeo e \u00e1udio e mapas dos locais de onde as pessoas foram removidas e onde foram realocadas, \u201cpermite ver que s\u00e3o pessoas de carne e osso\u201d vivendo aquelas situa\u00e7\u00f5es, acredita Lozano.<\/p>\n<p>Para Viana, o\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.org\/2017\/06\/museu-do-ontem\/\">\u201cMuseu do Ontem\u201d<\/a>, lan\u00e7ado em junho de 2017, \u00e9 o destaque entre os LABs realizados at\u00e9 agora. \u201cO Museu do Ontem gerou um produto que \u00e9 muito novo. Os LABs anteriores, Vigil\u00e2ncia e 100, s\u00e3o sites interativos bastante inovadores, mas s\u00e3o coisas que j\u00e1 existiam antes. O Museu do Ontem \u00e9 outra coisa\u201d, disse Viana.<\/p>\n<p>Essa outra coisa \u00e9 um\u00a0<a href=\"https:\/\/knightcenter.utexas.edu\/pt-br\/blog\/00-18604-aplicativo-da-agencia-publica-combina-de-forma-inedita-o-jornalismo-geolocalizacao\">aplicativo, criado em colabora\u00e7\u00e3o com o desenvolvedor holand\u00eas-iraniano Babak Fakhamzadeh, que combina geolocaliza\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica<\/a>\u00a0para falar do passado e do presente da zona portu\u00e1ria do Rio de Janeiro. \u00c0 medida que os usu\u00e1rios se deslocam pela \u00e1rea, surgem novas hist\u00f3rias relacionadas ao lugar em que se encontram. A partir do desejo de criar um aplicativo que tratasse das mudan\u00e7as urbanas que aconteceram na cidade em torno das Olimp\u00edadas, a equipe da P\u00fablica chegou a uma ferramenta que traz hist\u00f3rias da ocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea repaginada como Porto Maravilha ao longo de tr\u00eas s\u00e9culos. O app leva os usu\u00e1rios desde a \u00e9poca colonial do Brasil, quando ali se encontrava a\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.org\/2016\/07\/o-porto-maravilha-e-negro\/\">principal porta de entrada de africanos escravizados por europeus nas Am\u00e9ricas<\/a>, at\u00e9 as recentes obras no local investigadas pela Ag\u00eancia P\u00fablica, como o\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.org\/2016\/05\/o-maior-misterio-da-olimpiada\/\">sumi\u00e7o das vigas de a\u00e7o da demoli\u00e7\u00e3o do viaduto da Perimetral<\/a>.<\/p>\n<p>O \u00faltimo LAB, \u201cCole\u00e7\u00e3o Particular\u201d, foi publicado em dezembro de 2017, e h\u00e1 mais dois LABs sendo produzidos. Estes ser\u00e3o publicados no primeiro semestre de 2018 e encerrar\u00e3o o primeiro ciclo de especiais, previstos no financiamento da Casa P\u00fablica. Um deles ter\u00e1 tr\u00eas minidocument\u00e1rios em 360 graus, antecipou Viana. \u201cA gente resolveu explorar esse formato, que \u00e9 controverso. Teve uma loucura, todo mundo falando, e hoje as pessoas est\u00e3o mais c\u00e9ticas, mas a gente achou que vale a pena. O LAB \u00e9 para explorar, \u00e9 aqui que a gente vai conseguir explorar esse formato.\u201d<\/p>\n<p>Viana disse que, ao fim da publica\u00e7\u00e3o dos sete LABs previstos no projeto original, a ideia \u00e9 avaliar que tipos de formatos e tecnologias funcionaram ou n\u00e3o para pensar na continuidade da iniciativa. Segundo Viana, \u00e9 necess\u00e1rio pensar no custo real dos LABs, j\u00e1 que a manuten\u00e7\u00e3o das plataformas e ferramentas \u2013como o aplicativo Museu do Ontem ou o mapa colaborativo do especial Cole\u00e7\u00e3o Particular \u2013n\u00e3o foi contabilizada no projeto original. \u201cTecnologia \u00e9 um neg\u00f3cio complicado. O que voc\u00ea cria, voc\u00ea precisa manter. O custo de manter um aplicativo \u00e9 alto. Mais alto do que manter um site\u201d, afirmou.<\/p>\n<h4><strong>Financiando a inova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Os LABs e o programa de resid\u00eancia para jornalistas estrangeiros s\u00e3o parte da Casa P\u00fablica, que por ser um projeto da Ag\u00eancia P\u00fablica tem um financiamento pr\u00f3prio. Para lan\u00e7\u00e1-la, em 2016, \u201cbatemos na porta das pessoas, recebemos v\u00e1rios n\u00e3os e alguns sims\u201d, lembra Viana. Os sims vieram de organiza\u00e7\u00f5es como a Funda\u00e7\u00e3o Ford, a Porticus, a Oak Foundation e a Open Society Foundations, que fecharam o financiamento por dois anos. Para o pr\u00f3ximo ano, Ford, Oak e Open Society mantiveram o patroc\u00ednio.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um projeto, tem prazo determinado para acabar\u201d, disse Viana, que acrescenta que a P\u00fablica est\u00e1 avaliando \u201cse vale a pena que a Casa seja permanente \u2013achamos super importante, achamos que ela ainda tem muito mais potencial, por\u00e9m ela \u00e9 cara pela casa mesmo, pelo Rio de Janeiro. Precisamos buscar mais financiamento para esse projeto especificamente.\u201d<\/p>\n<p>Em seu site, na p\u00e1gina\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.org\/transparencia\/\">Transpar\u00eancia<\/a>, a P\u00fablica explicita as fontes e os destinos de sua receita em 2017. A receita total da organiza\u00e7\u00e3o no ano passado foi de R$ 2.767.121, arrecadados a partir de financiamento institucional, patroc\u00ednio e crowdfunding. Al\u00e9m da Ford, da Oak e da Open Society Foundations, os principais financiadores s\u00e3o a Climate and Land Use Alliance e o Instituto Betty e Jacob Lafer.<\/p>\n<p>\u201cA essa altura, o que \u00e9 importante para n\u00f3s \u00e9 que consolidamos fontes de financiamento por prazos mais longos\u201d, disse a diretora Marina Amaral em conversa com o\u00a0<strong>Centro Knight<\/strong>\u00a0na reda\u00e7\u00e3o da P\u00fablica, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cNossa prioridade \u00e9 tornar a P\u00fablica uma organiza\u00e7\u00e3o resiliente, que possa ter uma vida eterna, e que n\u00e3o esteja sujeita a essa fragilidade dos ve\u00edculos e organiza\u00e7\u00f5es que vivem de funda\u00e7\u00f5es\u201d, disse Amaral. Segundo ela, a P\u00fablica segue o mesmo modelo de quando foi fundada: organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, com financiamento de funda\u00e7\u00f5es ou p\u00fablico e sem an\u00fancios.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existe sustentabilidade eterna\u201d, acredita Viana. A busca por receita \u00e9 cont\u00ednua.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a P\u00fablica tamb\u00e9m vem inovando. Como a Casa P\u00fablica, a campanha de crowdfunding Reportagem P\u00fablica e o Concurso de Microbolsas de Reportagem s\u00e3o iniciativas que permitem diversificar as fontes de receita para financiar o jornalismo feito pela ag\u00eancia.<\/p>\n<p>A Reportagem P\u00fablica \u00e9 uma campanha de financiamento coletivo de reportagens que j\u00e1 teve tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es: em 2013, 2015 e 2016. Na primeira, foram arrecadados R$ 45 mil, enquanto a \u00faltima arrecada\u00e7\u00e3o chegou a R$ 85 mil, 5 mil a mais do que a meta estipulada pela ag\u00eancia.<\/p>\n<p>O modelo inova ao dar voz e voto a cada pessoa que doou para a realiza\u00e7\u00e3o das reportagens, para que ela ajude a decidir as pautas que ser\u00e3o produzidas e tenha contato direto com rep\u00f3rteres e editoras sobre o resultado.<\/p>\n<p>\u201cTodo m\u00eas a gente manda para todo mundo que doou um email com tr\u00eas sugest\u00f5es de pautas, de tr\u00eas rep\u00f3rteres diferentes, e pede pra eles votarem\u201d, explica Viana. \u201cA pauta vencedora ganha R$ 7 mil e \u00e9 realizada, as outras duas n\u00e3o s\u00e3o realizadas.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m da vota\u00e7\u00e3o por email, as pessoas que contribu\u00edram s\u00e3o convidadas a participar de um grupo fechado no Facebook, onde podem conversar com a equipe da P\u00fablica, inclusive os jornalistas e editores que est\u00e3o produzindo as mat\u00e9rias.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Concurso de Microbolsas de Reportagem chama a participa\u00e7\u00e3o de jornalistas independentes que queiram produzir mat\u00e9rias sobre os temas propostos a cada edi\u00e7\u00e3o. Os rep\u00f3rteres cujas pautas s\u00e3o selecionadas pela P\u00fablica recebem R$ 7 mil e a mentoria das editoras da ag\u00eancia por dois meses.<\/p>\n<p>As duas primeiras edi\u00e7\u00f5es n\u00e3o tinham um tema espec\u00edfico, lembrou Viana. \u201cDa\u00ed come\u00e7amos a perceber que existia uma grande demanda de ONGs que procuravam a P\u00fablica e diziam \u2018por que voc\u00eas n\u00e3o fazem mat\u00e9rias sobre Belo Monte?\u2019, por exemplo. Sempre respondemos que nossa pol\u00edtica de financiamento \u00e9 a seguinte: n\u00e3o fazemos trabalhos comissionados. A P\u00fablica s\u00f3 trabalha com projetos pr\u00f3prios. Sen\u00e3o voc\u00ea vai trocar a press\u00e3o do anunciante pela press\u00e3o do financiador, e a gente n\u00e3o quer isso.\u201d<\/p>\n<p>Os concursos de microbolsas tem\u00e1ticos, portanto, foram uma maneira de conjugar a necessidade de financiamento do jornalismo investigativo da ag\u00eancia, a demanda de organiza\u00e7\u00f5es pela investiga\u00e7\u00e3o de determinados temas e a independ\u00eancia editorial da P\u00fablica.<\/p>\n<p>Entre os concursos de microbolsas j\u00e1 realizados est\u00e3o um sobre\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/especial\/microbolsas-de-energia\/\">energia<\/a>, patrocinado pelo Greenpeace;\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/especial\/microbolsa-crianca-e-agua\/\">crian\u00e7a e \u00e1gua<\/a>, patrocinado pelo Instituto Alana; e\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/especial\/microbolsas-reportagem-maconha\/\">maconha<\/a>, patrocinado pelo Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania (Cesec). O pr\u00f3ximo, em parceria com a Conectas Direitos Humanos, ser\u00e1 sobre viol\u00eancia policial, adiantou Viana.<\/p>\n<p>\u201cA ONG define junto com a gente qual ser\u00e1 o tema, mas s\u00e3o temas amplos\u201d, diz a diretora da ag\u00eancia. \u201cA P\u00fablica faz o chamado e recebe as propostas de pauta.\u201d A dire\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia ent\u00e3o pr\u00e9-seleciona algumas propostas e decide junto com a organiza\u00e7\u00e3o financiadora a sele\u00e7\u00e3o final.<\/p>\n<p>E \u00e9 este o limite da influ\u00eancia do financiador, diz ela. \u201cNossos parceiros confiam no nosso trabalho e n\u00e3o veem o material antes de ser publicado.\u201d A P\u00fablica recebe, ent\u00e3o, pela coordena\u00e7\u00e3o do projeto e pelo trabalho de edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTemos que pensar maneiras de ter financiamentos diferentes\u201d, diz Viana. \u201cMuita gente est\u00e1 fazendo eventos, e crowdfunding tamb\u00e9m \u00e9 super importante. Tem quem fa\u00e7a assinaturas, paywall, produtos \u2013o El Faro, por exemplo, faz camisetas. \u00c9 muito importante estar sempre tentando variar o modelo de financiamento. Mas \u00e9 isso: sustentabilidade eterna n\u00e3o existe.\u201d<\/p>\n<h4><strong>O futuro da P\u00fablica<\/strong><\/h4>\n<p>Em outubro, o eleitorado brasileiro ir\u00e1 \u00e0s urnas escolher novos presidente, governadores e deputados federais e estaduais em um ambiente pol\u00edtico ultrapolarizado \u2013terreno f\u00e9rtil para\u00a0 a dissemina\u00e7\u00e3o das chamadas \u201cnot\u00edcias falsas\u201d. A grande cartada da P\u00fablica para este per\u00edodo \u00e9 a expans\u00e3o do\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.org\/checagem\/\">Truco<\/a>, projeto de fact-checking da ag\u00eancia. A ideia \u00e9 fazer checagens di\u00e1rias das falas de candidatos em pelo menos oito Estados do Brasil.<\/p>\n<p>Para isso, a equipe da P\u00fablica em S\u00e3o Paulo ir\u00e1 capacitar jornalistas independentes espalhados pelo pa\u00eds com a metodologia de fact-checking utilizada pela ag\u00eancia. A opera\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi testada nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2016 em cinco capitais e ser\u00e1 ampliada em 2018, fortalecendo a atua\u00e7\u00e3o da P\u00fablica neste momento de not\u00edcias mais quentes do que o modelo tradicional de jornalismo investigativo consegue abra\u00e7ar.<\/p>\n<p>\u201cConsidero o fact-checking um g\u00eanero de jornalismo investigativo\u201d, diz Viana. \u201c\u00c9 como se fosse um modelinho conciso e r\u00e1pido. \u00c9 super interessante, porque acharam um formato de se fazer rapidamente jornalismo investigativo sem ter que ser uma longa reportagem.\u201d<\/p>\n<p>A ag\u00eancia tamb\u00e9m t\u00eam fortalecido sua produ\u00e7\u00e3o de<a href=\"http:\/\/apublica.org\/video\/\">\u00a0reportagens em v\u00eddeo<\/a>, que, segundo Amaral, t\u00eam um alcance internacional significativo. Alguns dos minidocument\u00e1rios da ag\u00eancia j\u00e1 foram exibidos em festivais de cinema e no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.futuraplay.org\/video\/nao-repara-a-bagunca\/396459\/\">canal brasileiro Futura<\/a>, mas um dos objetivos \u00e9 consolidar a presen\u00e7a da P\u00fablica na TV - algo pensado j\u00e1 na g\u00eanese do especial\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.org\/amazonia-resiste\/\">Amaz\u00f4nia Resiste<\/a>, cujo destaque s\u00e3o as reportagens em v\u00eddeo, disse Amaral.<\/p>\n<p>\u201cUnir tecnologia e gastar sola de sapato \u00e9 uma coisa muito t\u00edpica da P\u00fablica\u201d, comentou Amaral. \u201cQuando eu fui ao\u00a0<a href=\"https:\/\/www.isoj.org\/\">ISOJ<\/a>\u00a0[sigla em ingl\u00eas para Simp\u00f3sio Internacional de Jornalismo Online] em Austin, uma das conclus\u00f5es do congresso foi que o bom e velho jornalismo investigativo ainda \u00e9 a coisa mais importante que n\u00f3s temos. N\u00f3s s\u00f3 temos novas ferramentas para usar.\u201d<\/p>\n<p><em>[Nota da edi\u00e7\u00e3o: Rosental Alves, diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Am\u00e9ricas, est\u00e1 no conselho consultivo da P\u00fablica.]<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><em>A s\u00e9rie\u00a0<a id=\"serie\" name=\"serie\"><\/a>\"Inovadores no\u00a0Jornalismo\", que \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as ao generoso apoio da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opensocietyfoundations.org\/\">Open Society Foundations<\/a>, abrange as tend\u00eancias e as melhores pr\u00e1ticas da m\u00eddia digital na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. Ele\u00a0continua\u00a0nossa s\u00e9rie anterior, transformada em\u00a0ebook,\u00a0<a href=\"http:\/\/knightcenter.utexas.edu\/ebook\/innovative-journalism-latin-america\">Jornalismo Inovador na Am\u00e9rica Latina<\/a>, ao analisar as pessoas e equipes\u00a0que\u00a0lideram iniciativas inovadoras de reportagem, narrativa, distribui\u00e7\u00e3o e financiamento na regi\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Nota do editor: Essa hist\u00f3ria foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Am\u00e9ricas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde mar\u00e7o de 2016, uma casa de dois andares e 300 metros quadrados em uma rua arborizada de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, tem sido um ref\u00fagio e um espa\u00e7o de celebra\u00e7\u00e3o para jornalistas brasileiros e estrangeiros e para quem se interessa por jornalismo e pelas transforma\u00e7\u00f5es em ato neste campo.<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1228],"tags":[1555],"coauthors":[],"class_list":["post-47974","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-acesso-a-informacao-pt-br","tag-acesso-a-informacao-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v22.6 (Yoast SEO v27.4) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Ag\u00eancia P\u00fablica dissemina seu jornalismo investigativo pelo mundo com solu\u00e7\u00f5es criativas de financiamento e distribui\u00e7\u00e3o - LatAm Journalism Review by the Knight Center<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Ag\u00eancia P\u00fablica dissemina seu jornalismo investigativo pelo mundo com solu\u00e7\u00f5es criativas de financiamento e distribui\u00e7\u00e3o Acesso a informa\u00e7\u00e3o. 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