{"id":48146,"date":"2018-04-30T20:47:37","date_gmt":"2018-05-01T01:47:37","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=48146"},"modified":"2022-01-26T20:52:24","modified_gmt":"2022-01-27T01:52:24","slug":"rede-chilena-mi-voz-propoe-agora-do-seculo-21-com-jornalismo-cidadao-e-cobertura-regional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/rede-chilena-mi-voz-propoe-agora-do-seculo-21-com-jornalismo-cidadao-e-cobertura-regional\/","title":{"rendered":"Rede chilena Mi Voz prop\u00f5e \u2018\u00e1gora do s\u00e9culo 21\u2019 com jornalismo cidad\u00e3o e cobertura regional"},"content":{"rendered":"<p><em>*Esta reportagem faz\u00a0<a href=\"https:\/\/utw10693.utweb.utexas.edu\/pt-br\/blog\/00-19592-rede-chilena-mi-voz-propoe-%E2%80%98agora-do-seculo-21%E2%80%99-com-jornalismo-cidadao-e-cobertura-reg#serie\">parte de um\u00a0<\/a><\/em><a href=\"https:\/\/utw10693.utweb.utexas.edu\/pt-br\/blog\/00-19592-rede-chilena-mi-voz-propoe-%E2%80%98agora-do-seculo-21%E2%80%99-com-jornalismo-cidadao-e-cobertura-reg#serie\"><em>projeto<\/em><\/a><em><a href=\"https:\/\/utw10693.utweb.utexas.edu\/pt-br\/blog\/00-19592-rede-chilena-mi-voz-propoe-%E2%80%98agora-do-seculo-21%E2%80%99-com-jornalismo-cidadao-e-cobertura-reg#serie\">\u00a0especial<\/a>\u00a0do Centro Knight\u00a0sobre Inovadores no Jornalismo Latino-Americano e Caribenho.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Em 2018, o acesso \u00e0 internet e a possibilidade de se expressar por meio das diversas plataformas e redes sociais como blogs, Tumblr, Facebook e Twitter s\u00e3o quase fatos dados para uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o latino-americana.<\/p>\n<p>Em 2005,\u00a0por\u00e9m, o\u00a0cen\u00e1rio\u00a0era\u00a0outro. O\u00a0alcance\u00a0da\u00a0internet se\u00a0expandia\u00a0devagar, mas\u00a0definitivamente, e os blogs\u00a0eram\u00a0uma\u00a0inven\u00e7\u00e3o\u00a0recente\u00a0que\u00a0come\u00e7ava\u00a0a\u00a0transformar\u00a0a\u00a0produ\u00e7\u00e3o\u00a0de\u00a0conte\u00fado\u00a0online. No Chile, o\u00a0comunicador\u00a0social Jorge\u00a0Dom\u00ednguez\u00a0e a\u00a0desenhista\u00a0industrial Paula\u00a0Rojo\u00a0viram\u00a0nessa\u00a0revolu\u00e7\u00e3o\u00a0em\u00a0ato\u00a0a\u00a0oportunidade\u00a0de\u00a0atuar\u00a0sobre\u00a0algumas\u00a0quest\u00f5es\u00a0que\u00a0lhes\u00a0inquietavam,\u00a0como\u00a0a\u00a0concentra\u00e7\u00e3o\u00a0midi\u00e1tica\u00a0e a\u00a0possibilidade\u00a0de\u00a0construir\u00a0novas\u00a0realidades\u00a0a\u00a0partir\u00a0do\u00a0jornalismo.\u00a0Assim\u00a0criaram\u00a0a rede de\u00a0di\u00e1rios\u00a0online Mi\u00a0Voz, que\u00a0inovou\u00a0ao\u00a0investir\u00a0em\u00a0jornalismo\u00a0cidad\u00e3o\u00a0e na\u00a0cobertura\u00a0regional\u00a0fortemente\u00a0conectada\u00a0ao\u00a0territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Hoje com 15 meios digitais distribu\u00eddos em 14 regi\u00f5es chilenas, Mi Voz se baseia na colabora\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de \u201ccorrespondentes cidad\u00e3os\u201d, que escrevem sobre as quest\u00f5es que afetam as comunidades onde vivem. A rede tamb\u00e9m tem uma equipe de cerca de 30 jornalistas e editores que produz conte\u00fado regional e nacional e coordena o material enviado pelos correspondentes nos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Segundo Dom\u00ednguez, gerente-geral da rede, a primeira raz\u00e3o de ser de Mi Voz foi criar uma alternativa \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica no Chile,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.observacom.org\/informe-revela-que-la-concentracion-de-medios-en-chile-es-una-de-las-mas-altas-de-la-region\/\">uma das mais altas na Am\u00e9rica Latina<\/a>, segundo um estudo de 2016. O estudo apontou que a situa\u00e7\u00e3o no mercado de imprensa do pa\u00eds \u00e9 de um \u201cvirtual duop\u00f3lio\u201d dos grupos El Mercurio e La Tercera (Copesa), que concentram 80% dos leitores e 83% da publicidade no setor, al\u00e9m de terem um forte controle da imprensa regional.<\/p>\n<p>\u201cChile \u00e9 um pa\u00eds extenso subdividido em regi\u00f5es e com uma capital, Santiago, muito centralizada, onde vivem aproximadamente 40% da popula\u00e7\u00e3o chilena\u201d, disse Dom\u00ednguez ao\u00a0<strong>Centro Knight<\/strong>. \u201cMas os 60% que vivem nas regi\u00f5es tinham essencialmente um grupo midi\u00e1tico que lhes dava informa\u00e7\u00e3o, que era a cadeia Mercurio. Nascemos em parte como uma alternativa a essa concentra\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Mi Voz tamb\u00e9m buscou sanar \u201ca urg\u00eancia de que a cidadania protagonizasse a conversa que constr\u00f3i a cidade\u201d, colocando-se como uma \u201c\u00e1gora do s\u00e9culo 21\u201d, disse Dom\u00ednguez. \u201cNos pareceu uma tremenda possibilidade convidar cidad\u00e3os e cidad\u00e3s a vir a campo e ser parte da constru\u00e7\u00e3o da realidade do territ\u00f3rio em que vivem\u201d, afirmou.<\/p>\n<h4><strong>Contribui\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 pelo jornalismo<\/strong><\/h4>\n<p>Esse convite \u00e0 cidadania foi feito pela primeira vez em Arica, cidade de 180 mil habitantes na ponta norte do Chile, na fronteira com o Peru. L\u00e1 eles realizaram as primeiras oficinas de capacita\u00e7\u00e3o de correspondentes cidad\u00e3os, das quais participaram 600 moradores. \u201cConvidamos todos os grupos de interesse: estudantes, ind\u00edgenas, professores, empres\u00e1rios, pescadores; a maior variedade poss\u00edvel, que nos permitisse ter o leque completo para que a conversa territorial fosse mais rica, n\u00e3o a conversa das elites\u201d, disse Rojo, gerente de clientes de Mi Voz, ao\u00a0<strong>Centro Knight<\/strong>.<\/p>\n<p>Essa primeira forma\u00e7\u00e3o se tornou o modelo para as seguintes, realizadas antes da abertura de cada um dos meios da rede, at\u00e9 2012. Nas oficinas, os futuros correspondentes eram apresentados \u00e0s possibilidades oferecidas pela internet, desde o email at\u00e9 os blogs e as redes sociais, al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o para o jornalismo cidad\u00e3o. \u201cMuit\u00edssimos n\u00e3o tinham um endere\u00e7o de email\u201d, lembra Dom\u00ednguez.<\/p>\n<p>\u201cEnsin\u00e1vamos como usar blogs a quem quisesse criar seus pr\u00f3prios canais, e ao mesmo tempo ensin\u00e1vamos o que significa ser um correspondente cidad\u00e3o\u201d, lembra Rojo. \u201cComo se responsabilizar pelo fato de que voc\u00ea \u00e9 a pessoa que fala, com nome e sobrenome, n\u00e3o com um pseud\u00f4nimo, como se constr\u00f3i uma nota e, mais importante, como construir not\u00edcias que sejam uma contribui\u00e7\u00e3o para a comunidade onde voc\u00ea est\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>A vontade de investir na contribui\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 por meio do jornalismo para o desenvolvimento dos territ\u00f3rios foi outro ponto importante para a cria\u00e7\u00e3o de Mi Voz. Dom\u00ednguez e Rojo lembram que no in\u00edcio da rede eles examinaram durante meses as primeiras p\u00e1ginas de jornais regionais de todo o pa\u00eds e encontraram uma cobertura focada quase exclusivamente em crime e fofocas sobre celebridades.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o havia uma manchete que constru\u00edsse uma realidade que fosse relevante \u00e0 comunidade que lia aquele meio\u201d, disse Rojo.<\/p>\n<p>\u201cFaz\u00edamos as oficinas e mostr\u00e1vamos as primeiras p\u00e1ginas [de meios regionais chilenos], que eram terr\u00edveis\u201d, lembra Dom\u00ednguez. \u201cPergunt\u00e1vamos \u00e0s pessoas se essa era a realidade com a qual elas queriam viver, e a maioria, se n\u00e3o todas, diziam que n\u00e3o. H\u00e1 muitas outras coisas que n\u00e3o s\u00e3o objeto de aten\u00e7\u00e3o dos meios. Pareceu-lhes muito sedutor trazer um relato na constru\u00e7\u00e3o da realidade que era certamente mais positiva.\u201d<\/p>\n<p>Um exemplo, segundo Rojo, pode ser a cobertura de um acidente. \u201cSe neste acidente morreu uma pessoa relevante para a cidade, por que n\u00e3o, em vez do acidente, destacar a pessoa relevante e a contribui\u00e7\u00e3o que ela fez ao territ\u00f3rio? Assim damos uma abordagem que nos permita construir algo valioso, e n\u00e3o ficamos no m\u00f3rbido, que no fim das contas n\u00e3o leva a nada.\u201d<\/p>\n<p>Com essa proposta e com os 600 correspondentes cidad\u00e3os formados em Arica, foi lan\u00e7ado o primeiro meio da rede, <a href=\"http:\/\/www.elmorrocotudo.cl\/\">El Morrocotudo<\/a>, em setembro de 2005. O modelo do di\u00e1rio digital e das forma\u00e7\u00f5es com moradores do territ\u00f3rio foi repetido em outras 13 regi\u00f5es do Chile at\u00e9 2012, quando foi criado <a href=\"http:\/\/www.elmagallanews.cl\/\">El Magallanews<\/a>, o\u00a0meio\u00a0mais\u00a0recente\u00a0da\u00a0rede.<\/p>\n<p>\u201cEntre 2005 e 2012, trabalhamos com cerca de 30 mil chilenos nessa estrutura de forma\u00e7\u00e3o\u201d, disse Dom\u00ednguez. \u201cFoi maravilhoso porque nos permitiu conhecer profundamente cada regi\u00e3o do Chile, conhecer sua diversidade e dar voz a quem n\u00e3o tinha voz.\u201d<\/p>\n<h4><strong>O processo editorial<\/strong><\/h4>\n<p>Cristian Mena, atual editor geral da rede Mi Voz, \u00e9 um dos 30 mil que foram formados como correspondentes cidad\u00e3os. \u201cComecei quando era estudante de jornalismo\u201d, contou ele ao\u00a0<strong>Centro Knight<\/strong>. \u201cComo os trabalhos [da universidade] ficariam na sala do professor, eu os publicava no El Morrocotudo, porque tamb\u00e9m sou de Arica.\u201d<\/p>\n<p>De correspondente, Mena foi contratado como rep\u00f3rter e depois passou a editor do meio de sua cidade. Conhecendo o processo editorial \u201cde fora para dentro\u201d, ele participou da cria\u00e7\u00e3o de meios da rede em outras cinco regi\u00f5es chilenas. Mena tamb\u00e9m passou pela \u00e1rea comercial de Mi Voz, trabalhando com os clientes publicit\u00e1rios, e hoje coordena o conte\u00fado editorial dos 15 meios da rede.<\/p>\n<p>Ele explica que a convocat\u00f3ria para novos correspondentes cidad\u00e3os est\u00e1 sempre aberta, e quem deseja escrever para algum meio da rede Mi Voz deve apenas se registrar pelo site do meio em quest\u00e3o. A equipe entra ent\u00e3o em contato com o candidato a correspondente e lhe envia um breve guia com orienta\u00e7\u00f5es editoriais referentes \u00e0 forma e ao conte\u00fado. Entre as orienta\u00e7\u00f5es est\u00e1 a necessidade de que o texto responda \u00e0s perguntas b\u00e1sicas do jornalismo (o qu\u00ea, quem, quando, onde, como e por que), traga a opini\u00e3o da pessoa que escreve e uma proposta construtiva para solucionar o problema posto.<\/p>\n<p>Os editores acordam com os correspondentes a periodicidade das publica\u00e7\u00f5es \u2013uma vez por semana, por quinzena, por m\u00eas. Ao receber o material enviado pelo correspondente, os editores o revisam, checam as informa\u00e7\u00f5es apresentadas e cuidam para que n\u00e3o haja algo por que o di\u00e1rio possa ser responsabilizado judicialmente, como pl\u00e1gio, viola\u00e7\u00f5es de direitos autorais ou cal\u00fanias, disse Mena, lembrando que a rede Mi Voz \u00e9 regida pela Lei de Imprensa chilena.<\/p>\n<p>Os correspondentes cidad\u00e3os s\u00e3o volunt\u00e1rios, e com a populariza\u00e7\u00e3o das redes sociais, houve uma diminui\u00e7\u00e3o nas contribui\u00e7\u00f5es para os di\u00e1rios de Mi Voz em rela\u00e7\u00e3o aos primeiros anos da rede. Embora tenham come\u00e7ado com 30 mil correspondentes, Dom\u00ednguez estima que a rede conte hoje com a participa\u00e7\u00e3o de cerca de cinco mil a cada ano.<\/p>\n<p>\u201cQuando come\u00e7amos, n\u00e3o havia Twitter nem Facebook, portanto n\u00e3o havia tantos canais pelos quais as pessoas podiam se expressar\u201d, avalia Rojo. \u201cQuando aparecem esses outros canais, diminui muito a quantidade de correspondentes. Temos um processo de convid\u00e1-los, fazer com que sintam que o di\u00e1rio \u00e9 deles e n\u00e3o nosso, e que seu conte\u00fado \u00e9 relevante para o que se est\u00e1 construindo.\u201d<\/p>\n<p>Para contornar essa queda na participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 e aproveitar o conte\u00fado produzido nas novas plataformas, os meios da rede Mi Voz hoje tamb\u00e9m fazem curadoria de posts nas redes sociais e nos pr\u00f3prios di\u00e1rios. \u201c\u00c0s vezes um correspondente n\u00e3o manda algo, mas como o seguimos nas redes sociais pedimos o conte\u00fado e o publicamos sem problemas\u201d, disse Mena, destacando que tamb\u00e9m por isso \u00e9 importante prestar aten\u00e7\u00e3o nas novas vozes regionais que se expressam nas redes sociais. \u201cVemos que h\u00e1 alguns novos l\u00edderes e que est\u00e3o comentando dentro de nossa linha editorial e os convidamos para participar.\u201d<\/p>\n<h4><strong>\u00a0\u201cLaborat\u00f3rio de l\u00edderes\u201d<\/strong><\/h4>\n<p>Desde as forma\u00e7\u00f5es iniciais promovidas por Mi Voz, a rede busca conscientizar cidad\u00e3os e cidad\u00e3s sobre sua capacidade de incidir sobre temas importantes para a regi\u00e3o em que vivem. Um dos primeiros impactos nesse sentido se deu com a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.elmorrocotudo.cl\/admin\/render\/noticia\/8677\">\u201c<\/a><a href=\"http:\/\/www.elmorrocotudo.cl\/admin\/render\/noticia\/8677\">Campanha Pr\u00f3 \u00c1gua de\u00a0<\/a><a href=\"http:\/\/www.elmorrocotudo.cl\/admin\/render\/noticia\/8677\">Qualidade<\/a><a href=\"http:\/\/www.elmorrocotudo.cl\/admin\/render\/noticia\/8677\">\u201d<\/a>, lan\u00e7ada pelo di\u00e1rio El Morrocotudo no in\u00edcio de 2007 a partir de uma cobertura sobre os altos \u00edndices de minerais t\u00f3xicos na \u00e1gua consumida pelos habitantes da regi\u00e3o de Arica e Parinacota.<\/p>\n<p>A campanha chegou \u00e0 ent\u00e3o presidente do Chile, Michelle Bachelet, com a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2007\/07\/agua-chile-en-arica-ni-incolora-ni-insipida\/\">entrega de um abaixo-assinado<\/a>\u00a0pela mudan\u00e7a na lei sobre o padr\u00e3o de qualidade da \u00e1gua no pa\u00eds, segundo reportou IPS \u00e0 \u00e9poca.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bcn.cl\/historiapolitica\/resenas_parlamentarias\/wiki\/Vlado_Mirosevic_Verdugo\">Vlado Mirosevic<\/a>, que era diretor de El Morrocotudo \u00e0 \u00e9poca da campanha, se elegeu como deputado em 2013 pelo Partido Liberal e apresentou como seu\u00a0<a href=\"http:\/\/vladodiputado.cl\/2014\/04\/modifica-el-codigo-sanitario-con-el-objeto-de-exigir-que-consumo-humano-del-agua-se-ajuste-a-estandares-oms\/\">primeiro projeto de lei<\/a>\u00a0no Congresso chileno a proposta para a adequa\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua segundo padr\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>Mirosevic n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico egresso de Mi Voz a se eleger para um cargo pol\u00edtico: segundo Dom\u00ednguez, por todo o Chile h\u00e1 autoridades municipais e regionais que sa\u00edram das fileiras da rede de meios. Um deles \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Gerardo_Esp%C3%ADndola_Rojas\">Geraldo Esp\u00edndola Rojas<\/a>, atual prefeito de Arica pelo mesmo Partido Liberal do deputado Mirosevic. O jornalista ajudou a fundar e foi o primeiro editor de El Morrocotudo.<\/p>\n<p>Para Dom\u00ednguez, a convers\u00e3o de participantes dos di\u00e1rios em autoridades pol\u00edticas \u00e9 um \u201cefeito lateral\u201d da proposta da rede. \u201cO convite que fizemos desde o in\u00edcio de Mi Voz foi gerar um espa\u00e7o que provocasse a cidadania a contribuir \u00e0 qualidade da conversa e melhorar a cidade desde um meio de comunica\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou. \u201cDesses grupos emergiram l\u00edderes que tiveram a oportunidade de divulgar suas perspectivas, suas ideias, tamb\u00e9m como uma plataforma para que agrupassem outras pessoas. Naturalmente, tempos depois essas pessoas passaram a ter diferentes papeis na a\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica.\u201d<\/p>\n<p>O editor geral Cristian Mena tamb\u00e9m acredita ser \u201cnatural\u201d que a rede seja n\u00e3o apenas formadora de lideran\u00e7as, mas tamb\u00e9m ve\u00edculo de diferentes perspectivas pol\u00edticas de seus correspondentes cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>\u201cCada um tem sua ideologia e seu ponto de vista, e quem quiser se somar aos di\u00e1rios e exp\u00f4-los abertamente, ser\u00e1 bem-vindo\u201d, disse. \u201cO que n\u00f3s garantimos como equipe editorial \u00e9 que se escreve algu\u00e9m de direita, buscamos uma voz interessante do outro lado, ou de todos os lados, para que n\u00e3o pese mais um setor sobre o outro. Podemos escrever sobre cultura, economia, entretenimento, mas sempre vamos ter nosso ponto de vista pol\u00edtico em tudo aquilo que expressamos. Nesse sentido, n\u00e3o nos preocupa que as pessoas fa\u00e7am uso pol\u00edtico dos meios, porque a equipe editorial vai cuidar para que essa pessoa se responsabilize pelo que escreve e tamb\u00e9m buscar vozes diversas.\u201d<\/p>\n<h4><strong>\u201cInovar com prop\u00f3sito\u201d<\/strong><\/h4>\n<p>Para Rojo, a principal inova\u00e7\u00e3o aportada por Mi Voz foi a aposta no jornalismo cidad\u00e3o e o uso da l\u00f3gica dos blogs para construir a rede de meios conectados com cada regi\u00e3o chilena em que est\u00e3o presentes. O momento atual, por\u00e9m, exige \u201cinovar com prop\u00f3sito para n\u00e3o morrer\u201d, segundo Dom\u00ednguez.<\/p>\n<p>Isso devido \u00e0 \u201cagonia do modelo de neg\u00f3cio publicit\u00e1rio\u201d, disse o gerente geral. Este \u00e9 o modelo que sustenta a rede, que \u201cn\u00e3o tem e nunca teve aportes do Estado ou de mecenas internacionais\u201d, afirmou. \u201cTudo foi feito por uma empresa atrav\u00e9s da venda de produtos e servi\u00e7os publicit\u00e1rios.\u201d<\/p>\n<p>A rede de di\u00e1rios online \u00e9 um dos ramos ao qual a empresa Mi Voz se dedica. Seus outros bra\u00e7os s\u00e3o um centro de estudos de redes sociais que trabalha com big data, uma ag\u00eancia de incid\u00eancia digital e uma \u00e1rea de inova\u00e7\u00e3o social e tecnol\u00f3gica, explicou Dom\u00ednguez. Segundo Rojo, apesar do objetivo de que cada unidade da empresa seja aut\u00f4noma, eles eventualmente precisam alocar fundos vindos dos outros ramos de atua\u00e7\u00e3o para subsidiar a rede de meios, \u201cquando a publicidade n\u00e3o alcan\u00e7a cobrir a totalidade\u201d dos custos. (Os fundadores de Mi Voz preferiram n\u00e3o abrir ao\u00a0<strong>Centro Knight<\/strong>\u00a0seus custos de opera\u00e7\u00e3o ou a receita anual via publicidade.)<\/p>\n<p>Aqui tamb\u00e9m a expans\u00e3o das redes sociais afeta Mi Voz, j\u00e1 que estas est\u00e3o ficando com a maior parte da torta publicit\u00e1ria que at\u00e9 poucos anos atr\u00e1s iria para meios como os da rede, comentou o editor geral Cristian Mena. \u201cEnt\u00e3o, se n\u00e3o mudamos o modelo para torn\u00e1-lo mais atraente e economicamente sustent\u00e1vel, pode ser que termine uma bela hist\u00f3ria e tenhamos que baixar a cortina\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para evitar que isso aconte\u00e7a, Mi Voz est\u00e1 testando alguns projetos-piloto que ajudem a responder a pergunta colocada por Dom\u00ednguez: \u201cComo fazer algo que aporte valor \u00e0 sociedade e como recuperar economicamente este valor?\u201d Como os projetos est\u00e3o em fase de testes, Dom\u00ednguez e Rojo preferiram n\u00e3o dar detalhes sobre o que consistem, mas deram pistas de que se trata n\u00e3o s\u00f3 de estabelecer novas fontes de renda como tamb\u00e9m experimentar novas maneiras de produzir e apresentar o conte\u00fado dos di\u00e1rios online.<\/p>\n<p>\u201cOs meios t\u00eam que ser entendidos como bens p\u00fablicos\u201d, disse Dom\u00ednguez, indicando que esse aspecto \u00e9 determinante nas transforma\u00e7\u00f5es em ato na rede Mi Voz. \u201cPode haver uma dimens\u00e3o privada, mas disponibilizado como bem p\u00fablico, como uma pra\u00e7a, a servi\u00e7o da comunidade, n\u00e3o do interesse do dono ou do financiador.\u201d<\/p>\n<p>Para Mena, \u201co maior desafio \u00e9 nos reinventar sem perder a linha hist\u00f3rica de Mi Voz, de ser uma \u00e1gora e um lugar de maior liberdade, de constru\u00e7\u00e3o, com a identidade do territ\u00f3rio\u201d. Nesse desafio est\u00e1 tamb\u00e9m a incorpora\u00e7\u00e3o de outros formatos, como gr\u00e1ficos, v\u00eddeos e memes, de maneira a \u201ccaptar muito melhor a aten\u00e7\u00e3o e informar de modo diferente, n\u00e3o apenas com a escrita, que tem sido nosso forte. Seguir sendo uma escola de l\u00edderes, mas com habilidades mais desenvolvidas, agora que os celulares facilitam muito\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas est\u00e3o movendo mundos em toda a ind\u00fastria de not\u00edcias, fortalecendo inclusive o jornalismo cidad\u00e3o que \u00e9 a base dos meios de Mi Voz. Mena encara esse fen\u00f4meno como uma \u201cvolta \u00e0s origens\u201d do jornalismo. \u201cEm sua origem, o jornalismo era um of\u00edcio, depois se profissionalizou e chegou \u00e0 c\u00e1tedra universit\u00e1ria\u201d, observou o editor.<\/p>\n<p>O jornalismo cidad\u00e3o, ent\u00e3o, coloca um desafio aos jornalistas profissionais, acredita ele. \u201cNoto com muitos colegas que a universidade prepara jornalistas para ser soldados e n\u00e3o engenheiros da comunica\u00e7\u00e3o. E este \u00e9 um grande desafio, que um meio tenha mais engenheiros da comunica\u00e7\u00e3o, jornalistas com habilidades filos\u00f3ficas, \u00e9ticas, sociol\u00f3gicas, porque ser\u00e1 exigido mais do que gerar conte\u00fado, como tamb\u00e9m administrar o conte\u00fado produzido pelos cidad\u00e3os. Hoje, com a tecnologia, o que resta aos profissionais da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 administr\u00e1-la muito melhor, para que seja uma contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade.\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>A s\u00e9rie\u00a0<a id=\"serie\" name=\"serie\"><\/a>\"Inovadores no\u00a0Jornalismo\", que \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as ao generoso apoio da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opensocietyfoundations.org\/\">Open Society Foundations<\/a>, abrange as tend\u00eancias e as melhores pr\u00e1ticas da m\u00eddia digital na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. Ele\u00a0continua\u00a0nossa s\u00e9rie anterior, transformada em\u00a0ebook,\u00a0<a href=\"http:\/\/knightcenter.utexas.edu\/ebook\/innovative-journalism-latin-america\">Jornalismo Inovador na Am\u00e9rica Latina<\/a>, ao analisar as pessoas e equipes\u00a0que\u00a0lideram iniciativas inovadoras de reportagem, narrativa, distribui\u00e7\u00e3o e financiamento na regi\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Nota do editor: Essa hist\u00f3ria foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Am\u00e9ricas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2018, o acesso \u00e0 internet e a possibilidade de se expressar por meio das diversas plataformas e redes sociais como blogs, Tumblr, Facebook e Twitter s\u00e3o quase fatos dados para uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o latino-americana.<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1217],"tags":[1435,1563,1604],"coauthors":[],"class_list":["post-48146","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-inovacao-pt-br","tag-chile-pt-br","tag-colaboracao-pt-br","tag-jornalismo-regional-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v22.6 (Yoast SEO v27.1.1) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Rede chilena Mi Voz prop\u00f5e \u2018\u00e1gora do s\u00e9culo 21\u2019 com jornalismo cidad\u00e3o e cobertura regional - LatAm Journalism Review by the Knight Center<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Rede chilena Mi Voz prop\u00f5e \u2018\u00e1gora do s\u00e9culo 21\u2019 com jornalismo cidad\u00e3o e cobertura regional Inova\u00e7\u00e3o. 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She holds a master's degree in Women\u2019s and Gender Studies from the GEMMA Programme \u2013 Universit\u00e0 di Bologna (Italy) \/ Universiteit Utrecht (The Netherlands) and has worked as an editor at G\u00eanero e N\u00famero, a Brazilian digital magazine focused on data journalism and gender issues. She is especially interested in journalistic initiatives aimed at promoting human rights and gender justice. You can find her on Twitter: @caroldeassis _________ Carolina de Assis es una periodista e investigadora brasile\u00f1a que vive en Juiz de Fora, MG, Brasil . Tiene una maestr\u00eda en Estudios de las Mujeres y de G\u00e9nero del programa GEMMA \u2013 Universit\u00e0 di Bologna (Italia) \/ Universiteit Utrecht (Holanda). Trabaj\u00f3 como editora en la revista digital brasile\u00f1a G\u00eanero e N\u00famero. Le interesan especialmente iniciativas period\u00edsticas que tienen el objetivo de promover los derechos humanos y la justicia de g\u00e9nero. Puedes encontrarla en Twitter: @caroldeassis. _______ Carolina de Assis \u00e9 uma jornalista e pesquisadora brasileira que vive em Juiz de Fora (MG). \u00c9 mestra em Estudos da Mulher e de G\u00eanero pelo programa GEMMA \u2013 Universit\u00e0 di Bologna (It\u00e1lia) \/ Universiteit Utrecht (Holanda). Trabalhou como editora na revista digital G\u00eanero e N\u00famero e se interessa especialmente por iniciativas jornal\u00edsticas que promovam os direitos humanos e a justi\u00e7a de g\u00eanero. 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