{"id":60427,"date":"2022-07-05T14:14:34","date_gmt":"2022-07-05T19:14:34","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=60427"},"modified":"2022-07-06T12:22:00","modified_gmt":"2022-07-06T17:22:00","slug":"pesquisa-traca-perfil-do-jornalista-brasileiro-e-aponta-avanco-da-precarizacao-do-trabalho-jornalistico-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/pesquisa-traca-perfil-do-jornalista-brasileiro-e-aponta-avanco-da-precarizacao-do-trabalho-jornalistico-no-brasil\/","title":{"rendered":"Pesquisa tra\u00e7a perfil do jornalista brasileiro e aponta avan\u00e7o da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho jornal\u00edstico no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>A pesquisa\u00a0<a href=\"https:\/\/perfildojornalista.ufsc.br\/\">\u201cPerfil do Jornalista Brasileiro 2021\u201d<\/a> ouviu cerca de 7 mil jornalistas entre agosto e outubro do ano passado para tra\u00e7ar um retrato atual do profissional de jornalismo no Brasil. O\u00a0<a href=\"https:\/\/perfildojornalista.paginas.ufsc.br\/files\/2022\/06\/RelatorioPesquisaPerfilJornalistas2022x2.pdf\">relat\u00f3rio final<\/a> da pesquisa, lan\u00e7ado na \u00faltima semana de junho, aponta transforma\u00e7\u00f5es e continuidades no cen\u00e1rio jornal\u00edstico no pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/perfildojornalista.paginas.ufsc.br\/files\/2013\/04\/Perfil-do-jornalista-brasileiro-Sintese.pdf\">primeira edi\u00e7\u00e3o da pesquisa<\/a>, realizada em 2012. Entre elas, o avan\u00e7o da precariza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o nos \u00faltimos dez anos, evidenciado por baixos sal\u00e1rios, longas jornadas de trabalho e aumento das formas prec\u00e1rias de v\u00ednculo empregat\u00edcio.<\/p>\n<p>\u201cOs dados da pesquisa \u2018gritam\u2019 para n\u00f3s que a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho jornal\u00edstico avan\u00e7ou significativamente a partir de v\u00e1rios indicadores\u201d, disse Samuel Pantoja Lima, coordenador-geral da pesquisa e professor na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), \u00e0\u00a0<strong>LatAm Journalism Review (LJR)\u00a0<\/strong><i>[leia abaixo a entrevista completa].<\/i><\/p>\n<p>Se em 2012 60% dos jornalistas que responderam \u00e0 pesquisa tinham carteira assinada, em 2021 este \u00edndice caiu para 45,8%. Profissionais trabalhando como freelancers, prestadores de servi\u00e7os sem contrato, pessoa jur\u00eddica e microempreendedor individual (MEI) s\u00e3o 24% dos jornalistas. A jornada de trabalho fica acima das oito horas di\u00e1rias para 42,2% dos jornalistas, com 3,2% afirmando trabalhar mais de 13 horas por dia.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 renda do trabalho como jornalista, a faixa salarial entre R$ 5.500 e R$ 11.000 foi a mais citada (27%). No entanto, 57,9% dos jornalistas disseram receber menos de R$ 5.500, selecionando as faixas salariais at\u00e9 este valor. Apenas 40,1% dos respondentes disseram que sua renda \u00e9 suficiente para sempre cobrir as despesas do m\u00eas, enquanto 23,9% disseram que s\u00f3 \u201c\u00e0s vezes\u201d isso \u00e9 poss\u00edvel. E 36,1% disseram que sua renda mensal n\u00e3o \u00e9 suficiente, e ent\u00e3o ficam devendo, se viram com trabalhos extras ou contam com a ajuda de outras pessoas para fechar as contas do m\u00eas.<\/p>\n<p>Entre os indicadores de sa\u00fade laboral, 66,2% disseram se sentir estressados no trabalho, 34% disseram j\u00e1 ter sido diagnosticados com estresse e 20,1% j\u00e1 foram diagnosticados com algum transtorno mental relacionado ao trabalho. Sobre ass\u00e9dio no trabalho, 40,6% disseram j\u00e1 ter sofrido ass\u00e9dio moral e 51,9% presenciaram um colega sofrer ass\u00e9dio moral, enquanto 11,1% j\u00e1 sofreram ass\u00e9dio sexual e 18% presenciaram colega ser assediado sexualmente no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Estes e outros indicadores mapeados pela pesquisa que apontam para condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias no trabalho de grande parte dos jornalistas brasileiros tamb\u00e9m t\u00eam impacto no exerc\u00edcio \u00e9tico do jornalismo. Questionados sobre a exist\u00eancia de fatores que impedem os profissionais de exercer o jornalismo eticamente, \u201cpress\u00e3o de anunciantes, patr\u00f5es, governos ou outros\u201d (64,3%), \u201csobrecarga de trabalho e falta de tempo\u201d (38,4%) e \u201cdesest\u00edmulo e dificuldades no local de trabalho\u201d (30,8%) foram os impedimentos mais citados.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante lembrar que entre o estudo original e sua atualiza\u00e7\u00e3o, n\u00f3s tivemos muitos acontecimentos que contribu\u00edram para deteriora\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, em geral, no Brasil: a reforma trabalhista de 2017, a instabilidade pol\u00edtica (impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016), crise econ\u00f4mica, a implanta\u00e7\u00e3o da agenda neoliberal, e tudo isso afetou o mercado de trabalho como um todo \u2013 e seus resultados tamb\u00e9m incidiram sobre o mercado de trabalho do jornalismo brasileiro\u201d, disse Lima.<\/p>\n<p>Para o pesquisador, um dos valores da pesquisa \u00e9 que ela pode informar a a\u00e7\u00e3o organizada de jornalistas para reverter este panorama. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil reverter o cen\u00e1rio de precariza\u00e7\u00e3o com engajamentos individuais. Este n\u00e3o \u00e9 um desafio apenas dos jornalistas, mas da classe trabalhadora, \u00e9 preciso reinventar constantemente as formas de organiza\u00e7\u00e3o e desenvolver a pot\u00eancia em defesa do Jornalismo \u2013 como profiss\u00e3o e forma social de conhecimento\u201d, afirmou.<\/p>\n<h3>Menos mulheres, mais pessoas negras<\/h3>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m levantou dados demogr\u00e1ficos sobre os jornalistas brasileiros, e constatou que, assim como dez anos atr\u00e1s, a categoria segue sendo majoritariamente formada por mulheres (58%), pessoas brancas (68%), solteiras (53%), com at\u00e9 40 anos (59,3%) e moradoras da regi\u00e3o Sudeste do pa\u00eds (61,5%). No entanto, um dado importante em compara\u00e7\u00e3o com a primeira edi\u00e7\u00e3o da pesquisa \u00e9 que a parcela de homens cresceu seis pontos percentuais nos \u00faltimos dez anos: eles passaram de 36% para 42% dos jornalistas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Outra mudan\u00e7a significativa \u00e9 o aumento de sete pontos percentuais na presen\u00e7a de jornalistas negros: de 23% em 2012 para 30% em 2021. Para Lima, trata-se de um resultado, \u201cprovavelmente, da combina\u00e7\u00e3o entre cotas nas universidades, a\u00e7\u00f5es por mais diversidade no mercado e autoidentifica\u00e7\u00e3o impulsionada pelo avan\u00e7o das lutas antirracistas na sociedade na \u00faltima d\u00e9cada\u201d. J\u00e1 as pessoas ind\u00edgenas representam apenas 0,4% dos jornalistas, o mesmo percentual encontrado na primeira edi\u00e7\u00e3o da pesquisa.<\/p>\n<p>Leia abaixo a entrevista completa com o pesquisador Samuel Pantoja Lima, coordenador-geral da pesquisa \u201cPerfil do Jornalista Brasileiro 2021\u201d.<\/p>\n<p><strong>LJR: Por que a pesquisa \u201cPerfil do Jornalista Brasileiro\u201d \u00e9 importante?<\/strong><\/p>\n<p><strong>SPL:\u00a0<\/strong>A pesquisa \u00e9 importante porque \u00e9 o levantamento mais sistem\u00e1tico da condi\u00e7\u00e3o atual das\/os jornalistas brasileiros. \u00c9 o estudo mais sistem\u00e1tico (com s\u00f3lida base estat\u00edstica) e mais representativo de todo o territ\u00f3rio nacional \u2013 foram mais de 7 mil respondentes, de todas as Unidades da Federa\u00e7\u00e3o e do Distrito Federal. \u00c9 tamb\u00e9m uma pesquisa que est\u00e1 em sua segunda edi\u00e7\u00e3o, e da primeira para a atual edi\u00e7\u00e3o n\u00f3s aperfei\u00e7oamos os m\u00e9todos e tornando o levantamento cada vez mais preciso, a despeito das dificuldades de mapear uma categoria que n\u00e3o tem um centro de registro como um Conselho Profissional, por exemplo. Nesse sentido, a pesquisa \u00e9 uma refer\u00eancia indispens\u00e1vel tanto para quem organiza a categoria (Sindicatos, Federa\u00e7\u00e3o Nacional e Associa\u00e7\u00f5es Profissionais) quanto para quem estuda, cientificamente, os jornalistas ou forma esses profissionais. Em \u00faltima an\u00e1lise \u00e9 relevante para ativistas, agentes pol\u00edticos, agentes p\u00fablicos, pesquisadores\/as, docentes da \u00e1rea do jornalismo.<\/p>\n<div id=\"attachment_60443\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-60443\" class=\"size-medium wp-image-60443\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/SamuelPantojaLimaUFSC-200x300.jpeg\" alt=\"Professor Samuel Pantoja Lima standing and looking and smiling at the camera\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/SamuelPantojaLimaUFSC-200x300.jpeg 200w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/SamuelPantojaLimaUFSC-682x1024.jpeg 682w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/SamuelPantojaLimaUFSC-768x1154.jpeg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/SamuelPantojaLimaUFSC.jpeg 852w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><p id=\"caption-attachment-60443\" class=\"wp-caption-text\">Samuel Pantoja Lima, coordenador-geral da pesquisa. (Arquivo pessoal)<\/p><\/div>\n<p><strong>O que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o de voc\u00eas nos dados coletados nesta edi\u00e7\u00e3o da pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p>Numa brev\u00edssima s\u00edntese (afinal temos mais de 100 tabelas com dados do estudo), eu diria que um dos dados mais significativos foi o aumento na presen\u00e7a de pessoas negras entre jornalistas no Brasil: de 23% em 2012 para 30% em 2021; resultante, provavelmente, da combina\u00e7\u00e3o entre cotas nas universidades, a\u00e7\u00f5es por mais diversidade no mercado e autoidentifica\u00e7\u00e3o impulsionada pelo avan\u00e7o das lutas antirracistas na sociedade na \u00faltima d\u00e9cada. Em segundo lugar, \u00e9 relevante o incremento da participa\u00e7\u00e3o de homens no mercado de trabalho, num contexto de desemprego e crise econ\u00f4mica. O estudo constata que jornalistas no Brasil ainda s\u00e3o majoritariamente mulheres (58%), brancas (68%), solteiras (53%), com at\u00e9 40 anos, um perfil que mudou pouco em rela\u00e7\u00e3o ao levantamento de nove anos antes. Contudo, se a profiss\u00e3o continua majoritariamente feminina, a participa\u00e7\u00e3o de mulheres se reduziu em seis pontos em compara\u00e7\u00e3o ao estudo anterior (64%): a presen\u00e7a masculina cresceu de 36% para 42%, revertendo em parte o movimento de feminiza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o constatado em pesquisas anteriores. Por \u00faltimo, o jornalismo paga pouco a profissionais de forma\u00e7\u00e3o elevada. A renda mensal de 60% dos jornalistas \u00e9 inferior a R$ 5,5 mil por m\u00eas e apenas 12% recebem acima de R$ 11 mil. O dado contrasta com a escolaridade dos\/as jornalistas brasileiros: 42,3% t\u00eam ensino superior completo, outros 28,6% fizeram especializa\u00e7\u00e3o (p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o lato sensu), al\u00e9m de 14,7% que t\u00eam mestrado.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os pontos mais significativos nos quais o cen\u00e1rio mapeado em 2021 mais se distancia daquele mapeado em 2012? E quais s\u00e3o os que se mantiveram? E como voc\u00eas avaliam estas perman\u00eancias e mudan\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s continuidades e distanciamentos, entre o primeiro estudo (2012) e o atual (2021), acho que podemos enfatizar como principal continuidade a din\u00e2mica de precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es do mercado de trabalho jornal\u00edstico. \u00c9 importante lembrar que entre o estudo original e sua atualiza\u00e7\u00e3o, n\u00f3s tivemos muitos acontecimentos que contribu\u00edram para deteriora\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, em geral, no Brasil: a reforma trabalhista de 2017, a instabilidade pol\u00edtica (impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016), crise econ\u00f4mica, a implanta\u00e7\u00e3o da agenda neoliberal, tudo isso afetou o mercado de trabalho como um todo \u2013 e seus resultados tamb\u00e9m incidiram sobre o mercado de trabalho do jornalismo brasileiro. Ent\u00e3o, avalio que essa \u00e9 uma continuidade importante. Igualmente d\u00e1 para observar como continuidade o incremento da presen\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o negra entre as\/os jornalistas (saiu de 23%, em 2012, para 30%, em 2021); isso era algo esperado como efeito das pol\u00edticas p\u00fablicas de inclus\u00e3o social e racial, combinadas com a autoidentifica\u00e7\u00e3o por ra\u00e7a (fruto da mobiliza\u00e7\u00e3o antirracista), de modo que essa \u00e9 uma continuidade relevante. Outra que \u00e9 mudan\u00e7a, mas tamb\u00e9m continuidade, \u00e9 a que se refere \u00e0 diversifica\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o, quer dizer, o jornalismo \u00e9 cada vez mais miscigenado \u2013 como temos afirmado \u2013 operando cada vez menos em formatos \u201cpuros\u201d do tipo s\u00f3 assessoria de imprensa ou s\u00f3 jornalismo (apura\u00e7\u00e3o, reportagem etc.) e cada vez mais em interfaces tanto com v\u00e1rias possibilidades ou nuances do trabalho jornal\u00edstico quanto em variadas conex\u00f5es com outras de atividades profissionais.<\/p>\n<p><strong>O que os resultados da pesquisa dizem sobre a situa\u00e7\u00e3o atual das e dos jornalistas brasileiros?<\/strong><\/p>\n<p>De forma complementar \u00e0 quest\u00e3o 2, podemos destacar que a profiss\u00e3o de jornalista no Brasil hoje est\u00e1 submetida a uma esp\u00e9cie de \u201cbomba rel\u00f3gio\u201d, do ponto de vista da precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e do agravamento da sa\u00fade laboral. Os dados da pesquisa \u201cgritam\u201d para n\u00f3s que a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho jornal\u00edstico avan\u00e7ou significativamente a partir de v\u00e1rios indicadores. Nos tipos de contrata\u00e7\u00e3o, caiu o volume de v\u00ednculos CLT (de 60%, em 2012, para 45,8% no atual estudo), um prov\u00e1vel efeito da reforma trabalhista, e as formas prec\u00e1rias chegam a 24% (frilas, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os sem contrato, PJ e MEI). Outro dado alarmante vem da jornada de trabalho: o percentual de jornalistas com carga di\u00e1ria superior a 8h permanece elevado (42,2%) e 3,2% dos respondentes afirmaram trabalhar mais de 13h\/dia \u2013 considerando o agravante de que 60% dos\/as jornalistas brasileiros t\u00eam menos de 40 anos. Em s\u00edntese, em termos de sa\u00fade laboral temos um grave quadro de indicadores: a) 66,2% se sentem estressados\/as no trabalho (enquanto 33,8% responderam n\u00e3o); b) 34,1% j\u00e1 foram diagnosticados\/as com estresse (contra 65,9% que responderam negativamente); c) 20,1% j\u00e1 foram diagnosticados\/as com algum transtorno mental relacionado ao trabalho e outros 31,4% receberam indica\u00e7\u00e3o para tomar antidepressivos; d) cerca de 20% t\u00eam diagn\u00f3stico de LER\/DORT; e, por fim, e) 40% dos\/as profissionais afirmaram j\u00e1 ter sofrido ass\u00e9dio moral e 11%, ass\u00e9dio sexual.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 a reconfigura\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, conforme os dados da pesquisa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.atlas.jor.br\/\">Atlas da Not\u00edcia<\/a>, que citamos no relat\u00f3rio final do Perfil: houve um importante crescimento dos \u201carranjos alternativos e independentes \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es de m\u00eddia hegem\u00f4nicas\u201d (segundo a pesquisa \u201cAtlas da Not\u00edcia, 2020\u201d, entre 2019 e 2020 foram criados 1.170 novos ve\u00edculos digitais de jornalismo), mas eles envolvem cerca de 10% dos profissionais que atuam em m\u00eddias.<\/p>\n<p><strong>Que impacto voc\u00ea gostaria que esta pesquisa tivesse na vida das e dos jornalistas brasileiros e no ambiente jornal\u00edstico no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, que ela vai continuar contribuindo para o aperfei\u00e7oamento dos estudos sobre os jornalistas no pa\u00eds, especialmente nos trabalhos no \u00e2mbito da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadores\/as em Jornalismo (SBPJor), notadamente na Rede de Estudos sobre Identidade e Profiss\u00e3o dos Jornalistas (RETIJ), que articula dezenas de pesquisadores em n\u00edvel nacional, como tamb\u00e9m da INTERCOM, COMP\u00d3S e outras entidades que congregam as\/os pesquisadores do campo do jornalismo e da comunica\u00e7\u00e3o. Em segundo lugar, a pesquisa pode contribuir para a organiza\u00e7\u00e3o dos jornalistas, ou seja, sindicatos, associa\u00e7\u00f5es, Federa\u00e7\u00e3o Nacional \u2013 FENAJ podem tomar os dados como refer\u00eancia para refinar suas estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o. Em terceiro lugar, para os jornalistas que tiverem acesso aos dados, eles e elas podem definir melhor suas estrat\u00e9gias individuais de carreira e trajet\u00f3ria, como tamb\u00e9m perceberem a import\u00e2ncia da a\u00e7\u00e3o coletiva para reivindicar melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, sal\u00e1rios, sa\u00fade laboral etc. \u00c9 muito dif\u00edcil reverter o cen\u00e1rio de precariza\u00e7\u00e3o com engajamentos individuais. Este n\u00e3o \u00e9 um desafio apenas dos jornalistas, mas da classe trabalhadora, \u00e9 preciso reinventar constantemente as formas de organiza\u00e7\u00e3o e desenvolver a pot\u00eancia em defesa do Jornalismo \u2013 como profiss\u00e3o e forma social de conhecimento.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas pretendem manter a periodicidade da pesquisa, realizando uma nova edi\u00e7\u00e3o daqui a 10 anos?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, a ideia \u00e9 manter essa periodicidade de uma d\u00e9cada, porque consideramos um per\u00edodo mais fecundo para a observa\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as e perman\u00eancias no Jornalismo. Deste modo, a pr\u00f3xima rodada ser\u00e1 em 2031.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesquisa \u201cPerfil do Jornalista Brasileiro 2021\u201d ouviu cerca de 7 mil jornalistas entre agosto e outubro do ano passado para tra\u00e7ar um retrato atual do profissional de jornalismo no Brasil. O relat\u00f3rio final da pesquisa aponta transforma\u00e7\u00f5es e continuidades no cen\u00e1rio jornal\u00edstico no pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira edi\u00e7\u00e3o da pesquisa, realizada em 2012. 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