{"id":65852,"date":"2022-08-23T11:56:38","date_gmt":"2022-08-23T16:56:38","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=65852"},"modified":"2022-08-23T11:56:38","modified_gmt":"2022-08-23T16:56:38","slug":"o-impacto-humano-da-falta-de-diversidade-nas-redacoes-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/o-impacto-humano-da-falta-de-diversidade-nas-redacoes-brasileiras\/","title":{"rendered":"O impacto humano da falta de diversidade nas reda\u00e7\u00f5es brasileiras"},"content":{"rendered":"<p><i>*Por Luiz Fernando Boaventura Teixeira, publicado originalmente no site do\u00a0<\/i><a href=\"https:\/\/reutersinstitute.politics.ox.ac.uk\/human-impact-lack-diversity-brazilian-newsrooms?s=08\"><i>Instituto Reuters<\/i><\/a><\/p>\n<p>No Brasil, onde 43,2% da popula\u00e7\u00e3o se identifica como branca e 55,7% como negra, as reda\u00e7\u00f5es s\u00e3o compostas por 77% de funcion\u00e1rios brancos.<\/p>\n<p>Para medir o impacto humano da representa\u00e7\u00e3o racial nas reda\u00e7\u00f5es brasileiras, criei um question\u00e1rio, pedindo dados biogr\u00e1ficos b\u00e1sicos e convidando os jornalistas a indicarem se gostariam de falar mais sobre suas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Recebi 61 respostas ao meu question\u00e1rio e realizei 32 entrevistas longas em abril de 2022. A amostra de 61 incluiu 27 homens e 34 mulheres trabalhando para emissoras de TV, emissoras de r\u00e1dio, jornais, sites e revistas \u2013 principalmente como rep\u00f3rteres, alguns freelancers e alguns em cargos de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>A representa\u00e7\u00e3o racial incluiu 52,5% brancos, 41% negros e 6,6% amarelos. Infelizmente, nenhum rep\u00f3rter ind\u00edgena me respondeu.<\/p>\n<p>Dois grandes temas surgiram durante as entrevistas: o efeito da falta de diversidade na produ\u00e7\u00e3o de not\u00edcias e o efeito da falta de diversidade nos pr\u00f3prios jornalistas.<\/p>\n<h3>O impacto da produ\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Sabemos pela\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/abs\/10.1177\/107769905002700403\">teoria do gatekeeping<\/a> que as reda\u00e7\u00f5es s\u00e3o mediadoras da informa\u00e7\u00e3o \u2013 filtrando-a atrav\u00e9s de suas pr\u00f3prias vis\u00f5es e experi\u00eancias vividas. Empregar editores e jornalistas com o mesmo background resultar\u00e1 em uma cobertura que reflete o que um grupo demogr\u00e1fico pensa. Meus entrevistados disseram:<\/p>\n<p><em>\"A diversidade \u00e9 praticamente inexistente, n\u00e3o s\u00f3 racial. As reda\u00e7\u00f5es aqui s\u00e3o compostas predominantemente por homens heterossexuais cisg\u00eaneros brancos, geralmente da classe alta, e os que desempenham fun\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o s\u00e3o [apenas] vers\u00f5es mais antigas das mesmas\".\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\"As pessoas nas reda\u00e7\u00f5es brasileiras simplesmente n\u00e3o compreendem porque \u00e9 que movimentos como o Black Lives Matter s\u00e3o noticiosos, por exemplo\".<\/em><\/p>\n<p><em>\"Acredito que estamos sempre reproduzindo algum tipo de estere\u00f3tipo racista e que as pessoas n\u00e3o pretendem realmente mud\u00e1-lo dentro da reda\u00e7\u00e3o\".<\/em><\/p>\n<p>Stuart Hall [te\u00f3rico cultural e soci\u00f3logo brit\u00e2nico] estudou os efeitos da representa\u00e7\u00e3o na m\u00eddia em \u201cO Espet\u00e1culo do \u2018Outro\u2019\u201d: \u201cA estereotipagem reduz, essencializa, naturaliza e corrige a 'diferen\u00e7a'\u201d, escreveu ele. Isso tem sido objeto de estudo brasileiro h\u00e1 anos: a pesquisadora\u00a0<a href=\"https:\/\/www.revistas.usp.br\/revusp\/article\/view\/26031\">Solange de Couceiro<\/a> constatou: \u201cjornalistas [...] s\u00e3o socializados de forma a [...] absorver, acreditar e defender a ideia de democracia racial. Portanto, as manifesta\u00e7\u00f5es de preconceito e racismo que eles transmitem [...] atuam de forma eficiente na produ\u00e7\u00e3o do racismo brasileiro.\u201d<\/p>\n<p>Os jornalistas com quem conversei sentiram que as coisas poderiam ser diferentes se houvesse mais diversidade racial nas posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a:<\/p>\n<p><em>\"Uma vez escrevi uma reportagem que s\u00f3 ganhou aten\u00e7\u00e3o porque minha editora, uma mulher negra, disse pessoalmente que o \u00e2ngulo adequado deveria ser sobre a ra\u00e7a e n\u00e3o apenas colocou isso na capa do jornal, mas tamb\u00e9m pressionou para uma manchete que n\u00e3o poupasse palavras. Eu nunca tinha visto nada assim na m\u00eddia\".<\/em><\/p>\n<p>Eu pedi aos jornalistas que registrassem com quantos editores n\u00e3o-brancos eles trabalharam. A maioria (57,1%) nunca teve, 22,9% trabalharam com um, 14,3% trabalharam com dois e 5,7% trabalharam com tr\u00eas.<\/p>\n<p>Como trabalhar para editores brancos impactou o trabalho dos jornalistas nas reda\u00e7\u00f5es? Minha amostra relatou:<\/p>\n<p><em>\u201cHouve uma ocasi\u00e3o em que minha chefe \u2013 uma mulher branca \u2013 amea\u00e7ou demitir-se de seu emprego porque seu pr\u00f3prio chefe queria cancelar uma reportagem inteira que continha quatro negros e que foi rotulada como \u2018muito ativista\u2019 para ser publicada. Meses mais tarde, minha equipe e eu recebemos um aviso de que est\u00e1vamos publicando muitas hist\u00f3rias \u2018sobre minorias\u2019\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\"Fiz um especial multim\u00eddia sobre racismo no local de trabalho e basicamente tive que fazer tudo sozinho porque meus chefes n\u00e3o me davam recursos para ir pessoalmente a lugares ou me deixavam ter um operador de c\u00e2mera para gravar as entrevistas. Eles achavam que n\u00e3o era t\u00e3o importante assim. Entretanto, depois que foi lan\u00e7ado e teve grandes elogios e reconhecimento positivo, foi vendido como um esfor\u00e7o da empresa, o que foi uma mentira\".<\/em><\/p>\n<p><em>\"Meu chefe aparentemente nunca notou que quase todas as fontes que us\u00e1vamos eram homens brancos velhos, e ficou confuso quando lhe apontamos isso. Ele aparentemente n\u00e3o achava que era um problema porque \u2018n\u00e3o dever\u00edamos escolher nossas fontes\u2019, mas reclamou conosco quando us\u00e1vamos aspas que n\u00e3o eram de fontes que ele j\u00e1 conhecia\".<\/em><\/p>\n<p>Meus entrevistados mencionaram que um impacto da sub-representa\u00e7\u00e3o nas reda\u00e7\u00f5es foi o desenvolvimento do tokenismo nas atribui\u00e7\u00f5es, em que os jornalistas negros se tornaram respons\u00e1veis por todas as hist\u00f3rias sobre ra\u00e7a, porque \u201celes eram os \u00fanicos l\u00e1\u201d. Falando sobre a cobertura durante o Dia da Consci\u00eancia Negra, os jornalistas me disseram:<\/p>\n<p><em>\"Todos os anos, em novembro, eles se aproximam de mim e pedem para fazer algo especial, apesar de eu cobrir Economia e n\u00e3o estar confort\u00e1vel com este assunto\".<\/em><\/p>\n<p><em>\"Houve um ano espec\u00edfico em que nossa reda\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha absolutamente nada preparado para o Dia da Consci\u00eancia Negra. No entanto, nosso principal competidor fez um especial sobre isso no dia anterior, e nossos editores entraram em p\u00e2nico. Ent\u00e3o, era eu \u2013 literalmente a \u00fanica pessoa n\u00e3o branca na reda\u00e7\u00e3o \u2013 que tinha a responsabilidade de fazer algo (qualquer coisa!) com um dia de aviso pr\u00e9vio, s\u00f3 porque eles n\u00e3o queriam parecer mal\".<\/em><\/p>\n<h3>Impacto humano<\/h3>\n<p><em>\"\u00c9 frustrante trabalhar em um ambiente com a maioria das pessoas brancas\".<\/em> Voc\u00ea n\u00e3o vai se surpreender ao ler que um dos meus entrevistados disse isso. Voc\u00ea pode se surpreender ao saber que o entrevistado que disse que era branco. Sim, o impacto humano da sub-representa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m afeta os jornalistas brancos. Embora o impacto nos negros e amarelos v\u00e1 muito al\u00e9m da mera frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os entrevistados relataram hist\u00f3rias sobre micro agress\u00f5es e acesso limitado que tiveram\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1177\/0163278714550860\">impactos de longo alcance na sa\u00fade mental<\/a>.<\/p>\n<p>Coment\u00e1rios sobre a apar\u00eancia f\u00edsica, e especificamente sobre o cabelo dos negros, foram compartilhados comigo com mais frequ\u00eancia:<\/p>\n<p><em>\"Quando decidi tran\u00e7ar meu cabelo, me tornei a piada da reda\u00e7\u00e3o. At\u00e9 meu chefe se sentia \u00e0 vontade para dizer coisas como \u2018a\u00ed vem neg\u00e3o de verdade\u2019, e todos riam. Eles nunca me respeitaram\".<\/em><\/p>\n<p><em>\"Uma vez fui convidada para uma reuni\u00e3o importante com a diretoria. Vesti-me para impressionar, mas assim que a reuni\u00e3o terminou, disseram que eu deveria ter mais cuidado com a minha apar\u00eancia. Demorei algum tempo para entender que o problema era que eu decidi usar meus cabelos naturalmente cacheados em vez de alis\u00e1-los\".<\/em><\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o frequente relacionada foi que eles foram confundidos com algu\u00e9m que trabalhava como zelador ou motorista da empresa, n\u00e3o como jornalista.<\/p>\n<p><em>\"Eu n\u00e3o tenho nada contra essas profiss\u00f5es, mas n\u00e3o posso deixar de me sentir humilhado quando meus colegas n\u00e3o s\u00e3o capazes de me ver como igual a eles\".\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Isso acontece dentro do local de trabalho e fora quando eles est\u00e3o trabalhando.<\/p>\n<p><em>\"Sempre que tinha que ir cobrir algo em um tribunal, tinha que ter certeza de estar bem vestido para poder entrar, mesmo com minhas credenciais de imprensa. Por outro lado, meu colega branco andava por a\u00ed vestindo uma camiseta rasgada de heavy metal e jeans com buracos e nunca teve que se preocupar com isso\".<\/em><\/p>\n<p><em>\"Uma fonte me disse que eu n\u00e3o parecia um jornalista s\u00f3 porque sou Amarelo. H\u00e1 este estigma de que os asi\u00e1ticos s\u00f3 deveriam ser bons em matem\u00e1tica e ele pensou que estava me elogiando por causa da minha apar\u00eancia e n\u00e3o me levou a s\u00e9rio \u2013 eu tamb\u00e9m j\u00e1 senti isso dentro da reda\u00e7\u00e3o\".<\/em><\/p>\n<p>Meus entrevistados falaram com frequ\u00eancia do impacto de trabalhar em um espa\u00e7o predominantemente branco. O conceito de \u201c<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.4018\/978-1-7998-3652-0.ch005\">Institui\u00e7\u00f5es Predominantemente Brancas<\/a>\u201d (PWIs, na sigla em ingl\u00eas) foi cunhado para descrever as institui\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos cujas hist\u00f3rias, pol\u00edticas, pr\u00e1ticas e ideologias centram a branquitude. PWIs tendem a marginalizar as identidades, perspectivas e pr\u00e1ticas das \u201cpessoas de cor\u201d.<\/p>\n<p><em>\"Voc\u00ea v\u00ea pelos olhares, pelas prefer\u00eancias. Eu noto que n\u00e3o sou, digamos, uma 'prioridade' para as fontes. Eles geralmente preferem falar com aquelas pessoas que s\u00e3o brancas, mesmo quando s\u00e3o novas na cobertura e n\u00e3o t\u00eam um relacionamento\".<\/em><\/p>\n<p>Esses \u201colhares\u201d e coment\u00e1rios podem ser classificados como \u201c<a href=\"https:\/\/hbr.org\/2022\/03\/we-need-to-retire-the-term-microaggressions\">microagress\u00f5es<\/a>\u201d: termo cunhado pelo psiquiatra afro-americano Chester Pierce para descrever a rela\u00e7\u00e3o entre as intera\u00e7\u00f5es entre negros e brancos. \u201cMicroagress\u00f5es s\u00e3o indignidades verbais, comportamentais ou ambientais di\u00e1rias, breves e corriqueiras, intencionais ou n\u00e3o, que comunicam insultos e insultos hostis, depreciativos ou negativos a pessoas que n\u00e3o s\u00e3o classificadas dentro do padr\u00e3o 'normativo'. Os perpetradores de microagress\u00f5es muitas vezes n\u00e3o sabem que se envolvem em tais comunica\u00e7\u00f5es quando interagem com pessoas que diferem de si mesmos\u201d.<\/p>\n<p>Ruchika Tulshyan, escrevendo na\u00a0<a href=\"https:\/\/hbr.org\/2022\/03\/we-need-to-retire-the-term-microaggressions\">Harvard Business Review<\/a>, disse que o termo n\u00e3o consegue capturar os \u201cefeitos emocionais e materiais ou como isso impacta [...] a progress\u00e3o na carreira\u201d. Ela acrescentou: \u201cExperimentar o que conhecemos como microagress\u00f5es pode ser t\u00e3o prejudicial, se n\u00e3o mais, do que formas mais evidentes de racismo\u201d.<\/p>\n<p>Meus entrevistados tamb\u00e9m falaram da luta para\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1108\/JWL-06-2018-0081\">desenvolver um sentimento de pertencimento<\/a> no local de trabalho. Um de meus entrevistados colocou dessa forma:<\/p>\n<p><em>\"Sempre me senti muito deslocado na reda\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o tinha a mesma forma\u00e7\u00e3o que eles. Era comum meus colegas falarem de viagens ao exterior que eu nunca havia feito, por exemplo, ou falado de um professor que todos eles tinham na faculdade. Eu nunca pude realmente me misturar\".<\/em><\/p>\n<p>No artigo \u201cA Question of Belonging: Race, Social Fit, and Achievement\u201d, de Gregory Walton e Geoffrey Cohen (2007), eles escrevem: \u201cUma das perguntas mais importantes que as pessoas se fazem ao decidir entrar, continuar ou abandonar uma busca \u00e9: \u2018Eu perten\u00e7o?\u2019 Entre os indiv\u00edduos socialmente estigmatizados, essa quest\u00e3o pode ser visitada e revisitada. A estigmatiza\u00e7\u00e3o pode criar uma incerteza global sobre a qualidade dos la\u00e7os sociais de algu\u00e9m nos dom\u00ednios acad\u00eamico e profissional \u2013 um estado de incerteza de pertencimento. Como consequ\u00eancia, eventos que amea\u00e7am a conex\u00e3o social de algu\u00e9m, embora vistos como menores por outros indiv\u00edduos, podem ter\u00a0<i>grandes efeitos sobre a motiva\u00e7\u00e3o<\/i> daqueles que lutam com uma identidade social amea\u00e7ada\u201d.<\/p>\n<p>Eu destaquei\u00a0<i>\u201cgrandes efeitos na motiva\u00e7\u00e3o\u201d<\/i> porque isso, para mim, \u00e9 fundamental. Alguns dos que entrevistei desistiram de trabalhar em reda\u00e7\u00f5es porque n\u00e3o se sentiam representados ali e n\u00e3o tinham esperan\u00e7a de que o cen\u00e1rio mudasse.<\/p>\n<p><em>\"H\u00e1 pelo menos 5 ou 6 anos eu venho dizendo que estou deixando a reda\u00e7\u00e3o. Eu estava realmente me preparando para fazer algo diferente, sabe? Deixar o Brasil, mudar de \u00e1rea, porque eu j\u00e1 tinha atingido um n\u00edvel de carreira que \u00e9 o meu limite; j\u00e1 estou emparedada. Sou jornalista s\u00eanior, mas sinto que n\u00e3o tenho nenhuma chance de assumir cargos de dire\u00e7\u00e3o em grandes reda\u00e7\u00f5es\".<\/em><\/p>\n<p><em>\"Quando voc\u00ea faz parte de uma minoria e tenta reivindicar algo, n\u00e3o h\u00e1 b\u00f4nus, apenas \u00f4nus. Depois de 10 anos eu desisti\".<\/em><\/p>\n<p>Em seu artigo \u201c<a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/abs\/10.1177\/0739532919835612?journalCode=nrja\">Journalists and mental health<\/a>\u201d (2019), Natalee Seely observa que a cultura tradicional da reda\u00e7\u00e3o incentiva os jornalistas a \u201cdeixar seus sentimentos na porta\u201d. No contexto brasileiro, os jornalistas marginalizados n\u00e3o discutem o impacto da sub-representa\u00e7\u00e3o com seus colegas. Mas falando comigo anonimamente, v\u00e1rios mencionaram depress\u00e3o, ansiedade e at\u00e9 mesmo pensamentos suicidas.<\/p>\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o est\u00e3o cientes de que 98% dos jornalistas pretos e pardos pesquisados no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jornalistasecia.com.br\/files\/perfilracialdaimprensabrasileira.pdf\">Perfil Racial da Imprensa Brasileira<\/a> sentem que os negros enfrentam mais dificuldades em suas carreiras do que seus colegas brancos? Se sim, o que eles est\u00e3o fazendo sobre isso?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/reutersinstitute.politics.ox.ac.uk\/sites\/default\/files\/2022-08\/%28Portuguese%29%20RISJ%20paper%20_LuizTex_TT22_Final.pdf\">Baixe o artigo completo<\/a> para conferir as entrevistas e an\u00e1lises do que foi experimentado nos tr\u00eas maiores jornais do Brasil: O Globo, Estad\u00e3o e Folha de S. Paulo.<\/p>\n<p>Em resumo, fiquei com a impress\u00e3o de que os jornalistas n\u00e3o s\u00e3o os mais adequados para liderar este tipo de mudan\u00e7a. Em vez disso, existem especialistas em diversidade e inclus\u00e3o que podem ser contratados para orientar as reda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nas palavras da bolsista MacArthur de 2017<a href=\"https:\/\/www.poynter.org\/business-work\/2017\/passion-and-persistence-drive-nikole-hannah-jones-a-newly-minted-macarthur-genius\/\"> Nikole Hannah-Jones<\/a>: \"Se os respons\u00e1veis pela reda\u00e7\u00e3o quisessem reda\u00e7\u00f5es diversas, eles teriam reda\u00e7\u00f5es diversas\".<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, onde 43,2% da popula\u00e7\u00e3o se identifica como branca e 55,7% como negra, as reda\u00e7\u00f5es s\u00e3o compostas por 77% de funcion\u00e1rios brancos. 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