{"id":68939,"date":"2022-10-18T08:02:59","date_gmt":"2022-10-18T13:02:59","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=68939"},"modified":"2022-10-18T18:32:55","modified_gmt":"2022-10-18T23:32:55","slug":"partir-para-sobreviver-jornalistas-exilados-e-a-crise-da-liberdade-de-imprensa-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/partir-para-sobreviver-jornalistas-exilados-e-a-crise-da-liberdade-de-imprensa-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Partir para sobreviver: jornalistas exilados e a crise da liberdade de imprensa na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>*Por Santiago Villa. Publicado originalmente por <a href=\"https:\/\/gijn.org\/2022\/10\/10\/espanol-periodistas-exiliados\/\">GIJN<\/a>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Reda\u00e7\u00f5es que s\u00e3o fechadas de uma hora para outra, guarda-costas que sabotam o trabalho dos jornalistas que est\u00e3o sob sua prote\u00e7\u00e3o e processos judiciais que intimidam quem denuncia crimes do Estado. A Am\u00e9rica Latina est\u00e1 enfrentando uma <a href=\"https:\/\/cpj.org\/2021\/12\/press-freedom-crisis-unfolds-latin-america\/\">crise de liberdade de imprensa<\/a> e em alguns casos ela \u00e9 t\u00e3o grave que est\u00e1 obrigando jornalistas a fugirem de seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>Do M\u00e9xico ao Brasil e de El Salvador \u00e0 Venezuela, os ataques contra jornalistas s\u00e3o constantes. O mais recente <a href=\"https:\/\/rsf.org\/es\/classement\/2022\/am%C3%A9rica\">\u00cdndice Mundial da Liberdade de Imprensa<\/a> da organiza\u00e7\u00e3o Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras (RSF) mostra que existe \u201cum ambiente cada vez mais t\u00f3xico na Am\u00e9rica Latina\u201d, especialmente para rep\u00f3rteres investigativos focados em fazer com que o poder preste contas.<\/p>\n<p>\u201cCada vez mais vis\u00edveis e virulentos, esses ataques p\u00fablicos fragilizam a profiss\u00e3o e incentivam processos judiciais abusivos, campanhas de difama\u00e7\u00e3o e intimida\u00e7\u00f5es - especialmente contra mulheres - e amea\u00e7as online contra jornalistas cr\u00edticos\u201d, relata a RSF.<\/p>\n<p>Desde 2017, dezenas de jornalistas da regi\u00e3o foram assassinados ou sequestrados, 150 foram presos arbitrariamente e 11 foram <a href=\"https:\/\/vocesdelsurunidas.org\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/INFORME-SOMBRA-2021-1.pdf\">submetidos a outros abusos<\/a>, segundo dados da rede <a href=\"https:\/\/vocesdelsurunidas.org\/\">Voces del Sur (VdS)<\/a>, um projeto de monitoramento da liberdade de imprensa em 14 pa\u00edses, do qual participam as principais organiza\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>De acordo com a VdS, 171 jornalistas da regi\u00e3o - 75 dos quais s\u00e3o mulheres - tiveram que se exilar em 2020 e 2021 para se salvarem de pris\u00f5es arbitr\u00e1rias ou mesmo de atentados contra suas vidas.<\/p>\n<p>Embora alguns se acostumem ao ex\u00edlio e at\u00e9 encontrem uma forma de melhorar suas reportagens no exterior, esse fen\u00f4meno regional n\u00e3o s\u00f3 coloca enormes press\u00f5es psicol\u00f3gicas e financeiras sobre os jornalistas, como tamb\u00e9m enfraquece a democracia e a governan\u00e7a dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Para entender esse \u00eaxodo preocupante de jornalistas e como fazem para continuar trabalhando fora de seus pa\u00edses, a Rede Global de Jornalismo Investigativo (GIJN, na sigla em ingl\u00eas) conversou com jornalistas exilados de Nicar\u00e1gua, El Salvador, Cuba e Col\u00f4mbia, que contaram suas experi\u00eancias diante da persegui\u00e7\u00e3o estatal e criminal que os levou ao ex\u00edlio. Os jornalistas tamb\u00e9m d\u00e3o dicas para fazer jornalismo investigativo fora de seus pa\u00edses.<\/p>\n<h3>Nicar\u00e1gua: entre a opress\u00e3o e a resist\u00eancia<\/h3>\n<p>Os votos na oposi\u00e7\u00e3o que foram <a href=\"https:\/\/www.elnuevodiario.com.ni\/nacionales\/32209-enorme-guaca-boletas-actas-basurero\/\">encontrados em um dep\u00f3sito de lixo<\/a> nas elei\u00e7\u00f5es regionais de 2008 na Nicar\u00e1gua foram um sinal precoce de que o governo de Daniel Ortega, iniciado em 2007, estava tomando um rumo autocr\u00e1tico. A partir de 2009 ele come\u00e7ou a fazer mudan\u00e7as na constitui\u00e7\u00e3o para conseguir a reelei\u00e7\u00e3o indefinida, mas o cl\u00edmax da opress\u00e3o estatal aconteceu durante as manifesta\u00e7\u00f5es populares de 2018.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO pa\u00eds, j\u00e1 cansado, explodiu e saiu \u00e0s ruas para protestar; e a resposta do governo foi assassinar mais de 350 pessoas, <a href=\"https:\/\/www.confidencial.digital\/nacion\/42701-2disparaban-con-precision-a-matar\/\">como consegui documentar<\/a>\u201d, diz Wilfredo Miranda Aburto, vencedor do Pr\u00eamio Ortega y Gasset de Jornalismo e do Pr\u00eamio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha. A Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos <a href=\"https:\/\/www.oas.org\/en\/iachr\/jsForm\/?File=\/en\/iachr\/media_center\/preleases\/2021\/302.asp\">posteriormente publicou<\/a> as mesmas conclus\u00f5es de Miranda sobre o massacre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Miranda escreveu para a revista investigativa Confidencial, foi colaborador do jornal espanhol El Pa\u00eds e fundador do portal Divergentes. Teve de deixar a Nicar\u00e1gua duas vezes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A primeira vez foi em 2018, quando publicou uma reportagem sobre <a href=\"https:\/\/www.confidencial.digital\/nacion\/42701-2disparaban-con-precision-a-matar\/\">franco-atiradores da pol\u00edcia que atiraram contra manifestantes<\/a> no dia 15 de maio, na cidade de Matagalpa. \u201cNo fim de 2018, o governo come\u00e7ou uma campanha contra mim, com fotos nas redes sociais, dizendo que eu era um terrorista midi\u00e1tico e que deveria ser denunciado para que a pol\u00edcia me prendesse. Ent\u00e3o eu tive que ir embora\u201d, diz Miranda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele voltou para a Nicar\u00e1gua no fim de 2020 quando, com a pandemia, a press\u00e3o sobre os jornalistas perseguidos diminuiu. Miranda, junto com outros dois jornalistas, criou <a href=\"https:\/\/www.divergentes.com\/\">Divergentes<\/a>, um meio informativo e investigativo, e colaborou com a imprensa internacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, uma s\u00e9rie de leis aprovadas no fim de 2020, como a Lei de Agentes Estrangeiros, a Lei da Cadeia Perp\u00e9tua e a Lei de Crimes Cibern\u00e9ticos - com a qual o regime amea\u00e7ou Miranda com oito anos de pris\u00e3o -, anulou a oposi\u00e7\u00e3o e o trabalho de jornalistas que fiscalizam o Estado. Em julho de 2021, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">poucos meses antes<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> das elei\u00e7\u00f5es gerais, Daniel Ortega prendeu advers\u00e1rios pol\u00edticos, opositores, ativistas e lan\u00e7ou uma persegui\u00e7\u00e3o contra jornalistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu e centenas de jornalistas que agora est\u00e3o no ex\u00edlio estamos sendo intimados por uma suposta lavagem de dinheiro\u201d, diz Miranda, que afirma que essas acusa\u00e7\u00f5es falsas s\u00e3o uma estrat\u00e9gia para silenci\u00e1-los. Quando compareceu \u00e0 intima\u00e7\u00e3o, os promotores o interrogaram durante quatro horas sobre suas mat\u00e9rias jornal\u00edsticas, nos termos da Lei de Crimes Cibern\u00e9ticos, e n\u00e3o fizeram nenhuma pergunta sobre a suposta lavagem de dinheiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA promotora me disse que eu ia ser condenado a no m\u00ednimo oito anos de pris\u00e3o por mentir. O candidato presidencial F\u00e9lix Maradiaga tamb\u00e9m tinha sido intimado a depor e, quando eu sa\u00ed, fiquei sabendo que ele tinha sido preso. Nesse mesmo dia prenderam outros ativistas, at\u00e9 mesmo o presidente do setor privado [Consejo Superior de la Empresa Privada], e \u00e0 tarde meu advogado me ligou e disse 'olha, voc\u00ea deveria sair da Nicar\u00e1gua porque esse papo de crime cibern\u00e9tico est\u00e1 esquisito'. E eu sa\u00ed da Nicar\u00e1gua porque me amea\u00e7aram\u201d, diz Miranda, que partiu irregularmente de barco para a Costa Rica, onde hoje \u00e9 refugiado pol\u00edtico. Seus pais tamb\u00e9m tiveram que deixar o pa\u00eds devido \u00e0s amea\u00e7as de que foram v\u00edtimas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Miranda lidera <a href=\"https:\/\/www.divergentes.com\/reportaje\/\">a equipe de Divergentes do exterior<\/a>, ao mesmo tempo em que os rep\u00f3rteres ainda correm grande risco na Nicar\u00e1gua. Ele diz que precisa conhecer os limites e os medos de cada jornalista para, assim, administrar a reda\u00e7\u00e3o e proteger a integridade deles. As mat\u00e9rias, por exemplo, muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o assinadas, v\u00e1rias coberturas n\u00e3o puderam ser realizadas e o custo de ajudar os jornalistas que est\u00e3o deixando a Nicar\u00e1gua pesa nas finan\u00e7as do portal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEsse \u00e9 o nosso grande problema agora. Estamos em um momento em que a reda\u00e7\u00e3o est\u00e1 saindo do pa\u00eds\u201d, diz Miranda. \u201cTodos esses obst\u00e1culos que o regime coloca no caminho s\u00e3o destinados a fazer voc\u00ea jogar a toalha, mas, pelo menos em Divergentes, n\u00f3s estamos convencidos de que fazer jornalismo em um contexto como o da Nicar\u00e1gua \u00e9 n\u00e3o claudicar. \u00c9 preciso encontrar uma maneira de se esquivar dessa s\u00e9rie de ataques sistem\u00e1ticos do governo\u201d, acrescenta.<\/span><\/p>\n<h3>El Salvador: o jornalismo na mira<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois de dois meses de negocia\u00e7\u00f5es com o meio digital salvadorenho <a href=\"https:\/\/www.elfaro.net\/\">El Faro<\/a>, um de seus jornalistas no ex\u00edlio concordou em dar uma entrevista an\u00f4nima \u00e0 GIJN. A fonte procura manter sua identidade em segredo porque sua fam\u00edlia, que ainda est\u00e1 em El Salvador, pode sofrer as consequ\u00eancias de suas investiga\u00e7\u00f5es e declara\u00e7\u00f5es. Cautelosa ao falar contra o atual regime por causa do perigo que corre, a fonte descreveu \u00e0 GIJN a urg\u00eancia de deixar El Salvador quando o sistema judicial se voltou contra os jornalistas investigativos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a fonte entrevistada, em El Salvador o principal risco que os jornalistas que investigam o governo Bukele correm \u00e9 serem processados criminalmente. \u201cTemos processos abertos na Justi\u00e7a. A raz\u00e3o pela qual v\u00e1rios de n\u00f3s fomos embora \u00e9 porque corremos o risco de sermos presos. Temos a Nicar\u00e1gua como exemplo, s\u00f3 que esse senhor [Bukele] est\u00e1 indo muito mais r\u00e1pido\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em janeiro de 2022, El Faro revelou que especialistas em seguran\u00e7a digital descobriram que <a href=\"https:\/\/elfaro.net\/especial\/in-brief-pegasus-spying-on-el-faro\/\">os celulares de 22 de seus funcion\u00e1rios tinham sido infectados com o spyware Pegasus<\/a>. E em mar\u00e7o, o Congresso, alinhado ao governo, promulgou um \"estado de emerg\u00eancia\" nacional, suspendendo uma s\u00e9rie de direitos fundamentais em nome do combate contra as poderosas gangues do pa\u00eds. Uma recente \u201clei da morda\u00e7a\u201d pune com at\u00e9 15 anos de pris\u00e3o qualquer jornalista que compartilhar informa\u00e7\u00f5es sobre grupos criminosos, fechando assim a porta \u00e0 responsabilidade de informar sobre gangues em El Salvador.<\/span><\/p>\n<p>Al\u00e9m do ass\u00e9dio judicial, h\u00e1 tamb\u00e9m amea\u00e7as nas redes. Jornalistas de todo o mundo enfrentam ataques, cr\u00edticas e at\u00e9 insultos por fazerem seu trabalho, mas, segundo a fonte entrevistada e a <a href=\"https:\/\/cnnespanol.cnn.com\/2020\/10\/22\/la-sip-denuncia-riesgo-a-la-democracia-en-el-salvador-y-ataques-con-troles-a-periodistas-en-gobierno-de-nayib-bukele\/\">Sociedade Interamericana de Imprensa<\/a>, em El Salvador a presen\u00e7a de trolls governamentais nas redes \u00e9 uma estrat\u00e9gia do governo para intimidar o jornalismo. Os trolls amea\u00e7am atacar fisicamente os jornalistas e conseguem informa\u00e7\u00f5es privadas que depois publicam nas redes sociais.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica do regime afeta a rela\u00e7\u00e3o com as fontes e o trabalho jornal\u00edstico, no entanto, tamb\u00e9m existem oportunidades para os jornalistas que sabem aproveit\u00e1-las: \u201cAs fontes ficaram muito assustadas e se afastaram. Foi um desafio porque eu tive que mudar a forma de me comunicar, tive que construir fontes novas. Demorou muito tempo, mas [as fontes] t\u00eam mais confian\u00e7a porque, como eu estou fora [do pa\u00eds], n\u00e3o existe mais aquela imagem de que eu posso estar sendo seguido. Eu tive que mudar minha metodologia de trabalho para fazer investiga\u00e7\u00f5es\u201d, diz.<\/p>\n<h3>Cuba: reportagens desde uma ditadura antiga<\/h3>\n<p>Carlos Manuel \u00c1lvarez deixou Cuba em 2015. Desde ent\u00e3o, ele morou no M\u00e9xico e nos Estados Unidos, mas volta com frequ\u00eancia \u00e0 ilha, onde passou por interrogat\u00f3rios, espionagem e pris\u00e3o. Quase n\u00e3o consegue fazer reportagens em Cuba devido \u00e0 vigil\u00e2ncia constante do Estado.<\/p>\n<p>\u201c[Nos interrogat\u00f3rios] eles podem dizer que voc\u00ea tem contato com os terroristas de Miami, ou que voc\u00ea trabalha para a CIA [\u2026]. Eles geram um estado de desestabiliza\u00e7\u00e3o muito forte\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u00c1lvarez tem escrito sobre Cuba para meios de comunica\u00e7\u00e3o internacionais, como The New York Times, The Washington Post e El Pa\u00eds da Espanha, e \u00e9 cofundador do <a href=\"https:\/\/revistaelestornudo.com\/\">El Estornudo<\/a>, um dos portais jornal\u00edsticos bloqueados pela ditadura, que tamb\u00e9m assedia seus jornalistas. A revista, publicada online, descreve-se como \"uma revista cubana de jornalismo que transita entre a cr\u00f4nica, a imagem e o ensaio\". O portal est\u00e1 bloqueado em Cuba, mas o servidor n\u00e3o est\u00e1 na ilha, portanto o conte\u00fado n\u00e3o pode ser censurado.<\/p>\n<p>\u201cEl Estornudo estava completamente do outro lado da linha [do que \u00e9 permitido pelo governo] desde o come\u00e7o\u201d, diz \u00c1lvarez. \u201cQuase todos os colegas que trabalharam para a revista sofreram, em maior ou menor grau, epis\u00f3dios, n\u00e3o de censura, porque [o governo] n\u00e3o tem acesso direto para dizer o que pode ser publicado e o que n\u00e3o, mas de ass\u00e9dio, de assassinatos de reputa\u00e7\u00e3o, de difama\u00e7\u00f5es\", acrescenta.<\/p>\n<p>Um dos desafios do El Estornudo \u00e9 fazer reportagens sobre Cuba porque os jornalistas que escrevem para a revista caem rapidamente sob a vigil\u00e2ncia do Estado. \u00c1lvarez diz que, apesar de que inicialmente as pessoas com quem trabalham n\u00e3o estejam monitoradas, e de que El Estornudo procure exp\u00f4-las o m\u00ednimo poss\u00edvel, a rotatividade de pessoal \u00e9 alta e muitos dos que escrevem eventualmente precisam sair de Cuba. Fora do pa\u00eds, eles podem continuar fazendo o trabalho jornal\u00edstico, por exemplo, contatando as fontes online.<\/p>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o de algumas publica\u00e7\u00f5es estrangeiras e portais jornal\u00edsticos virtuais que o governo monitora ou restringe, n\u00e3o existem meios de comunica\u00e7\u00e3o privados em Cuba. Qualquer projeto n\u00e3o governamental enfrenta opress\u00e3o.<\/p>\n<p>\"A censura est\u00e1 na ordem do dia de uma forma absoluta\", diz \u00c1lvarez.<\/p>\n<h3>Col\u00f4mbia: os custos e riscos do ex\u00edlio<\/h3>\n<p>Nem todos os jornalistas que deveriam deixar seu pa\u00eds conseguem se exilar. O ex\u00edlio \u00e9 um processo emocional e financeiramente caro que nem sempre \u00e9 sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Juli\u00e1n Fernando Mart\u00ednez, um jornalista investigativo colombiano que passou anos documentando a corrup\u00e7\u00e3o e as liga\u00e7\u00f5es entre autoridades e traficantes de drogas, teve que fugir do pa\u00eds no come\u00e7o deste ano depois de saber de um plano para mat\u00e1-lo e de sobreviver a uma aparente tentativa de assassinato.<\/p>\n<p>Antes de partir, ele tinha uma equipe de prote\u00e7\u00e3o, que as autoridades colombianas \u00e0s vezes d\u00e3o a rep\u00f3rteres considerados em risco devido ao trabalho investigativo que fazem. Mas Mart\u00ednez ficou sabendo que seus guarda-costas faziam parte de uma for\u00e7a policial secreta que ele mesmo tinha investigado durante anos. Suas reportagens contribu\u00edram para o desmantelamento do Departamento Administrativo de Seguran\u00e7a (DAS), em 2011.<\/p>\n<p>Mart\u00ednez saiu da Col\u00f4mbia no dia 9 de junho de 2022, depois de denunciar que <a href=\"https:\/\/www.lanuevaprensa.com.co\/component\/k2\/durante-dos-anos-ex-agentes-del-das-ligados-a-la-unp-fabricaron-mas-de-100-paginas-con-informes-ilicitos-de-mi-vida-privada-de-mis-fuentes-y-mis-movimientos-por-lo-que-debi-salir-al-exilio\">estava sendo espionado pelo seu esquema de seguran\u00e7a<\/a>, que <a href=\"https:\/\/www.lanuevaprensa.com.co\/component\/k2\/mi-carta-desde-el-exilio-a-la-unp\">sabotava seu trabalho e informava ao governo<\/a> quem eram suas fontes e os lugares aonde ia em suas investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas no dia 7 de agosto de 2022 ele voltou. Sem uma organiza\u00e7\u00e3o para apoi\u00e1-lo no ex\u00edlio, seus recursos acabaram. \u201cSair do pa\u00eds \u00e9 muito caro. \u00c9 uma incerteza muito grande\u201d, diz Mart\u00ednez, jornalista independente que n\u00e3o faz parte da folha de pagamento de nenhuma organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mart\u00ednez \u00e9 um dos propriet\u00e1rios do La Nueva Prensa, um meio digital de investiga\u00e7\u00e3o que \u00e9 financiado quase inteiramente por doa\u00e7\u00f5es e pelos jornalistas que participam do projeto. \"Um dos aspectos mais dif\u00edceis de sair da Col\u00f4mbia \u00e9 que, sendo uma pessoa normal em termos financeiros, \u00e9 bastante complicado\", afirma.<\/p>\n<p>Mart\u00ednez est\u00e1 procurando o apoio de organiza\u00e7\u00f5es internacionais para poder fazer seu trabalho sem arriscar ainda mais sua vida.<\/p>\n<h3>Recomenda\u00e7\u00f5es para jornalistas que t\u00eam que se exilar<\/h3>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de cada exilado \u00e9 diferente e, embora n\u00e3o haja uma f\u00f3rmula \u00fanica para enfrentar essa situa\u00e7\u00e3o, os jornalistas entrevistados fizeram algumas recomenda\u00e7\u00f5es que podem ser \u00fateis para aqueles que t\u00eam que sair de seus pa\u00edses:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Procurar uma maneira de continuar fazendo jornalismo:<\/strong> o objetivo dos regimes autorit\u00e1rios \u00e9 que os jornalistas parem de publicar. \u00c9 preciso encontrar maneiras de nos reinventarmos no ex\u00edlio sem nos calarmos.<\/li>\n<li><strong>Encontrar apoio em sa\u00fade mental:<\/strong> quase todos os jornalistas que consultamos insistiram na import\u00e2ncia de buscar um profissional de sa\u00fade mental para ajudar a lidar com a experi\u00eancia do ex\u00edlio e o ass\u00e9dio que o precedeu.<\/li>\n<li><strong>Entrar em contato com redes de apoio a jornalistas: <\/strong>existem organiza\u00e7\u00f5es internacionais de jornalismo que apoiam aqueles que t\u00eam que se exilar. A GIJN listou <a href=\"https:\/\/gijn.org\/espanol-ayuda-para-periodistas\/\">aqui<\/a> algumas das mais importantes.<\/li>\n<li><strong>Localizar o pa\u00eds mais amig\u00e1vel para o ex\u00edlio:<\/strong> pa\u00edses latino-americanos como a Costa Rica est\u00e3o mais abertos do que outros a receber jornalistas no ex\u00edlio.<\/li>\n<li><strong>Se voc\u00ea perceber uma amea\u00e7a de pris\u00e3o, saia do pa\u00eds se puder:<\/strong> \u00e9 melhor fazer jornalismo \u00e0 dist\u00e2ncia do que ser preso. N\u00e3o fique pensando se seus colegas v\u00e3o achar que voc\u00ea \u00e9 menos corajoso por n\u00e3o ficar.<\/li>\n<li><strong> Voc\u00ea n\u00e3o precisa estar no terreno para fazer um trabalho jornal\u00edstico:<\/strong> os jornalistas que est\u00e3o no terreno podem te apoiar. Procure expor o m\u00ednimo poss\u00edvel seus aliados jornal\u00edsticos e aproveite as ferramentas virtuais para fazer as entrevistas que puder. Use redes colaborativas para continuar escrevendo sobre um lugar onde voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 presente.<\/li>\n<li><strong>Seja cuidadoso com a sua seguran\u00e7a e com quem a fornece:<\/strong> embora seja responsabilidade do Estado garantir a seguran\u00e7a dos jornalistas e proteg\u00ea-los, na pr\u00e1tica guarda-costas e esquemas de seguran\u00e7a podem ser usados \u200b\u200bpara espionar e dificultar o trabalho jornal\u00edstico.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com a rede Voces del Sur, 171 jornalistas da regi\u00e3o tiveram que se exilar em 2020 e 2021 para se salvarem de pris\u00f5es arbitr\u00e1rias ou mesmo de atentados contra suas vidas. Para entender esse \u00eaxodo preocupante de jornalistas, a GIJN conversou com rep\u00f3rteres exilados de Nicar\u00e1gua, El Salvador, Cuba e Col\u00f4mbia, que contaram suas experi\u00eancias com a persegui\u00e7\u00e3o estatal e criminal que os levou ao ex\u00edlio.<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":69000,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1221],"tags":[1396,1591],"coauthors":[],"class_list":["post-68939","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-violencia-contra-jornalistas-pt-br","tag-colombia-pt-br-2","tag-nicaragua-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v22.6 (Yoast SEO v27.3) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Partir para sobreviver: jornalistas exilados e a crise da liberdade de imprensa na Am\u00e9rica Latina - LatAm Journalism Review by the Knight Center<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Partir para sobreviver: jornalistas exilados e a crise da liberdade de imprensa na Am\u00e9rica Latina Viol\u00eancia Contra Jornalistas. 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