{"id":69800,"date":"2022-11-14T17:28:43","date_gmt":"2022-11-14T22:28:43","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=69800"},"modified":"2022-11-18T08:50:58","modified_gmt":"2022-11-18T13:50:58","slug":"jornalismo-criancas-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/jornalismo-criancas-brasil\/","title":{"rendered":"Jornalismo para crian\u00e7as no Brasil: o desafio de explicar o mundo e formar novos leitores"},"content":{"rendered":"<p>Durante a pandemia de COVID-19, a dire\u00e7\u00e3o do jornal brasileiro <a href=\"https:\/\/www.dgabc.com.br\/\">Di\u00e1rio do Grande ABC<\/a> parou de publicar o suplemento Diarinho, voltado para o p\u00fablico infantojuvenil, para reduzir custos num momento econ\u00f4mico dif\u00edcil resultante da crise sanit\u00e1ria. A decis\u00e3o precisou ser revertida na semana seguinte.<\/p>\n<p>\u201cNo domingo em que o suplemento n\u00e3o saiu, pessoas que compram o jornal em banca reclamaram. Quando perceberam que n\u00e3o havia o Diarinho, voltaram para devolver e pedir o jornal e pedir o dinheiro de volta. Sem contar os assinantes, que ligaram para o jornal o dia inteiro para reclamar. Na outra semana, o Diarinho estava l\u00e1,\u201d disse o editor Nilton Valentim \u00e0 <strong>LatAm Journalism Review (LJR).<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_69739\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-69739\" class=\"size-medium wp-image-69739\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/COLO-Nilton-Valentim-300x300.jpg\" alt=\"Nilton Valentim \u00e9 o editor do Diarinho, h\u00e1 50 anos nas bancas. Suplemento infantil tem p\u00fablico fiel que cresceu e se tornou leitor do Di\u00e1rio do Grande ABC. (Foto: arquivo pessoal)\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/COLO-Nilton-Valentim-300x300.jpg 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/COLO-Nilton-Valentim-150x150.jpg 150w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/COLO-Nilton-Valentim-768x768.jpg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/COLO-Nilton-Valentim.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-69739\" class=\"wp-caption-text\">Nilton Valentim \u00e9 o editor do Diarinho, h\u00e1 50 anos nas bancas. Suplemento infantil tem p\u00fablico fiel que cresceu e se tornou leitor do Di\u00e1rio do Grande ABC. (Foto: arquivo pessoal)<\/p><\/div>\n<p>Valentim integra o <a href=\"https:\/\/www.coletivocolo.com.br\/\">COLO - Coletivo de Jornalismo Infantojuvenil<\/a>. Criado em fevereiro de 2022, o grupo re\u00fane comunicadores e jornalistas que produzem conte\u00fados noticiosos dirigidos a crian\u00e7as e adolescentes, al\u00e9m de pesquisadores do campo da comunica\u00e7\u00e3o e inf\u00e2ncia. O objetivo do grupo, neste primeiro momento, \u00e9 mostrar que o mercado existe, mas enfrenta desafios, como preconceito nas reda\u00e7\u00f5es e do mercado anunciante.<\/p>\n<p>H\u00e1 n\u00e3o muito tempo atr\u00e1s, a maior parte dos jornais di\u00e1rios do Brasil publicava suplementos voltados para leitores em idade escolar. A Folha e O Globo, os dois jornais mais lidos do pa\u00eds, publicavam a <a href=\"https:\/\/portalimprensa.com.br\/noticias\/brasil\/76856\/apos+52+anosfolhinha+deixa+de+circular+revista+saopaulo+sera+reformulada\">Folhinha <\/a>e o <a href=\"https:\/\/www.portaldosjornalistas.com.br\/globo-extingue-suplementos-formou-globinho-br\/\">Globinho<\/a>, que, encartados no jornal, traziam um mix de not\u00edcias, hist\u00f3rias em quadrinhos e atividades para crian\u00e7as e jovens. Estes cadernos, no entanto, foram descontinuados em 2016 e 2013, respectivamente, na medida em que os jornais cortavam custos e adequavam suas estruturas para sobreviver \u00e0 transi\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p>A simples exist\u00eancia do <a href=\"https:\/\/www.dgabc.com.br\/Editoria\/11\/diarinho\">Diarinho<\/a> \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o que confirma a regra, sobrevivendo como um dos poucos suplementos infantojuvenis que ainda circulam periodicamente nos jornais brasileiros. Em 2022, <a href=\"https:\/\/www.dgabc.com.br\/Noticia\/3823921\/50-anos-de-diarinho\">completou 50 anos<\/a>, com 2.592 edi\u00e7\u00f5es publicadas at\u00e9 6 de novembro.<\/p>\n<p>\u201cMuitos adultos que hoje leem o jornal come\u00e7aram a se interessar por not\u00edcias por causa do Diarinho em um tempo que n\u00e3o havia internet, celular e nem YouTube ou Tik Tok. Muitas coisas mudaram, mas \u00e9 de suma import\u00e2ncia continuar oferecendo um conte\u00fado interessante para esses jovens. At\u00e9 para que eles possam ter capacidade de avaliar melhor as informa\u00e7\u00f5es que chegam pelos meios eletr\u00f4nicos,\u201d disse Valentim. \u201cOferecer um conte\u00fado que seja de seu interesse certamente vai fazer com que esses jovens tenham interesse de ler, de se manterem informados.\u201d<\/p>\n<p>Um desses adultos que descobriram nas not\u00edcias quando crian\u00e7a atrav\u00e9s dos suplementos jornal\u00edsticos infantis \u00e9 a jornalista e pesquisadora Juliana Doretto, professora do <a href=\"https:\/\/www.puc-campinas.edu.br\/pos-graduacao\/programa-de-pos-graduacao-em-linguagens-midia-e-arte-mestrado\/\">Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Linguagens, M\u00eddia e Arte<\/a> e do curso de jornalismo da PUC-Campinas. Anos depois, ela teve uma das suas primeiras experi\u00eancias profissionais como redatora na Folhinha, que era encartada na Folha de S.Paulo. Doretto \u00e9 uma das fundadoras do COLO.<\/p>\n<p>\u201cO nosso jornalismo infantojuvenil se voltava muito para produ\u00e7\u00f5es impressas nos suplementos dos jornais tradicionais. Com a crise da imprensa, foi um dos primeiros cadernos cortados,\u201d disse Doretto \u00e0 <strong>LJR<\/strong>. \u201cO COLO surge da uni\u00e3o de acad\u00eamicos que olham para essas quest\u00f5es, e agentes desse mercado, [a partir da] compreens\u00e3o de que precisamos estabelecer e fortalecer um campo de comunica\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o voltado para crian\u00e7as e jovens\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_69754\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-69754\" class=\"size-medium wp-image-69754\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/COLO-Maria-Carolina-Cristianini-200x300.jpeg\" alt=\"Maria Carolina Cristianini, editora-chefe do JOCA: \u201cFazer jornalismo para o p\u00fablico infantil ou infantojuvenil \u00e9 cumprir um direito de algo que j\u00e1 est\u00e1 previsto, e que a gente na verdade n\u00e3o est\u00e1 fazendo mais que a nossa obriga\u00e7\u00e3o.\u201d (Foto: arquivo pessoal)\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/COLO-Maria-Carolina-Cristianini-200x300.jpeg 200w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/COLO-Maria-Carolina-Cristianini-682x1024.jpeg 682w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/COLO-Maria-Carolina-Cristianini-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/COLO-Maria-Carolina-Cristianini.jpeg 853w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><p id=\"caption-attachment-69754\" class=\"wp-caption-text\">Maria Carolina Cristianini, editora-chefe do JOCA: \u201cFazer jornalismo para o p\u00fablico infantil ou infantojuvenil \u00e9 cumprir um direito de algo que j\u00e1 est\u00e1 previsto, e que a gente na verdade n\u00e3o est\u00e1 fazendo mais que a nossa obriga\u00e7\u00e3o.\u201d (Foto: arquivo pessoal)<\/p><\/div>\n<p>O COLO conta atualmente com 28 membros, que representam a academia e ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o. Entre eles est\u00e1 o jornal JOCA, lan\u00e7ado em 2011 como o primeiro ve\u00edculo jornal\u00edstico voltado exclusivamente para um p\u00fablico de crian\u00e7as e adolescentes em idade escolar. O principal produto, uma edi\u00e7\u00e3o impressa quinzenal, conta com 302 mil assinantes em todos os estados brasileiros.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um jornal que leva not\u00edcias da atualidade, ou seja, aquelas not\u00edcias que a gente v\u00ea em todos os lugares, consideradas not\u00edcias \u2018de adultos\u2019, publicadas nos jornais tradicionais. A gente leva para esse p\u00fablico infantojuvenil numa linguagem que seja vi\u00e1vel para eles entenderem, com as explica\u00e7\u00f5es que \u00e0s vezes o jornalismo tradicional n\u00e3o leva, por considerar que o que o adulto j\u00e1 tem conhecimento sobre aquilo,\u201d disse \u00e0 <strong>LJR <\/strong>a editora-chefe do JOCA, Maria Carolina Cristianini.<\/p>\n<p>Outro integrante do COLO \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/radioagencia\/podcasts\/radinho-bdf\">Radinho BdF<\/a>, um programa semanal de 30 minutos voltado \u00e0s crianc\u0327as e fam\u00edlia, que vai ao ar na R\u00e1dio Brasil Atual, Grande S\u00e3o Paulo, e \u00e9 retransmitido em 170 emissoras pelo pa\u00eds, al\u00e9m de estar dispon\u00edvel nas principais plataformas de podcast. No ar h\u00e1 dois anos e meio, o Radinho BdF j\u00e1 produziu mais de cem epis\u00f3dios e <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/10\/21\/radinho-bdf-recebe-mais-um-premio-e-leva-para-casa-trofeu-de-comunicacao-da-cnbb\">acumula pr\u00eamios de jornalismo<\/a>.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/06\/23\/criancas-refugiadas-discutem-o-direto-de-migrar-no-radinho-bdf\">Crian\u00e7as refugiadas discutem no Radinho BdF o direito de migrar<\/a> recebeu men\u00e7\u00e3o honrosa no Pr\u00eamio Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos de 2021, um dos mais prestigiosos do Brasil. O epis\u00f3dio conta hist\u00f3rias de crian\u00e7as de Venezuela, R\u00fassia, Angola, Haiti e S\u00edria que vivem no Brasil com refugiadas, junto com suas fam\u00edlias.<\/p>\n<div id=\"attachment_69803\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-69803\" class=\"wp-image-69803\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Carolina-Salmazio-300x200.jpg\" alt=\"Camila Salmazio, da Radinho BdF: sem medo de abordar temas dif\u00edceis para crian\u00e7as. 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(Foto: arquivo pessoal)<\/p><\/div>\n<p>\u201cTodos os epis\u00f3dios s\u00e3o elaborados a partir das entrevistas feitas com as crian\u00e7as, numa m\u00e9dia de cinco por epis\u00f3dio. Esse \u00e9 o nosso foco principal, construir o roteiro, disseminar a informa\u00e7\u00e3o a partir da experi\u00eancia da crian\u00e7a. Acreditamos que construir junto com eles \u00e9 a melhor maneira de dialogar com esse p\u00fablico. E \u00e9 sempre muito positivo e surpreendente o quanto eles sabem e refletem sobre os temas propostos. As crian\u00e7as t\u00eam muito a dizer,\u201d disse \u00e0 <strong>LJR <\/strong>Camila Salmazio, apresentadora e roteirista do Radinho BdF.<\/p>\n<h3>Direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>As crian\u00e7as t\u00eam direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o previsto tanto na <a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/convencao-sobre-os-direitos-da-crianca\">Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos da Crian\u00e7a da ONU<\/a>, ratificada por 196 pa\u00edses. O documento reconhece a fun\u00e7\u00e3o desempenhada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o em garantir o acesso da crian\u00e7a a esse direito. Apesar disso, na pr\u00e1tica, o jornalismo voltado para pessoas menores de 18 anos \u00e9 pouco disseminado. Em que pese as quest\u00f5es econ\u00f4micas que fizeram desaparecer os suplementos infantis dos jornais tradicionais, outros fatores contribuem para esta situa\u00e7\u00e3o, na avalia\u00e7\u00e3o de fontes ouvidas pela LJR.<\/p>\n<div id=\"attachment_69806\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-69806\" class=\"size-medium wp-image-69806\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Juliana-Doretto-300x200.jpeg\" alt=\"Juliana Doretto, da PUC-Campinas, fundadora do COLO: \u201cO jornalismo para as crian\u00e7as \u00e9 um dos elementos que constroem a ideia de inf\u00e2ncia que a sociedade desenvolve.\u201d (Foto: arquivo pessoal)\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Juliana-Doretto-300x200.jpeg 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Juliana-Doretto-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Juliana-Doretto-768x512.jpeg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Juliana-Doretto-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Juliana-Doretto-507x340.jpeg 507w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Juliana-Doretto-350x234.jpeg 350w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Juliana-Doretto.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-69806\" class=\"wp-caption-text\">Juliana Doretto, da PUC-Campinas, fundadora do COLO: \u201cO jornalismo para as crian\u00e7as \u00e9 um dos elementos que constroem a ideia de inf\u00e2ncia que a sociedade desenvolve.\u201d (Foto: arquivo pessoal)<\/p><\/div>\n<p>\u201cO jornalismo infantojuvenil \u00e9 tratado com preconceito dentro de reda\u00e7\u00f5es e pelo mercado, porque as crian\u00e7as s\u00e3o tratadas como ing\u00eanuas, bobas e incapazes de pensar criticamente sobre o mundo que vivem. \u00c9 um modo redutor de tratar as crian\u00e7as,\u201d disse Doretto. \u201cO jornalismo para as crian\u00e7as \u00e9 um dos elementos que constroem a ideia de inf\u00e2ncia que a sociedade desenvolve. O modo que a gente fala da realidade com as crian\u00e7as influencia como os adultos enxergam as crian\u00e7as e como as crian\u00e7as enxergam elas mesmas.\u201d<\/p>\n<p>Com base neste diagn\u00f3stico, o COLO aposta em tr\u00eas linhas de atua\u00e7\u00e3o. A primeira, nas universidades e escolas de jornalismo para mostrar a futuros comunicadores que o jornalismo infantil existe e \u00e9 uma \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o t\u00e3o importante quanto o jornalismo pol\u00edtico e econ\u00f4mico. A segunda \u00e9 estreitar os la\u00e7os com escolas, para que aprofundem o uso da linguagem jornal\u00edstica para enriquecer os processos de ensino e aprendizagem. E a terceira, na \u00e1rea de pol\u00edticas p\u00fablicas que valorizem e estimulem o jornalismo infantojuvenil.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um p\u00fablico esquecido dentro do jornalismo. Al\u00e9m de ser um direito da crian\u00e7a e do adolescente receber informa\u00e7\u00f5es adequadas e expressar suas opini\u00f5es, acho que faz parte da forma\u00e7\u00e3o de qualquer cidad\u00e3o ter acesso a informa\u00e7\u00f5es,\u201d diz Salmazio. \u201c(Os desafios) s\u00e3o muitos, a come\u00e7ar pelas barreiras de preconceitos de que as crian\u00e7as n\u00e3o devem falar ou receber informa\u00e7\u00f5es sobre temas como pol\u00edtica, por exemplo\u201d.<\/p>\n<p>A apresentadora do Radinho BdF n\u00e3o evita temas dif\u00edceis no programa s\u00f3 porque o p\u00fablico \u00e9 infantil. Assuntos como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, elei\u00e7\u00f5es e pandemia est\u00e3o entre os temas abordados no programa. O epis\u00f3dio sobre refugiados \u00e9 prova disso, e outros, como um que aborda a quest\u00e3o da viol\u00eancia sexual contra menores -- tema considerado tabu mesmo no jornalismo para um p\u00fablico mais maduro. O programa \u201c<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/09\/09\/radinho-bdf-o-que-e-autoprotecao-e-como-cuidar-do-seu-corpo\">O que \u00e9 autoprote\u00e7\u00e3o e como cuidar do seu corpo?<\/a>\u201d venceu o <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/09\/30\/radinho-bdf-vence-premio-de-comunicacao-fundacao-jose-luiz-egydio-setubal\">Pr\u00eamio de Comunica\u00e7\u00e3o Funda\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Luiz Egydio Set\u00fabal<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cEu refleti muito sobre como abordar o tema por ser um assunto tabu para a nossa sociedade. E as crian\u00e7as, mais uma vez, conduziram esse caminho com muita compet\u00eancia, compartilhando informa\u00e7\u00f5es muito importantes. Foi especial porque entendi que fazer jornalismo para crian\u00e7a \u00e9, na verdade, fazer um jornalismo ao alcance de todos,\u201d disse Salmazio.<\/p>\n<div id=\"attachment_69742\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-69742\" class=\"wp-image-69742\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Edicao-especial-do-JOCA-sobre-a-tragedia-de-Brumadinho.-Jornal-recebeu-mais-de-tres-mil-cartas-de-leitores.-Foto_-cortesia-JOCA-2-300x201.png\" alt=\"Edi\u00e7\u00e3o especial do JOCA sobre a trag\u00e9dia de Brumadinho. Jornal recebeu mais de tr\u00eas mil cartas de leitores. (Foto_ cortesia JOCA)\" width=\"400\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Edicao-especial-do-JOCA-sobre-a-tragedia-de-Brumadinho.-Jornal-recebeu-mais-de-tres-mil-cartas-de-leitores.-Foto_-cortesia-JOCA-2-300x201.png 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Edicao-especial-do-JOCA-sobre-a-tragedia-de-Brumadinho.-Jornal-recebeu-mais-de-tres-mil-cartas-de-leitores.-Foto_-cortesia-JOCA-2.png 507w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Edicao-especial-do-JOCA-sobre-a-tragedia-de-Brumadinho.-Jornal-recebeu-mais-de-tres-mil-cartas-de-leitores.-Foto_-cortesia-JOCA-2-350x234.png 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-69742\" class=\"wp-caption-text\">Edi\u00e7\u00e3o especial do JOCA sobre a trag\u00e9dia de Brumadinho. Jornal recebeu mais de tr\u00eas mil cartas de leitores. (Foto_ cortesia JOCA)<\/p><\/div>\n<p>Na mesma linha, Cristianini destaca que o JOCA tem o compromisso de reportar sobre as not\u00edcias da atualidade, que est\u00e3o nos ve\u00edculos tradicionais. Isso significa cobrir, \u00e0s vezes, situa\u00e7\u00f5es tr\u00e1gicas, como o <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Brumadinho_dam_disaster\">rompimento da barragem de Brumadinho<\/a>, que matou 270 pessoas em 2019. Al\u00e9m de publicar o notici\u00e1rio, o jornal decidiu envolver os leitores e pediu para que escrevessem cartas de solidariedade para as crian\u00e7as da cidade atingida.<\/p>\n<p>\u201cEsse movimento durou alguns meses e a gente recebeu mais ou menos tr\u00eas mil cartas dos nossos leitores, que a gente realmente mandou para Brumadinho. E a\u00ed come\u00e7ou um movimento de algumas escolas de Brumadinho responderem aos nossos leitores que tinham enviado essas cartas para eles,\u201d lembra Cristianini.<\/p>\n<p>J\u00e1 na prolongada cobertura da pandemia de COVID-19, Cristianini observou uma mudan\u00e7a na rea\u00e7\u00e3o dos leitores. No in\u00edcio, chegavam perguntas b\u00e1sicas, como \u201co que \u00e9 uma pandemia\u201d. Mas com o tempo, conforme o jornal foi avan\u00e7ando nas explica\u00e7\u00f5es, as perguntas come\u00e7aram a se aprofundar tamb\u00e9m. Os leitores queriam agora saber \u201co que \u00e9 uma cepa\u201d e \u201ccomo se produz vacina\u201d?<\/p>\n<p>\u201cA gente acredita que, tendo contato com not\u00edcias desde a inf\u00e2ncia, aprendendo o que \u00e9 o jornalismo desde a inf\u00e2ncia e aprendendo a se informar desde a inf\u00e2ncia, essa crian\u00e7a vai crescer com um repert\u00f3rio melhor, compreendendo melhor a sociedade onde vive,\u201d disse Cristianini. \u201cFazer jornalismo para o p\u00fablico infantil ou infantojuvenil \u00e9 cumprir um direito de algo que j\u00e1 est\u00e1 previsto, e que a gente na verdade n\u00e3o est\u00e1 fazendo mais que a nossa obriga\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalistas, comunicadores e pesquisadores criam o COLO - Coletivo de Jornalismo Infantojuvenil para organizar e fortalecer o mercado de conte\u00fados noticiosos voltados para crian\u00e7as e adolescentes no Brasil. 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