{"id":82905,"date":"2023-12-12T15:08:50","date_gmt":"2023-12-12T21:08:50","guid":{"rendered":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/?p=82905"},"modified":"2023-12-12T15:34:05","modified_gmt":"2023-12-12T21:34:05","slug":"e-preciso-uma-coragem-brutal-como-rafael-soares-se-especializou-na-cobertura-da-violencia-policial-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/e-preciso-uma-coragem-brutal-como-rafael-soares-se-especializou-na-cobertura-da-violencia-policial-no-rio\/","title":{"rendered":"'\u00c9 preciso uma coragem brutal': Como Rafael Soares se especializou na cobertura da viol\u00eancia policial no Rio"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">De 2018 at\u00e9 junho deste ano, <\/span><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/rio\/noticia\/2023\/08\/03\/desde-2018-mais-de-7800-pessoas-morreram-devido-a-intervencoes-de-agentes-do-estado-no-rio.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">a Pol\u00edcia Militar do estado do Rio de Janeiro matou 7.848 pessoas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, o equivalente a 27% das mortes violentas cometidas no territ\u00f3rio de 16,5 milh\u00f5es de habitantes, segundo dados do<\/span><a href=\"https:\/\/www.isp.rj.gov.br\/\"><span style=\"font-weight: 400;\"> Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> (ISP), especializado no tema. Parte destas mortes acontece quando os policiais t\u00eam o direito a usar a for\u00e7a, como por exemplo perante uma amea\u00e7a iminente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outros casos, contudo, apresentam fortes ind\u00edcios de execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais, <\/span><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/colunas\/jamil-chade\/2020\/09\/01\/levantamento-revela-dezenas-de-execucoes-sumarias-no-brasil.htm\"><span style=\"font-weight: 400;\">como relatado \u00e0 ONU por diversas ONGs em 2020<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es em que<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">por exemplo, <\/span><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/rio\/mortos-no-jacarezinho-laudos-identificam-baleados-pelas-costas-curta-distancia-com-ate-seis-tiros-1-25072063\"><span style=\"font-weight: 400;\">os mortos com frequ\u00eancia s\u00e3o atingidos pelas costas, tomam tiros \u00e0 queima-roupa<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, ou ent\u00e3o nas quais <\/span><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/rio\/caso-joao-pedro-policiais-recolheram-estojos-de-cartuchos-antes-de-pericia-chegar-ao-local-2-24471730\"><span style=\"font-weight: 400;\">provas s\u00e3o retiradas da cena da ocorr\u00eancia antes da realiza\u00e7\u00e3o de per\u00edcias.<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 precisamente na cobertura deste tipo de caso que o jornalista Rafael Soares, dos jornais O Globo e Extra, no Rio de Janeiro, se especializou. Execu\u00e7\u00f5es cometidas por policiais, como policiais se tornam matadores de aluguel e at\u00e9 como formam organiza\u00e7\u00f5es criminosas de grande porte: este \u00e9 o principal enfoque de Soares enquanto cobre a \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O jornalista acaba de publicar o seu primeiro livro, \u201c<a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788539007851\/milicianos\">Milicianos: Como agentes formados para combater o crime passaram a matar a servi\u00e7o dele<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, pela editora Companhia das Letras. Na obra, ele relata e analisa diversos casos em que agentes da lei do Rio de Janeiro se corromperam at\u00e9 virarem criminosos macabros, chegando a compor as organiza\u00e7\u00f5es compar\u00e1veis \u00e0 m\u00e1fia chamadas no Brasil de mil\u00edcias. <\/span><a href=\"https:\/\/geni.uff.br\/wp-content\/uploads\/sites\/357\/2021\/02\/2020_-Hirata_Nexo_A-expansao-das-milicias-no-Rio-de-Janeiro.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">Os grupos dominam amplos territ\u00f3rios na cidade e no estado e cobram ilegalmente por todo tipo de servi\u00e7o<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, do fornecimento de botij\u00f5es de g\u00e1s e TV a cabo a taxas ilegais para comerciantes, servi\u00e7os de transporte e construtoras.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_82857\" style=\"width: 517px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-82857\" class=\"wp-image-82858 size-home-featured\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/FEATURED-Rafael-Soares-507x340.png\" alt=\"Rafael Soares, a journalist with brown hair and a beard, seen in the newsroom of O Globo and Extra newspapers, holding a notepad\" width=\"507\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/FEATURED-Rafael-Soares.png 507w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/FEATURED-Rafael-Soares-300x201.png 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/FEATURED-Rafael-Soares-350x234.png 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 507px) 100vw, 507px\" \/><p id=\"caption-attachment-82857\" class=\"wp-caption-text\">O jornalista Rafael Soares trabalhando na reda\u00e7\u00e3o dos jornais O Globo e Extra (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Domingos Peixoto\/Ag\u00eancia O Globo)<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No livro de Soares, a brutalidade policial e a corrup\u00e7\u00e3o na corpora\u00e7\u00e3o andam de m\u00e3os dadas. O policial que menos respeita suas obriga\u00e7\u00f5es \u00e9ticas e t\u00e9cnicas e mais recorre \u00e0 viol\u00eancia em suas abordagens, que mais tortura e mata, \u00e9 justamente aquele que ter\u00e1 menos pudor e abra\u00e7ar\u00e1 a desonestidade e a ilegalidade de forma mais plena.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEssa ideia veio de uma entrevista com o antrop\u00f3logo Luiz Eduardo Soares, e contradiz a no\u00e7\u00e3o popularizada pelo filme Tropa de Elite. L\u00e1, voc\u00ea tem policiais torturando que cumprem o seu trabalho, e os que s\u00e3o corruptos e n\u00e3o trabalham. Mas na verdade, como me disse Luiz Eduardo, as duas coisas andam juntas. A letalidade funciona justamente numa l\u00f3gica de corrup\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Soares em entrevista \u00e0 <\/span><b>LatAm Journalism Review (LJR)<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO cara que mata muito \u00e9 tamb\u00e9m o cara que se vende mais caro.\u00a0 Na rua, \u00e9 assim que funciona, e essa tamb\u00e9m \u00e9 a pol\u00edcia que eu conhe\u00e7o. Na vida desses personagens do livro isso aconteceu em uma escala absurda\u201d.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Da pol\u00edtica \u00e0 pol\u00edcia<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje um dos maiores rep\u00f3rteres de seguran\u00e7a p\u00fablica do pa\u00eds, Soares, de 32 anos, n\u00e3o pensava em seu in\u00edcio no jornalismo que seguiria por essa \u00e1rea. Quando estudante na Escola de Comunica\u00e7\u00e3o da UFRJ, tinha a ambi\u00e7\u00e3o de ir para Bras\u00edlia cobrir os bastidores do poder.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As realidades do mercado o levariam para o jornalismo de cidade, e dali para o de seguran\u00e7a p\u00fablica. No final de 2012, quando estava prestes a se formar, Soares era estagi\u00e1rio da empresa Infoglobo \u2013 detentora dos jornais O Globo e Extra, sendo o primeiro de car\u00e1ter nacional, e o segundo mais popular e local \u2013, uma das principais portas de entrada no mercado para jornalistas cariocas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o chefe de Cidade e Pol\u00edcia do Extra, F\u00e1bio Gusm\u00e3o, \u201cum editor com alma de rep\u00f3rter\u201d, nas palavras de Soares, o convenceu a aceitar uma vaga como rep\u00f3rter iniciante no jornal. A primeira mat\u00e9ria policial do novo foca do Extra inicialmente deveria ser sobre uma obra p\u00fablica ligada a transporte, mas, a partir de uma dica dada por um oper\u00e1rio no local, ele voltou para a reda\u00e7\u00e3o com um furo sobre mil\u00edcias na Zona Oeste do Rio. <\/span><a href=\"https:\/\/extra.globo.com\/casos-de-policia\/operarios-dizem-que-tapumes-foram-tirados-de-obras-na-zona-oeste-do-rio-por-ordem-de-milicianos-6982498.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">O texto foi publicado no dia 8 de dezembro de 2012.<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu n\u00e3o tinha nenhuma fonte ligada \u00e0 pol\u00edcia, nenhum parente, n\u00e3o sabia como funcionava uma delegacia. E a\u00ed fiz essa mat\u00e9ria, e Gusm\u00e3o gostou muito\u201d, disse Soares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde sua cria\u00e7\u00e3o em 1998, o Extra, j\u00e1 tinha uma pegada fortemente ligada a direitos humanos e den\u00fancias de casos de corrup\u00e7\u00e3o na pol\u00edcia, disse Gusm\u00e3o \u00e0 <\/span><b>LJR<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Isso, na opini\u00e3o do jornalista que hoje \u00e9 editor-chefe do jornal, contraria um preconceito ligado a jornais populares, de que reproduziriam de forma acr\u00edtica vers\u00f5es oficiais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cTratar de direitos humanos sempre foi um dos pilares do jornal, assim como de corrup\u00e7\u00e3o policial. Eu mesmo, como rep\u00f3rter, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">cobri dezenas de casos de corrup\u00e7\u00e3o, sequestro e peculato, sobretudo na PM. Isso foi se consolidando como uma marca\u201d, afirmou Gusm\u00e3o. \u201cPor tamb\u00e9m fazermos muito o factual, ligado \u00e0 produtividade, \u00e0s vezes entendem que \u00e9 uma coisa pr\u00f3-pol\u00edcia. Mas isso \u00e9 um equ\u00edvoco, criou-se um imagin\u00e1rio equivocado nesse sentido\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A abordagem que Gusm\u00e3o adotava na editoria, segundo ele pr\u00f3prio, era de cobrir os temas policiais como uma das vertentes da seguran\u00e7a p\u00fablica: como uma arena sujeita \u00e0 pol\u00edtica, sobre a qual h\u00e1 um vasto ac\u00famulo de conhecimento especializado, e que engloba, entre outros assuntos, preven\u00e7\u00e3o, sistema de justi\u00e7a e direitos fundamentais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c9 preciso ter um entendimento do todo. Eu sempre defendi um trabalho muito baseado em dados e investiga\u00e7\u00f5es. \u00c9 necess\u00e1rio entender que tudo tem uma origem\u201d, disse Gusm\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cE o Rafael foi se especializando nisso. Ele entendia que era preciso estudar, conhecer a l\u00f3gica da seguran\u00e7a p\u00fablica\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">M\u00e9todos e abordagens<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O <\/span><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Caso_Amarildo\"><span style=\"font-weight: 400;\">caso do pedreiro Amarildo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que desapareceu ap\u00f3s ser retirado por policiais de sua casa na Favela da Rocinha em 2013 e nunca foi encontrado \u2013 <\/span><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/justica\/noticia\/2019-03\/justica-absolve-policiais-acusados-de-tortura-e-morte-de-amarildo\"><span style=\"font-weight: 400;\">oito policiais foram condenados por tortura, morte e oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013,\u00a0 foi a primeira grande cobertura de Soares. Formando uma dupla ao lado da rep\u00f3rter <\/span><a href=\"https:\/\/twitter.com\/cgheringer\"><span style=\"font-weight: 400;\">Carolina Heringer<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, ainda hoje tamb\u00e9m especialista no tema da Seguran\u00e7a P\u00fablica, Soares publicou mais de 60 mat\u00e9rias sobre o caso, distribu\u00eddas ao longo de anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO Extra tinha uma caracter\u00edstica um pouco diferente da maioria dos jornal\u00f5es brasileiros, que ele n\u00e3o esquecia. A gente ficava remoendo os casos at\u00e9 o final, e valorizava isso\u201d, disse Soares. \u201cSe eu descobrisse algo sobre policiais envolvidos no caso Amarildo dois anos depois, era manchete com mat\u00e9ria de p\u00e1gina inteira. Como o jornal s\u00f3 era vendido em banca, entre o furo e a agenda, o furo ganhava sempre, porque era uma maneira de se diferenciar dos outros jornais\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sem contatos na pol\u00edcia ou no sistema de Justi\u00e7a no in\u00edcio da carreira, Soares adotou ent\u00e3o uma estrat\u00e9gia que mant\u00e9m at\u00e9 hoje: a de aproximar-se das fam\u00edlias de v\u00edtimas de crimes e valer-se delas para descobrir informa\u00e7\u00f5es. No come\u00e7o, ele disse, essa era uma forma relativamente simples de arrumar pautas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSe voc\u00ea fosse ao local e come\u00e7asse a criar rela\u00e7\u00f5es com as pessoas, encontrava testemunhas. Era o tipo de mat\u00e9ria no qual era poss\u00edvel competir com outros rep\u00f3rteres que tinham fontes\u201d, afirmou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O rep\u00f3rter agora considera essa abordagem crucial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPara voc\u00ea fazer jornalismo de den\u00fancia de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, \u00e9 fundamental essa proximidade com as v\u00edtimas da viol\u00eancia. Entendendo a din\u00e2mica das fam\u00edlias \u00e9 que voc\u00ea consegue contar a hist\u00f3ria das v\u00edtimas. Muitas vezes, os parentes tamb\u00e9m s\u00e3o testemunhas, as vezes as \u00fanicas\u201d, disse Soares. \u201cEu vejo muito a imprensa tratar parentes das v\u00edtimas s\u00f3 como parentes, e n\u00e3o como pe\u00e7as-chaves das investiga\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 um erro\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o tempo, viriam outras fontes, como por exemplo em Associa\u00e7\u00f5es de Moradores, na Defensoria P\u00fablica, no Minist\u00e9rio P\u00fablico, e em delegacias. Conforme se tornava mais conhecido, uma fonte levava a outra, no que Soares descreve como \u201cuma bola de neve\u201d.\u00a0 Quanto \u00e0 pol\u00edcia, Soares afirma que \u201ca pr\u00f3pria din\u00e2mica da corpora\u00e7\u00e3o, onde h\u00e1 disputas internas\u201d, favorece fazer contatos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Soares, seu atual n\u00famero de fontes, contudo, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o alto quanto j\u00e1 foi.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cTeve uma \u00e9poca na minha vida, mais ou menos em 2015 e 2016, em que eu procurava fazer fontes dentro da pol\u00edcia o tempo inteiro. Gostava de passar na delegacia e tomar caf\u00e9 com o delegado. Me disseram que \u00e9 uma coisa que faz parte da profiss\u00e3o, e eu fazia muito\u201d, relata. \u201cS\u00f3 que chegou uma hora em que eu parei com isso. Porque voc\u00ea precisa ter uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a real, e eu n\u00e3o sentia que isso existia. Hoje eu tenho menos fontes, mas as considero melhores do que antes\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro m\u00e9todo que Soares regularmente emprega para descolar informa\u00e7\u00f5es e furos s\u00e3o pedidos via <\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/acessoainformacao\/pt-br\/perguntas-frequentes\/aspectos-gerais#:~:text=A%20Lei%20n%C2%BA%2012.527%2F2011,pelos%20%C3%B3rg%C3%A3os%20e%20entidades%20p%C3%BAblicos.\"><span style=\"font-weight: 400;\">Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. A legisla\u00e7\u00e3o, aprovada em 2011, permite que qualquer pessoa f\u00edsica solicite informa\u00e7\u00f5es produzidas por \u00f3rg\u00e3os e entidades p\u00fablicos. O jornalista diz que praticamente todas as semanas entra com algum pedido por informa\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO campo da seguran\u00e7a \u00e9 um dos mais f\u00e9rteis para pedidos de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, que permitem driblar limita\u00e7\u00f5es. \u00c9 poss\u00edvel ter acesso, por exemplo, a informa\u00e7\u00f5es administrativas, a informa\u00e7\u00f5es sobre promo\u00e7\u00f5es, a resultados de averigua\u00e7\u00f5es. Toda a primeira parte do livro se baseia muito nesse tipo de pedidos\u201d, relata.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">As teias do crime<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre os documentos a que o jornalista se refere, est\u00e3o diversos registros de ocorr\u00eancias de quando Ronnie Lessa, <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2019\/03\/12\/policia-prende-suspeitos-pelos-assassinatos-da-vereadora-marielle-franco-e-anderson-gomes.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">ex-policial hoje preso acusado de assassinar a vereadora Marielle Franco em 2018<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, ainda atuava na Pol\u00edcia Militar do Rio de Janeiro. Soares come\u00e7a tanto o seu livro quanto o podcast \u201c<\/span><a href=\"https:\/\/globoplay.globo.com\/podcasts\/episode\/pistoleiros\/d7b78d95-f952-4936-9392-0cd875d8c52f\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Pistoleiros<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, de 2021, com a narra\u00e7\u00e3o de como Lessa passou de policial conhecido por a\u00e7\u00f5es ousadas e agressivas at\u00e9 se tornar <\/span><a href=\"https:\/\/insightcrime.org\/news\/brief\/marielle-franco-arrests-brazil-militia-bolsonaro\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">suspeito de ser um matador de aluguel altamente especializado<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ideia do podcast \u2013 que, inicialmente, deveria ser uma s\u00e9rie escrita para O Globo, e que se tornou numa investiga\u00e7\u00e3o composta por cinco epis\u00f3dios de \u00e1udio por sugest\u00e3o de executivos do jornal \u2013 surgiu enquanto Soares escrevia um perfil de Lessa. Na trajet\u00f3ria daquele ex-policial, o jornalista viu um exemplo de um padr\u00e3o e de estruturas podres dentro da corpora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO cara era tratado na PM como um Robocop, e todas as suas ocorr\u00eancias que terminavam em morte, que em tese deveriam gerar investiga\u00e7\u00f5es, na verdade motivavam elogios e bonifica\u00e7\u00f5es por bravura\u201d, relata Soares. \u201cEnt\u00e3o comecei a pensar que eu conhecia v\u00e1rias hist\u00f3rias assim. De policiais que eram tratados como her\u00f3is, mas fizeram o caminho contr\u00e1rio rumo ao crime. E quis desmistificar isso\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dado assustador conecta Lessa a Soares: como descrevem os momentos iniciais de \u201cPistoleiros\u201d e autoridades confirmaram \u00e0 <\/span><b>LJR<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, o ex-policial fez buscas online pelo nome e pelo endere\u00e7o do jornalista. Segundo o podcast, as pesquisas, descobertas por investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal, aconteceram s\u00f3 durante uma tarde.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Soares sofreu mais amea\u00e7as por suas reportagens. Segundo conta, certo dia acordou e havia mais de 1.500 mensagens o xingando e amea\u00e7ando em seu Whatsapp: seu n\u00famero de telefone, ele conta, ca\u00edra em grupos de policiais e de apoiadores da pol\u00edcia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O jornalista tamb\u00e9m diz j\u00e1 ter sofrido processos de policiais que o acusaram de difama\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro epis\u00f3dio aconteceu no dia 9 de dezembro de 2020, quando a ent\u00e3o porta-voz da Pol\u00edcia Militar do Rio,<\/span><a href=\"https:\/\/cpj.org\/pt\/2020\/12\/policia-militar-do-rio-de-janeiro-publica-video-criticando-e-insultando-o-jornalista-rafael-soares\/\"><span style=\"font-weight: 400;\"> a tenente-coronel Gabryela Dantas, gravou um v\u00eddeo atacando Soares.<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na ocasi\u00e3o, a policial respondeu a uma <\/span><a href=\"https:\/\/extra.globo.com\/casos-de-policia\/consumo-de-municao-explodiu-no-batalhao-de-pms-investigados-pelo-homicidio-de-meninas-24786376.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">mat\u00e9ria de Soares que dizia respeito a uma unidade da Pol\u00edcia Militar sob investiga\u00e7\u00e3o por seu suposto envolvimento no assassinato de duas crian\u00e7as<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> na cidade de Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro, e o aumento do uso de muni\u00e7\u00f5es por essa unidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No v\u00eddeo, a tenente-coronel Dantas, afirma que o texto de Soares \u00e9 uma \u201cila\u00e7\u00e3o totalmente irrespons\u00e1vel, al\u00e9m de completamente mentirosa, \u00e9 covarde e inescrupulosa\u201d. Ela disse que Soares estava \u201caproveitando de uma como\u00e7\u00e3o nacional para colocar a popula\u00e7\u00e3o contra a Pol\u00edcia Militar\u201d, e pediu a quem a assistisse para compartilhar o v\u00eddeo. Ap\u00f3s forte repercuss\u00e3o negativa, <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2020\/12\/09\/porta-voz-da-pm-e-exonerada-do-cargo-apos-video-com-ataques-a-jornalista.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">ela acabou exonerada do cargo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Casca criada<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tais incidentes levam a duas perguntas \u00f3bvias: Soares n\u00e3o sente medo de retalia\u00e7\u00f5es por suas investiga\u00e7\u00f5es, e quais s\u00e3o as precau\u00e7\u00f5es que toma em seu cotidiano?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda pergunta, o jornalista \u00e9 sucinto, e se limita a dizer que \u00e9 cuidadoso com seus dados pessoais, e, por exemplo, n\u00e3o publica informa\u00e7\u00f5es sobre sua vida pessoal em redes sociais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 quanto ao medo, Soares diz que j\u00e1 \u201csentiu muito\u201d, mas hoje n\u00e3o mais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEssa \u00e9 uma pergunta que me fazem sempre, mas n\u00e3o \u00e9 uma coisa que eu costumo pensar. J\u00e1 s\u00e3o 11 anos trabalhando com isso, eu j\u00e1 criei uma casca. N\u00e3o \u00e9 algo que passe pela minha cabe\u00e7a quando vou publicar uma mat\u00e9ria\u201d, afirmou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O fato de trabalhar no Globo, um dos maiores jornais do Brasil, oferece prote\u00e7\u00e3o contra amea\u00e7as, acrescentou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSempre que precisei de qualquer coisa nesse sentido, fosse apoio institucional, fosse [para enfrentar o] ass\u00e9dio judicial, o jornal comprou minha briga. Cobrir o que cubro trabalhando de forma independente talvez fosse imposs\u00edvel, mas O Globo de certa maneira \u00e9 um escudo. De repente, se fosse frila ou trabalhasse em um ve\u00edculo menor ou independente, eu teria outra resposta\u201d, disse Soares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O jornalista\u00a0 oferece um conselho pr\u00e1tico contra intimida\u00e7\u00f5es:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu diria que a maior vacina contra esse tipo de coisa \u00e9 ser o mais transparente poss\u00edvel no seu trabalho. Eu sou o cara mais transparente poss\u00edvel, ligo para o advogado, explico exatamente o que quero fazer na mat\u00e9ria, explico que n\u00e3o quero sacanear ningu\u00e9m, falo como o texto vai sair\u201d, afirmou. \u201cEu n\u00e3o gosto de estar nessa posi\u00e7\u00e3o de \u2018inimigo da pol\u00edcia\u2019, nunca busquei isso para mim. N\u00e3o tenho nada contra a pol\u00edcia, pelo contr\u00e1rio. Meu livro \u00e9 justamente uma tentativa de jogar luz sobre um problema pouco documentado e pouco falado\u201d.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_82876\" style=\"width: 351px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-82876\" class=\"wp-image-82877\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/content-200x300.jpg\" alt=\"Book cover of 'Milicianos: Como agentes formados para combater o crime passaram a matar a servi\u00e7o dele,' recently published by Companhia das Letras in Brazil\" width=\"341\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/content-200x300.jpg 200w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/content-683x1024.jpg 683w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/content-768x1152.jpg 768w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/content-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/content.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 341px) 100vw, 341px\" \/><p id=\"caption-attachment-82876\" class=\"wp-caption-text\">Capa de 'Milicianos: Como agentes formados para combater o crime passaram a matar a servi\u00e7o dele', publicado pela Companhia das Letras<\/p><\/div>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">L\u00e1ureas m\u00faltiplas<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalho de Soares tem levado a diversas formas de reconhecimento. Em dezembro de 2020, aos 29 anos, O Globo o promoveu a rep\u00f3rter especial considerado o mais alto cargo poss\u00edvel para rep\u00f3rteres de ve\u00edculos brasileiros \u2013 na pr\u00e1tica, al\u00e9m de melhores sal\u00e1rios, a posi\u00e7\u00e3o significa a liberdade para perseguir as pr\u00f3prias pautas, sem a obriga\u00e7\u00e3o de publicar no dia-a-dia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em termos de pr\u00eamios, o jornalista j\u00e1 acumula mais de 10, incluindo <\/span><a href=\"https:\/\/www.trust.org\/i\/?id=f05609cc-ff6d-40fe-87eb-5d6748c30340\"><span style=\"font-weight: 400;\">o Kurt Schork Award 2021, organizado pela Thomson Reuters Foundation,<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> na categoria \u201cRep\u00f3rter Local\u201d, por seu trabalho na cobertura de seguran\u00e7a p\u00fablica e direitos humanos no Rio de Janeiro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O reconhecimento vem tamb\u00e9m de pessoas com quem Soares aprendeu em sua forma\u00e7\u00e3o. Considerada pelo rep\u00f3rter uma de suas \u201c\u00eddolas\u201d na \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica, a <\/span><a href=\"https:\/\/twitter.com\/joanacmmonteiro\"><span style=\"font-weight: 400;\">economista Joana Monteiro<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, professora na Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, diz que Soares \u2013 assim como <\/span><a href=\"https:\/\/twitter.com\/PaesManso\"><span style=\"font-weight: 400;\">Bruno Paes Manso<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, jornalista que deixou de colaborar de modo fixo em meios de comunica\u00e7\u00e3o e atualmente conduz pesquisas na universidade \u2013\u00a0 apresenta novos conhecimentos inclusive para pesquisadores especialistas na \u00e1rea.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEsse trabalho de jornalismo investigativo \u00e9 extremamente importante. Grande parte dos trabalhos da \u00e1rea [de seguran\u00e7a p\u00fablica] surgiram a partir dessa l\u00f3gica de algu\u00e9m que est\u00e1 na rua, coletando informa\u00e7\u00f5es e juntando pedrinha a pedrinha\u201d, afirmou Monteiro \u00e0 <\/span><b>LJR<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. \u201cAinda n\u00e3o li o livro, mas ouvi \u201cPistoleiros\u2019 e achei muito bom. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um novo resumo de opini\u00f5es; traz novos elementos e produz novos insights. \u00c9 zero trivial fazer esse tipo de reportagem. \u00c9 preciso uma coragem brutal para fazer grande parte das coisas que ele tem feito, como denunciar casos de corrup\u00e7\u00e3o e abuso da for\u00e7a\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diretor de reda\u00e7\u00e3o do Extra at\u00e9 2017, o hoje comentarista pol\u00edtico da GloboNews Octavio Guedes rasga uma longa seda ao falar do antigo subordinado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDesde que chegou no Extra, o Rafael chamou a aten\u00e7\u00e3o dos editores por sua vis\u00e3o ampla sobre seguran\u00e7a. O rep\u00f3rter de pol\u00edcia \u00e9 algu\u00e9m destacado para cobrir um crime. Um atr\u00e1s do outro. Numa cidade como o Rio, onde uma trag\u00e9dia revoga a anterior, \u00e9 preciso intelig\u00eancia e persist\u00eancia para ir al\u00e9m da cobertura crime do dia\u201d, afirmou \u00e0 <\/span><b>LJR<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u201cIsso significa fazer leituras de cen\u00e1rio, entender a necessidade de repress\u00e3o qualificada ao crime e abordar o tema dos Direitos Humanos sob a \u00f3tica jornal\u00edstica. O Rafael, mesmo novo, tinha essas qualidades. Por isso, o considero um rep\u00f3rter de seguran\u00e7a p\u00fablica, com vis\u00f5es equilibradas sobre todos os temas que permeiam o assunto\u201d, acrescentou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Amigo pessoal de Soares, o agente da Pol\u00edcia Federal Marcelo Pasqualetti, que atuou como consultor em \u201cPistoleiros\u201d, julga injusta a antipatia que alguns policiais sentem por Soares, e ressalta que ela n\u00e3o \u00e9 universal na categoria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando eu recebo uma cobran\u00e7a, vejo possibilidade de crescimento. Mas tem gente que se melindra, que fica chateada, acha que institui\u00e7\u00f5es v\u00e3o bem ou est\u00e3o acima de cr\u00edticas\u201d, afirmou Pasqualetti \u00e0 <\/span><b>LJR<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. \u201cMas eu acho que ele [Soares] consegue apontar mazelas e continuar transitando bem. Muitas pessoas entendem que n\u00e3o \u00e9 pessoal, que aquela \u00e9 uma cobran\u00e7a que tem que ser feita para o crescimento das pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es. A cobran\u00e7a \u00e9 da institui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Horizontes futuros<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, Soares diz que atualmente avalia propostas para adapta\u00e7\u00f5es em formato documental e ficcional de \u201cMilicianos\u201d para a TV. O rep\u00f3rter diz tamb\u00e9m estar engajado em uma investiga\u00e7\u00e3o de longo f\u00f4lego para O Globo, al\u00e9m daquelas que conduz rotineiramente e publica nas p\u00e1ginas do jornal e do Extra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Publica\u00e7\u00f5es frequentes, ao menos uma ou duas vezes por m\u00eas, s\u00e3o um h\u00e1bito que o jornalista mant\u00e9m mesmo ap\u00f3s a promo\u00e7\u00e3o para rep\u00f3rter especial, posi\u00e7\u00e3o que, em teoria, o desobrigou da necessidade de novas mat\u00e9rias incessantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu gosto de me manter publicando, at\u00e9 para as pessoas continuarem vendo que continuo falando sobre isso. Me cobro para publicar, tanto para continuar dando vaz\u00e3o \u00e0s fontes, como porque eu sei de hist\u00f3rias e \u00e9 muito ruim ignor\u00e1-las\u201d, afirmou. \u201cEsse trabalho tamb\u00e9m \u00e9 fundamental para mim, porque me for\u00e7a a n\u00e3o me desconectar do mundo real e do dia a dia, daquilo que est\u00e1 acontecendo. Eu tamb\u00e9m me alimento muito dessa rotina\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Parte das informa\u00e7\u00f5es que o jornalista escuta ou sabe, ele n\u00e3o pode publicar. Segundo conta, ainda em 2015 Soares ouviu falar que o ex-policial Adriano da N\u00f3brega era suspeito de comandar um grupo de matadores, sem contudo ter ind\u00edcios fortes a ponto de permitirem a publica\u00e7\u00e3o deste dado. <\/span><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/rio\/operacao-os-intocaveis-conheca-os-alvos-veja-como-age-milicia-que-comanda-rio-das-pedras-23353397?_gl=1*ngpak2*_ga*YW1wLTZHeEZSN1c2UjJwWjhFbDh5aGhnU3kwVW0zOTBweW1hYWVPUEZWemV2czY0MG1jNkhCanZ2UHRFTVYwVXE1Mmw\"><span style=\"font-weight: 400;\">Foi s\u00f3 em 2019, quando N\u00f3brega come\u00e7ou a ser investigado ap\u00f3s o assassinato de Marielle, que seu nome saiu no jornal<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_82870\" style=\"width: 517px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-82870\" class=\"wp-image-82871 size-home-featured\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/32399189477_0006669e74_c-507x340.jpg\" alt=\"A portrait of the late councilwoman Marielle Franco in the Mar\u00e9 favela in 2018. She's wearing a black dress with details in green and red\" width=\"507\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/32399189477_0006669e74_c-507x340.jpg 507w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/32399189477_0006669e74_c-300x200.jpg 300w, https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/32399189477_0006669e74_c-350x234.jpg 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 507px) 100vw, 507px\" \/><p id=\"caption-attachment-82870\" class=\"wp-caption-text\">Retrato da vereadora Marielle Franco na Favela da Mar\u00e9 em 2018, meses antes de seu assassinato (Foto: Bernardo Guerreiro \/ M\u00eddia NINJA CC BY-NC-SA 2.0)<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em rela\u00e7\u00e3o a quem ordenou a morte da vereadora, um dos maiores casos n\u00e3o solucionados do Brasil, o jornalista diz ter fortes suspeitas, que ainda n\u00e3o podem vir a p\u00fablico. Ele d\u00e1 dicas sobre o estado da investiga\u00e7\u00e3o, e diz que acredita que ser\u00e1 resolvida em breve:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA narrativa sobre o caso Marielle contamina aquilo que \u00e9 real sobre o caso. Ent\u00e3o eu acho que, quando chegarem, ningu\u00e9m vai acreditar, porque se criou uma narrativa que \u00e9 maior do que o caso. Esse \u00e9 um problema da pr\u00f3pria investiga\u00e7\u00e3o: eles agora n\u00e3o s\u00f3 precisam chegar, mas precisam conseguir convencer a opini\u00e3o p\u00fablica\u201d, disse Soares. \u201cMas acredito que v\u00e3o chegar em breve. Sou muito otimista\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quanto ao futuro do jornalismo como um todo, Soares diz que as investiga\u00e7\u00f5es s\u00e3o um caminho para sair da crise do setor. Em um ambiente midi\u00e1tico mais ca\u00f3tico e polu\u00eddo, com maior pluralidade de vozes, mas tamb\u00e9m desinforma\u00e7\u00e3o disseminada, esta \u00e9 uma forma da profiss\u00e3o n\u00e3o sucumbir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA imprensa como um todo perdeu relev\u00e2ncia no p\u00fablico Se a gente quiser recuper\u00e1-la, a maneira \u00e9 investindo em investiga\u00e7\u00e3o, investindo em tentar descobrir o que querem esconder\u201d, disse Soares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No que toca \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica do Rio de Janeiro, por fim, Soares afirma que, nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, a despeito de mudan\u00e7as de governo, ela n\u00e3o se alterou no estado, baseando-se numa l\u00f3gica de confronto e de grandes opera\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o solucionaram de fato o problema.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O tema da viol\u00eancia policial, diz Soares, deveria ser debatido durante campanhas eleitorais, quando deveria ficar claro que a atual pol\u00edtica \u201cn\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o foi capaz de de fato enfrentar o problema da seguran\u00e7a, como forma a m\u00e3o de obra do crime organizado\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda assim, o jornalista se diz otimista quanto ao futuro da seguran\u00e7a p\u00fablica no Rio de Janeiro.\u00a0 Sua l\u00f3gica \u00e9 sinuosa, mas clara: h\u00e1 d\u00e9cadas, a pol\u00edtica p\u00fablica no estado \u00e9 feita de forma a ignorar o conhecimento produzido no campo, diz Soares. Neste sentido, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel avali\u00e1-la, porque nenhuma tentativa s\u00e9ria de mudan\u00e7a j\u00e1 foi posta em pr\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA Joana Monteiro diz uma coisa que eu concordo muito: que, de tudo o que a gente estuda sobre o tema baseando-se em evid\u00eancias, nada disso ainda foi aplicado aqui. A gente nunca testou o que de fato a academia produz, aquilo que de fato s\u00e3o as boas pr\u00e1ticas no campo da seguran\u00e7a p\u00fablica. Ent\u00e3o ainda temos uma possibilidade de futuro. Eu estaria muito preocupado se a gente tivesse aplicado, e tivesse comprovado que deu errado\u201d, disse Soares. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Execu\u00e7\u00f5es cometidas por policiais, como ex-integrantes da corpora\u00e7\u00e3o se tornam assassinos profissionais e como formam organiza\u00e7\u00f5es compar\u00e1veis \u00e0 m\u00e1fia: esta \u00e9 a especialidade da cobertura de Rafael Soares, rep\u00f3rter de 32 anos dos jornais O Globo e Extra, que diz n\u00e3o sentir medo. 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Andr\u00e9 worked on the international politics desk at O Globo from 2018 to February 2023, and his stories have been published at The Scientific American, The Intercept, \u00c9poca, and Ag\u00eancia P\u00fablica de Jornalismo, among others. He is also a former Media Fellow at the Global Public Policy Institute (GPPi) in Berlin. Andr\u00e9 Duchiade es un periodista y traductor brasile\u00f1o que vive en R\u00edo de Janeiro. Andr\u00e9 trabaj\u00f3 en la redacci\u00f3n de pol\u00edtica internacional de O Globo entre 2018 y febrero de 2023, y se han publicado historias suyas en The Scientific American, The Intercept, \u00c9poca y Ag\u00eancia P\u00fablica de Jornalismo, entre otros. Tambi\u00e9n fue Media Fellow en el Global Public Policy Institute (GPPi) de Berl\u00edn. Andr\u00e9 Duchiade \u00e9 um jornalista e tradutor brasileiro que mora no Rio de Janeiro. 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Ele tamb\u00e9m foi fellow de m\u00eddia no Global Public Policy Institute (GPPi) em Berlim em 2020 e 2021.","sameAs":["https:\/\/x.com\/duchiadeandre"],"url":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/author\/andre-duchiade\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82905","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82905"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82905\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82917,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82905\/revisions\/82917"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82858"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82905"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82905"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=82905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}