Um grupo de acadêmicos de jornalismo prestou homenagem ao falecido pesquisador e professor da Universidade do Texas em Austin Max McCombs na sexta-feira, 28 de março, com uma reflexão envolvente sobre o papel da definição de agenda no jornalismo online.
O café da manhã de pesquisa iniciou o segundo dia do 26º Simpósio Internacional de Jornalismo Online e homenageou o papel de McCombs na teoria internacionalmente reconhecida sobre o papel da mídia na definição da agenda, que propõe que os meios de comunicação podem moldar a opinião pública ao determinar quais questões recebem mais atenção.
A discussão foi liderada por Sebastián Valenzuela, ex-aluno da UT Austin e professor associado da Pontifícia Universidade Católica do Chile, que iniciou a sessão destacando o legado de McCombs como acadêmico e colega. Como ex-orientando e colega de McCombs, Valenzuela disse que sua memória vive não apenas através de sua pesquisa pioneira, mas também através dos "incontáveis estudantes que orientou, dos colegas que inspirou e das instituições que ajudou em todo o mundo".
"Ele era, em todos os sentidos, um verdadeiro cavalheiro em nossa área", disse Valenzuela. "À medida que continuamos a explorar as questões que importavam para ele, fazemos isso com gratidão e lembrança. Vamos levar adiante seu espírito de investigação e sua crença no poder das ideias para moldar o mundo."
Embora a teoria de pesquisa de McCombs seja às vezes classificada como de "efeito mínimo" porque propõe que os meios de comunicação afetam não o que pensamos, mas apenas aquilo sobre o que pensamos, seu impacto foi exatamente o oposto, disse Talia Stroud, professora da UT Austin e diretora do Center for Media Engagement, que foi colega do acadêmico.
"Assim como sua teoria, os modos humildes e gentis de Max não têm nada de mínimas", disse Stroud. "Ele teve um efeito enorme em mim, em seus colegas e alunos e na área como um todo."
O professor da UT Austin Tom Johnson também elogiou o caráter gentil de McCombs, relembrando seus almoços quinzenais, onde os dois se aproximavam tomando uma Coca-Cola e um sanduíche.
"Ele era simplesmente um verdadeiro cavalheiro sulista", disse Johnson. "Ele era tão modesto que você nunca saberia que ele foi o fundador de uma teoria importante."
Fiel à sua pesquisa, McCombs gostava de metáforas, disse Steve Reese, professor da UT Austin, relembrando a época em que o acadêmico comparou suas próprias ideias à teoria da definição de agenda.
"Você percebe que, se tiver uma ideia convincente, ela pode ter um impacto", disse Reese. "E essa ideia de definição de agenda tem sido paradigmática e hegemônica."
Além de sua pesquisa renomada, McCombs também é lembrado por seu Graduate Student Research Publishing Award, que ele criou em 2006 como um esforço para incentivar estudantes de pós-graduação a publicarem em periódicos revisados por pares. Desde então, 79 alunos de pós-graduação da Escola de Jornalismo e Mídia da UT Austin receberam o prêmio, disse Paula Poindexter, professora da UT Austin que trabalhou em estreita colaboração com o acadêmico. Poindexter, que chamou McCombs de colega, amigo, mentor e orientador de dissertação, disse que sua orientação frequentemente a levou a novos caminhos em sua carreira.
"Ele era um visionário", disse ela. "Ele via coisas sobre mim e meu futuro que eu não via."
A segunda metade da sessão foi dedicada à apresentação de pesquisas em andamento que refletem sobre as ideias de definição de agenda pelas quais McCombs era conhecido.
Ex-aluna do acadêmico e atual professora da Texas State University, Vanessa de Macedo Higgins Joyce discutiu a possibilidade de construção de consenso em uma era de meios de comunicação fragmentados na América Latina como uma elaboração de seu estudo, "Notícias Digitais Construindo Consenso em Democracias Inseguras e Polarizadas na Argentina, Brasil e Colômbia". Em sua pesquisa, ela descobriu que, à medida que aumentava a utilização de mídia digital por grupos de menor e maior escolaridade nessas áreas, eles se aproximavam e formavam um consenso.
"O que descobri é que, talvez nesta era de sistemas de mídia fragmentados e meios digitais, precisamos analisar as razões pelas quais as pessoas as acessam (fontes midiáticas) (e as) condições contingentes dos efeitos que os meios podem ter sobre as pessoas", disse Higgins Joyce.
Como representante dos estudantes de pós-graduação, a doutoranda do terceiro ano Zhi Lin também apresentou sua pesquisa em andamento, que examina a intersecção da comunicação política global e o ecossistema das redes sociais. Em seu estudo, “Agenda Setting: The Role of Political Bots in Digital Public Diplomacy on Social Media”, ela discutiu as formas como os bots políticos podem influenciar a opinião pública, refletindo a pesquisa de McCombs sobre definição de agenda.
"Acho que o terceiro nível da teoria de definição de agenda ressoa com essas abordagens, porque os bots fazem conexões entre tendências autênticas existentes e conteúdo fabricado", disse Lin, ganhadora do Prêmio de Publicação de Pós-Graduação McCombs.
A sessão foi concluída com uma breve discussão sobre a contribuição final da pesquisa de McCombs, que explora a ideia de uma rede de agendas multicamadas e será apresentada por Valenzuela e seus colegas Lei Guo e Diego Gómez na 75ª conferência anual da Associação Internacional de Comunicação (ICA, na sigla em inglês), em junho.
"Trabalhamos com essa ideia desde o ano passado", disse Valenzuela. "E Max, quase nos seus últimos dias conosco, nos enviava e-mails com ideias de como poderíamos desenvolver mais esses pensamentos. Depois que ele faleceu, soubemos que a ICA havia aceitado o primeiro rascunho da nossa versão da teoria."
Emily DeMotte é estudante de jornalismo do segundo ano na Universidade do Texas em Austin. Gosta de reportagens investigativas e de formato longo em mídia impressa e de áudio e atualmente é editora associada de projetos do The Daily Texan e produtora do The Drag Audio.