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Documentos apontam envolvimento da empresa JBS em campanha difamatória contra jornalista Leonardo Sakamoto

Documentos obtidos por ordem judicial indicam que a JBS e uma empresa contratada por ela em 2015 patrocinaram campanha difamatória contra o jornalista e fundador da ONG Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto. As informações foram publicadas pela Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (8).

Por meio de anúncios pagos no buscador Google, as empresas estariam promovendo o texto difamatório "Leonardo Sakamoto Mente", apresentado como primeiro resultado para pesquisas com os termos "Sakamoto", "Leonardo Sakamoto" ou "Blog do Sakamoto" em 2015.

"Já perdi as contas das vezes que fui alvo de campanhas de difamação, assédios e agressões online e em espaços públicos, por conta das reportagens e análises que produzo sobre trabalho escravo e direitos humanos. Há processos criminais contra mim pelo simples fato de ter divulgado resgates de escravos - informação pública de interesse público", escreveu o jornalista em sua página no Facebook.

Sakamoto é colunista do site UOL, onde costuma publicar textos em defesa dos direitos humanos, e fundador da Repórter Brasil, portal especializado no combate ao trabalho escravo no Brasil. No portal, a JBS é citada em reportagens sobre problemas trabalhistas e ambientais. A empresa negou a relação com o texto e ressaltou que autorizou ações de internet para promover notícias relacionadas às suas atividades, mas nenhuma delas envolvia o nome do jornalista ou de sua entidade. A 4Buzz , empresa contratada pela JBS, também negou as acusações e não soube esclarecer como IPs da empresa estavam associados ao caso.

Em maio de 2015, a página "Leonardo Sakamoto Mente" passou a ser promovida. O texto acusa o jornalista de corrupção, afirma que a Repórter Brasil recebeu "mais de R$ 1 milhão por ano para puxar o saco de Dilma", que ele é quem fica "com a maior parte da bolada", que a ONG "não desenvolve nenhuma atividade física", mas "torra mais de R$ 1 milhão por ano do Ministério dos Direitos Humanos".

A repercussão do texto levou Sakamoto a receber diversas ameaças. "Passei a ser alvo mais constante de xingamentos e até agressões físicas", contou. "Você está andando na rua, vem um desconhecido e dá uma ombrada; outro dia um carro para e alguém xinga e cospe na sua direção; você vai a um restaurante, começam a circular fotos suas no local com insultos."

O jornalista acionou a Justiça para que o Google informasse quem contratou o anúncio. Em setembro, por determinação judicial, o Google informou que a ordem partiu da "JBS/SA".

Sakamoto é alvo constante de ataques e ações difamatórias na web. Em fevereiro deste ano, o jornalista recebeu ameaças de morte após uma entrevista falsa com ele ter sido divulgada por um jornal mineiro.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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