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Jornalista guatemalteco José Rubén Zamora é colocado em prisão domiciliar pela segunda vez

O jornalista guatemalteco José Rubén Zamora, de 69 anos, diretor do agora extinto jornal elPeriódico, foi libertado da prisão preventiva e colocado em prisão domiciliar pela segunda vez em 12 de fevereiro.

Man in black suit and tie stands amid reporters in elevator

A Guatemalan judge ordered José Rubén Zamora to be released to house arrest. (Photo: Christian Gutiérrez/Agencía Ocote)

O juiz José Morales determinou sua libertação no início do dia, após concluir que os 1.295 dias em que Zamora permaneceu preso excedem a possível pena que ele poderia receber caso venha a ser condenado pelos crimes de que é acusado.

“Me sinto em paz. Passei mais tempo na prisão do que deveria e sofri tortura e repressão psicológica”, disse Zamora ao Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). “Tenho sido um morto-vivo, assistindo à minha agonia em câmera lenta por um período indefinido, mas valeu a pena. Minha detenção arbitrária expôs a corrupção e o uso do sistema de Justiça para silenciar vozes críticas de forma mais eficaz do que todo o meu trabalho de trinta anos no elPeriódico. Hoje o mundo está com os olhos voltados para a Guatemala.”

Em processos amplamente criticados, Zamora foi enviado repetidamente à prisão ao longo de mais de três anos.

“Esta é uma tarde muito importante para mim, embora eu acredite que seja bastante possível que eu volte”, disse Zamora a repórteres ao ser libertado, segundo informou o El País.

Zamora foi preso em julho de 2022 sob acusação de lavagem de dinheiro. Em junho de 2023, foi condenado nesse caso e sentenciado a seis anos de prisão.

Um juiz concedeu a ele prisão domiciliar em outubro de 2024, mas ele foi enviado de volta à prisão em março de 2025 após recursos apresentados pelos promotores.

Em outubro de 2025, um tribunal acolheu seu recurso no caso de lavagem de dinheiro e abriu a possibilidade de um novo julgamento.

A defesa de Zamora alegou violações do direito à defesa e falta de devido processo durante o julgamento. Seus advogados afirmaram que a documentação apresentada comprova que os Q300.000 (cerca de US$ 38 mil) se referiam à venda de obras de arte destinada a pagar salários no elPeriódico, segundo informou a Prensa Comunitaria.

Além disso, a Promotoria Especial contra a Impunidade (FECI) acusa Zamora de obstrução da Justiça relacionada ao caso de lavagem de dinheiro. Nesse segundo processo, ele também é acusado de usar documentos falsificados.

Observadores internacionais e o próprio presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, apontaram irregularidades nos casos de Zamora e afirmaram que se tratava de retaliação por suas reportagens sobre corrupção governamental.

“Este é um caso espúrio contra ele e demonstra as estratégias de criminalização do Ministério Público”, disse Arévalo em março de 2025, antes de Zamora ser retirado da prisão domiciliar pela primeira vez e novamente enviado à prisão.

O Grupo de Trabalho das Nações Unidas (ONU) sobre Detenção Arbitrária já havia declarado que a prisão de Zamora configurava uma violação do direito internacional.

Após sua mais recente libertação, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) conclamou as autoridades a retirarem todas as acusações contra Zamora.

“As repetidas manobras judiciais para manter Zamora atrás das grades enviam uma mensagem intimidatória a todos os repórteres investigativos na Guatemala”, afirmou a organização.

Traduzido por Ramon Vitral
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