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Jornalistas dos EUA e de outros países pedem mais cursos de capacitação digital, afirma novo relatório da Fundação Knight

Em novo relatório da Fundação Knight sobre capacitação digital e educação contínua nas redações, o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas foi mencionado por seu conceituadíssimo programa de educação on-lie a distância, que em 2010 e 2011 capacitou mais de 2.500 jornalistas latino-americanos e caribenhos. A maioria desses jornalistas disse utilizar o que aprendeu nos cursos e que os recomendava para outros, e que a capacitação on-line era tão boa ou melhor que os cursos presenciais tradicionais.

Digital Training Comes of Age” ("Treinamento digital atinge a maioridade", em tradução livre), o novo relatório da Fundação John S. and James L. Knight , publicado na quinta-feira, 9 de agosto, entrevistou 600 ex-alunos de programas financiados pela Fundação Knight, e revela que "o tsunami digital que abalou a indústria do jornalismo está remodelando também o cenário da capacitação jornalística", segundo o Centro Knight de Mídia Digital. O relatório foca em oito programas financiados pela Fundação Knight, além do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, e aborda questões como se os jornalistas acreditam que suas redações estão acompanhando o ritmo das mudanças tecnológicas e quais tipos de treinamento são desejados por jornalistas.

No relatório, nove entre 10 ex-alunos do Centro Knight entrevistados disseram que a a capacitação on-line do Centro Knight era tão boa quanto ou melhor que os cursos tradicionais em salas de aula. Esses dados podem indicar que "a capacitação do Centro Knight é de alta qualidade -- ou, uma vez que o critério é relativo, podem significar que a capacitação tradicional na América Latina e na América do Sul é de qualidade ruim ou simplesmente inexistente."

Cerca de 77% dos ex-alunos do Centro Knight entrevistados disseram que usaram em grande medida ou em muito grande medida o que aprenderam nos cursos de capacitação do Centro, e 76% disseram que ensinaram o que aprenderam para outros. Por exemplo, segundo o relatório, desde que a jornalista argentina Ana D’Onofrio participou de um dos cursos on-line do Centro Knight , em 2008, cerca de 300 jornalistas do jornal argentino La Nación participaram de cursos on-line e presenciais, levando a grandes mudanças na redação em relação a tecnologias digitais, como o aumento de tráfego da internet, um número maior de blogs e melhoras no jornalismo de dados.

Cerca de 92% dos jornalistas entrevistados disseram ter recomendado os cursos do Centro Knight para outros, e 74% disseram que muito provavelmente fariam essa recomendação. Como a jornalista brasileira Lenara Guadagnin Londero disse no relatório, o "Centro Knight é como um compasso no mar de informação que é a internet”.

O relatório também revela que capacitação on-line como a oferecida pelo Centro Knight é especialmente popular entre jornalistas fora dos Estados Unidos, onde treinamento de qualquer tipo é mais difícil de ser encontrado. De forma geral, o relatório "mostra que a capacitação – embora ainda seja subestimada pela indústria jornalística – pode fazer uma grande diferença, estimulando jornalistas a encontrar novas maneiras de fazer jornalismo que se destaquem do trabalho de seus colegas tanto em técnica quanto em impacto".

Outras informações relevantes apresentadas no relatório mostram uma demanda crescente por capacitação, uma vez que cerca de um quarto dos jornalistas entrevistados estavam insatisfeitos com as oportunidades de treinamento, e 85% disseram que seria bom para eles ter mais capacitação. Os jornalistas disseram que queriam especialmente mais treinamentos multimídia, em análise de dados e em tecnologia, afirmou o Poynter. Curiosamente, a maioria dos jornalistas classificou seus veículos com notas baixas em relação a oferta de capacitação: seis em 10 classificaram as empresas de mídia onde trabalhavam com uma nota C ou pior em relação ao cumprimento das necessidades de capacitação dos jornalistas.

No geral, 96% dos jornalistas entrevistados disseram que usavam o treinamento em seu trabalho, dois terços disseram que "o curso ajudou a trazer mais profundidade ao seu trabalho ou a fazer um jornalismo mais atraente" segundo o relatório, e mais da metade disse que os cursos "ajudaram-nos a fazer trabalhos que tivessem impactos em suas comunidades".

Também é importante notar, segundo o relatório, mais da metade dos jornalistas entrevistados usa seu próprio dinheiro para pagar por cursos de capacitação, que variam de $ 27 a $ 100.000, com uma média de $ 751 gastos em cursos de capacitação no ano anterior. Mais jornalistas internacionais (57%) do que estadunidenses (38%) pagaram por cursos de capacitação no ano anterior.

O realtório também revela que mais de 90% dos jornalistas entrevistados disseram que "suas organizações devem se tornar organizações de educação e estabelecer uma cultura de experimentação e adaptação para sobreviver na era digital", mas menos de 60% disseram ver esse fenômeno acontecer. Além disso, apenas metade dos entrevistados disse que suas organizações de mídia estão acompanhando mudanças tecnológicas, e apenas metade está otimista em relação ao futuro das organizações jornalísticas convencionais na era digital.

Assim, afirma o relatório, "desenvolvimento profissional desempenhará um papel-chave na transformação do cenário do jornalismo. Nem todas as organizações de mídia vão sobreviver à transição para a era digital. Aquelas que o fizerem serão ágeis e adaptáveis. Terão culturas de educação, onde a capacitação faz parte da rotina cotidiana".

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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