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Meios digitais brasileiros desenvolvem ferramenta para fomentar comunidade de leitores no Twitter

Os meios digitais brasileiros AzMinaNúcleo têm desenvolvido nos últimos meses uma ferramenta para acompanhar os debates de suas leitoras e leitores no Twitter e promover conversas entre o público e os meios na rede social. A ideia é que, ao conhecer melhor seu público e saber quais são seus interesses, os meios possam se aproximar de seus leitores e potencializar o impacto do jornalismo que produzem. Eles também pretendem disponibilizar esta ferramenta para que seja usada por outras organizações interessadas em se conectar com seu público.

Os dois meios se basearam na experiência do Núcleo com ferramentas de monitoramento de redes, como o Science Pulse, que explora tendências e conversas sobre ciência no Twitter e no Facebook, e o Monitor Nuclear, que analisa o engajamento de perfis de políticos brasileiros no Twitter, para criar o projeto Amplifica.

“A ideia foi criar uma ferramenta de construção de comunidade. Foi um pensamento em conjunto [entre AzMina e Núcleo] e, a partir de algumas reuniões, surgiu essa ideia de como trazer as pessoas para dentro do nosso conteúdo”, disse Jade Drummond, responsável pelo projeto no Núcleo, à LatAm Journalism Review (LJR).

“Ao monitorar, reunimos informações para nós mesmos, mas não necessariamente estamos construindo uma comunidade. Então [pensamos] a partir dessa ferramenta, desse monitoramento, como podemos trazer a comunidade para dentro do nosso conteúdo? Como nos aproximamos destas pessoas, como podemos gerar conversas e trocas entre os leitores? Assim foi surgindo e se desenhando este projeto”, contou ela.

Os dois meios têm trabalhado no desenvolvimento do Amplifica, selecionado no Desafio de Inovação 2021 da Google News Initiative e financiado pela empresa de tecnologia, desde outubro do ano passado. Na primeira fase do projeto, contaram com a participação de cerca de 200 perfis no Twitter e desenvolveram um painel por meio do qual podem acompanhar os dados e as publicações desta comunidade na rede social.

Em abril, os meios abriram ao público uma versão simplificada do painel ao qual suas equipes têm acesso, com a ideia de visibilizar a ferramenta e convidar mais pessoas para fazer parte da comunidade. O painel público reúne termos, hashtags e tuítes mais populares, além dos links mais compartilhados, dos mais de 300 perfis no Twitter que se inscreveram no Amplifica até o momento.

Painel público do Amplifica (Captura de tela)

Diferentemente de ferramentas de escuta social comumente usadas por meios e empresas para saber quais temas estão em alta nas redes sociais, o Amplifica acompanha apenas as pessoas que inscreveram seus perfis do Twitter na ferramenta. Isso porque a ideia é conhecer mais a fundo as pessoas que estão interessadas no jornalismo produzido por AzMina e Núcleo e que são ativas na rede social. Para isso, o Amplifica coleta dados dos perfis, como os tuítes e suas interações, além de dados demográficos como gênero e raça das leitoras e leitores.

“Nesta primeira etapa, estamos entendendo como a coleta de dados funciona. Depois, vamos integrar produção de reportagens e interação [com o público]”, disse Verena Paranhos, responsável pelo projeto n’AzMina, à LJR.

Segundo ela, além da produção de reportagens a partir dos temas reverberados pela comunidade no Twitter, nesta segunda fase do Amplifica será desenvolvida a ferramenta que vai permitir colocar o meio e seu público para conversar na rede social. A intenção é automatizar este processo, por meio de um bot que capte tuítes com determinada hashtag e os reúna em uma thread, por exemplo. Segundo Paranhos e Drummond, os detalhes desta ferramenta de interação ainda estão sendo explorados pelas equipes dos dois meios e não estão fechados.

Para desenvolver esta próxima fase do Amplifica, a ferramenta precisa de pelo menos 500 pessoas inscritas, por isso os dois meios estão se dedicando no momento a convidar leitoras e leitores a inscrever seus perfis no projeto.

“De acordo com experiências anteriores de análise das redes, ter ao menos 500 perfis monitorados gera um volume de dados interessante para permitir que os testes e as análises tenham efeito”, disse Drummond. “Se a comunidade acompanhada for muito menor que isso, o volume de dados é baixo e as análises automatizadas, que são usadas para filtrar o ruído do excesso de conteúdo espalhado nas redes e tirar sentido do que está sendo publicado pelas nossas leitoras e leitores, têm pouco efeito”, explicou.

Ainda segundo Drummond, o desenvolvimento da próxima fase do Amplifica “já começou internamente, com o desenvolvimento dos bots e conversas com o Twitter, mas dependemos da construção dessa comunidade de ao menos 500 perfis para entender o comportamento e interesse das pessoas que fazem parte do Amplifica e, assim, ter mais ideias e clareza do que vai funcionar melhor na hora de conectar essa comunidade”.

Tanto AzMina quanto Núcleo tem uma política de código aberto, disseram Paranhos e Drummond, citando ferramentas como Elas no Congresso, desenvolvida por AzMina, cujo código está disponibilizado no GitHub. O Amplifica também terá código aberto e poderá ser usado por outras organizações, jornalísticas ou não, para acompanhar e interagir com seu público no Twitter.

“O objetivo é que seja uma ferramenta que outros veículos jornalísticos também possam usar futuramente, depois que a gente terminar este desenvolvimento e a criação do projeto completo”, disse Drummond. “A ideia é que outros veículos possam replicar [a ferramenta] e criar suas próprias comunidades, e o Amplifica ser uma ferramenta usada por outros veículos jornalísticos de forma geral.”

A previsão é que a seção de interação do Amplifica seja desenvolvida ao longo dos próximos meses e que a ferramenta esteja operando integralmente por volta de outubro deste ano.

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