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Grupos de mídia peruanos tomam partido por Keiko Fujimori em segundo turno de eleições presidenciais, diz estudo

A uma semana do segundo turno das eleições presidenciais peruanas entre Keiko Fujimori e Ollanta Humala, um estudo de mídia elaborado pela organização não governamental Associação de Comunicadores Sociais Calandria concluiu que um bloco importante de imprensa peruana tem se posicionado em favor da candidata Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, preso por violações dos direitos humanos, informou a agência IPS.

estudo constatou que o olhar da mídia se concentrou no ex-militar Humala, não necessariamente para ressaltar sua candidatura, mas para atacá-lo. Nesse contexto, como aponta artigos da IPS e da Antiprensa, o grupo empresarial jornalístico El Comercio, o mais importante do país, editor do jornal com o mesmo nome, e o tabloide Perú.21, foram acusados de apoiar Fujimori em razão dos permanentes ataques contra Humala e da falta de pluralidade em seus noticiários.

Para o jornalista Gustavo Gorriti, diretor do projeto de investigação IDL-Reporteros, a posição do El Comercio tem a ver com a presença da diretora Martha Meier no jornal, candidata ao parlamento em 2000 pelo partido de Fujimori.

Em meio a um empate técnico entre os candidatos, vive-se no Peru um clima pré-eleitoral de agressões e censura contra jornalistas. Vários deles foram demitidos ou tiveram que renunciar por não se alinharem com o fujimorismo.

O caricaturista Miguel Det renunciou ao tablóide Perú 21 com uma carta dirigida ao diretor em que diz que se sente repugnado ao ver como o veículo não hesita “em sacrificar a verdade e aposta por deixar mais uma vez o país aos pés de ladrões e criminosos conhecidos.”

Em reação à cobertura tendenciosa, o escritor peruano e Prêmio Nobel Mario Vargas Llosa se ofereceu gratuitamente para dirigir um programa na América Televisión, emissora mais popular do Peru e cujo maior acionista é o Grupo El Comercio. A proposta pretendia ser uma alternativa ao popular programa do jornalista Jaime Bayly, que só ataca Humala, mas a rede rejeitou a proposta, informa a EFE.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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