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Novo diretor de notícias da AP para América Latina e Caribe quer uma cobertura mais multimídia

Desde que começou sua nova função, Paul Haven, o novo diretor de notícias para América Latina e Caribe da Associated Press (AP), supervisionou a cobertura do alívio de restrições a viagens dos EUA para Cuba, uma entrevista com o presidente argentino, Mauricio Macri, e histórias sobre a crise política brasileira que atinge os líderes do país.

A agência de notícias, criada no século XIX como uma cooperativa de jornais americanos, anunciou o novo cargo de Haven no dia 3 de março. Da Cidade do México, ele vai liderar uma equipe de mais de 100 jornalistas e editores e será responsável pelo serviço da AP de espanhol e português, segundo um comunicado da empresa.

A AP disse: “a contratação é parte de uma transformação para fazer a empresa trabalhar em todos os formatos, com jornalistas multimídia e integrando edições que enfatizem vídeo e redes sociais, juntamente com uma estrutura de administração funcional que vá de encontro à demanda dos clientes.”

Haven, que é de Nova York, trabalhava como subeditor de América Latina para a AP desde 2013, mas sua carreira nas empresas de mídia começou em 1990, em Bogotá, na Colômbia. Ele também trabalhou nos Estados Unidos, Peru, Venezuela, México, Iraque, Espanha, Portugal e Inglaterra, liderou escritórios de empresas em Madri e Lisboa e foi chefe de sucursais no Paquistão, Afeganistão e Havana.

O jornalista recentemente respondeu algumas questões do Centro Knight sobre sua nova funçao:

Centro Knight: Você será responsável por mais de 100 jornalistas e editores por toda região. Como você vai fazer para manter o contato com a equipe, e, mais especificamente, como você, como editor, acompanha os ciclos de noticias em cada país?

Paul Haven: Você tocou em dois dos maiores desafios do cargo: coordenação e comunicação. Todos os dias organizamos um relatório de notícias de todo o grande e diverso continente em textos, fotos e vídeos, bem como em inglês e em espanhol. Eu acho que a chave para o sucesso é ter certeza que estamos todos na mesma página, e que todos os nossos talentosos repórteres, fotógrafos e cinegrafistas estão trabalhando juntos para contar histórias da maneira mais vívida possível. É uma conversa constante, no nível da sucursal e regionalmente. Nós fazemos muito planejamento, várias ligações com vídeo-conferência e sessões de mensagens e de brainstorming. Ainda assim, é um desafio constante, uma vez que estamos sempre trabalhando com prazos.

KC: Como você pretende atrair públicos que não têm laços com América Latina e Caribe para ler histórias desses esses lugares?​

PH: ​Grandes histórias são interessantes para ler e ver, não importa de onde você é. No ano passado, fizemos um tremenda e poderosa série multimídia e interativa sobre praga dos sequestros no México e os horrores que a violência trouxe para famílias e comunidades, e outra série no Brasil, que mediu os níveis, francamente de revirar o estômago, da poluição da água em locais olímpicos no Rio. Ambos os projetos tiveram impacto muito além da própria região. Em notícias locais, nosso objectivo é adicionar contexto, análise e abranger o que poucas outras agências internacionais de notícias conseguem. Por exemplo, sobre o surto recente de Zika, as matérias e imagens feitas por nossa equipe no Brasil foram elogiadas por escritores de ciência e médicos em NY, Londres, Bruxelas e em outros lugares, bem como escritores de assuntos de negócios e viagens nos Estados Unidos e uma equipe de redes sociais e interatividade que ajudou a colocar tudo junto. Tentamos lembrar que devemos ser coisas diferentes para clientes diferentes. Temos clientes regionais de língua espanhola interessados ​​em desenvolvimentos mais granulares e clientes globais que podem ter um apetite menor, mas querem as histórias da América Latina que costumavam ser vívidas e informativas.

KC: Em alguns países da região, jornalistas locais têm relatado dificuldades em trabalhar e ter acesso a informação. Isso é uma preocupação para sua equipe?

PH: A AP apura notícias e as compartilha em amplo espectro há 170 anos. Temos recursos. Somos empreendedores. Sabemos que nossos clientes e audiência confiaram que traremos as grandes histórias e os manteremos a par das notícias importantes todos os dias. Durante a minha carreira, eu trabalhei em muitos países diferentes, do Paquistão e Afeganistão a Cuba, Haiti e México. Posso dizer que cada país tem seus desafios, seja de acesso ou perigo, ou falta de comunicação ou infra-estrutura. Os jornalistas da AP enfrentam muitos dos mesmos problemas que os repórteres locais nestes países, e, claro, eles são sempre uma preocupação. Mas vamos continuar a perseguir a notícia onde quer que ela esteja, na América Latina e em outros lugares.​

KC: A AP disse em um comunicado à imprensa que sua contratação “é parte de uma transformação para fazer a empresa operar em todos os formatos”. Você poderia explicar isso melhor?

PH: ​Minha nomeação como diretor de notícias para a América Latina faz me o quarto diretor de notícias da AP em todos os formatos de frente internacional, seguindo promoções semelhantes nos últimos anos no Oriente Médio, na Europa e na região da Ásia/Pacífico. Basicamente, a AP vê como vital em meio à difusão e consumo de notícias cada vez mais rápido em uma variedade cada vez maior de plataformas e dispositivos, planejar a cobertura com os repórteres de texto, equipe de vídeo, fotógrafos e especialistas em redes sociais juntos à mesma mesa, para acelerar nossa resposta e gerar maior eficiência e cooperação entre colegas.

KC: Quais as principais pautas que sua equipe de América Latina e Caribe estão cobrindo agora?

PH: Agora estamos nos preparando para a visita histórica do presidente dos EUA, Barack Obama, a Cuba, e, claro, os Jogos Olímpicos no Rio. A história do Zika estourou com potencial de impacto praticamente em todo o continente. De forma mais ampla, estamos focados em mostrar como eventos globais afetam pessoas reais. Isso poderia ser a crise econômica e convulsões políticas em tantos países na América Latina, ou a violência empurrando milhares de centro-americanos para tentar a perigosa viagem ao norte. Esse é realmente um momento emocionante e importante na América Latina e é uma honra fazer parte da nossa cobertura.​

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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