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Repórter investigativo brasileiro está entre os premiados pelo Comitê de Proteção aos Jornalistas

Por Alejandro Martínez

O veterano repórter investigativo brasileiro Mauri König foi um dos quatro jornalistas de diferentes países a receber o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa 2012, do Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ). A premiação reconhece a coragem dos profissionais que arriscam suas vidas por suas investigações e frequentemente enfrentam retaliações.

“Muitos jornalistas pagaram com a vida por acreditarem que o jornalismo é uma ferramenta para melhorar a realidade, revelar injustiças, denunciar governos corruptos e expor arbitrariedades da polícia”, disse König em seu discurso durante o evento de premiação, em Nova York. “Em memória deles, compartilho esse prêmio com aqueles que buscam praticar o jornalismo como um instrumento de mudança, mesmo que isso implique em riscos”.

König é diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e, desde 2002, trabalha para o jornal Gazeta do Povo, em Curitiba. Ele acumula mais de duas décadas de experiência e se tornou um dos principais repórteres investigativos do país.

As matérias de König frequentemente abordam questões de direitos humanos e corrupção. Eme 2004, König escreveu uma série sobre o tráfico sexual de menores na fronteira, levando à prisão um dos maiores criminosos da região.

O jornalista já enfrentou ameaças e agressões em decorrência de seu trabalho. Segundo a Gazeta do Povo, König preciso se mudar com a família em 2003, após receber ameaças ligadas a uma denúncia de que policiais estariam envolvidos com roubos de carros.

Em 2000, de acordo com o CPJ, König foi brutalmente agredido e deixado para morrer enquanto investigava o sequestro de crianças brasileiras para o serviço militar paraguaio.

“Um estudante de jornalismo uma vez me perguntou se eu não tinha medo de fazer esse tipo de trabalho investigativo", disse em seu discurso. "Respondi que minha indignação é maior do que o meu medo. Indignação é o que melhor explica a motivação de quem faz esse tipo de jornalismo”.

Ainda segundo a Gazeta do Povo, a investigação mais recente de König foi publicada em setembro e abordou a exploração sexual nas cidades brasileiras que sediarão a Copa do Mundo de 2014.

Além de König, o CPJ premiou outros três jornalistas: Dhondup Wangchen, da China; Azimjon Askarov, do Quirguistão, e Mae Azango, da Libéria.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog Jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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