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10 livros e guias sobre jornalismo e inteligência artificial que você não pode deixar de ler

O uso da inteligência artificial (IA) no jornalismo não faz mais parte do futuro, mas do presente. Meios de comunicação, jornalistas e pesquisadores estão cada vez mais buscando espaços para refletir sobre a irrupção e o impacto que essa tecnologia tem tido na profissão nos últimos anos.

LatAm Journalism Review (LJR) apresenta abaixo uma lista de 10 guias ou livros escritos em espanhol, inglês ou português que exploram as vantagens e os desafios que jornalistas enfrentam com a IA. Também fornecem ferramentas e dicas sobre como integrar essa tecnologia aos fluxos de trabalho.

Gigantes da tecnologia, IA e jornalismo (Whittaker)

Antes do advento do ChatGPT e dos sistemas de IA generativa, Jason Whittaker publicou um livro intitulado “Tech Giants, Artificial Intelligence and the Future of Journalism” (“Gigantes da tecnologia, inteligência artificial e o futuro do jornalismo).

Whittaker faz parte da Escola de Inglês e Jornalismo da Universidade Lincoln, na Pensilvânia. No livro, ele explora o impacto nos meios de comunicação das cinco grandes empresas de tecnologia: Apple, Alphabet/Google, Amazon, Facebook e Microsoft.

"Explorando as mudanças que o setor de tecnologia e a automação introduziram na última década na produção, na distribuição e no consumo de notícias globalmente, o livro analisa o que acontece com o jornalismo depois que ele é produzido e entra nos ecossistemas de mídia dos gigantes da tecnologia da internet, e o impacto das redes sociais e da IA em questões como notícias falsas na era da pós-verdade", diz a introdução do livro.

O texto está em inglês, sem tradução para o espanhol ou português.

IA para jornalistas (Prodigioso Volcán)

A empresa de comunicação Prodigioso Volcán, juntamente com a Fundação Gabo, também se antecipou ao boom da IA generativa e, no final de 2020, lançou um guia em espanhol intitulado "Inteligencia artificial para periodistas" (Inteligência artificial para jornalistas).

A intenção, de acordo com os criadores, era esclarecer alguns dos conceitos básicos sobre a tecnologia e sua aplicação para jornalistas curiosos em incorporá-la em seu trabalho diário.

Em fevereiro de 2023, eles publicaram um guia ampliado com conceitos atualizados.

O guia remonta às origens da inteligência artificial, explorando diferentes termos e o uso da tecnologia ao longo do tempo, aprofunda-se no ChatGPT e nas ferramentas básicas de IA, e até discute a ética jornalística da IA.

"O jornalismo e a inteligência artificial têm dois pontos de encontro possíveis: quando o jornalismo usa ferramentas de IA em seus processos e quando o jornalismo cobre a IA. Em ambos os casos, os desafios éticos são múltiplos e não devem ser negligenciados", diz o guia.

O texto foi escrito por Karen De la Hoz, da Fundação Gabo, e Florencia Coelho, da New Media Research do La Nación, Argentina.

Newsmakers (Universidade de Columbia)

Também em 2020, Francesco Marconi, que liderou o desenvolvimento do uso de IA no jornalismo para a Associated Press e o Wall Street Journal, publicou um livro sobre o potencial dessa tecnologia.

O texto, intitulado "Newsmakers: Artificial Intelligence and the Future of Journalism" (Produtores de notícias: Inteligência Artificial e o Futuro do Jornalismo), promete se aprofundar nas questões importantes que os jornalistas e os meios de comunicação precisam considerar ao integrar a IA e os algoritmos em seu fluxo de trabalho.

"Para estudantes de jornalismo e profissionais de mídia experientes, os insights de Marconi fornecem a clareza necessária e um roteiro prático sobre como a IA pode servir melhor ao jornalismo", diz a Universidade de Columbia.

Os capítulos do livro são divididos em: o problema de que a tecnologia está avançando mais rápido do que as práticas jornalísticas, fatores facilitadores da IA e seu uso para transformar as redações.

O livro está em inglês, sem tradução para outros idiomas.

Jornalismo e IA na América Latina (Unesco)

O escritório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em Montevidéu publicou em 2023 o livro “Periodismo e Inteligencia Artificial en América Latina” ("Jornalismo e Inteligência Artificial na América Latina") como parte dos cadernos de discussão sobre comunicação e informação publicados pela organização.

De acordo com a Unesco, esses cadernos têm como objetivo fornecer subsídios para que tomadores de decisão possam “levar em conta diferentes ângulos das questões da agenda internacional, sempre tendo como princípio orientador os padrões internacionais existentes. O objetivo não é oferecer a última palavra, mas sim contribuir para um debate cada vez mais informado e pluralista sobre as questões centrais de ontem, hoje e amanhã.”

Este texto jornalístico está em espanhol e é dividido em vários capítulos que abrangem os seguintes temas: como fazer uma cobertura jornalística de IA de qualidade, o uso de IA nas redações latino-americanas, desenvolvimento de ferramentas, automação no jornalismo de dados e IA generativa.

A autoria é de Natalia Zuazo e a pesquisa, de Gala Cacchione.

De acordo com o livro, o termo inteligência artificial está entre nós há quase sete décadas e os processos de automação são comuns em nosso cotidiano. Mas, para os não especialistas e para a mídia, o ano de 2023 será lembrado como aquele em que a IA se tornou uma palavra muito usada.

Não estamos sozinhos (Ojo Público)

Esta não é a primeira vez que o meio digital peruano Ojo Público publica um livro sobre jornalismo. No início de março, eles anunciaram o lançamento de “No estamos solos. Herramientas de inteligencia artificial en la era de la desinformación” (“Não estamos sozinhos: Ferramentas de inteligência artificial na era da desinformação”).

"Um manual para jornalistas e comunicadores que fornece uma visão abrangente de como a mídia em todo o mundo teve que lidar com o surgimento de programas, aplicativos e novos recursos digitais, com alto potencial de desinformação e impacto especial nas redes sociais", afirma o comunicado de imprensa divulgado no lançamento da obra.

O livro foi escrito por David Hidalgo, diretor executivo do OjoPúblico, e Gianella Tapullima, editora de verificação. Eles também contaram com o apoio da equipe de fact-checking do meio.

O livro consiste em três capítulos. O primeiro enfoca o avanço das novas tecnologias; o segundo fala sobre a experiência do OjoPúblico no desenvolvimento da ferramenta jornalística Quispe Chequea, que usa recursos de IA para produzir conteúdo de verificação jornalística em texto e áudio em idiomas nativos; e, por fim, o terceiro capítulo mostra uma série de estudos de caso com as melhores práticas no uso dessa tecnologia.

O mínimo que você deve saber (Guia Farol Jornalismo)

A organização brasileira Farol Jornalismo publicou, no início do ano, o guia em português “O mínimo que um jornalista precisa saber sobre inteligência artificial para começar 2024”.

O texto reúne os principais conteúdos sobre o tema publicados pela organização durante 2023, especialmente aqueles enviados por meio de sua newsletter semanal.

"Ao longo de 2023, nos debruçamos quase toda a semana sobre o tema da inteligência artificial no jornalismo. Esse guia é um esforço para dar sentido à superabundância de conteúdo relacionado ao assunto", disse a equipe do Farol Jornalismo na introdução do guia.

O guia foi produzido por Giuliander Carpes e editado por Moreno Osório e Lívia Vieira.

O guia explica conceitos básicos sobre o que é inteligência artificial e o que são grandes modelos de linguagem (LLMs).

Também oferece uma lista de cursos sobre o assunto, incluindo dois do Centro Knight: Como usar o ChatGPT e outras ferramentas de IA generativa em sua redação; e IA generativa para jornalistas: Descobrindo o que os dados podem fazer.

Além disso, o guia explica os usos que a IA pode ter em uma redação e os problemas do uso da tecnologia.

ChatGPT: Evolução ou fim do jornalismo? (Berti)

O segundo texto em português desta lista é um e-book escrito por Orlando Berti, pós-doutorando em Comunicação na Universidade Estadual do Piauí, no nordeste do Brasil.

ChatGPT: Evolução ou fim do jornalismo?” foi lançado em junho de 2023 e Berti tenta responder a perguntas como: A Inteligência Artificial quer se apoderar da sociabilidade humana? Quais são alguns exemplos práticos do uso do ChatGPT no jornalismo? A inteligência artificial vai revolucionar ou acabar com a profissão?

“O livro aborda a temática de forma atual, trazendo exemplos práticos e estimulando a adaptação e a renovação profissional. O pesquisador afirma que é um divisor de águas entre o passado e o presente, abordando não apenas o futuro do Jornalismo, mas as transformações que já estão ocorrendo. É um convite à reflexão sobre o papel do jornalista no contexto atual e a necessidade de se reinventar para acompanhar as mudanças tecnológicas”, afirma o comunicado de imprensa sobre o livro.

Mapeamento de conceitos, casos e recomendações (Tejedor)

O único livro da lista criado inteiramente na Espanha é Inteligencia artificial en el periodismo: Mapping de conceptos, casos y recomendaciones (Inteligência artificial no jornalismo: mapeamento de conceitos, casos e recomendações).

O livro foi coordenado por Santiago Tejedor, professor, jornalista e chefe do Departamento de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha.

As informações contidas no livro estão divididas em seis capítulos: histórico, conceitos e reflexões, contribuições e desafios, mapeamento de casos, a mídia catalã perante a IA e treinamento e aprendizado.

"O livro analisa claramente as ferramentas emergentes e suas aplicações em diferentes esferas do trabalho jornalístico... o livro oferece, em suma, uma visão refinada que evita tanto a nostalgia apocalíptica do passado quanto aqueles outros discursos integrados que apenas elogiam o que está por vir, sem levar em conta os sérios problemas e incógnitas que também podem estão no caminho", disse o jornalista espanhol Ramón Salaverría no prefácio do livro.

Os Novos Caminhos do Jornalismo (LamCom)

Outro livro em português na lista é o texto intitulado “Mobilidade e Inteligência Artificial: Os Novos Caminhos do Jornalismo”.

O livro foi elaborado pela equipe do LamCom, unidade de pesquisa da área de Comunicação e Artes da Universidade da Beira Interior, em Covilhã, Portugal, e conta com quatro capítulos: uso de dispositivos móveis, narrativas jornalísticas para dispositivos móveis, estudos de caso e inteligência artificial aplicada ao jornalismo.

"Esta obra resulta do 5º JDM – Congresso Internacional de Jornalismo e Dispositivos Móveis realizado em dezembro de 2021. Não se trata de um livro de atas, mas sim do resultado fnal de um longo trajeto que começou na chamada de trabalhos", explica a introdução do livro.

Embora a maior parte esteja em português, alguns textos do livro estão no idioma original em que foram escritos. Nesse caso, há pelo menos dois textos em espanhol no livro.

Uso ético da IA (Repórteres sem Fronteiras)

Embora não seja um livro nem um guia extenso, a Carta de Paris sobre Inteligência Artificial e Jornalismo, publicada em novembro de 2023, é uma importante adição à lista.

Ela está disponível em inglêsespanhol, português e francês.

A carta enfatiza que a ética jornalística deve reger o uso da inteligência artificial e lista um conjunto de princípios éticos fundamentais para proteger a integridade das notícias e das informações nessa nova era.

Além disso, argumenta que os sistemas de IA podem ajudar muito a mídia a fortalecer a democracia, mas somente se forem usados de forma transparente, justa e responsável em um ambiente editorial que defenda fortemente a ética jornalística.

"A Carta de Paris é a primeira referência ética internacional para IA e jornalismo", disse Maria Ressa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2021 e parte do comitê fundador da Carta.

"Evidências factuais, uma distinção clara entre conteúdo autêntico e sintético, independência editorial e responsabilidade humana serão as principais garantias do direito a notícias e informações confiáveis na era da IA", acrescentou Ressa.

Traduzido por Carolina de Assis
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