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Demissão de jornalista mexicana abre debate sobre censura e concentração de meios

polêmica decisão de demitir uma premiada apresentadora de rádio mexicana, depois de fazer alegações de que o Presidente Felipe Calderón é alcoólatra, tem provocado uma onda de protestos a favor da liberdade de expressão e abriu um debate sobre a concentração da propriedade dos meios e sobre a censura política no país.

O Presidente declarou não ter relação com a demissão de Carmen Aristegui da MVS Radio, apesar das afirmações da jornalistas que o acusou de pressionar a emissora. O incidente motivou um forte movimento de apoio a Aristegui, que incluem ataques cibernéticos ao site da rádio na internete trouxe de volta a lembrança da censura exercida pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI), quando governou o México por 71 anos, até 2000.

"A relação entre os jornalistas e o poder político não mudou muito e o tema central continua sendo as concessões que são realizadas a critério do Executivo", afirmou a jornalista Martha Anaya, com passagem por diversos veículos de comunicação, citada em reportagem da agência de notícias AFP.

Para o veterano e conhecido jornalista Jacobo Zabludovsky, o debate está centrado “em quem decide o que se diz nos espaços da rádio e da televisão mexicanas”. No editorial “O direito de falar”, no jornal El Universal, Zabludovsky lembra que as concessões estão sujeitas a normas e regras que tornam o proprietário responsável por qualquer opinião que é emitida pela estação. As sanções vão de multa à perda da concessão.

No México, as emissoras de televisão e rádio estão altamente concentradas em poucas mãos. Segundo Raúl Trejo, presidente da Associação Mexicana do Direito à Informaçãon (AMDI), “a Televisa e a TV Azteca controlam 94% do conteúdo do meio televisivo”, enquanto no rádio, uma dúzia de famílias controlam o meio.

O Centro Nacional de Comunicação Social (Cencos), considerou que "o caso de Aristegui abriu o debate sobre a relação dos meios e o poder político, a ética dos meios e a transparência dos mesmos, assim como a relação de trabalho entre donos e jornalistas no México".

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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