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Diretor de rádio no estado do Rio é assassinado a tiros e torna-se o primeiro jornalista morto em 2013

Por Alejandro Martínez

O diretor de uma rádio de São João da Barra, no estado do Rio de Janeiro, foi morto a tiros em frente à sua casa na terça-feira, 9 de janeiro, tornando-se o primeiro jornalista assassinado na América este ano, disse a organização Repórteres sem Fronteiras.

Renato Machado Gonçalvez, 41 anos, era fundador e sócio há oito anos da rádio Barra FM. Segundo o G1, Gonçalves estava voltando para casa após uma reunião de família na noite do dia anterior quando um homem numa moto o chamou e atirou pelo menos três vezes. Gonçalves foi levado ao hospital local, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Ainda não se sabe o motivo do ataque, mas a polícia militar está investigado se o assassinato foi crime passional, político ou retaliação, acrescentou o G1. O cunhado de Gonçalves disse que câmeras de segurança da vizinhança gravaram o crime, mas ninguém foi preso até a tarde desta quarta-feira.

Para a RSF, a maneira como o crime foi cometido sugere que tratou-se de um crime planejado. Um dos colegas de Gonçalves concorda, mas disse à organização não acreditar que o crime tenha motivações políticas, uma vez que o radialista não recebeu nenhuma ameaça ou não havia transmitido nenhuma notícia polêmica recentemente. Ele acrescentou, no entanto, que Gonçalves havia sido agredido fisicamente durante a discussão com um vereador na Câmara Municipal da cidade durante as campanhas eleitorais de outubro de 2012.

"A profissão da vítima como jornalista deverá ser levada em consideração na investigação. Enquanto mandamos nossos pêsames para a família, reiteramos nossa preocupação em relação à segurança de jornalistas no Brasil após um 2012 especialmente letal", afirmou a RSF em um comunicado. A organização acescentou ainda que deverá publicar este mês um relatório sobre a segurança de jornalistas no Brasil.

A RSF recentemente classificou o Brasilcomo o quinto país mais perigoso do mundo para jornalistas em 2012. No último ano, cinco jornalistas foram mortos no país por causas relacionadas à profissão, enquanto outros jornalistas, como o repórter investigativo Mauro König e o repórter da Folha de São Paulo André Caramante, tiveram que deixar o país por causa de ameaças.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog Jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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