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Dois jornalistas bolivianos são alvos de ameaças após noticiarem escândalos policiais

Por Mariana Muñoz*

Dois telejornalistas bolivianos receberam ameaças após investigarem casos de corrupção policial na área central do estado de Cochabamba, de acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). As ameaças foram feitas por meio de bilhetes fixados nas portas dos apartamentos de José Miguel Manzaneda e Escarley Pacheco, repórteres da La Red ATB, uma das maiores emissoras de TV da Bolívia.

No dia 14 de março, Manzaneda recebeu a primeira ameaça quando a porta de seu apartamento foi manchada com uma substância semelhante a sangue. Junto havia um bilhete escrito “tenha cuidado, J.M.”.

Manzaneda havia feito a cobertura de casos em que vários policiais em serviço supostamente estavam frequentando casas de prostituição e havia produzido imagens de outro policial conversando com um homem suspeito de tráfico infantil.

Alguns dias depois, em 23 de março, Pacheco recebeu outra ameaça quando um bilhete contendo uma bala foi deixado na porta da casa dela na cidade de Cochabamba. Aparentemente, o papel estava manchado de sangue, e o bilhete dizia: “Esta bala contém seu nome. Você nunca deveria ter metido o nariz na vida de outros... pena que você nunca mais investigará nada em sua vida”.

Pacheco havia feito a cobertura das prisões de três policiais supostamente envolvidos em tráfico de drogas. O ex-comandante policial de Cochabamba, coronel Alberto Suárez, já a havia ameaçado anteriormente depois que ela noticiou que o oficial havia sido acusado de agressão física pela ex-mulher. Suárez se desculpou mais tarde por ter ameaçado Pacheco e renunciou de seu cargo.

Pacheco e Manzaneda fazem a cobertura de escândalos policiais para a ATB, uma emissora independente que foi alvo de ataques no Facebook e em outras mídias sociais.

Os dois jornalistas denunciaram as ameaças ao departamento de polícia e à procuradoria-geral, mas nenhuma prisão foi feita até o momento. A porta-voz da ATB, Angélica Lazarte, afirmou ao CPJ que os jornalistas continuarão cobrindo corrupção policial.

Ameaças e ataques a jornalistas na Bolívia não são muito conhecidos do público. Em 2012, no entanto, um caso ganhou destaque quando homens atearam fogo em um radiojornalista boliviano durante um programa de entrevistas no qual ele e seus convidados discutiam o problema do contrabando na fronteira.

Fernando Vidal, proprietário da estação de FM Radio Popular, sofreu queimaduras de segundo grau no rosto, braços, pernas e tronco quando quatro homens mascarados invadiram a estação, derramaram gasolina sobre ele e atearam fogo com um isqueiro. Ex-político, Vidal frequentemente criticava políticos locais em seu programa e costumava receber ameaças de funcionários públicos por telefonema e pessoalmente.

Três suspeitos foram presos por ligação com o episódio, e todos tinham antecedentes policiais. Esteban Farfán Romero, jornalista da Radio Popular e genro de Vidal, disse acreditar que dois funcionários do governo do departamento de Tarija participaram do planejamento do ataque.

*Mariana Muñoz é estudante da turma "Jornalismo e liberdade de imprensa na América Latina", na Universidade to Texas em Austin.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog Jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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