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Governo assedia repórteres investigativos e emissoras privadas em Trinidad e Tobago, afirma IPI

  • Por Guest
  • 8 outubro, 2012

Por Zach Dyer

O Instituto Internacional da Imprensa (IPI, na sigla em inglês) lamentou o assédio do governo de repórteres investigativos em Trinidade e Tobago e acusou o ministro de comunicações da ilha de abusar de uma regra de radiodifusão latente, noticiou a organização na quinta-feira, 4 de outubro, e sexta-feira, 5 de outubro.

Os jornalistas Denyse Renne, do Trinidad Guardian, e Asha Javeed, do Trinidad Express, foram os alvos de uma campanha de difamação coordenada pelo governo para instilar "medo e autocensura" após uma reportagem sobre um escândalo envolvendo o ministro da segurança nacioanl do Caribe, Jack Warner, reportou a IPI.

Warner foi acusado de forçar a aprovação de uma reforma legal que protegia dois doadores proeminentes do partido que governa o Congresso Nacional (UNC) de processo por lavagem de dinheiro, segundo a IPI.

A organização com sede em Viena afirmou que os jornalistas foram assunto de um e-mail anônimo de ampla circulação com alegações sobre suas vidas pessoais. Warner concedeu uma entrevista por telefone na qual acusou a mídia de ser "enganosa” e disse que repórteres com "um machado em mãos" contra a UNC deveriam antes ser eles mesmos irrepreensíveis, reportou o jornal Trinidad Express.

O advogado Anand Ramlogan juntou-se à briga, acusando a mídia de ser tendenciosa contra o UNC, segundo a IPI.

Ataques pessoais em resposta a notícias não são meios válidos ou aceitáveis de descreditar a informação revelada por jornalistas que estão simplesmente fazendo seu trabalho”, escreveu a Associação de Mídia de Trinidad e Tobago em sua página no Facebook.

Na esteira das acusações espinhosas contra a imprensa por parte da administração, o Ministro das Comunicações de Trinidad e Tobago Jamal Mohammed anunciou um plano que exige que emissoras de rádio e televisão transmitam mensagens oficiais do governo sem compensação, reportou a IPI.

A proposta exigiria que emissoras privadas levassem ao ar mensagens do governo de até cinco minutos uma vez por hora entre 6h e 18h. “As pessoas precisam saber o que o governo está fazendo com seus recursos para que tomem decisões conscientes ”, disse o ministro Jamal Mohammed num comunicado, segundo a IPI. Mohammed disse que se "'persuasão moral' não for bem sucedida, o governo pode considerar mudar a legislação”, informou o site do IPI.

A regra proposta é baseada numa consessão audiovisual de 2005 que permite que o governo "faça declarações sobre qualquer assunto ou acontecimento que seja do interesse público e exiga que o concessionário trasmita [as declarações']”, segundo a IPI. Até agora, o governo da ilha nunca executou a lei.

Se Trinidad e Tobago ficar submetida à lei da radiodifusão, o país se juntará à Venezuela e ao Equador na exigência de que veículos de comunicação privados transmitam mensagens oficiais sem nenhum custo.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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