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Jornais latino-americanos oferecem papel para evitar o fechamento de veículos de imprensa na Venezuela

Por Diego Cruz

Uma associação de jornais colombianos quer enviar papel imprensa à Venezuela para adiar o fechamento dos jornais do país, que sofrem escassez do recurso, informou em 18 de março o presidente do jornal venezuelano El Nacional, Miguel Henrique Otero, segundo o El Universal.

A Associação Colombiana de Editores de Jornais e Meios Informativos (ANDIARIOS), que inclui periódicos colombianos como El Espectador e El Tiempo, levantou esta iniciativa para ajudar tanto El Nacional como outros jornais venezuelanos a sobreviver apesar da falta de papel imprensa, que ocorre graças ao atraso do governo em enviar dólares aos jornais para que possam importar o produto.

Existe na Venezuela desde 2003 controle governamental sobre o câmbio, e algumas moedas são vendidas pelo governo “de maneira condicionada, em montantes limitados e após rigorosos trâmites”, segundo El Universal. Sem as divisas para comprar papel, vários diários venezuelanos pararam de circular.

Segundo Otero, se El Nacional não receber divisas para comprar papel, se verá forçado a deixar de circular na primeira semana de maio. Por isso, o presidente do periódico preferiu não dar detalhes sobre a iniciativa de ANDIARIOS, temendo que o governo venezuelano consiga impedi-la de alguma forma.

Em uma nota publicada pelo El Nacional, Otero destacou que o governo não deu ao jornal acesso a divisas aprovadas desde maio de 2013, apesar de terem cumprido com os requisitos da lei, e o considerou um ato discriminatório que impactava todos os meios de comunicação.

“Trata-se, outra vez, de um ataque às liberdades dos cidadãos, de um direito retirado do povo, de uma situação, como tantas outras, profundamente reveladora de que na Venezuela não vivemos em uma Democracia, mas em uma ditadura violenta e medíocre, feroz e ineficiente, raivosa e corrupta, uma ditadura que demostrou seu desprezo pela vida e os direitos humanos das pessoas, desde 12 de fevereiro até agora”, disse Otero.

De acordo com a Associação Mundial de Periódicos e Editores de Noticias, WAN-IFRA, já são 20 os periódicos na Venezuela que deixaram de publicar pela escassez de papel, enquanto outros reduziram o número de páginas.

Em 7 de março, ANDIARIOS lançou outro projeto em apoio a seus colegas venezuelanos chamado “TODOS SOMOS VENEZUELA, sem liberdade de imprensa não há democracia”, no qual aproximadamente 80 meios da Colômbia e do resto da América Latina publicaram uma página diária dedicada a notícias venezuelanas para demonstrar sua solidariedade com os jornais do país que enfrentam a crise de escassez de papel.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, condenou o projeto dizendo que por mais páginas que imprimam os meios regionais, “a revolução bolivariana continuará seu ritmo”.

A diretora executiva de ANDIARIOS, Nora Sanín, ressaltou a importância de ajudar os jornais venezuelanos. "O que o presidente Maduro busca com suas medidas é impor uma voz única na Venezuela e todos temos que nos opor a ele porque isso é acabar com a liberdade de imprensa”, disse Sanín.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog Jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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