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Jornalista morto no Peru durante transmissão de rádio

O jornalista peruano Hernán Choquepata Ordoñez, da estação de rádio La Ribereñaestava tocando músicas em seu programa, "Habla el Pueblo", quando homens não identificados entraram na cabine de transmissão e o espancaram até a morte no último domingo, 20 de novembro, informou o jornal La República.

"Randy", como o radialista era conhecido, trabalhou por dois anos para a estação de rádio na província de Camaná, no departamento de Arequipa, acrescentou o La República. Em seu programa, ele criticava as autoridades locais e os investimentos em obras na região, segundo El Búho.

De acordo com o La Repúblicasuspeita-se que os agressores sabiam que o jornalista estava sozinho e se aproveitaram do momento certo para atacá-lo, uma vez que Ordoñez não pediu por ajuda usando o microfone e a música continuou a tocar.

O radialista foi encontrado sobre o equipamento de transmissão com a cabeça destroçada, acrescentou o jornal. Segundo o El Comércio, o jornalista foi transferido para um centro médico, mas teve que ser encaminhado para um segundo hospital devido à gravidade de seus ferimentos. No entanto, ele chegou morto ao local.

equipamento da estação também foi destruído pelas mesmas pessoas que mataram o jornalista, mas nada foi roubado, informou o Diario Correo.

Embora as autoridades ainda estejam investigando os motivos do crime, alguns jornalistas suspeitam de se tratar de uma retaliação ao trabalho de Choquetapa Ordoñez. De acordo com o presidente do Centro Unificado de Jornalistas de Camaná, Jorge Gamez, as investigações de jornalistas da região indicam que vários comunicadores de La Ribereña têm posições críticas contra as autoridades, segundo o El Comercio.

Além disso, o El Comercio informou que jornalistas de La Ribereña já haviam denunciado ameaças de morte há mais de um mês e pedidos para que a polícia identificasse quem está por trás das ameaças.

A Associação Nacional de Jornalistas (ANP) do Peru condenou o assassinato e pediu que as autoridades "investiguem de forma rápida o que aconteceu e exige que considerem a motivação profissional como uma prioridade", de acordo com uma declaração da organização. Para a ANP, este ataque teve como objetivo "silenciar uma voz incômoda na província".

A ANP destacou o trabalho do jornalista que criticava as autoridades, bem como seu "alto senso de solidariedade", reconhecido pelos setores menos favorecidos da região. A organização também convidou o Ministério do Interior a "destacar as melhores tropas para resolver prontamente este crime", especialmente por causa do efeito inibidor que este tem sobre outros jornalistas.

"Depois de um acontecimento como este, o medo geralmente se instala entre aqueles que descobrem casos de corrupção, que constatam que podem ser alvos de represálias mais violentas por seu trabalho informativo", declarou a ANP.

Choquepata Ordoñez, 45, era casado e tinha dois filhos pequenos, informou o Diario Correo.

A violência letal contra jornalistas no Peru não é muito comum. Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, oito assassinatos relacionados ao trabalho de jornalista foram registrados registrados no país desde 1992. O último foi em 2008. No entanto, foram registrados assassinatos de sete outros jornalistas no país, nos quais os motivos não foram esclarecidos, incluindo os casos de Fernando Raymondi, em 2014, e Luis Choy, em 2013.

No entanto, em 2014, organizações como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e o Conselho de Imprensa peruano (CPP) alertaram sobre o aumento da violência e dos ataques contra jornalistas no país. Ainda naquele ano, um relatório do Escritório Nacional de Direitos Humanos da ANP afirmou que a cada quatro dias um jornalista no Peru é vítima de ataques, ameaças e/ou de inquérito judicial.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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