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Mídia venezuelana disputa versões sobre eleições presidenciais de 14 de abril

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  • 30 abril, 2013

Por Isabela Fraga

Já marcado pela polarização durante o governo de Hugo Chávez, o cenário midiático venezuelano agora tem alimentado as disputas políticas em torno das conturbadas eleições presidenciais de 14 de abril, que elegeram o candidato chavista Nicolás Maduro contra o opositor Henrique Capriles.

Em uma reportagem para a BBC Mundo, o jornalista Abraham Zamorano descreve as versões opostas do processo eleitoral transmitidas pela emissora Venezoelana de Televisión (VTV) e pelos veículos privados. Enquanto na emissora pública a oposição aparece violenta, em canais como a Globovisión -- que teve uma péssima relação com o governo Chávez -- o governo é retratado como manipulador dos resultados e incitador de violência.

Em uma matéria de 25 de abril, por exemplo, a VTV anuncia que "Capriles torna mais violento seu ataque contra a democracia venezuelana", ao falar das críticas do candidato derrotado ao Conselho Eleitoral a "meios de comunicação privados que respondem a uma política informativa e linha editorial que abaliza os argumentos da direita". Quatro dias depois, a Globovisión publicou uma matéria dando voz à deputada Nora Bracho, para quem "a ilegitimidade do presidente Nicolás Maduro põe em xeque a democracia".

Em tentativa de entender o fenômeno de extrema polarização midiática, a socióloga e analista de mídia Maryclean Stelling disse a Zamorano que "não é que a tensão pulou para os meios de comunicação, mas sim os meios fazem parte da tensão - a relatam e a alimentam".

Na última quarta-feira, 24 de abril, a organização internacional Artigo 19 alertou para o enfraquecimento da liberdade de expressão na Venezuela, catalisada pelos embates entre pró e antigovernistas após as eleições de 14 de abril. Ao comentar sobre a declaração de Maduro sobre a mídia do país, que deveria escolher "estar dolado da nação, da paz e do povo (...) ou do lado do facismo e da violência", a diretora da Artigo 19 da América do Sul, Paula Martins, afirma que:

É preocupante que Maduro culpe a mídia pela violência pós-eleição e force os veículos a apoiarem o presidente. A afirmação do presidente encoraja a autocensura entre a mídia, intimida jornalistas, defensores dos direitos humanos e reduz o espaço democrático no país.

Em defesa da mídia pública, o Ministro do Poder Popular para a Informação e Comunicação da Venezuela, Ernesto Villegas, reclamou nesta segunda-feira, 29 de abril, do "vazio informativo" deixado pela mídia privada após os acontecimentos violentos que ocorreram no dia seguinte após as eleições presidenciais no país. Ao menos nove pessoas identificadas com o chavismo morreram.

 

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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