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Redes sociais e meios digitais revolucionam cobertura eleitoral no México

A poucos dias das eleições presidenciais de 1º de julho no México, pesquisas de votação são feitas no Facebook, candidados têm aplicativos para celulares e canais no YouTube e os repórteres cidadãos são os protagonistas de novos meios digitais de revigorar a cobertura eleitoral diante das demandas de um público jovem e informado.

Apesar da baixa penetração da internet (só um terço da população tem acesso), México é um dos 10 países mais importantes pro Twitter e o sexto do mundo em número de usuários (25 milhões) no Facebook, de acordo com o diário El Economista e o site Animal Político. México não se destaca apenas no número de usuários no Twitter (10,7 milhões), mas também no volume de mensagens enviadas a jornais, destaca o microblog.

“Em cada eleição surgem novos veículos no México”, explica Alberto Bello, diretor de notícias do Grupo Expansión, responsável pelos portais CNN México e ADN Político. Isto se deve ao gasto publicitário dos partidos políticos nos meios de comunicação, mas graças à atual lei eleitoral, que proíbe que os candidatos comprem espaços no rádio e na televisão, os novos veículos mexicanos são digitais e exploram todas as ferramentas: infografias, vídeos no YouTube, fóruns virtuais, chats com os candidatos, críticas a comerciais de televisão e notícias cidadãs. Os candidatos também exploram as novas ferramentas, que vão desde a criação de um PRIbook (uma espécie de Facebook para militantes do Partido Revolucionário Institucional (PRI)) até um ativo exército de militantes com contas de Twitter e Facebook, segundo informa CNN México.

Os candidatos e meios digitais apostam em um público menor de 35 anos que está cansado dos meios tradicionais. “Agora todos os candidatos têm Facebook e a classe política que não costumava se comunicar com o eleitorado está aprendendo a fazê-lo”, destaca José Manuel Azpiroz, diretor do site Arena Electoral, criado pela organização sem fins lucrativos Fundación Ethos com recursos do Fundo de População das Nações Unidas e do Fundo Nacional para a Democracia (NED) dos Estados Unidos. Este site e seu respectivo aplicativo móvel têm como foco comparar as propostas dos quatro candidatos presidenciais, que são analisadas por acadêmicos e especialistas de organizações civis. Apesar do conteúdo ser publicado apenas na internet, outros veículos impressos e estações de rádio também reproduzem suas análises. O site Arena Electoral tem um enfoque muito específico. “Não somos um site de notícias”, aclara Azpiroz.

Daniel Moreno, diretor do site Animal Político, explica que as campanhas eleitorais implicam a contratação maior de pessoal nos meios de comunicação, o que levou seu site a decidir se diferenciar. “Não temos uma dezena de repórteres e por isso evitamos a cobertura de declarações superficiais”, afirma. Em vez disso, seu site cria conteúdo a partir das colaborações de especialistas de organizações civis e conta com a seção "Todos os Olhos", um espaço para repórteres cidadãos que já conta com quase mil usuários. “Entendemos a política como o público e por isso mantemos uma agenda cidadã em temas que não são aprofundados nos veículos tradicionais”, destaca Moreno, que antes de ingressar no mundo digital foi diretor editorial da estação W Radio e do periódico Excélsior.

Outros movimentos cidadãos usam as redes sociais para apoiar candidaturas ou para promover um voto informado. Recentemente, um grupo de jovens universitários criou o site "Eu Sou 132" a partir das demonstrações de repúdio dos estudantes da Universidade Iberoamericana contra o candidato presidencial do PRIEnrique Peña Nieto. O movimento foi criado para exigir que os meios de comunicação no México façam uma cobertura objetiva e transparente, após denúncias de pagamentos deste político mexicano a jornalistas e manchetes de jornais com informação manipulada sobre os protestos nessa universidade. Outros jovens ativistas estão por trás da comunidade "Ectivismo para apoyar al candidato del PRI", assim como do portal "AMLO.si" para promover o candidato presidencial da esquerdaAndrés Manuel López Obrador. Com a falta de consenso sobre a vantagem do candidato do PRI, um grupo de cidadãos criou uma pesquisa eleitoral no Facebook “Este é meu voto”, que já foi respondida por mais de 100 mil pessoas, apesar de não ter validade oficial.

Desenvolvedores mexicanos também criaram cinco aplicativos para celulares relacionados às eleições, alguns com fins de entretenimento e outros informativos, segundo o site CNN México.

Todas estas tendências demonstram que os jovens mexicanos se tornaram ativos usuários das redes sociais para se organizar e informar sobre o processo eleitoral. No entanto, os donos dos novos meios enfrentam dificultades para manter independência e saúde financeira. Bello explica que empresas privadas e marcas comerciais no México se recusam a comprar publicidade em veículos especializados em política para evitar controvérsias com o poder. Contudo a maioria dos meios tradicionais no México sobrevivem graças à publicidade oficial e de partidos políticos. Em sua opinião, “é necessário dar um salto”. Mas isso não tem sido um obstáculo para os cidadãos e organizações da sociedade civil se apropriar dos meios de comunicação digitais para as eleições presidenciais.

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