Em 2010, o número de ataques contra jornalistas e meios de comunicação caiu na Guatemala. Foram registrados 19 casos, contra 60 no ano anterior e 67 em 2008. Mas a agência Cerigua advertiu que a autocensura pode estar aumentando em regiões mais afetadas pela crescente violência ligada ao narcotráfico no país, informou o Prensa Libre.
O correspondente Héctor Cordero da TV Guatevisión, no Estado de Quiché, na Guatemala, respondeu a perguntas do Centro Knight sobre as dificuldades de ser um jornalista e sobre a importância cumprir regras éticas durante o período eleitoral. Por exemplo, membros da equipe de comunicação do Partido Patriota, no último mês, atacaram jornalistas do canal 2 em uma coletiva de imprensa. Cordero, que também é membro da GuateDigital, uma rede de jornalistas do interior do país, sofreu ameaças de morte ao investigar casos de nepotismo envolvendo um congressista local.
Os jornalistas Jorge Toledo e Norman Rodas, do Canal 2, do estado de Quiché, na Guatemala, acompanhavam uma coletiva de imprensa do Partido Patriota, no dia 15 de janeiro, quando foram agredidos por pessoas identificadas como integrantes da equipe de comunicação do partido, informou a agência Cerigua.
O narcotráfico e o crime organizado transnacional ameaçam cada vez mais os jornalistas na Guatemala, segundo um relatório sobre a liberdade de expressão no país, informou a agência EFE.
O guatemalteco Luis Ángel Sas, integrante da equipe de jornalismo investigativo do jornal elPeriódico, denunciou que recebeu ameaças de morte por publicar informações sobre armas do Exército da Guatemala em poder do grupo criminoso Los Zetas, informou a agência Cerigua.
Trinta anos após o desaparecimento da jornalista, poetisa e ativista guatemalteca Alaíde Foppa, organizações de jornalismo e de direitos humanos apoiaram a família dela na apresentação de um recurso à Suprema Corte da Guatemala, pedindo que as autoridades investiguem o caso, noticiou o IFEX. A família apresentou o recurso em 24 de novembro, véspera do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.
Marvin del Cid Acevedo, integrante da Equipe de Investigação do jornal elPeriódico, da Guatemala, teve a residência invadida novamente. Criminosos levaram um computador no qual ele guardava documentos relacionados a seu trabalho jornalístico, informou o Cerigua.
A polícia encontrou 27 cápsulas de balas do lado de fora da casa do jornalista Edín Maas Bol, na cidade de Cobán, em Alta Verapaz, região central da Guatemala. A família de repórteres já sofreu outros três atentados, um dos quais resultou na morte do irmão de Maas, informaram a Prensa Libre e o Cobán Noticioso.
O vice-presidente da Guatemala, Rafael Espada, tentou processar Marta Yolanda Díaz-Durán por difamação, injúria e calúnia por uma coluna publicada no ano passado no jornal Siglo XXI. Mas o Tribunal indeferiu a reclamação por considerar que a jornalista unicamente expressava sua opinião em um meio de comunicação, relatou o Cerigua.
As vozes femininas raramente aparecem como fontes ou jornalistas nos meios de comunicação guatemaltecos. Em entrevista para o Cerigua, Alva Batres, coordenadora da Secretaria Presidencial da Mulher (SEPREM) no departamento de Izabal, declarou que os meios de comunicação no país recorrem às mulheres somente para campanhas publicitárias e de marketing.
O repórter investigativo Marvin del Cid Acevedo, do jornal elPeriódico, da Guatemala, foi ameaçado de morte diversas vezes recentemente, depois de escrever uma matéria sobre corrupção e testemunhar num processo em que agentes de segurança são acusados de cometer um assassinato, informou a Anistia Internacional.
O governo de Álvaro Colom denunciou um suposto plano para desestabilizar o país por parte de grupos interessados em atacar o Estado, apoiados por "meios de comunicação tendenciosos", que "vendem suas canetas para quem oferece mais", informaram o Siglo XXI e a EFE.