💬 Comente “LJR” para receber o link do artigo completo.
Cristian GĂłes havia construĂdo uma reputação como colunista que nĂŁo temia criticar as figuras mais poderosas de Sergipe.
Ele escrevia para o pequeno veĂculo independente Infonet, sediado em Aracaju, capital litorânea do estado. AtĂ© que, um dia, decidiu tentar algo diferente da cobertura factual.
GĂłes escreveu uma breve obra de ficção que remonta ao Brasil do inĂcio do sĂ©culo XX, quando o poder polĂtico estava concentrado nas mĂŁos de oligarquias locais sob o coronelismo. Ele escreveu a histĂłria intitulada “Eu, o coronel em mim”, em primeira pessoa, a partir da perspectiva de um coronel contemporâneo e sem nome, incomodado com a necessidade de respeitar as regras democráticas.
Um parágrafo — com apenas 57 palavras — assombraria Góes por anos, desencadeando uma batalha judicial que virou sua vida de cabeça para baixo e ameaçou sua carreira. Nele, o narrador reclama de ser obrigado a tolerar protestos públicos. “Não aceito nada”, escreve. “Chamei um jagunço das leis, não por coincidência marido de minha irmã, e dei um pé na bunda desse povo.”
O trecho não nomeava personagens, mas enfureceu alguém com poder para reagir. Um tribunal local condenou Góes a sete meses e 16 dias de prisão por injúria contra o desembargador Edson Ulisses de Melo, que argumentou que a história ficcional era um ataque direto a ele e a seu cunhado, Marcelo Déda, que à época era governador do estado de Sergipe.
O caso, que remonta a 2012, é um retrato de uma tática que se tornou familiar no Brasil: o uso dos tribunais para pressionar jornalistas, cujas reportagens seriam, segundo a acusação, uma violação da “honra” de figuras poderosas.
💬 Comente “LJR” para receber o link do artigo completo.
✍️: PatrĂcia de Matos