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171 jornalistas latino-americanos morrem de COVID-19 e Peru é o país com o maior número

Entre março e agosto, 82 jornalistas peruanos morreram de COVID-19 durante a cobertura da pandemia, de acordo com a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ). Peru e Equador são os países que lideram a lista de 171 jornalistas mortos pelo vírus na América Latina.

Dead journalists AL Covid-19

Juan José Relmucao, gerente de comunicação da IFJ, disse à LatAm Journalism Review que, apesar de este número ser devido aos diferentes fatores socioeconômicos e de saúde e às características de cada país, os casos de jornalistas latino-americanos mortos pelos vírus aumentaram acentuadamente no último mês.

“Desde março fazemos levantamentos periódicos sobre o assunto e em nosso último trabalho registramos este número que foi publicado, que é muito alto e que, com certeza e infelizmente, pela dificuldade de rastrear esses dados em tempo real, fica aquém [da realidade]”, Disse Relmucao. 

Além do Peru, a FIJ registrou até 19 de agosto o número de jornalistas mortos por COVID-19 no Equador (40), México (13), Brasil (9), Honduras (7), República Dominicana (5), El Salvador (3), Guatemala (3), Nicarágua (3), Colômbia (2), Bolívia (2), Argentina (1) e Panamá (1).

A Associação Nacional de Jornalistas do Peru (ANP), o Sindicato Nacional dos Redatores de Imprensa do México, a Associação de Jornalistas de El Salvador e a Federação Nacional de Jornalistas do Brasil, entre outros, forneceram as informações do relatório da IFJ Relmucão contou.

Até 1º de julho, a organização com sede em Genebra, Press Emblem Campaign, relatou que o Peru era o país com o maior número de jornalistas mortos pelo COVID-19 no mundo, informou a Associated Press. 

Distintas Latitudes, organização jornalística criada no México mas que reúne jornalistas de diferentes partes da América Latina, pesquisou entre julho e setembro sobre os colegas que perderam a vida durante esta pandemia. 

Com as informações coletadas, a entidade criou o microsite "Adeus na cobertura", que lançou no dia 28 de setembro, para homenagear os jornalistas mortos, segundo nota de imprensa. 

O abandono da saúde e a insegurança no trabalho estão entre as principais condições que contribuíram para uma maior exposição à infecção viral dos jornalistas latino-americanos falecidos, disse a entidade. 

Adiós en cobertura, de Distintas Latitudes

Microsite "Adeus em cobertura", da Distintas Latitudes.

Nesta primeira edição, Distintas Latitudes publicou 18 microperfis de jornalistas de oito países assassinados pelo COVID-19, um livro de assinaturas aberto a colegas e familiares, e uma lista com os nomes dos cem jornalistas e comunicadores que o vírus matou e que eles eles conseguiram documentar. 

O site será atualizado entre novembro e dezembro com novos perfis, de acordo com o comunicado.     

No Peru, entre 16 de março e 30 de agosto, a ANP cadastrou 87 jornalistas mortos por COVID-19. O número de jornalistas peruanos mortos é um reflexo do que está acontecendo no país, disse à LJR Zuliana Lainez, vice-presidente da IFJ e secretária geral da ANP. De acordo com dados da American John Hopkins University of Medicine, o Peru tem a maior taxa de mortalidade per capita por COVID-19 do mundo.

Além das deficiências econômicas e de saúde daquele país sul-americano, outro motivo que torna o sindicato jornalístico do Peru um dos mais afetados pela pandemia, explicou Lainez, é a precariedade da profissão no país.

“No Peru existe um nível muito alto de precariedade do trabalho jornalístico, especialmente no interior”, disse Lainez. “São jornalistas que pelo menos 70% são autônomos, que autogerenciam seu trabalho, ou seja, não há nenhuma empresa por trás que possa ver para equipamentos de proteção individual. Portanto, foram eles que, no início da pandemia, tiveram que cobrir os focos infecciosos com máscaras caseiras”, acrescentou.

Por meio de suas 107 afiliadas em todo o país, a ANP conseguiu coletar e confirmar que dos 145 jornalistas falecidos por eles cadastrados, 87 morreram de COVID-19 adquirido na comunidade. Da mesma forma, a organização conseguiu confirmar que dos 87 jornalistas falecidos, 37 foram infectados diretamente pela cobertura da pandemia e morreram posteriormente. 

Maio foi um dos meses mais complicados da pandemia para jornalistas peruanos, começando com a Amazônia perunana, disse Lainez. “Em Iquitos começamos a ter as primeiras vítimas, em 14 dias morreram seis colegas. Foi uma coisa brutal”. 

Atualmente, o colapso da saúde causado pela pandemia no Peru está no sul, nos departamentos de Arequipa, Cusco, Moquegua, Tacna e Puno, disse Lainez. 

“Muitos dos jornalistas que morreram durante a pandemia de COVID-19 são colegas com mais de 65 anos, ou seja, na prática teriam que estar aposentados. Mas neste país, um jornalista independente de algumas regiões está condenado a trabalhar até o último dia de sua vida porque vive dia a dia”, disse Lainez.

O reitor do Colégio de Jornalistas de Lima (CPL), Ricardo Burgos Rojas, disse em seu site que como médicos, agentes de saúde, policiais e militares, jornalistas também estão na linha de frente na luta contra a COVID-19.  

Em meados de agosto, a CPL organizou uma missa virtual com um padre católico para homenagear 22 jornalistas peruanos mortos em Lima em decorrência do vírus, segundo a organização publicada em seu site.

“A pandemia afeta a todos nós. Por isso, consideramos que este ato de oração se torna uma forma de reconhecimento aos nossos colegas que perderam a vida neste período trágico”, disse Burgos ao site da CPL.

Christopher Barnes, presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), apelou a todos os jornalistas, meios de comunicação, e os trabalhadores de imprensa para reforçar os seus protocolos de segurança para reduzir o impacto da pandemia sobre a profissão.

A SIP dedicado em Agosto, o Grande Prêmio pela Liberdade de Expressão aos mais de 100 jornalistas latino-americanos mortos durante a pandemia durante o exercício de seu trabalho.

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