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Jornais colombianos mandam 52 toneladas de papel à imprensa venezuelana

Por Samantha Badgen

A organização de jornais colombianos Andiarios (Asociación Nacional de Diarios) mandou na terça-feira, 1º de abril, de Cartagena, 52 toneladas de papel para diários venezuelanos afetados pela falta de papel na Venezuela causada pelas dificuldades para adquirir as divisas necessárias para importar papel.

O empréstimo de 52 toneladas de papel vai para os diários El Nacional, El Impulso e El Nuevo País, três dos mais importantes da Venezuela e que têm suas atividades jornalísticas em risco.

“É uma grande iniciativa de solidariedade que estes jornais colombianos estejam enviando papel tanto para nós como para El Impulso e El Nuevo País, que são os periódicos com a pior crise agora”, disse Miguel Henrique Otero, presidente editor do El Nacional, segundo a Associated Press.

A agência de notícias publicou que o custo do papel foi aproximadamente 70 milhões de pesos (35.000 dólares) e foi comprado por Andiarios, disse Nora Sanín, diretora executiva de Andiarios, acrescentando que o empréstimo será pago pelos venezuelanos depois que a crise já estiver superada.

Contudo, estima-se que as 52 toneladas só servirão para 15 dias de circulação normal dos diários, pelo que Sanín descreveu o ato como um convite "para que os periódicos de outros países, para que as associações de mídia e liberdade de imprensa apoiem a imprensa venezuelana”.

“A imprensa venezuelana tem se mantido erguida, feito esforços maiores para seguir informando e merece o apoio de todos os jornais do mundo”, acrescentou.

O empréstimo dos meios impressos colombianos afiliados a Andiarios a seus colegas em Venezuela é parte da iniciativa “Todos somos Venezuela. Sem liberdade de imprensa não há democracia”, que Andiarios lidera. Pela iniciativa, dezenas de diários da região publicaram em suas páginas artigos de meios venezuelanos como um ato solidário em defesa da liberdade de imprensa e do direito à informação na Venezuela.

Segundo Espacio Público, uma organização venezuelana não governamental dedicada à promoção e defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão, as dificuldades da imprensa escrita em seu país resultaram na saída de circulação de 13 jornais e na redução de tamanho de outros 17, o que limita os espaços de informação e publicitários. Um dos casos é o do El Nacional, que não recebe dólares para divisas desde maio de 2013.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog Jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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