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Jornalistas de Brasil e Nicarágua ganham Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa 2019 do CPJ

A jornalista brasileira Patricia Campos Mello e os jornalistas nicaraguenses Lucía Pineda Ubau e Miguel Mora vão receber o Prêmio Internacional Liberdade de Imprensa de 2019 concedido pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) todos os anos.

Patrícia Campos Mello no 20o ISOJ

Patrícia Campos Mello no 20o ISOJ (Erika Rich/Knight Center)

"Os vencedores do Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa de 2019 do CPJ representam o melhor do jornalismo, pessoas que colocaram suas vidas e sua liberdade em risco para nos trazer informações. Enquanto celebramos sua coragem, lamentamos que isso seja necessário", disse Joel Simon, diretor executivo do CPJ, em um comunicado anunciando a premiação em 16 de julho. "A triste realidade é que em todo o mundo o jornalismo independente é ameaçado por autoritários populistas que desprezam e menosprezam o trabalho da imprensa independente. Isso é verdade nos países representados por nossos homenageados e em muitos outros.”

Campos Mello, jornalista e colunista do jornal Folha de S. Paulo, foi alvo de ataques durante a campanha eleitoral presidencial no Brasil em 2018. Os ataques começaram depois que ela publicou uma reportagem sobre uma suposta fraude eleitoral de empresários apoiadores do então candidato e atual presidente Jair Bolsonaro.

Como resultado, ela foi vítima de ataques nas redes sociais e sua privacidade foi violada, informou o CPJ.

"Esse é um prêmio muito simbólico. Foi dado para mim, mas na realidade eu estou representando várias mulheres jornalistas brasileiras e do mundo todo que foram vítimas de intimidação online e também na vida real nos últimos meses. Isso se tornou uma coisa muito comum no Brasil, esses ataques à reputação, essa misoginia online, essas intimidações por celular. Então eu acho que é um recado, uma mensagem muito importante de que essas coisas não são aceitáveis”, disse Campos Mello ao Centro Knight sobre ter dedicado o prêmio a outras mulheres jornalistas em um post em seu perfil no Twitter. "É um prêmio para mim e para a Folha, e para outros veículos de imprensa que continuam mantendo a independência e fazendo jornalismo crítico - não jornalismo de oposição, mas jornalismo independente, crítico - apesar das pressões. E as pressões só crescem."

Miguel Mora. (Foto: Twitter).

Miguel Mora. (Twitter).

Pineda e Mora, diretora de notícias e fundador e diretor do canal de televisão 100% Noticias, foram presos em dezembro de 2018 pelo governo de Daniel Ortega, que os acusou de "fomentar e incitar o ódio e a violência" e "provocação, proposição e conspiração para cometer atos terroristas".

O canal cobriu a crise política que vive o país desde abril de 2018, quando começaram protestos contra o governo.

Durante suas detenções, eles denunciaram diferentes violações do devido processo legal, como a suspensão de suas audiências em pelo menos cinco ocasiões. Eles também foram mantidos incomunicáveis ​​e vigiados pelo governo.

Ambos foram libertados em 11 de junho como parte de uma controversa lei de anistia.

Foi anunciado recentemente que Pineda também receberá o Prêmio Coragem no Jornalismo 2019 da International Women’s Media Foundation (IWMF).

"Outro prêmio que anunciam, para a Glória de Deus", escreveu Pineda no Twitter.

Lucía Pineda Ubau (Twitter)

Lucía Pineda Ubau (Twitter)

Além de Campos Mello, Pineda e Mora, Neha Dixit, da Índia, e Maxence Melo Mubyazi, da Tanzânia, também serão reconhecidos, informou o CPJ. O diretor do jornal paquistanês Dawn, Zaffar Abbas, receberá o prêmio Gwen Ifill de Liberdade de Imprensa, “que reconhece conquistas extraordinárias e sustentadas na causa da liberdade de imprensa”, escreveu a organização.

A cerimônia oficial de premiação acontecerá no dia 21 de novembro, em Nova York, nos Estados Unidos.

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