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Jornalistas são atacados em manifestações contra governo de Nicólas Maduro na Venezuela

Jornalistas que cobriam protestos de massa na Venezuela contra o governo do presidente Nicólas Maduro lutaram para realizar o seu trabalho apesar das restrições impostas: detenções governamentais, ataques físicos e assédio durante a “Toma de Venezuela” (Tomada da Venezuela) neste 26 de outubro.

Os líderes da oposição convocaram os venezuelanos a participar dessas manifestações nacionais, conhecidas como a “Toma de Venezuela”, logo após a Assembleia Nacional, de maioria opositora, aprovar a abertura de um julgamento político contra Maduro por violar a constituição.

Dias antes, o Conselho Nacional Eleitoral suspendeu a coleta de assinaturas para alcançar um referendo de revogação contra o presidente Maduro.

Por esse motivo, em 26 de outubro, milhares de venezuelanos participaram de protestos contra a atual administração. Isso significava, para as organizações defensoras da liberdade de expressão, que elas precisavam estar alertas para qualquer restrição que pudesse obstaculizar o trabalho dos jornalistas.

Assim, as organizações Espacio Público e o Instituto Prensa y Sociedad (IPYS Venezuela) denunciaram, através do Twitter, que Emmanuel Rivas, correspondente do El Pitazo no estado de Mérida, foi ferido por chumbinhos disparados pela polícia do estado. Segundo a informação, o jornalista foi ferido na cara, costas e joelhos, e foi levado para um hospital.

Até o final da tarde e com um balanço parcial, Espacio Público afirmou que a jornada tinha deixado um “saldo negativo para a imprensa” com pelo menos dez vítimas jornalistas. De acordo com a organização, além do jornalista ferido em Mérida, três outros sofreram intimidações em Caracas, dois foram golpeados com pedras nos estados de Maracaibo e Sucre, um foi intimidado em Sucre, um foi assediado e outro preso em Monagas, e uma jornalista foi presa e espancada em Nueva Esparta.

Apenas um dia antes dos protestos, os velhos hábitos foram repetidos.

Os jornalistas peruanos Ricardo Burgos, Leonidas Chávez e Armando Muñoz, do canal mexicano Televisa, e o fotógrafo argentino Rodrigo Abd, da Associated Press (AP), foram detidos no aeroporto de Caracas em 25 de outubro. As autoridades venezuelanas disseram que eles seriam devolvidos a seus países.

O mesmo ocorreu antes das manifestações de 1 de setembro quando vários correspondentes internacionais foram proibidos de entrar no país.

Além disso, Espacio Público registrou várias violações como detenções, intimidações, ataques e censura contra os jornalistas que cobriram as manifestações.

No início da semana, em 23 de outubro, pelo menos seis jornalistas afirmam que foram agredidos, ameaçados e roubados quando manifestantes a favor do governo entraram de forma violenta na Assembleia Nacional da Venezuela.

Durante os últimos protestos, organizações de defesa da liberdade de expressão e associações de jornalistas como Espacio PúblicoIPYS Venezuela e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) estão publicando ativamente no Twitter sobre qualquer ameaça ou ataques contra jornalistas. Também publicam informações sobre como cobrir de forma segura as manifestações e como se comportar em caso de detenção.

Para cobrir as manifestações do dia 26 de outubro, vários sites de notícias do país formaram o que foi chamado de uma “aliança informativa”. Sites como Crónica UnoTal CualEl Pitazo e Runrun.es, assim como a plataforma de televisão VIVOplay estão colaborando no projeto. Esses sites publicaram notícias e compartilharam atualizações com uma chamada especial que dá crédito a todos os meios participantes da cobertura.

Tanto jornalistas como usuários das mídias sociais estão compartilhando fotos, vídeos e atualizações sobre os protestos com as hastags  #TomaDeVenezuela#Toma26Oct e #TomaDeCaracas.

Silvia Higuera colaborou com a elaboração desta notícia.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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