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Notícias falsas, financiamento e inovações serão destaques do Media Party em Buenos Aires

Por cinco anos, o braço do Hacks/Hackers de Buenos Aires e da Argentina reuniu milhares de jornalistas e especialistas em tecnologia nessa cidade para discutir o futuro das notícias e inovações. Em setembro, a conferência conhecida como Media Party abordará uma das maiores ameaças para a indústria de notícias e também uma das maiores oportunidades de inovação: as notícias falsas.

"A grande aposta deste ano tem a ver com basicamente o grande tema do ano, as notícias falsas. Há muito interesse em desenvolver novas ideias", disse Mariano Blejman, fundador e diretor do Media Party, ao Centro Knight. "É um grande problema: de um lado, há a interpretação das notícias e a tergiversação das notícias e, por outro lado, as empresas que tentam resolver o problema do ponto de vista tecnológico. É um tema que deve ser abordado em um nível geral em todas as plataformas, mídia e usuários".

O evento, que será realizado de 13 a 15 de setembro, é apoiado pela organização Hacks/Hackers, uma rede de jornalistas ("hacks") e especialistas em tecnologia ("hackers") que busca gerar e divulgar ideias sobre o futuro das notícias e informações.

Na opinião da Blejman, além das notícias falsas, a mídia latino-americana enfrentou outros desafios em termos de inovação no ano passado, como o acesso ao financiamento para desenvolver novas idéias e a falta de consolidação das mídias nativas digitais.

"Há atores muito fortes no mercado que existem há muitos anos e têm um grande poder de barganha, e isso torna o surgimento de novos meios de comunicação mais difícil. Nós temos visto que há um ponto em que os veículos nativos digitais ficam estagnados, param de crescer, e precisam de uma injeção de capital ou de conhecimento", disse Blejman. "Quanto ao jornalismo interativo, esperávamos uma explosão maior, o que não ocorreu".

No entanto, a mídia latino-americana avançou em alguns temas de inovação, como novas formas de fazer as informações chegarem ao público e melhorias significativas na mensuração da audiência.

"Há uma grande aposta em questões de distribuição, estão aparecendo muitos sites que estão fazendo newsletters, experimentando novas formas de distribuição, estão melhorando sua equipe para trabalhar com redes sociais", explicou. "Sem dúvida, em termos de métricas, há uma grande aposta em novas maneiras de entender esse conteúdo e há opções mais fortes no tópico de métricas nas redações".

A proximidade cada vez maior de gigantes tecnológicos como o Google e o Facebook da indústria da comunicação da América Latina representa desafios e oportunidades para a mídia: ao mesmo tempo em que são, por um lado, plataformas que levam quantidades significativas de tráfego para publicações digitais, por outro lado, elas representam uma competição em termos de vendas publicitárias. Essa dupla relação motivou o Media Party a convidar essas empresas a participar de forma relevante no evento.

"(O Facebook e o Google) Gerenciam informação sobre a audiência de forma muito melhor do que os veículos de notícias. Sem dúvida, eles são grandes parceiros estratégicos, e de outro ponto de vista são concorrentes", disse Blejman. "Me parece que esses dois grandes players entenderam o impacto da qualidade da informação nas sociedades e estão trabalhando duro para melhorar essas relações (com os meios de comunicação) e trabalhar juntos".

A Media Party terá mais de 50 oficinas, uma feira para apresentar mais de 70 projetos inovadores e um hackathon para gerar ideias inovadoras na indústria de notícias.

Entre os palestrantes deste ano estão Aron Pilhofer (James B. Steele, presidente de Inovação Jornalística da Temple University), Jacqui Maher (jornalista da Condé Nast), Jeff Jarvis (professor e diretor do Centro Tow-Knight para Jornalismo Empresarial na City University of New York), Pablo Mercado (Diretor de Tecnologia da Vox Media) e Carlos Martínez de la Serna (Diretor de Inovação Digital da Univision). Além disso, os organizadores estão conversando com representantes do Google e do Facebook para que eles enviem participantes para as conferências.

"Nós sempre trabalhamos com conversas sobre experiências específicas e sobre como resolver problemas", disse Blejman. "Essa é a diferença entre o Media Party e outros eventos: não há tantos fóruns de debate, mas sim o desejo de se unir para resolver problemas, trabalhar em questões específicas e encontrar soluções. É um evento que se concentra na produção".

Nos dois primeiros dias, o Media Party oferece conversas pela manhã e oficinas de tarde. Nesse processo, identificam conflitos e situações que podem gerar inovações. O hackathon ocorre no terceiro dia, para explorar as ideias propostas e para trabalhar em soluções inovadoras.

Neste ano, a Media Party planeja receber 2.500 participantes de várias partes da América Latina e do mundo que podem se inscrever no site do evento gratuitamente graças ao apoio de parceiros como Knight Foundation, ICFJ, Omidyar Network, Open Society Foundations, Knight Mozilla Open News e IBM.

"O objetivo é abrir um espaço único na América Latina, onde você tem a possibilidade de se sentar e trabalhar com pessoas que estão inovando em uma escala global e que de outra forma seriam muito mais difíceis de acessar", disse Blejman.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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