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Onze jornalistas morreram na América Latina e Caribe em 2021; México é o país mais letal, segundo censo do CPJ

Globalmente, assim como na América Latina e no Caribe, o número de jornalistas mortos por seu trabalho diminuiu em 2021 em comparação com 2020.

De acordo com o censo anual do Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), ainda que com um número menor, o México continua sendo o país mais perigoso da região para a prática do jornalismo, com 3 casos confirmados de jornalistas mortos por seu trabalho em 2021. Outro caso confirmado ocorreu na Colômbia.

Além disso, a organização documentou outros seis assassinatos de jornalistas no México e mais um caso no Haiti. Nestes sete casos, ainda não foi possível confirmar se os jornalistas foram mortos em consequência do seu trabalho.

Esses sete casos se somam aos quatro confirmados, com um total de 11 jornalistas assassinados na região neste ano, conforme documentado pelo CPJ até 1º de dezembro de 2021.

Dos nove casos de jornalistas assassinados no México, o Comitê pôde determinar que, em três deles, jornalistas morreram em decorrência de sua profissão. Eles foram Gustavo Sánchez Cabrera, Jacinto Romero Flores e Ricardo Domínguez López.

Sánchez Cabrera foi assassinado em Oaxaca em 17 de junho de 2021. O jornalista estava em uma motocicleta com seu filho de 15 anos, quando foram atropelados por um carro. Quando ele caiu da moto após o impacto, os ocupantes do carro desceram e atiraram diversas vezes, segundo publicou o CPJ.

Segundo o veículo Animal Político, Sánchez Cabrera tinha sobrevivido a ataque em 2020. Ele foi repórter de política e de polícia do meio Panorama del Pacífico e também publicava em sua página pessoal no Facebook, Noticias Minuto a Minuto.

Ricardo Domínguez López, fundador e editor do InfoGuaymas, foi assassinado na cidade de Guaymas, no estado mexicano de Sonora, em 22 de julho de 2021, conforme documentado pelo Comitê. O jornalista estava cobrindo o impacto regional da pandemia COVID-19 e, meses antes, tinha coberto um tiroteio, após o qual alertou em entrevista coletiva que havia recebido ameaças de morte. 

Em Ixtaczoquitlán, Veracruz, o jornalista de rádio Romero Flores foi assassinado em 19 de agosto de 2021. Ele era repórter da Ori Stereo FM e foi baleado por seus agressores enquanto dirigia seu veículo, publicou Animal Político.

A organização Repórteres Sem Fronteiras denunciou que Romero Flores tinha recebido ameaças antes de sua morte. A organização pediu a investigação imediata do crime, segundo a CNN em espanhol. 

O jornalista colombiano Marcos Efraín Montalvo foi morto em 19 de setembro de 2021. O jornalista, de reconhecida trajetória, foi assassinado por um pistoleiro, com quatro tiros no peito, quando estava dentro de um estabelecimento comercial, segundo o Comitê. O jornalista cobriu corrupção e crime organizado. Em 2019, ele recebeu uma ameaça de um motociclista, que o advertiu para que parasse de cobrir temas delicados, segundo o CPJ.

Diego Charles, repórter da Radio Vision 2000, Gazette Haïti e Larepiblik Magazine, morreu no Haiti, em 29 de junho. Charles foi morto por um assassino na porta da sua casa em Port-au-Prince. No momento de sua morte, o jornalista investigava o assassinato não solucionado de um empresário em 2020. No entanto, ainda não foi confirmado se ele morreu em decorrência de seu trabalho.

Segundo dados do CPJ, os outros casos dos 6 jornalistas mexicanos assassinados ainda estão sendo investigados para determinar se suas mortes foram relacionadas com sua profissão. São eles: Benjamín Morales Hernández, Saúl Tijerina Renteria, Manuel González Reyes, Gerardo Moreno Aranda, Fredy López Arévalo e Alfredo Cardoso Echeverría.

Morales Hernández, fundador da página de notícias do Facebook “Noticias Xonoidag”, foi encontrado morto no dia 3 de maio em Sonoyta, estado de Sonora, com vários tiros e golpes no corpo.

As investigações sobre sua morte seguem pistas sobre questões familiares, pessoais e de trabalho, segundo publicou o El Universal.

O corpo esfaqueado de Tijerina Renteria foi encontrado em Ciudad Acuña, no estado de Coahuila, no norte do México, em 22 de junho de 2021. Segundo o CPJ, Tijerina trabalhava em uma fábrica enquanto fazia vídeos com uma câmera drone para os sites de notícias do Facebook “Policiaca Acuña” e “Noticias Web”.

González Reyes morreu em Morelos, Cuernavaca, em 28 de setembro de 2021. O fundador e editor da Agencia PM Noticias foi baleado por dois desconhecidos quando estava saindo de uma barraca de comida. Ele cobria política e chegou a se candidatar a prefeito de seu município, de acordo com o El Universal.

Moreno Aranda foi encontrado morto em 4 de outubro na costa de Chiapas, no sul do México, segundo o CPJ. A família do jornalista mexicano e americano disse ao CPJ que ele viajou a Chiapas para fazer uma reportagem sobre um grupo de autodefesa que combatia o crime organizado. Ele era um repórter do veículo americano conservador Breitbart.

Também em Chiapas, o jornalista López Arévalo foi assassinado em 28 de outubro de 2021. Foi correspondente na América Central dos meios de comunicação El Financiero e El Universal, e dirigia a revista Jovel, segundo o jornal El País. O jornalista foi morto por um desconhecido na porta de sua casa, diante da sua família. 

Em Acapulco, no estado de Guerrero, o fotojornalista mexicano Cardoso Echeverría foi assassinado no final de outubro, dias depois de ser sequestrado, segundo o Animal Político. Ele era o fundador e editor da revista digital Las Dos Costas.

O desaparecimento do jornalista mexicano Jorge Molontzín Centlal desde março de 2021 também não foi esclarecido, e o CPJ continua investigando o caso. Ele era repórter da revista Confidencial.

O representante do CPJ no México, Jan-Albert Hootsen, disse na época que as autoridades mexicanas deveriam "fazer tudo ao seu alcance" para encontrar Molontzín, encontrar os responsáveis ​​e descobrir se seu crime estava relacionado com seu trabalho jornalístico. 

O CPJ observa que, além das mortes de jornalistas do México, Colômbia e Haiti neste ano, vários jornalistas desses países e do Brasil sofreram ataques com armas de fogo.

É o caso do jornalista brasileiro Jackson Silva. Em julho de 2021, diversos tiros foram disparados contra a porta de sua casa, no estado do Pará, no norte do Brasil. De acordo com o CPJ, sua esposa e dois filhos estavam no tiroteio, mas saíram ilesos.

Segundo o G1, o jornalista já havia sido ameaçado antes. Silva cobre notícias locais para o portal Moju News.

 Natalie Southwick, coordenadora do programa do CPJ para as Américas do Sul e Central, disse na época que até que os responsáveis ​​pelo ataque sejam identificados e levados à justiça, esse ataque será apenas um exemplo da impunidade que existe nos crimes contra jornalistas. 

A violência mortal continua sendo um dos principais métodos de censura em países como o México e a Colômbia, observou o comitê.

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