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RSF condena "tentativas de censura" durante mobilização indígena na Colômbia

A organização Repórteres Sem Fronteiras, RSF, condenou as “tentativas de intimidação e de censura” contra jornalistas dos meios comunitários indígenas durante a mobilização nacional destes povos na Colômbia, publicou em seu portal.

Durante a “Marcha Social Indígena e Popular”, três jornalistas do departamento de Cauca (sudoeste do país) foram agredidos pelo Esquadrão Móvil Antidistúrbios (Esmad) da Polícia Nacional. O jornalista comunitário do departamento de Cesar (nordeste) e coordenador da Marcha, Daniel Maestre Villazón, teve seus computadores e discos rígidos roubados. A isto se soma a aparição de um panfleto de um grupo paramilitar denominado “Comando Urbano de los Rastrojos” que ameaçava de morte líderes e comunicadores da Marcha, informou RSF.

“A cada Marcha se repetem as intimidações e os atos de violência contra as populações indígenas e seus meios de comunicação, com uma clara intenção de censura”, observou o comunicado da RSF. “Esta situação recorda, em maior escala, a sorte cotidiana de numerosas redações comunitárias pequenas, em particular aquelas que se encontram nas zonas de combate e que enfrentam uma tripla pressão: a do exército, a dos paramilitares e a da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)”.

A mobilização nacional começou na última terça, 15 de outubro com a participação de cerca de 40 mil indígenas de pelo menos seis estados da Colômbia com o objetivo de reclamar melhores condições de vida e uma melhor participação na política do país, segundo a agência de notícias EFE.

Após dez dias de protesto, a Marcha foi levantada após o Governo colombiano e as autoridades indígenas acordarem um plano de trabalho, informou a agência de notícias Colprensa. Contudo, durante seus dias de protesto, a comunidade denunciou as ameaças de grupos paramilitares e o “atropelo” da força pública, publicou a agência de notícias Prensa Latina.

Para RSF a sustentabilidade dos meios de comunicação comunitários é um desafio de segurança para as populações isoladas e um "perigo constante". A RSF renovou em 2013 a ajuda que oferece às rádios comunitárias afiliadas ao Conselho Regional Indígena de Cauca, CRIC.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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