"Às quatro da tarde de quarta-feira, 15 de outubro de 2025, mais de quarenta jornalistas saíram do prédio do Pentágono, em Washington DC, carregando caixas com seus pertences. Haviam trabalhado durante anos credenciados na sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Foi a reação diante da revogação de credenciais de um grupo deles e das restrições impostas pelo governo de Donald Trump para informar sobre as atividades militares. Cinco meses depois, em 20 de março de 2026, um tribunal declarou inconstitucionais as restrições à imprensa do governo federal.
Na segunda-feira, 6 de abril, na Argentina, a cena teve uma réplica. A Casa Rosada revogou as credenciais de vários jornalistas credenciados. Para justificar a medida, aproveitou a publicação de uma investigação jornalística com documentos vazados sobre supostos pagamentos a alguns meios de comunicação por parte de uma rede de propaganda russa que buscava desestabilizar o governo de Javier Milei. Esses jornalistas não haviam assinado os artigos mencionados. Alguns dias antes, a um deles o Chefe de Gabinete libertário havia dito que era “apenas um jornalista” quando perguntou sobre o processo judicial por enriquecimento ilícito no qual está sendo investigado. Em menos de um mês, os jornalistas argentinos passaram de ser classificados como “apenas jornalistas” pelo porta-voz presidencial Manuel Adorni a “traidores da Pátria” pelo Presidente. Da deslegitimação à estigmatização.
As duas cenas — Washington e Buenos Aires — ocorreram em contextos nos quais os governos transformaram a imprensa em alvo de ataques sistemáticos. A diferença não esteve no gesto do poder. E sim na reação dos jornalistas. E isso abre uma série de perguntas para o debate".
Traduzido com IA e revisado por Leonardo Coelho