A prisão por mais de sete horas de três repórteres venezuelanos pela Polícia Militar no último dia 2 de novembro continua sendo repudiada por comunicadores após ficar público que o Governo havia convocado os jornalistas ao local onde foram detidos.
Até novembro deste ano já foram registrados 71 casos de censura a jornalistas e meios de comunicação na Venezuela, 87% a mais do que o mesmo período do ano passado, segundo diversas organizações venezuelanas defensoras da liberdade de expressão e do livre acesso à informação que discursaram em 31 de outubro sobre a situação venezuelana na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em seu 149° Período de Sessões.
Este foi o pior semestre para jornalistas nas Américas nos últimos cinco anos, de acordo com a Sociedade Interamericana de Imprensa, SIP, informou a agência de notícias EFE. O assassinato de jornalistas e as diversas medidas que restrigem o acesso à informação são alguns dos motivos que provocaram esta situação, afirmou a entidade em sua Assembléia Geral que ocorreu em Denver (Colorado, EUA).
A criação de um novo órgão de inteligência na Venezuela que tem, entre outros poderes, a capacidade para declarar qualquer informação como “reservada” ou “confidencial” gerou preocupação entre diferentes organizações nacionais e internacionais, de acordo com diferentes veículos de comunicação.
Nos últimos doze meses na Venezuela houve um declínio da liberdade na Internet, mostrando um aumento substancial na censura de opiniões sobre os acontecimentos políticos, como a morte de Hugo Chávez e as eleições presidenciais, em abril, de acordo com o relatório Freedom on the Net publicado pela Freedom House no início de outubro.
A partir de terça-feira, 1 de outubro, o jornal El Impulso, uma das mais antigas da Venezuela ainda em circulação, irá publicar uma versão mais curta de sua edição devido à falta de materiais de impressão. Num editorial publicado pelo El Impulso a 29 de setembro, o jornal explica que há pelo menos 11 meses que está à espera da aprovação do governo em obter divisas para importar os materiais necessários.
O presidente venezuelano, Nicolas Maduro pediu ao Ministério Público venezuelano país para avaliar “medidas especias” que dão ao executivo o poder de “punir esta guerra psicológica causada por jornais, televisão e rádio", pelas informações que difundem a escassez de alimentos na Venezuela.
A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) pediu ao governo de Nicolás Maduro a imediata liberação de Víctor Manuel García Hidalgo, editor e diretor do portal de notícias venezuelano Informe Cifras, preso desde o dia 1º de março na prisão para crimes comuns Yare III, acusado do crime político de rebelião civil.
Após a saída da Venezuela da Convenção Interamericana de Direitos Humanos em 10 de setembro, os cidadãos venezuelanos estão impossibilitados de denunciar perante a Corte-IDH qualquer violação à liberdade de pensamento e expressão que ocorra a partir da data, contando assim com um mecanismo a menos para proteger e defender seus direitos, disse o ex-secretário executivo adjunto da CIDH e advogado especialista em temas de direitos humanos Ariel E. Dulitzky, em entrevista ao Centro Knight para o Jornalismo nas Américas.
Como parte de uma “nova modalidade de comunicação”, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou a criação do ‘Noticiário da Verdade’ no último dia 10 de setembro, informou a agência de notícias EFE. O espaço de rádio e televisão será de transmissão obrigatória por parte de meios privados e oficiais duas vezes ao dia, acrescentou a agência.
Desde o início de agosto, a escassez de papel tem provocado uma crise na imprensa venezuelana, afetando principalmente jornais regionais. De acordo com o El País, pelo menos três diários do interior foram obrigados a parar suas operações por falta de material para imprimir, entre eles alguns que circulavam há décadas, como o El Sol, da cidade de Maturín, no Estado de Monagas, e Antorcha, de El Tigre, no Estado de Anzoátegui.
A debandada recente de ao menos onze jornalistas da emissora venezuelana crítica ao governo Globovisión tem levantado questões sobre a pluralidade de veículos de comunicação no país. Os apresentadores Gladys Rodríguez, Román Lozinski, María Elena Lavaud, Roberto Giusti, María Isabel Párraga e Mary Montes, por exemplo, pediram demissão do canal dias após a saída do célebre Leopoldo Castillo, condutor do programa "Alô, Cidadão", informou o site America Economia.