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Jornalista americano relata como foi o período em que ficou detido pelas autoridades venezuelanas

O jornalista do diário americano The Miami Herald Jim Wyss contou como foi o período de 48 horas que passou preso pelas autoridades venezuelanas em uma nota publicada na terça, 12 de novembro. Wyss, correspondente chefe da sucursal do jornal na região andina, chegou aos Estados Unidos no último domingo, 10 de novembro, após ser liberado no dia anterior, informou a agência de notícias EFE.

A prisão do repórter ocorreu na quinta, 7 de novembro, quando Wyss se apresentou nas instalações da Guarda Nacional Bolivariana, entidade que controla a fronteira, para saber os números do contrabando na fronteira com a Colômbia. No mesmo dia, ele havia entrevistado líderes de partidos opositores e governistas sobre as eleições municipais que acontecerão no próximo dia 8 de dezembro.

“A tarde se tornou noite entre múltiplas mensagens de que 'o general' havia encontrado um lugar na sua agenda para mim”, relatou o jornalista. “Às 19h -- depois de quatro horas de espera -- disse que precisava ir embora. Responderam que não poderia”.

"Nesse momento fui notificado que estava sendo investigado pela contrainteligência militar". Em seu relato, o jornalista conta com detalhes como foi o interrogatório a que foi submetido, o confisco do seu telefone celular e da memoria de seu computador. Ele ainda descreveu os momentos de sorte que permitiram sua libertação, como a ligação escondida que conseguiu fazer para sua namorada - que falou com os diretores do Herald - ou quando foi visto por outros repórteres venezuelanos que notaram sua detenção.

Wyss, instalado em Bogotá (capital da Colômbia) cobre a região Andina há três anos. Durante este tempo, viajou ao menos doze vezes para a Venezuela como parte de seu trabalho sem nenhum contratempo, acrescentou em sua nota.

Quando soube do caso, a Sociedade Interamericana de Imprensa, SIP, exigiu a imediata liberação do repórter. Claudio Paolillo, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, se mostrou revoltado por esta “nova amostra de intolerância de um regime que dia após dia demonstra seu menosprezo pelo trabalho jornalístico e a liberdade de imprensa”.

Há menos de uma semana, aumentaram as críticas à detenção por sete horas de jornalistas do Diário 2001, quando se tornou público que os comunicadores haviam sido convocados ao local em que foram detidos.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog Jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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