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Autoridades investigam nova ameaça contra jornalistas colombianos que haviam sido sequestrados por grupo guerrilheiro

  • Por Guest
  • 13 julho, 2016

Por Heloisa Aruth Sturm and Teresa Mioli

Dois jornalistas colombianos que foram sequestrados pelo Exército de Libertação Nacional (ELN) em maio receberam mensagens de texto ameaçadoras, supostamente assinadas pelo ELN, de acordo com um relatório recente da Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP).

O jornalista Diego D'Pablos recentemente recebeu uma mensagem de texto ameaçadora em seu celular dizendo que ele e seu colega do Noticias RCN, o jornalista Carlos Melo, estariam sendo considerados alvos militares. A mensagem tem início com o nome "Manuel Guevara da Frente Hector do ELN."​

D'Pablos e Melo, juntamente com a jornalista colombiana-espanhola Salud Hernández-Mora, foram sequestrados pelo ELN em maio de 2016.  Mais tarde, eles foram libertados, e, na ocasião, o ELN disse que respeitava a liberdade de expressão.

A RCN solicitou ao Comando Central do ELN para que verificasse a autenticidade da ameaça e pediu ao governo para investigar o caso.

Guillermo Rivera, ministro do Interior em exercício, disse que há probabilidade de que as ameaças sejam provenientes do ELN e assegurou que o governo irá proteger os jornalistas.

"O Governo acredita que é mais provável que essas ameaças venham do ELN, no entanto, estamos à espera de que as autoridades competentes indiquem claramente de onde vêm, mas de onde quer que elas venham, o governo as condena categoricamente e já tomou decisões para fornecer imediatamente as devidas medidas de proteção aos jornalistas,” disse Rivera, de acordo com a RCN.

No entanto, fontes do governo entrevistadas pela Rádio RCN afirmam que as investigações preliminares sugerem que as ameaças não possuem os elementos usuais empregados pelo grupo guerrilheiro para intimidar suas vítimas.

A conta de Twitter da estação de rádio do ELN publicou um comunicado negando qualquer envolvimento no caso. "O ELN desmente publicamente as pessoas que de forma covarde e em nome da nossa organização ameaçam Diego D'Pablos e Carlos Melo", escreveu o grupo no Twitter.

A Anistia Internacional instou as autoridades a realizar uma investigação completa para determinar a autoria da ameaça, e enfatizou que isso poderia afetar as negociações de paz naquele país.

Segundo a Anistia, a ameaça de morte "fará pouco para avançar as estagnadas negociações de paz entre o governo e o Exército de Libertação Nacional."

"Tais ameaças só servem para minar o inestimável trabalho de jornalistas na Colômbia, que têm sido alvo de abusos de direitos humanos e violações por parte de todos os atores no longo conflito armado da Colômbia, incluindo as forças de segurança, paramilitares e grupos guerrilheiros,” disse a organização em um comunicado.

A FLIP e outras organizações para a liberdade de expressão criticaram a "passividade das autoridades para acabar com esse risco" e exortou-as a garantir a segurança dos jornalistas e direcionar esforços para acabar com a impunidade no país.

"A impunidade cria um clima de permissividade para as ações de violência e censura, tais como a mensagem ameaçadora enviada para os jornalistas da RCN,” disse a organização. A entidade acrescentou que "a perseguição a que os jornalistas Diego D'Pablos e Carlos Melo estão sendo submetidos é uma violação à liberdade de imprensa que começou com o sequestro e agora aumenta com esta ameaça."

Apesar das ameaças recebidas, D'Pablos disse que não vai deixar o país. "Nós vamos ficar aqui. Nós não vamos nos deixar intimidar porque não fizemos nada de errado e vamos continuar fazendo o nosso trabalho," disse o jornalista colombiano em entrevista à Associated Press.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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