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Brasil corre para substituir totalmente TV analógica por digital até 2016

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  • 26 abril, 2013

Por Ed Porto*

Inaugurada oficialmente no Brasil em dezembro de 2007, a TV digital cobre hoje 46,8% da população do país, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). O que significa essa cobertura a menos de três anos do fim da TV analógica – que deve acabar, por decreto, em julho de 2016? O que o governo federal planeja para cobrir os 53,4% restantes da população com o sinal digital em um terço do prazo restante?

Segundo um relatório publicado em maio de 2012 pela ANATEL, a cobertura do sinal de TV digital no país é desigual: enquanto, em alguns estados brasileiros como o Amapá, ele cobre mais de 80% de sua população, em outros há sinal de TV digital apenas nas capitais.

Outro problema enfrentado para o estabelecimento dessa nova tecnologia no país é o número de canais em operação. Há 1.052 canais de TV digital registrados, mas apenas 137 deles estão em operação, segundo documentos do Ministério das Comunicações. O que pode explicar esse percentual de apenas 13% dos canais registrados em operação?

O caminho do Brasil​
Entre os três principais padrões de TV digital usados no mundo, o governo brasileiro escolheu o ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial), desenvolvido no Japão. A mesma escolha foi feita por outros países da América Latina, como Peru, Argentina, Chile, Venezuela, Equador, Paraguai, Bolívia e Uruguai.

Para acelerar a implantação da TV digital no Brasil, o governo estuda formas de subsidiar a compra de aparelhos digitais ou de conversores pela população com menor poder aquisitivo. “Precisamos acelerar a digitalização, e se não houver uma ação forte do governo, a meta de 2016 vai atrasar”, disse o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, ao Estado de S. Paulo em dezembro de 2012. Segundo o ministro, medidas de incentivo para que as emissoras possam agilizar a digitalização também devem ser tomadas.

Apesar dos atrasos na implantação, o Brasil pode estar no caminho certo. É a opinião de Guido Lemos, representante do Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital, associação que congrega radiodifusores, fabricantes, desenvolvedores e entidades de ensino e pesquisa no Brasil. "É complicado viabilizar os investimentos necessários, principalmente para as cidades menores onde o retorno do investimento é menor e mais demorado. Os radiodifusores, a população e o governo estão agindo dentro do esperado, considerando as condições socioeconômicas do país”, afirma Lemos.

Mas, afinal, o que é a TV Digital?
Além de considerável melhoria na qualidade da imagem e do som, a TV digital possibilita a interatividade do telespectador com aplicativos televisivos e com outros telespectadores. Assim, é possível compartilhar informações em uma rede social de pessoas interessadas em determinado programa de TV, além de fazer compras (t-commerce), aprender (t-learning), pagar contas e checar saldos (t-banking), acertar as contas com o governo (t-government) etc.

No site do governo brasileiro sobre a TV digital há também outras informações sobre essa tecnologia.

*Ed Porto é professor do Departamento de Informática da UFPB. Atualmente realiza Estágio Sênior na Univesidade do Texas (Centro Knight para o Jornalismo nas Américas) com bolsa CAPES. 

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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