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Brasil, México, Peru e Colômbia entre os cinco países com mais mortes de jornalistas por COVID-19, segundo relatório

O Brasil é o país em que mais jornalistas morreram de COVID-19 desde o início da pandemia, com 295 óbitos. A Índia vem em segundo lugar, com 279 mortes. Em terceiro, quarto e quinto lugares no mundo estão o Peru, com 199; México, com 122; e Colômbia, com 79, respectivamente.

Isso foi relatado pela organização não-governamental Press Emblem Campaign (PEC), com sede em Genebra, na Suíça, que trabalha pela segurança e proteção legal de jornalistas em todo o mundo.

Em um relatório anual publicado em 7 de janeiro de 2022, a ONG detalhou que, em 2021, um total de 1.400 comunicadores morreram devido ao coronavírus. Isso é uma média de 116 por mês, ou cerca de 4 por dia. No total, 1.940 jornalistas morreram de COVID-19 em todo o mundo desde que a PEC iniciou sua contagem, em março de 2020.

Quase metade das mortes de jornalistas por COVID-19 no mundo aconteceu na América Latina.  (Foto: Campanha Press Emblem)

Quase metade das mortes de jornalistas por COVID-19 no mundo aconteceu na América Latina. (Foto: Campanha Press Emblem)

A América Latina é a região do mundo com mais vítimas. Desde 2020, houve pelo menos 954 mortes de jornalistas por complicações da doença na região, seguida pela Ásia (com 556 mortes), Europa (com 263), África (com 98); e América do Norte (com 69).

Na Venezuela, 59 comunicadores sucumbiram ao vírus; no Equador, 51; na Argentina, 46; na República Dominicana, 29; na Bolívia, 20; em Honduras, 19; e no Panamá, 17.

Os países latino-americanos com menos óbitos são a Guatemala, com 11 jornalistas falecidos; Nicarágua, com 10; Cuba, com 9; e Costa Rica e El Salvador, com três casos cada. Duas mortes foram registradas no Chile, assim como na Guiana, enquanto Barbados e Jamaica registraram um comunicador morto cada.

O relatório indicou que o número de 1.940 mortos é provavelmente uma estimativa baixa e que cerca de 50 óbitos ainda estão sendo investigados em todo o mundo. A organização calcula que o número real de jornalistas mortos pelo vírus seja maior, já que em alguns países não há informações confiáveis ​​ou, em alguns casos, as mortes não são registradas.

"Às vezes, a causa da morte não é clara e precisamos de mais tempo para incluir ou não uma morte em nossas estatísticas", disse Blaise Lempen, secretário-geral da PEC, em troca de e-mails com a LatAm Journalism Review (LJR) .

A Campanha Press Emblem registrou casos de mortes de comunicadores por coronavírus em 94 países.  (Foto: Campanha Press Emblem)

A Campanha Press Emblem registrou casos de mortes de comunicadores por coronavírus em 94 países. (Foto: Campanha Press Emblem)

Previsão de desaceleração das mortes em 2022

No primeiro semestre de 2021, houve um aumento nas mortes de jornalistas no mundo devido aos efeitos do SARS-CoV-2: 1.175 mortes, ante as mais de 500 registradas em todo o ano de 2020. No entanto, as mortes diminuíram no segundo semestre de 2021, enquanto a vacinação progrediu na maioria dos países considerados.

“A PEC espera que essa desaceleração continue em 2022, mas está preocupada com o alto número de infecções causadas pela variante Ômicron. Ela pede a todos os trabalhadores da mídia que tomem as precauções necessárias, incluindo doses de reforço”, disse o relatório.

Até agora, em 2022, três jornalistas morreram por complicações da COVID-19, segundo o registro da PEC, um deles na América Latina: o uruguaio Carlos Guerra, jornalista de rádio e televisão nos departamentos de Maldonado e Rocha.

No último dia de 2021, o jornalista Laudinir Lino, também apresentador de mídia eletrônica, morreu no Brasil aos 64 anos.

Desde março de 2020, a PEC mantém em seu site a contagem das mortes de comunicadores por COVID-19 para homenageá-los e colocar nome e rosto nos números. Os registros são baseados em informações da mídia local, associações nacionais de jornalistas e correspondentes regionais da PEC em 94 países.

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