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Editor e correspondente morto em Guerrero é o quinto jornalista assassinado no México em 2016

  • Por Guest
  • 26 abril, 2016

Por Giovana Sanchez

O jornalista Francisco Pacheco Beltrán, correspondente do El Sol de Acapulco e da estação Capital Maxima 97.1FM, foi morto em 25 de abril, em frente à sua casa em Taxco de Alarcón, no estado mexicano de Guerrero. Ele é o quinto jornalista assassinado neste ano no país.

Segundo o Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), Pacheco deixou sua casa para levar uma das filhas à estação de ônibus por volta de 6h30. e foi baleado quando voltava, em frente à sua casa. No entanto, segundo a revista Proceso, Pacheco foi morto por um grupo de homens armados quando deixava a sua casa, não na volta.

A Proceso também reportou que o jornalista de 55 anos morreu no local do ataque, enquanto recebia os primeiros socorros.

Autoridades locais confirmaram ao CPJ "que duas capsulas de balas na cena do crime, mas que aparentemente não há testemunhas do crime". Segundo o CPJ, o jornalista não havia mencionado ter recebido ameaças.

“O ciclo infinito de violência contra jornalistas mexicanos está devastando a imprensa local”, disse Carlos Lauría, coordenador sênior do programa do CPJ para as Américas, segundo um comunicado da organização. “Autoridades federais precisam investigar profundamente o assassinato com aparência de execução de Francisco Pacheco Beltrán e extinguir todos as possíveis motivações, incluindo relações com seu trabalho como jornalista.”

A Associação Interamericana de Imprensa também condenou o assassinato e a "falta de proteção aos membros da imprensa," que leva a um "duplo silenciamento" de jornalistas.

A Organização Editorial do México (OEM, na sigla em espanhol) também condenou o assassinato, segundo o El Sol de México.

Pacheco era também editor da revista semanal El Foro de Taxco e tinha seu próprio website, onde, segundo o CPJ, "ele postava regularmente matérias relacionadas a crimes regionais e violência – que nos últimos anos tem tocado na relação com o crime organizado e o tráfico de drogas."

Após o assassinato, El Foro de Taxco escreveu no Twitter pedindo justiça para Pacheco, tagueando o governador de Guerrero, Héctor Astudillo, e o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, “que sua morte não vire outra estatística.”

Ao menos cinco jornalistas forma mortos no México nesse ano. Moisés Dagdug Lutzow, diretor e dono da empresa demidia Grupo VX, foi morto em Tabasco em 20 de fevereiro. A jornalista Anabel Flores Salazar foi sequestrada em 8 de fevereiro de sua casa em Veracruz e encontrada morta no dia seguinte na cidade vizinha Puebla. Em janeiro, dois jornalistas foram mortos em Oaxaca no período de um final de semana. Marcos Hernández Bautista, correspondente do Noticias Voz e Imagen of Oaxaca, foi morto em 21 de janeiro e o apresentador de rádio comunitária Reynel Martínez Cerqueda foi morto em 22 de janeiro.

Em 2015, um total de sete jornalistas foram mortos no país. Além disso, o México vivenciou um ataque contra jornalistas a cada 22 horas, fazendo de 2015 o ano mais violento para a imprensa do país desde 2009, segundo a organização Article 19 Mexico. Ainda de acordo com a organização, o estado de Guerrero registrou 56 ataques contra jornalistas em 2015 e 11 nos primeiros três meses de 2016.

Um tweet do El Foro de Taxco postado em 25 de abril diz: “confirmamos o assassinato do jornalista Francisco Pacheco Beltrán, fundador desse veículo independente. Agradecemos vossas condolências."

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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