Depois da prisão de José Rúben Zamora e do fechamento do elPeriódico, jornal que ele fundou e dirigia, vários meios desafiam a pressão do governo e trabalham juntos em investigações e fact-checking na Guatemala. Quatro jornalistas contam como continuam defendendo o jornalismo no país.
Várias décadas se passaram desde que os últimos regimes ditatoriais foram instalados no Cone Sul da América Latina. Defensores dos direitos humanos e uma jornalista falam sobre os desafios de reportar o passado recente e por que é importante continuar fazendo isso.
Parlamentares do Peru lançam ataques variados para restringir a liberdade de imprensa, e associações jornalísticas resistem como podem. Polêmico projeto de lei pode fracassar no Congresso, mas outras iniciativas ameaçadoras permanecem em discussão, refletindo a deterioração das condições democráticas no país.
Depois de quase 27 anos, o diário guatemalteco elPeriódico anunciou seu fechamento em meio a alegações de perseguição do governo. Seu presidente e fundador está há quase 10 meses na prisão desde que foi preso por acusações muito criticadas.
O jornal mais aclamado de El Salvador transferiu seus setores administrativo e jurídico para a Costa Rica devido a assédio e vigilância do governo. No entanto, os jornalistas permanecem no país. Em entrevista à LJR, o cofundador Carlos Dada explica como essa mudança permite que eles continuem seu trabalho investigativo, enquanto expressa preocupações com o autoritarismo e possível criminalização de jornalistas.
A jornalista independente cubana Tania Díaz Castro dedicou 60 anos à sua profissão, foi prisioneira política e publicou quatro livros de poesia. Agora, aos 84 anos, ela vive sozinha em Cuba, sem pensão ou aposentadoria. O coletivo Casa Palanca está realizando uma campanha de arrecadação de fundos para obter uma pensão digna para a jornalista.
Este 2023 completam-se 30 anos desde que a Assembleia Geral da ONU proclamou o dia 3 de maio como o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. O principal evento de comemoração acontecerá em Nova York, e também haverá celebrações em países da América Latina.
Em painel na UT Austin, quatro jornalistas venezuelanos relataram suas experiências de perseguição e sobrevivência durante duas décadas e meio em um país que deixou de ser uma democracia, onde falta papel-jornal e os meios oficiais se tornaram hegemônicos.
Alejandro Astesiano foi o chefe da segurança do atual presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, até ser preso pela polícia por liderar uma organização que falsificou documentos para obter passaportes para cidadãos russos. A imprensa uruguaia obteve rapidamente o dossiê de investigação do caso com mais de mil diálogos dos acusados no Whatsapp.
A prisão e o processo judicial do jornalista José Rubén Zamora levanta suspeitas de uma estratégia do governo guatemalteco para silenciar a imprensa e até mesmo opositores políticos em meio a uma campanha eleitoral inundada de alegações de corrupção, de acordo com análises de jornalistas e especialistas em direitos humanos.
Em eventos sem precedentes na ‘Suíça da América Central’, Rodrigo Chaves utiliza retórica autoritária e aparato estatal para perseguir meios de comunicação independentes. Defensores da liberdade de expressão e jornalistas acreditam que democracia sobreviverá, mas veem risco de violência.
O jornalista Hélio Doyle foi destacado para liderar a reconstrução da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) após seis anos de desmandos e censura sob os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Doyle falou à LatAm Journalism Review sobre como o jornalismo será “um carro-chefe” na comunicação pública feita pela estatal.